Carlos e Murilo agora dispunham de cartas especiais que possibilitam novas evoluções e haviam acabado de ativá-las passando pelo leitor de cartão dos seus novos digivices.

Terriermon gira em alta velocidade até ser envolvido por um tornado de fogo, que passa a crescer. Uma caixa de madeira forma-se ao redor de Patamon e passa a gira em várias direções enquanto ganha volume. O tornado de fogo logo se desfaz revelando um digimon humanoide inteiramente feito de fogo. Grandes olhos azuis e boca com linhas que unem os lábios, como os de um espantalho.

Verônica rapidamente ergue seu digivice na direção do digimon de fogo, fazendo com que o aparelho rastreasse suas informações.

Meramon, um digimon Híbrido. Sua pele é inteiramente coberta por fogo. Consegue aumentar ou diminuir qualquer parte do seu corpo, além de poder controlar esse elemento. Cria bolas de fogo nas palmas das mãos para poder atacar e se defender.

O enorme caixote de madeira emite feixes de luz pelas suas arestas antes de explodir em dados, revelando a presença de um guerreiro samurai que usa duas espadas de madeira, além de luvas, que lhe chegam até o antebraço, feitas do mesmo material. Sobre as luvas existem placas quadradas de madeira, amarradas por cordas, que funcionam como escudos. Pele amarela, calça de lona com barras rasgadas, pés descalços. Veste camiseta branca sobre a qual existe cipós verdes que cruzam sobre seu peito formando um xis. Sobre o rosto, uma máscara branca com dois chifres frontais que lhe escondem boca e nariz, evidenciando apenas seus olhos e cabelos vermelhos.

A domadora de Plotmon, que acabara de rastrear informações sobre Meramon, volta seu aparelho para o guerreiro das espadas de madeira.

Yashamon, um digimon Híbrido. Esse guerreiro é um profundo conhecedor das artes marciais, além de conseguir controlar o seu elemento gerador. Ao unir suas espadas de madeira, consegue produzir uma forte corrente elétrica.

O digimons guerreiros, dotados pelo poder de controlar o fogo e a madeira, dois dos elementos essenciais à vida digital, observavam os cinco Orgemons a sua frente.

— Pronto, Yashamon? – Questiona o digimon de fogo.

O guerreiro que porta espadas de madeira assente com a cabeça antes de avançar, em alta velocidade, na direção dos Orgemons e atingir um dos ogros com suas espadas, atravessando-as em seu peito e levando-o a explodir em dados. Logo após, o digimon samurai segue com cambalhotas, retornando para próximo do Meramon.

— Pessoal, — brada o líder dos digimons — vamos fazer picadinho desses digimons!

Os Orgemons restantes avançam em conjunto no Meramon, que simplesmente infla sua barriga, como uma enorme bexiga, lançando todos ao chão. Os digimons se levantam e usam suas técnicas “Punho do Rei Supremo” ao mesmo instante.

— Esferas de Fogo. – Diz Meramon criando pequenas bolas de fogo com as mãos e lançando-as de encontro às técnicas dos rivais, levando-as a explodir antes que os atingissem.

Dois dos Orgemons avançam de encontro ao Meramon, enquanto os outros dois seguem na direção de Yashamon. O digimon surgido da evolução de Terriermon com a “Carta das Chamas” seguia tentando socar e chutar os demais digimons que apenas desviavam, já que o simples contato com o seu corpo já os machucariam. O digimon samurai que controla a madeira seguia num embate corporal mais feroz. Entre socos, chutes e joelhadas, ele seguia socando os dois digimons que tentavam golpeá-lo com seus tacapes, sem lhes dar chance de contra-atacar.

Meramon infla ambas as mãos e consegue segurar os dois digimons ogros pelo meio do corpo, arremessando-os com forte impacto sobre o asfalto. Já Yashamon aproveita a distração de um dos digimons e rapidamente saca uma de suas espadas e consegue rasgá-lo ao meio, convertendo-o em dados. O digimon do Murilo observava o digimon que restara sem pronunciar uma palavra sequer, deixando-o nervoso.

Os domadores e os outros digimons admiravam tamanha demonstração de força e poder.

Os três Orgemons sobreviventes se unem e tentam fugir.

— Desgraçados! – Grita Meramon. — Vocês não irão fugir.

O guerreiro de fogo ergue as mãos para o céu e começa a formar uma imensa bola de fogo. Meramon arremessa a sua técnica na direção dos digimons que fugiam, conseguindo destruir dois dos Orgemons.

O digimon líder do bando, mesmo ferido por conta da explosão, consegue fugir.

— Carlos, você conseguiu! – Comemora Verônica abraçando o seu amigo.

— Eu e Murilo conseguimos!

Carlos estende a mão para Murilo, que logo a aperta e sorri.

— Bem-vindo ao grupo! – Diz o Domador Beta.

— Valeu!

Meramon se aproxima de Carlos, que logo sente o calor emanado pelo corpo do digimon.

— Hei, toma cuidado! – Brada o domador se afastando.

— Eu to pegando fogo, Carlos, que legal! E também, eu só queimo o que eu quero. — No mesmo instante, as chamas do corpo do digimon ficam com a temperatura ambiente. — Pode me tocar sem medo.

Lentamente Carlos se aproxima de Meramon e percebe que suas chamas não emitiam mais ondas de calor. Ao tocá-lo, o domador nota que suas chamas não o queimavam.

— É mesmo. Eu não to me queimando.

— Ah! – Diz a garota de voz rouca. — Você ta de sacanagem comigo.

Flávia, Antônio, Kokabuterimon, Verônica, Plotmon, Bárbara e Fanbeemon se aproximam do digimon humanoide de fogo para sentir de perto o que Carlos havia dito.

Murilo observa Yashamon, que estava sério e olhando fixamente para o céu.

— Dia bonito, não é? – O digimon olha para seu domador de maneira fria. — Para de me olhar assim. Dá medo! — Yashamon torna a olhar para o céu. — Você costuma ser assim, calado? — Nada responde. — É mudo? Ou não consegue falar? — Yashamon confirma com um lento aceno de cabeça. — Hum... Mudo ou não consegue falar... – O digimon samurai torna a olhar para o céu.

— Tenho quase certeza de que o próximo cartão é seu! – Diz Antônio à Flávia.

Murilo e Yashamon se aproximam da conversa.

— Por quê?

— Porque Bárbara e Murilo se tornaram domadores. Eu já me decidir: Vou embora!

— Não Antônio, fica! – Pede a domadora de Plotmon.

— Não tenho digivice. E pelo visto, os dados de evoluções ficam todos armazenados nele.

— Como assim?

— Percebi isso quando sua Plotmon tentou evoluir para Ophanimon e não conseguiu.

— Eu jurava que era por que ela estava exausta.

— Pelo visto, as informações necessárias para a evolução deles ficam armazenadas no digivice. Como os nossos foram destruídos...

— Mas Frimon não conseguiu evoluir agora a pouco, mesmo sem a ajuda do seu digivice?

— Ele conseguiu isso porque, provavelmente, é o nível estável dele, Carlos. Do mesmo jeito que Leormon treinou e conseguiu se estabilizar no nível Adulto.

— Bem observado da sua parte! – Diz o garoto de óculos, concordando. — Adeus evoluções. Pelo menos momentaneamente.

— Não acredito! – Diz Verônica, com pesar.

— Por isso eu quero voltar. Quero não, preciso!

— Ta certo, então! Obrigado por ter confiado em mim e aceitado meu pedido de fuga, mesmo sem saber da minha intenção.

— E qual era sua intenção ao tentar manter eu, Bruninho e Igor aqui?

— Era está cercado de domadores da minha confiança para poder dá o troco naquele trio e, quem sabe, recuperarmos os digivices de todos!

— Obrigado pelas palavras, cara! – Agradece o domador envaidecido. – Sempre confiei em vocês seis! Vi a preocupação que tiveram com todos nós contra os ditadores e de como João e a Verônica se preocuparam em salvar a vida do Blaze.

— Você foi o primeiro a tentar salvá-lo. – Diz Verônica. – Você é testemunha do acidente que aconteceu com ele. E foi o primeiro alutar pela sua melhora. Tenha absoluta certeza de que as palavras do Carlos representam as palavras de todos os outros Domadores Beta.

Carlos estende seu digivice e, após acessar o aplicativo “0707”, abre um portal.

— Pessoal, boa sorte. Acho melhor que vocês façam o mesmo assim que encontrarem o João. Esqueçam Blaze, Alex e Fernanda. Agora vocês têm novos digivices e temos novos colegas. Vamos, Koka.

Antônio e seu digimon besouro mecânico de cor azul que usa um lenço laranja atado ao pescoço, entram pelo portal e o mesmo se fecha logo em seguida.

— Pessoal, e o meu irmão? – Relembra a garota de olhar fugitivo. — Vocês prometeram me ajudar a procurar por ele.

— Tudo bem, Bárbara. Antes de irmos a gente caçará João, Betamon e Bento.

Yashamon e Meramon regridem para Patamon e Terriermon, respectivamente, se deslocando para os ombros dos seus domadores.

O grupo segue andando pelas ruas da cidade, guiados pela Flávia e pelo Patamon que os levavam ao local onde haviam visto João e Betamon pela última vez quando um chamado os fazem parar de caminhar.

— Culumon? – Questiona Carlos totalmente surpreso.

— Você está melhor, Guilmon?

— Estou, Blaze. Bento está sendo bem legal comigo.

Os garotos seguiam às margens do rio e o tiranossauro vermelho já demonstrava sinais de melhora.

— Muito obrigado, Bento.

— Se precisar, estou às ordens.

— Quanto exagero por causa de um digimon.

— Você saber ser muito chato quando quer, hein, Alex?

— Meninos, se acalmem. – Pede Fernanda. — Nossa intenção não é essa.

— Intenção do que?

— Nada demais, Bento. – Diz Blaze tentando contornar a situação. — Fernanda quis dizer que nós retornaremos ao Mundo Real em breve.

— Você prometeu me ajudar a achar Bárbara!

— E ta de pé minha promessa. A gente só volta quando achá-la. Deixa Guilmon se recuperar que você vai ver como será fácil.

Alex observa com estranheza o modo como Blaze e Bento conversavam e se olhavam.

— Eu também faço questão de te ajudar, Bento. – Diz a garotas de lábios carnudos e cabelos ondulados. – Solarmon, você consegue evoluir?

— Vou tentar!

A digimon engrenagem rapidamente é envolta por um casulo de luz, tornando-se a digimon dirigível.

— Quem bom que conseguiu! Todos a bordo.

Blimpmon, que planava a alguns centímetros chão, abre a porta que dá acesso ao compartimento para o transporte de pessoas e todos embarcam. Logo depois, a digimon levanta voo e segue pelo Mundo Digital.

— Estranho isso, não? – Sussurra Alex ao se aproximar da Fernanda.

— O que?

— O papo dos dois!

— Nada a ver, Alex!

— Até parece que já se conheciam a mais tempo, Fernanda! Fora que esse irmão da Bárbara tem todo o jeito...

— Você também percebeu? – Indaga a garota tentando conter o riso. — O tom de voz dele, a maneira de falar e gesticular... Você já percebeu como ele olha para Blaze? Aquilo não é olhar de amizade ou de gratidão, não!

Alex sorri.

— Em Fortaleza isso leva outro nome! – Finaliza a garota olhando-os mais uma vez.

Júnior, Kau, Lucas e Caio continuam sua jornada em direção à Ilha Arquivo montados em Sunflowmon e Exveemon.

— Vai demorar muito? — Diz Caio com a mão acima dos olhos observando ao longe. Monodramon o imitava.

— Acho que agora falta pouco. – Diz o garoto mais alto e magro, domador de Kudamon e líder do grupo.

— Essa luta contra os Domadores Beta será difícil. Estão se esquecendo que os digimons deles podem chegar a Extremidade?

— É... – Balbucia Lucas, o garoto de profunda cicatriz em um dos braços. — Andei pensando nisto, também. Será que temos chance?

— Vamos quebrar a cara deles!

— Você é confiante, hein, Caio? – Observa Júnior, sorrindo.

— Pelo menos alguém na equipe precisa ser!

Júnior e Lucas sorriem com a observação feita pelo amigo.

Leon nota que o garoto de cabelo verde estava pensativo.

— Kau. Usted es mejor?

— Não entendi o que disse.

— Ele perguntou se você está melhor? – Interfere Exveemon.

— To conformado. Só quero recuperar meu digitama o mais rápido possível.

— Voy a hacer todo lo posible para ayudarle. Pueden contar conmigo.

— Valeu por continuar do meu lado mesmo depois de ter feito tudo aquilo contigo.

Leon olha pro Kau sem entender absolutamente nada e sorri.

— Kau, Leon não entendeu uma palavra sequer do que você acabou de dizer. Ele não guarda nenhum rancor de ti. Posso dizer isso com bastante segurança. Leon é puro de coração, apesar de ser o mais velho entre vocês.

O garoto moreno de corpo musculoso e olhos verdes, grita, animado, sobre as costas da Sunflowmon:

— Terra à vista! – Diz indicando o horizonte.

Os outros domadores, que estavam distraídos olham ao longe, na direção indicada pelo Caio e veem a Ilha Arquivo. Uma ilha de médio porte com uma montanha pontiaguda no centro. O digimon dragão humanoide de pele azul e a digimon que possui a cabeça em formato de um girassol aceleram a velocidade do voo, chegando em poucos minutos a uma praia da ilha.

Ao pousarem na areia, regridem tamanho o cansaço que sentiam.

— Não consegui continuar, Lucas. Estou exausta.

— Eu também.

— Podem ficar sossegados. – Diz o garoto de óculos. — Vamos caminhando.

— Quem é vivo sempre aparece! – Brada Verônica assim que Culumon se aproxima.

— Foi até bom o senhor aparecer. – Diz o garoto de óculos com certa ironia. — Tenho algumas perguntas a fazer: Por que você escolheu novos domadores? Onde o João está agora? E essas Cartas? Desde quando elas existem e por que nós ganhamos novos digivices?

— Não posso demorar, por isso não vou responder suas perguntas. Vocês precisam achar outras fontes de energia.

— Como assim, seu louco? Que fontes de energias são essas?

— Eu as guardei num local secreto!

— Se você sabe onde está por que não as entrega logo pra gente? – Indaga Murilo.

Culumon engole a seco.

— Eu esqueci onde as escondi.

— E o que é que devemos procurar? – Indaga Plotmon.

— Vocês deverão procurar as Cartas Acessórias.

— O que? – Pergunta o garoto, domador de Patamon, sendo prontamente interrompido por Carlos, que diz:

— Quer dizer que existem mais cartas que possibilitam evoluções?

— Não. Essas são Cartas Acessórias.

— E qual a diferença?

— Elas poderão dar mais poder, mais força, agilidade, armas... Coisas do tipo!

— E por que temos que achar essas tais cartas?

— Porque elas são de grande utilidade, Flávia!

— Entregue-as logo antes que eu desista de ajudar vocês.

— Você não pode fazer isso, Murilo! Agora você é um de nós.

— E quem vai me impedir?

— Meu recado já foi dado! – Diz o deus-digimon. – Agora, irei embora.

— Hei, responda! – Pede Bárbara. — Por que você nos escolheu? Até ontem, durante o torneio, você nos tratava como humanos simples.

Culumon segue andando, sem dar a mínima importância a pergunta feita pela garota, indo em direção a uma árvore.

— Por que você criou esse torneio? – Insiste Carlos, visivelmente nervoso. — Por que deixou que destruíssem nossos digivices?

O pequeno digimon de corpo branco, com sinais roxo e um triângulo vermelho e invertido desenhando na testa, continua a caminhar sem se importar com as perguntas.

— Terriermon! Pegue-o a força!

— Patamon, ajude-o.

Terriermon corre enquanto Patamon seguia voando para cercar o deus-digimon que já havia se deslocado para detrás da árvore. Os digimons de Murilo e Carlos avançam por lados opostos da árvore, numa tentativa de cercá-lo, quando percebem que o pequeno digimon havia desaparecido sem deixar vestígios.

— Ele desapareceu, Carlos.

— Não é possível, Terriermon. Olhe na copa da árvore.

— Você também, Patamon!

— Fanbeemon, por favor, ajude-os.

— Certo, Bárbara.

A digimon abelha voa ao redor da copa da árvore juntamente com Patamon, enquanto Terriermon seguia saltando de galho em galho, observando minuciosamente.

Os humanos e Plotmon se aproxima da referida árvore.

Terriermon, que estava sobre o galho mais alto, se lança sobre Carlos, assustando-o.

— Ele desapareceu, Carlos!

— Nossa, Terriermon, da próxima vez deixo você se esborrachar no chão!

Todos gargalham.

— O que aconteceu? – Pergunta Bárbara, sendo contagiada pelo acesso de riso do grupo.

— Terriermon que saltou de cima da árvore sobre a cabeça de Carlos. – Explica a garota loira de voz rouca. — Quase que os dois iam parar no chão.

— Verônica, to com fome! – Avisa Plotmon!

— Eu também estou. – Endossa a digimon abelha.

— Eu vi uma pizzaria logo ali, há duas esquinas daqui. Será que funciona?

— Não custa nada tentarmos! – Diz o garoto de óculos de armações negra.

Os domadores: Carlos, Verônica, Murilo e Bárbara, juntamente com seus parceiros e com a Flávia, seguem andando quando são surpreendidos por um motoqueiro que surge em alta velocidade pela rua que cruza a avenida principal, fazendo esquina com a pizzaria. A motocicleta segue andando em círculo, ao redor dos domadores e dos digimons, assustando-os.

— Quem será? – Questiona Verônica aos demais. – Será algum digimon pacífico?

— Tenho minhas dúvidas, Verônica. – Responde o garoto magro de cabelo negro e curto.

O motoqueiro finalmente para a moto e sai de cima dela, retirando o capacete. Os garotos e digimons olham para o digimon gorila sem demonstrar nenhum sinal de espanto ou medo, com exceção do pequeno hamster que estava sobre o ombro esquerdo de Murilo.

— ETEMON!

Continua...