Anteriormente...


Tailmon: Kari, espera... você ouviu isso? Um barulho estranho, como se algo tivesse quebrado. — Disse, parando de repente com as orelhas em alerta.

Kari: Barulho? — Perguntou, olhando ao redor. — Não ouvi nada, Tailmon. Você tem certeza?

Tailmon: Tenho sim. Foi rápido, mas parecia vir de algum lugar mais à frente. Pode ter sido uma porta... ou alguém tropeçando.


**


T.K: Que estranho... o que será que aconteceu? — Disse, olhando ao redor com atenção.

Kari: Não faço ideia. Foi tão rápido que nem deu para entender direito. — Respondeu, ainda pensativa.


Tailmon se aproximou de Kari com um sorriso gentil, percebendo o clima entre os dois.


Tailmon: Kari, acho que vou entrar. Vou deixar vocês dois a sós um pouquinho. — Disse com um olhar cúmplice. — Patamon, vem comigo? Não quero ficar sozinha.

Patamon: Claro! Me espera, tô indo. — Respondeu animado, voando ao lado dela.

T.K: Não vou demorar muito, Pata. Daqui a pouco eu entro também. — Disse, acenando para o parceiro.

Kari: Eu também, Tailmon. Só mais uns minutos aqui.

Tailmon: Sem pressa, Kari. Pode ficar o tempo que quiser. Eu vou estar bem com o Patamon.

Kari: Tudo bem. Até já.

Tailmon: Até mais! — Respondeu, desaparecendo pelo corredor com Patamon.


T.K observou os dois se afastando e comentou com um sorriso leve:


T.K: Eles se dão super bem, né?

Kari: Sim! São ótimos juntos.

T.K: Quem não gosta muito disso é o Davis... e o Veemon também.

Kari: Tailmon me contou que o Veemon vivia tentando agradar ela de várias formas. Mas ela nunca se empolgava muito... só aceitava por educação, para não perder a amizade.

T.K: O Davis fazia algo parecido com você. Sempre tentando te impressionar.

Kari: Ele tem ciúmes de você, T.K. Isso você já percebeu, né?

T.K: Já. E pelo que sei, ele gosta de você, Kari. Sempre tentava chamar sua atenção.

Kari: Isso é verdade. Lembra daquele jogo de basquete? Eu e as meninas estávamos dançando para animar vocês.

T.K: Lembro sim! Aquele dia eu fiz uma cesta incrível de longe. Foi demais!

Kari: As meninas ficaram encantadas, e todo mundo comemorou com você. Mas o Davis, não satisfeito, tentou fazer o mesmo... e acabou errando feio. Caiu no chão! — Disse, rindo ao lembrar.

T.K: Eu fui ver se ele estava bem depois. Ele estava morrendo de raiva porque todo mundo riu da queda.

Kari: Tailmon também me contou que o Veemon ficou chateado naquele dia. Patamon dançou com ela, e ele ficou de lado. Eles eram bem próximos, então ele se sentiu excluído.

T.K: O Davis é engraçado mesmo. Mas ele nunca chegou a dizer que gostava de você?

Kari: Não diretamente. Mas eu sempre soube. Só que... eu nunca senti nada além de amizade por ele. Sabe quando tem uma pessoa especial na sua mente, e você só quer saber dela?

T.K: Sei exatamente como é.

Kari: Então... o Davis é só um amigo. Mas não é essa pessoa especial que eu falei.

T.K: Entendo. Sabe, às vezes eu sinto saudade daquele tempo no Digimundo. As aventuras, os desafios... e as amizades que criamos com os Digimons.

Kari: Verdade! Eu estava comentando isso com a Tailmon outro dia. Lembra daquela viagem que fizemos para visitar a Mimi nos Estados Unidos?

T.K: Lembro sim. Mas por que foi tão especial para você?

Kari: Porque você, o Patamon e a Tailmon estavam lá. Foi tudo perfeito... até o Davis aparecer tentando dar em cima de mim. — Disse, rindo.

T.K: O Davis sempre faz isso. — Respondeu T.K, rindo junto.


Enquanto o grupo permanecia na sala de convivência do resort, assistindo a um filme e aproveitando o clima descontraído, Matt olhava de tempos em tempos para a porta, já começando a se perguntar sobre a demora dos quatro que haviam saído.


Izzy: Onde será que o Tai e os outros estão agora, hein? — Perguntou, ajustando os óculos com curiosidade.

Agumon: Devem estar procurando o Joe ainda... — Respondeu, tentando disfarçar, como se soubesse mais do que estava dizendo.

Matt: O estranho é que nem o Joe nem a Mimi disseram para onde iam. Só sumiram.

Palmon: A Mimi comentou que não ia demorar. Mas já faz um bom tempo...

Tentomon: Olha, não é por nada, mas eu não trocaria esse filme por um jogo de cartas. Está muito bom aqui.

Meiko: Será que eles estão bem? — Perguntou, um pouco preocupada.

Matt: Estão sim. Quando o Tai começa a jogar, ele só para quando ganha. Aposto que estão distraídos com alguma competição.

Agumon: O melhor de tudo aqui é a comida. Tem de tudo!

Gomamon: Ai, Agumon... você só pensa em comer mesmo, né?

Agumon: Comer e dormir. Tem coisa melhor? — Disse com um sorriso satisfeito.

Gomamon: É.… pensando bem, você pode estar certo.

Izzy: Gente, vamos aproveitar. Não é sempre que temos um momento assim, todos juntos, sem perigo, sem correria.

Meiko: Verdade, Izzy. Você tem razão. Vamos curtir enquanto podemos.


**


Kari: Ainda me lembro da primeira vez que fui ao Digimundo com vocês. Meu irmão sempre esteve ao meu lado, me protegendo em todas as situações. Ele era como um escudo... mesmo quando eu dizia que estava bem.

T.K: Sei como é. Quando fui pela primeira vez, também senti isso. O Matt estava sempre por perto, cuidando de mim. Mas depois que voltamos, tudo ficou tão intenso... ele acabou se afastando do grupo para seguir sozinho.

Kari: Acho que ele queria ser superprotetor demais, não é?

T.K: Sim. E isso acabou gerando atritos com o Tai. Você viu como eles discutiam... parecia que cada um queria proteger à sua maneira.

Kari: Verdade. Mas... teve uma coisa que me chamou atenção naquela época. Eu não entendia o que estava sentindo, nem o que significava.

T.K: O que você quer dizer com isso, Kari?

Kari: T.K.… você sempre esteve ao meu lado. Mesmo quando eu fiquei doente, você não saiu de perto. Me ajudou, me apoiou, me fez sorrir quando eu só queria chorar. Por que você se importa tanto comigo?

T.K: Impossível não se importar com você, Kari. — Disse com um sorriso sincero. — Além disso, você é minha amiga. É normal eu me preocupar com você.

Kari: Mas suas preocupações não parecem só de amigo. Elas são diferentes... mais intensas. — Falou, parando de caminhar e ficando frente a frente com ele.

T.K: Que isso, Kari... — Disse, desviando o olhar, visivelmente nervoso.

Kari: T.K., o que está acontecendo? Você está quieto... e você nunca fica assim. Sempre tão animado, cheio de energia. Agora parece que está guardando algo.

T.K: Tá bom... eu vou falar. Acho que não consigo mais esconder isso nem de mim mesmo.

Kari: Esconder o quê, T.K.? Aconteceu alguma coisa?

T.K: Kari... é que... eu...


Ele hesitou, o coração acelerado, como se estivesse prestes a atravessar uma ponte invisível entre amizade e algo mais.


T.K: Sabe Kari, e... eu sempre quis te contar uma coisa, mas nunca tive coragem para isso. E ruim você ficar guardando algo que você tem pra falar, mas eu não posso esconder o que eu sinto. – Disse T.K chegando perto dela.

Kari: T.K...

T.K: Na verdade o que eu não posso esconder mais é... eu gosto de você Kari. – Falou com uma voz baixa e meio tímido. – Sabe, quando vi você pela primeira vez, eu fiquei tão feliz em saber que eu não era o único mais novo dali tirando a Mimi. Desde aquela época eu comecei a despertar sentimentos que eu não entendia muito bem por causa da minha idade. Porém o tempo foi passando e fui entendo isso melhor, desde de sempre eu ficava admirando você, o quanto você é linda, mais percebi que o Davis gostava de você! Mas se tem algo que quero eu não posso desistir. Como sabia que você não gostava dele vi que tinha mais chance pra isso, então comecei a fazer ciúmes no Davis mostrando pra ele que você era mais “intima” de mim do que dele. Ao longo desses anos meus sentimentos cresceram muito mais, e eu sabia que ia chegar em um ponto que não conseguiria guardar só pra mim. Eu até cheguei a comentar com o Matt, ele me deu a maior força e se precisasse que era pra contar com ele. Kari! Você é a garota que eu gosto. Eu decidi contar isso hoje porque estamos sozinhos e não sei quando teria outra chance com essas batalhas acontecendo, e não tem ninguém pra atrapalhar esse momento... Kari Kamiya... Eu te amo, te amo desde de sempre...

Kari: T.K... Eu... eu.... – Falava Kari sem reação com o que T.K havia dito.

T.K: Imagino que vai falar... eu sei que somos amigos e nada além disso... – Falou cabisbaixo.

Kari: Não T.K! – Disse Kari levantando sua cabeça e chegando mais perto. – Pelo contrário! Eu me sentia como você! A pessoa que eu gosto é você também T.K, jamais o vou gostar do Davis se você sempre esteve comigo em tudo. A pessoa que te falei que não sai da minha mente e você T.K! Eu te amo também.... Nunca desisti de que ficaríamos juntos.


Depois da confissão de T.K os dois aproximaram e trocaram um longo beijo apaixonado... mais tudo que é bom dura pouco...

Tai e os outros saem dali e vão conversando o caminho.

Sora: E você Mimi, gosta do Joe desde de quando?

Mimi: Comecei a gostar dele quando nos separamos aquela vez no Digimundo, ele passou a cuidar de mim e lutar ao meu lado, foi nessa hora que surgiu um sentimento a mais por ele.

Tai: Isso e verdade Joe?

Joe: É sim, não imaginava que eu gostar da Mimi, sempre fui tímido, e reservado sobre tudo, vocês sabem disso.

Mimi: eu imagino que você Tai gosta da Sora desde que a conheceu certo?

Tai: Como sabe disso?

Mimi: A Kari me contou.

Tai: O que? Ai Kari, só podia ser ela mesma viu.

Tai observa duas pessoas ao longe e decide se aproximar, as pessoas lhe pareciam familiares até que...


Tai: O QUE!!! KARI!!! – Falou Tai assustado.

Sora: MEU DEUS DO CEU!!!

Mimi: MINHA NOSSA!!!

Joe: NÃO ACREDITO NISSO!!! T.K E Kari!!!


Os dois pararam de se beijar com o flagrante surpresa do Tai e dos outros. Com os gritos Tailmon e Patamon já vieram no mesmo instante.


Tailmon: O que está acontecendo Kari?

Patamon: Ouvimos vocês gritarem.

Kari: Nossa!!! Pessoal... Tai. N-Não é o que estão pensando... — Falou Kari morrendo de vergonha.

Mimi: Nossa!!! Que lindo vocês dois! Luz e Esperança, não tinha como não combinar. Vocês nasceram um para o outro que gracinha. -Falou Mimi correndo e abraçando os dois.

Patamon: O que houve pessoal?

Joe: Os dois estava se beijando.

Tailmon: Não foi o que eu disse Patamon, os dois dão certo sim.

Tai: Não estou acreditando até agora nisso...

Sora: Tai, isso ia acabar acontecendo só não via quem não queria.

Tai: T.K! Melhor você souber nadar. E nada de chamar o Gomamon para salvar ele Joe! Vou jogar o T.K no mar para os tubarões comerem ele vivo!!! – Falou Tai correndo atrás do T.K em volta do navio.

Kari: Não Tai! Deixa-o.

Joe: O Tai não tem jeito.

Tai: Pronto para nadar? T.K! – Disse Tai fazendo cocegas nele.

T.K: Não Tai paaaaaaaraaaaaaaa hahahahahahahahahha est-ou sem ar. – Falou T.K morrendo de rir.

Sora: Já chega Tai.

Tai: Tá certo, Kari... acho que vou ter que te trancar numa torre pra ele não conseguir te ver, né?

Kari: Isso não ia adiantar muito, maninho. Ele poderia simplesmente voar até lá com o Angemon. — Respondeu com um sorriso provocador.

Tai: Pior que é verdade... então vou colocar o WarGreymon de vigia na porta da torre, mocinha. — Disse, fingindo ser sério.

Joe: Sinceramente, não imaginei que vocês dois estivessem namorando. Foi uma surpresa.

T.K: Gente, calma! A gente só se beijou... mas sim, eu gosto da Kari, e ela gosta de mim. É simples assim. — Falou com sinceridade.

Tai: Não esperava por isso, mas... antes o T.K. do que o Davis. Se fosse ele, Hahaha... pode ter certeza que já teria virado comida de peixe! Mas fazer o quê, né? Tenho que aceitar.

T.K: Pode ficar tranquilo, Tai. Eu vou cuidar muito bem da Kari.

Tai: Eu sei disso, T.K. Confio em você. — Disse, colocando a mão no ombro dele.

Kari: Mas e vocês? Por que está todo mundo em “casal” de repente?

Mimi: Já que não é mais segredo... vou resumir! Tai e Sora estão namorando, e eu e o Joe também. Só que seu irmão, como sempre, foi desastrado e acabou derrubando uma parede onde estávamos.

T.K: Derrubou uma parede?! Espera... vocês também estão namorando?

Sora: Sim, estamos. — Respondeu com um sorriso tímido.

Tailmon: Ahhh! Então foi aquele barulho que ouvimos mais cedo!

Joe: Vocês ouviram mesmo?

Patamon: Sim, ouvimos tudo. — Disse, tentando segurar o riso.

Mimi: Nossa, Tai... pega mais leve da próxima vez, tá? — Ironizou, cruzando os braços com um sorriso.

Tai: Vou tentar, Mimi. Mas nossos pais vão ficar bem surpresos com tudo isso, Kari.

Kari: É mesmo. A gente sai para procurar vocês e encontra os quatro se pegando. Mas e você e a Sora, Tai... quando vão contar pra mamãe?

Tai: Não sei... a gente ficou ontem à noite.

T.K: Por isso que eu vi você saindo da suíte naquela hora, né?

Tai: Exatamente.

Kari: E o resto do pessoal? Já sabe que vocês quatro estão namorando?

Mimi: Ainda não... mas vamos contar em breve. — Disse, abraçando Joe com carinho.

Tai: Isso mesmo. Só não sei quando vai ser esse “em breve” aí.

Sora: Engraçadinho... vai ser logo, logo.

Tai: Olha a hora que já é... acho que todo mundo já foi dormir. Melhor a gente ir também.

Joe: Verdade. Se alguém aparecer agora, vai ser bem embaraçoso.

T.K: Concordo. Vamos indo. A gente acompanha vocês até suas suítes.


Depois da pequena “confusão” e das revelações inesperadas, Tai acabou aceitando com tranquilidade o relacionamento entre Kari e T.K. No fundo, o que realmente importava para ele era ver sua irmã feliz — e isso estava claro em seu olhar sereno.

Com o clima mais leve, os meninos acompanharam as meninas até a porta da suíte. Antes de se despedirem, cada um trocou um beijo carinhoso de boa noite com suas respectivas parceiras, selando aquele momento com afeto e cumplicidade.

Logo em seguida, todos seguiram para seus quartos, prontos para descansar. Mal sabiam eles que o dia seguinte traria algo inesperado... um novo perigo se aproximava, silencioso e sorrateiro, prestes a mudar o rumo daquela calmaria.


Continua...