Digimon Beta - E as Cartas Acessórias
22 Encontrando o Domador Perdido
Kau, Júnior, Lucas e Caio estavam na Arena Quadrática quando seus digivices reagiram: o Domador Perdido estava por perto. Rapidamente, o grupo abandona o torneio e resolve ir atrás do último integrante que faltava. Quando o quinteto finalmente estivesse completo, seriam informados sobre a missão que havia sido designada a eles.
Guiados pela seta vermelha que havia surgido na tela do aparelho prateado, os garotos chegam a uma cidade completamente deserta. Após caminharem por algumas ruas e avenidas e notarem que o aparelho havia parado de indicar por qual caminho seguir, se dão conta de que estavam em uma localidade do Mundo Digital extremamente perigosa: a Zona 27. O grupo, que já havia passado por sérias dificuldades naquela cidade, resolve bater em retirada quando cada integrante novamente é atacado por esferas de energia negra com o núcleo esverdeado até ficam completamente inconscientes.
Os garotos acordam em um local completamente diferente daqueles onde haviam sido atacados. O quarteto, acompanhado de seus digimons, conversavam e tentavam criar teorias e explicações para o que, novamente, havia motivado o ataque e como eles haviam chegado aquele enorme e escuro galpão, quando o portão de ferro começa a deslizar para um dos lados. O som gerado pelas rodas de metal em atrito com o chão ecoava no ambiente. A luz do sol que entra pelo portão aberto ofusca a visão dos garotos, que são obrigados a se protegerem levando a mão ao rosto.
Dois seres de forma humanoide entram pelo portão que ainda deslizava quando, automaticamente, antes de se abrir por completo o mesmo torna a se fechar.
— Pessoal, preparem-se. – Diz o garoto que tem um braço inteiramente tatuado. – Quem quer que seja que nos atacou e nos trouxe até aqui, acabou de chegar.
Um grande estrondo se dissipa pelo ambiente. O portão havia se fechado.
Aos poucos, as luzes do lugar eram acesas. Os garotos e seus digimons seguiam observando o percurso da iluminação, que havia se iniciado na extremidade oposta ao portão que acabara de se fechar.
Gigantescas turbinas de avião estavam presas ao teto. Diversas peças maiores e outras minúsculas estavam sobre balcões de inox que formavam fileiras com componentes variados. Ao fundo do galpão, uma estrutura de ferro lembrava um avião em pleno processo de fabricação.
Todo o local estava empoeirado.
A luz próxima ao portão de entrada finalmente acende, revelando a presença de um garoto alto, magro e de cabelo castanho extremamente liso sobre um dos olhos. Ao seu lado estava um digimon dragão humanoide de pele azul, possuindo a barriga e o focinho brancos.
Caio rastreia informações sobre o pequeno digimon azul.
Veemon, um digimon no nível Novato. Esse dragão de cor azul possui uma força física muito elevada para seu nível. Sua técnica é a “Cabeçada de Veemon”.
Leon faz um movimento com a cabeça, jogando a mecha de cabelo que estava sobre seu rosto para o lado, e corre na direção dos demais.
Veemon corre até os outros portões de acesso.
— Hola! Me nombre es Leon. Yo estaba siguiendo y vi el momento en que fueron atacados.
— Foi você quem nos atacou? – Questiona o domador mais alto e magro.
O garoto de cabelos castanhos e lisos olhava para os domadores deixando escapar um leve sorriso. Não havia compreendido nada do que Júnior havia dito.
— Você ta fazendo gozação com nossa cara, é isso? – Insiste.
Leon continua sorrindo.
— Más lo sento yo no entiendo nada. – Diz o domador que acabara de chegar.
— Ele deve ser um dos garotos que não quiseram participar do torneio. – Diz Lucas ao Caio, que logo expressa ter compreendido o que lhe foi dito. – Mas ele ter vindo até aqui não significa que o seu digimon tenha feito os ataques!
— Tem razão. – Concorda o domador moreno de olhos verdes. — E do jeito que Cláudio é, é bem capaz dele partir pra agressão antes de pensar nessa sua hipótese.
Lucas sorri.
— Quer dizer que você só fala espanhol e “no entiendo nada” do que eu to falando? – Inicia o garoto de cabelo verde e braço tatuado. — Te ensinarei um pouco do português, então. Wormmon!
Após o chamado do seu domador, o digimon lagarta avança no Veemon, que se aproximava caminhando, como um rolo compressor.
O digimon azul se esbarra em uma das turbinas e urra de dor.
Leon corre até o seu digimon.
— ¿Estás bien Veemon? Por qué atacar a nosotros. en sólo quieremos ayuda.
Veemon se levanta com dificuldade
— Por que estão nos atacando?
— Ellos piensan que en el ataque.
— Então vou tentar conversar com eles e explicar que não fomos nós!
Veemon se aproximava dos domadores quando novamente é atacado pelo Wormmon.
— Que cara insistente! – Brada Júnior. — Insistente e cara de pau. Kudamon vamos ajudar.
— Não precisa! – Interfere Kau. — Eu avisei que acabaria com quem fez isso com a gente.
— Cláudio, — diz o garoto em tom de gozação — para de ser chato e deixa Júnior te ajudar.
— Vá encher o saco de outro, Caio. Ataque, Wormmon!
— Teia Pegajosa.
O digimon lagarta imobiliza todo o corpo do pequeno dragão azul, não lhe dando chance de defesa. Em seguida, Wormmon torna a se enrolar novamente no próprio corpo, atingindo o inimigo novamente.
Leon, ao ver seu amigo caído no chão, corre na sua direção e tenta livrá-lo da teia.
— ¿Por qué estás haciendo esto con Veemon?
— Para de ser sínico, garoto! – Esbraveja Júnior. — Anda, fale português.
— ¿Hablar portugués? No puedo hablar portugués. Soy español y vine a la boda de mi primo con una brasileña y me entró este mundo loco aqui.
O garoto estrangeiro estava nervoso por não ser compreendido e falava cada vez mais rápido, gaguejando e embolando as palavras. Os domadores não se deram conta, mas seus digivices estavam reagindo com a presença de Leon. O jovem de nacionalidade espanhola tentava incansavelmente livrar seu digimon azul da teia do oponente.
— Ele ta de sacanagem, só pode ser! – Afirma Júnior, incrédulo.
— Peraê que eu vou resolver isso do meu jeito.
Kau corre até Leon, que ainda estava agachado, próximo ao Veemon, e o levanta pela gola da camiseta.
— Vou te ensinar a nunca mais nos atacar pelas costas, como um covarde.
O garoto de braço inteiramente tatuado e argolas no nariz e orelhas soca o rosto do Leon que acaba caindo ao lado do seu digimon. Um pequeno corte sobre a sobrancelha do garoto espanhol começa a sangrar. Sem titubear, Kau se ajoelha sobre seus braços, imobilizando-o, e continua a socar o seu rosto.
Veemon, ao ver a cena, desespera-se e começa a se debater, tentando se livrar da teia.
— Cláudio! – Chama Caio. — Não precisa partir para a ignorância! Ele já entendeu o recado.
— Caio, tire ele de lá! – Ordena o garoto de óculos e profunda cicatriz no antebraço direito.
— Quem vai se meter nas brigas de Cláudio? – Questiona o garoto moreno de olhos verdes. — Eu? Mais nem morto!
— Solta ele... – Pede Veemon enquanto tentava se livrar da teia que o prendia. — LEON!!!
O digivice dentro do bolso de Leon brilha intensamente, fazendo com que o digimon azul fosse envolvido pelo casulo da evolução. O forte brilho que ele passa a emanar, assusta o garoto que socava o seu domador.
— Veemon... – Balbucia, cansado, Leon. – ¿Qué está pasando?
O garoto estava impressionado. Era a primeira vez que seu digimon evoluía.
O casulo de luz se desfaz, revelando um Veemon bem maior do que a sua fase anterior. O dragão azul de forma humanoide possui braços, pernas e calda musculosas. Em sua barriga branca, há uma cicatriz em forma de xis, além de uma lâmina sobre a extremidade do focinho e um par de asas brancas, nas costas.
Ao ver que o digimon recém-evoluído estava prestes a lhe atacar com um soco, Kau grita:
— EVOLUA, WORMMON!
Rapidamente, a pequena lagarta verde evolui, tornando-se Stingmon. O inseto humanoide de garras em lâminas acerta um poderoso chute no focinho do dragão azul que, agora, possui a mesma altura que a sua. O digimon do Leon é lançado contra a estrutura de ferro que originaria um avião, destruindo-a com grande impacto.
Lucas logo saca seu digivice e rastreia informações sobre o novo digimon.
Exveemon, um digimon no nível Adulto. Esse dragão humanoide possui um chifre em forma de lâmina. Tem grande força corporal, sendo um excelente lutador. Sua técnica é o “Corte Duplo”.
Stingmon voava de encontro ao oponente quando recebe um forte golpe de calda, se esbarrando contra uma das paredes do galpão. Exveemon se aproximava voando quando o digimon inseto humanoide se põe de pé e ambos passam a lutar, trocando socos e chutes a uma incrível velocidade.
Kau se distrai observando a briga dos digimons quando Leon consegue tirá-lo de cima do seu peito, derrubando-o ao lado, e rapidamente se põe de pé, passando a chutá-lo antes que ele se levantasse.
— Lucas, Caio, — grita a digimon vegetal redonda como uma bola de basquete — vamos lá acabar com essa confusão.
— Cláudio se transforma quando compra uma briga. – Adverte Caio. – Se formos até lá, vai acabar sobrando pra gente.
— Lalamon tem razão. Nós não podemos deixar que eles se matem. Temos que separá-los.
— Mas esse cara tentou nos matar duas vezes! – Lembra Júnior, alterando o tom de voz.
— Você tem certeza disso? Tem certeza de que foi ele?
— Monodramon e Lalamon, – diz o garoto alto e magro, após alguns segundos de reflexão – estão prontos?
Os digimons sorriem e, juntamente com o pequeno digimon furão de pelagem branca, avançam de encontro a batalha, sendo envolvidos por casulos de luz.
Allomon rapidamente corre até Exveemon e o segura pelas costas, imobilizando seus braços e asas. Sunflowmon faz o mesmo com Stingmon. Leppamon se coloca entre os dois.
— Parem com essa briga! – Ordena o digimon raposa que tem a calda em forma de foice.
— Ele quem começou! – Retruca o dragão azul.
— Não ia deixar que tocasse um dedo sequer no Kau. – Responde Stingmon ainda exaltado.
Os garotos também avançam até os domadores que brigavam, separando-os.
— Calma, Kau! – Pede o garoto de corpo musculoso enquanto lhe aplicava uma “gravata”.
— Me solta, Caio! Se não vai sobrar pra você!
— Vamos parando a briga.
— Dê ordens a outro, Júnior, e não a mim! Ou já esqueceu que agorinha há pouco você também estava contra ele?
Lucas se aproxima e estende a mão, ajudando Leon a se levantar. Tanto o domador estrangeiro, quanto Kau, possuíam escoriações e cortes pelo rosto, braços e mãos. Porém, com uma nítida vantagem para o garoto de cabelo verde.
— Soltame va! – Brada o garoto espanhol, assustado, passando as costas da mão pelo canto da boca e notando o sangramento. — Me distancia de locos. Sólo a los que he conocido.
No meio de toda a confusão instaurada, o garoto de óculos de grau, domador da Sunflowmon, percebe que o seu digivice piscava freneticamente.
— Pessoal, nossos digivices... O Domador Perdido está por perto!
Ao observarem seus digivices, os domadores percebem que os aparelhos indicavam o domador recém-chegado.
— É ele! O Domador Perdido é esse cara!
João, Carlos e Verônica haviam terminado de contar a trajetória dos domadores de digimons no Mundo Digital, com a ajuda dos digimons, de Bruno Soares, Igor e Antônio. Por mais que tivessem a intenção de contar tudo e retornando a um ponto já contado para fazer algumas retificações, sempre havia um detalhe ou outro que passava despercebido.
— Que história hein? – Diz Murilo, após respirar profundamente.
— E eu pensando que era pilha da mídia aquele lance de monstros em Salvador. – Pontua Flávia, sorrindo.
— Pilha? – Exclama o garoto mineiro, domador do Labramon.
— É, Igor! – Prossegue a garota loira de voz rouca. — Quando você inventa uma história pra enganar alguém.
— Por que será que eu to aqui? – Questiona a garota de olhar agitado. — Murilo e Flávia vieram por acidente. E eu? Eu não conhecia nenhum domador antes de vir pra cá.
— Aí só Culumon pode te responder. – Responde o garoto de barba cerrada.
— É isso o que eu também não entendo. – Manifesta-se o garoto de braços e pernas fortes. — Ele vivia chamando vocês três de humanos simples?
— Ah, Antônio, ele os chamavam assim porque eles não são domadores e estão aqui no Mundo Digital.
— É isso que eu quero dizer, Igor! Tudo bem ele chamar Flávia e Murilo assim. Afinal eles vieram acidentalmente porque tinham, de certa forma, contato com algum dos domadores. E Bárbara? Ela foi sugada por um portal! E alguém abriu esse portal.
— Culumon?
— Só pode ter sido ele, Betamon. E por que ele se refere à Bárbara como humana simples?
Terriermon estampava uma cara de dúvida quando, ao ver que os demais digimons estavam compreendendo tudo o que era dito, comprime suas orelhas contra a cabeça.
— To começando a entender onde você quer chegar. – Diz João. — Se Culumon abriu um portal para que Bárbara chegasse aqui, por que ele teima em tratá-la de humana simples?
— Ele só abre portais para domadores! – Pontua Plotmon.
— Vocês querem dizer que eu sou uma domadora?
— Exatamente! – Responde Antônio aliviado por ter sido compreendido. — Se Culumon te trouxe pra cá é porque você é uma de nós.
— Mesmo que você tenha razão, — diz Igor – e que ela seja uma nova domadora, assim como aqueles garotos, tem alguma coisa aí, nessa história, que não se encaixa.
— Ora! Ora!
A voz familiar assusta o grupo que seguia distraído pensando em possíveis respostas para as dúvidas que surgiram.
Alex, Fernanda, Leomon e Solarmon havia os encontrados.
A garota de lábios carnudos e cabelos ondulados estende a mão e abre um portal ao lado esquerdo do grupo de domadores. O seu companheiro, o garoto magro de baixa estatura e olhos rasgados a acompanha no movimento e abre outra passagem, agora do lado direito. Atrás do grupo estava o rio.
— Vocês não desistem?
— Desistir do que, garoto? – Questiona, sorrindo, Fernanda.
— Cadê o outro amiguinho de vocês? – Pergunta Antônio.
— Já está com saudades dele?
Alex, Fernanda e Leomon gargalham com a pergunta feita pela digimon engrenagem.
— Leomon, pronto para terminar o que começamos ontem?
— Com certeza, mestre!
— Então faça o que tem de ser feito.
Leomon caminha tranquilamente na direção dos domadores, que estavam encurralados pelo rio e pelos portais.
— Plotmon, agora é com a gente! Vamos tornar essa batalha mais emocionante.
A garota de cabelos volumosos e olhar estonteante, ergue seu aparelho acima da cabeça.
— NÍVEL EXTREMO, JÁ!
Continua...
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