Assim que o sol começou a iluminar a manhã, os Digiescolhidos já estavam de pé, tomados pela animação. A tão esperada viagem ao resort finalmente havia chegado, e o clima entre eles era de pura euforia. Risos, vozes apressadas e passos correndo pelos corredores marcavam o início de um dia que prometia ser inesquecível.

Cada um já começava a se arrumar, revisando malas, escolhendo roupas confortáveis e se preparando para partir. A expectativa era clara: todos queriam se divertir, relaxar e aproveitar cada segundo.

Sora despertou com o som suave da chuva da noite anterior ainda ecoando em sua memória. Com um sorriso no rosto, ela se levantou, foi direto para o banheiro e tomou um banho revigorante. Enquanto a água quente escorria, ela pensava na paisagem do resort, nas conversas com os amigos e nos momentos que estavam por vir.

Logo depois, vestida com uma roupa leve e confortável, ela se juntou à Piyomon na cozinha para tomar o café da manhã. As duas conversavam animadamente, compartilhando expectativas e planos para o dia. Era o início de uma nova aventura — e todos estavam prontos para vivê-la.



Sora: Pronto, terminei de me arrumar! — Disse ajeitando os últimos fios de cabelo diante do espelho.

Piyomon: Que bom! Você está linda, Sora. Essa roupa combina muito com você.

Sora: Ah, obrigada... — Respondeu com um sorriso tímido. — Quis escolher algo leve, mas bonito. Afinal, é uma viagem especial.

Piyomon: E parece que o café da manhã já está pronto. Estou sentindo o cheirinho vindo da cozinha!

Sora: Verdade! Aposto que foi minha mãe quem preparou tudo. Ela sempre faz isso quando sabe que vou sair cedo, só para eu não precisar me preocupar.

Piyomon: Ela é tão atenciosa. Vamos comer? Estou morrendo de fome!

Sora: Vamos sim. Mas temos que ser rápidas... ainda precisamos passar na casa do Tai. Ele disse que estaria pronto, mas você conhece o Tai, né?

Piyomon: Hahaha, sim... ele sempre diz que vai estar pronto e acaba se enrolando com alguma coisa.

Sora: Pois é. Só espero que hoje ele não nos faça esperar. Quero chegar cedo no resort e aproveitar cada minuto!

Piyomon: Vai ser incrível. Sol, piscina, amigos... e talvez até algumas surpresas.

Sora: Surpresas? Que tipo?

Piyomon: Ah, quem sabe... momentos especiais, conversas inesperadas... você sabe, essas coisas que só acontecem quando estamos todos juntos.

Sora: Hm.… você anda muito misteriosa, Piyomon. — Disse rindo enquanto as duas se dirigiam à cozinha.

Piyomon: Só estou animada. Sinto que essa viagem vai ser diferente. No bom sentido.

Sora: Eu também sinto isso. Vai ser memorável.


Casa Do Matt


Matt: Vamos lá, T.K.! Já está na hora de comer alguma coisa. Se a gente demorar mais, o café vai esfriar.

T.K: Já estou indo, só estou terminando de arrumar minha mochila. Não quero esquecer nada para o resort.

Matt: Relaxa, depois a gente confere tudo junto. Agora vamos encher o estômago, porque o dia vai ser longo.

Gabumon: Ei, Matt... Esse café da manhã está com uma cara ótima! Você que preparou?

Matt: Foi sim. Acordei mais cedo para garantir que a gente começasse o dia bem. Fiz ovos mexidos, torradas, suco de laranja... e tem frutas também.

T.K: Uau, você está inspirado hoje, hein?

Matt: É que eu estou animado. Essa viagem vai ser especial, e quero que a gente aproveite desde o primeiro minuto.

Gabumon: Missão cumprida! Só pelo cheiro já dá para saber que vai ser delicioso.

Matt: Obrigado, Gabumon. Agora vamos comer antes que o Tai mande mensagem dizendo que já está esperando.


Casa do Tai


Tai: Droga! — Disse, saindo do quarto com o cabelo todo bagunçado e os olhos ainda meio fechados. — Quase perdi a hora... E você, Kari, nem para me acordar?

Kari: Ué, e eu com isso? — Respondeu cruzando os braços, com um sorriso provocador. — Ontem você falou com toda a confiança: “Pode deixar, eu acordo sozinho, sem despertador. ”

Tai: Tá, tá... não precisa jogar isso na minha cara logo cedo. — Disse, esfregando os olhos e tentando se recompor. — Eu só... perdi a noção do tempo. A culpa é da chuva, ficou tão gostoso dormir.

Kari: A culpa é sua. Você sempre deixa tudo para a última hora. Ainda bem que a Sora ainda não chegou, senão ia te ver nesse estado.

Tai: Não exagera. Eu só estou... um pouco atrasado. — Disse, indo até o banheiro com passos apressados. — Me dá dez minutos e eu viro outro homem.

Kari: Dez minutos? Você demora vinte só para escolher o tênis que vai usar.

Tai: Hoje não! Hoje é dia de resort, piscina, comida boa e.… quem sabe, um pouco de paz. — Gritou do banheiro, já ligando o chuveiro.

Kari: Paz? Com todos os Digiescolhidos juntos? Você sonha alto, hein.

Tai: Ei! Vai ser divertido. E eu estou contando com você para não deixar ninguém esquecer protetor solar.

Kari: Já coloquei na minha bolsa. E na sua também, porque eu sei que você ia esquecer.

Tai: Tá vendo? Você é a melhor irmã que alguém poderia ter. — Disse, saindo do banheiro com o rosto molhado e uma toalha no pescoço.

Kari: Só não sou babá. Então se arruma logo, porque a Sora deve estar chegando a qualquer momento.

Tai: Beleza. Só preciso achar minha camiseta... aquela azul. Você viu?

Kari: Está em cima da cadeira, onde você deixou ontem. Você realmente precisa de ajuda para tudo?

Tai: Não para tudo. Só para não virar um desastre completo.

Kari: Então corre, desastre ambulante. O resort nos espera.


Kari ouviu a campainha tocar e correu até a porta. Ao abrir, encontrou a Sora com um sorriso animado, acompanhada de Piyomon.


Sora: Bom dia, Kari! Pronta para começar o dia?

Piyomon: Bom dia, Tailmon! Que bom te ver.

Kari: Bom dia, Sora! Que bom que chegaram. — Disse, abrindo espaço para que elas entrassem.

Tailmon: Bom dia, Piyomon! Estava ansiosa para essa viagem.

Kari: Entrem, fiquem à vontade. A casa é de vocês.

Sora: Obrigada. E o Tai? Já está pronto ou ainda está lutando com o despertador?

Tailmon: Ah, você conhece o Tai melhor do que ninguém, né? Ele acabou de sair do quarto, ainda com cara de sono.

Sora: Sabia! Aposto que ele ficou enrolando até o último minuto. Vai acabar atrasando todo mundo.

Kari: Pois é.… e depois ainda reclama quando o pessoal começa a cobrar pontualidade.


Nesse momento, Tai apareceu na cozinha, ainda ajeitando o cabelo e com a camiseta meio torta.


Tai: Sora? Já chegou? — Disse surpreso, tentando parecer mais acordado do que estava.

Sora: Claro que sim. Você esqueceu que eu ia passar aqui para a gente ir juntos?

Tai: É.… verdade. Desculpa, perdi a hora. Mas vou me arrumar rapidinho, prometo.

Sora: Quer ajuda com alguma coisa? Posso te ajudar a separar o que levar.

Tai: Não precisa, obrigado. Já deixei tudo mais ou menos pronto ontem... só preciso acelerar agora.

Kari: Acelera mesmo, Tai. Porque se a gente sair atrasado, vai ouvir de todo mundo no caminho.

Tai: Tá bom, tá bom! Já tô indo. — Disse, correndo de volta para o quarto.

Sora riu, olhando para Kari e Tailmon com cumplicidade.

Sora: Ele nunca muda, né?

Kari: Nunca. Mas no fundo, a gente gosta desse jeitinho dele.


Depois de se arrumar às pressas, Tai, Kari e Sora, acompanhados de Agumon, Tailmon e Piyomon, seguiram juntos até a praça central de Odaiba, onde o ônibus os aguardaria para a tão esperada viagem ao resort. O grupo já estava reunido, e a animação era evidente — todos conversavam, riam e mal conseguiam esconder a empolgação.

Assim que Tai apareceu com os demais, Matt cruzou os braços e lançou um olhar divertido.



Matt: Finalmente, hein, Tai. Achei que ia precisar ligar para você.

Tai: Foi mal, pessoal. Quase perdi a hora... a cama estava boa demais.

Izzy: Ainda bem que chegou a tempo. O ônibus já está vindo, acabei de ver pela notificação do aplicativo.

Mimi: E essa viagem... vai demorar muito?

Izzy: Um pouco. O resort fica a cerca de quatro horas daqui. Mas o trajeto é tranquilo, e o ônibus é confortável.

Joe: Quatro horas... é uma distância considerável. Mas com todo mundo junto, vai passar rápido.

Kari: E com os Digimons por perto, vai ser impossível ficar entediado.

Agumon: Eu estou mais preocupado com os lanches. Será que vai ter comida no ônibus?

Tailmon: Se não tiver, a Mimi trouxe uma mochila cheia de petiscos. Ela sempre pensa em tudo.

Mimi: Claro! Não ia deixar ninguém passar fome. Inclusive, tem biscoitos de maçã que o Joe adora.

Joe: Você lembrou disso? Mimi, você é incrível.

Sora: Tá todo mundo pronto então?

Matt: Só esperando o ônibus encostar. Depois disso... é só diversão.


O ônibus finalmente chegou ao resort após algumas horas de viagem. A paisagem ao redor era deslumbrante — cercada por montanhas, jardins bem cuidados e uma arquitetura acolhedora. Os Digiescolhidos desceram animados, cada um com sua mala e seu Digimon ao lado, prontos para viver dias inesquecíveis.

Tai, Kari, Sora, Matt, Izzy, Joe, Mimi, T.K., Meiko e seus parceiros seguiram juntos até a recepção para fazer o check-in. O ambiente era exatamente como Izzy havia descrito: moderno, elegante e cheio de detalhes que transmitiam conforto.

Após se registrarem, cada grupo foi conduzido aos seus respectivos quartos. Ao abrirem a porta, todos ficaram boquiabertos com o que viram.


Kari: Uau! Que quarto enorme! Eu nunca vi nada assim. — Disse, girando pelo espaço com os olhos brilhando.

Sora: É simplesmente perfeito. Olha essa vista da varanda... parece um sonho!

Joe: Izzy, você acertou em cheio. É exatamente como você falou. Até melhor.

Mimi: Estou impressionada com cada detalhe. As cores, os móveis, até o aroma do ambiente... tudo é tão acolhedor.

Palmon: Eu também estou encantada, Mimi. Esse lugar é mágico!

T.K: Sinceramente, não esperava algo tão sofisticado. Achei que seria legal, mas isso aqui é outro nível.

Patamon: Verdade, T.K. Essa cama parece feita de nuvens!

Meiko: Eu estou sem palavras... é tudo tão bonito. Nunca fiquei em um lugar assim antes.

Izzy: Fico feliz que tenham gostado. Eu pesquisei bastante antes de sugerir esse resort. Queria que fosse especial para todos nós.

Matt: Missão cumprida, Izzy. Agora é só aproveitar. Esse lugar é perfeito para relaxar e criar boas memórias.

Tai: Com certeza. E com todo mundo junto, essa viagem vai ser inesquecível.


Cada um dos Digiescolhidos ficou impressionado com seus quartos no resort. As suítes eram de alto padrão, com camas de casal macias, decoração elegante e uma vista deslumbrante. Depois de guardarem suas malas e explorarem um pouco o espaço, o grupo decidiu sair para conhecer melhor o resort.


Tai: Faz quanto tempo que a gente não sai para relaxar longe da praia, hein, Sora?

Sora: Verdade. Na última vez que fomos, ninguém queria sair da água. Quer dizer... eu até saí cedo, mas você ficou lá como se fosse parte do mar.

Tai: É que aquela água estava perfeita. Não dava vontade de sair mesmo.

Mimi: Gente! Vocês viram que esse resort tem piscinas de águas termais? Exatamente o que eu precisava para recarregar as energias.

Meiko: Sério? Ai, Mimi, eu quero ir com você! Só de pensar já me sinto mais leve.

Tai: Ótimo então. Vou me trocar e ir direto para as águas quentes. Quem quiser relaxar comigo, está convidado.

Agumon: Tô dentro, Tai! Já estou imaginando o calorzinho da água.

Izzy: Espera por mim, Tai. Quero testar a temperatura e ver se é mesmo como o site dizia.

Mimi: Vou escolher meu traje de banho e já encontro vocês lá. Quero estar estilosa até na piscina!

Sora: Vou com você, Mimi. Assim já aproveitamos para conversar um pouco enquanto nos arrumamos.


Tai e os demais já estavam aproveitando as águas termais do resort, relaxando sob o vapor suave e o calor reconfortante. Risadas ecoavam entre os amigos, enquanto os Digimons se divertiam por perto. O ambiente era tranquilo, perfeito para deixar o cansaço da viagem para trás.

Após alguns minutos, Sora e Mimi chegaram para se juntar ao grupo. Ambas haviam escolhido trajes de banho que realçavam sua beleza com naturalidade — estavam de biquíni, o que chamou a atenção por serem sempre discretas em outras ocasiões.

Tai, ao ver a Sora, ficou momentaneamente surpreso. Ele nunca a tinha visto assim antes, e a imagem dela, com o cabelo solto e o sorriso leve, o deixou encantado. Era como se estivesse vendo um lado dela que até então não conhecia.

Joe, por sua vez, também ficou admirado ao ver Mimi. Ele não esperava encontrá-la com aquele visual tão leve e confiante, e por um instante, sentiu o coração acelerar.

Apesar da surpresa, o clima entre todos permaneceu leve e respeitoso. Era um momento de descontração, onde cada um podia ser simplesmente quem era — sem pressa, sem máscaras, apenas aproveitando a companhia e o calor das águas.


Agumon: Tai... por que você está olhando tanto para a Sora? — Perguntou curioso, inclinando a cabeça.

Tai: E-eu? Nada não... só estou... observando o ambiente.

Agumon: Ah tá. “Observando o ambiente” bem na direção da Sora, né? Parece até que nunca viu ela assim.

Tai: É que... eu nunca vi mesmo. Ela está diferente hoje. Linda. Muito linda.

Izzy: Mimi... você está maravilhosa. — Disse, quase sem conseguir disfarçar o encantamento.

Mimi: Obrigada, Izzy. — Respondeu com um sorriso gentil.

Joe: Nossa, Mimi... você está linda mesmo. — Disse meio sem jeito, desviando o olhar, claramente tocado pela beleza da garota que gostava.

Mimi: Que isso, gente... não precisam ficar babando em mim e na Sora. — Falou com um tom brincalhão, piscando discretamente para Joe.

Matt: Como não? É a primeira vez que vemos vocês assim, tão à vontade. É impossível não notar.

Sora: Não exagera, Matt. — Disse sorrindo, enquanto entrava nas águas termais com Piyomon ao seu lado.

Mimi: Meiko, por que você não colocou biquíni como a gente?

Meiko: Ah... eu não sou muito acostumada com isso. — Respondeu envergonhada, abraçando os braços.

Sora: Eu também não era! Mas depois que você se acostuma, a vergonha vai embora rapidinho.

Kari: Mas você trouxe biquíni, né?

Meiko: Trouxe sim... só não sei se vou ter coragem de usar.

Kari: Coloca sim! Você vai ficar linda, Meiko. E vai se sentir mais leve também.

Tailmon: A Kari fica linda de biquíni também. Ela só não admite.

Palmon: Na verdade, todas as meninas ficam lindas de biquíni. É só se sentir bem com o que está vestindo.

Tai: A Palmon tem razão. Vocês estão todas lindas... menos a Kari.

Kari: O quê? Por que não eu?

Tai: Porque você é minha irmã, esqueceu? Não dá para elogiar sem parecer estranho.

Kari: Ah, Tai... não precisa ser tão protetor o tempo todo. — Disse rindo, balançando a cabeça.


Depois de passarem horas relaxando nas águas termais, conversando e se divertindo com seus Digimons, os Digiescolhidos decidiram seguir para o restaurante do resort. O ambiente era sofisticado, com uma decoração elegante e acolhedora, e o aroma dos pratos já despertava o apetite de todos.


Joe: Uau... esse restaurante é realmente lindo. Olha esses lustres e essa vista para o jardim!

Izzy: Não é só bonito, Joe. Esse lugar tem classificação sete estrelas. Está no mesmo nível dos hotéis mais luxuosos do mundo.

Tai: Sério? Eu não fazia ideia. — Disse impressionado, olhando ao redor com admiração.

Mimi: Além de ser um charme, dizem que a comida aqui é maravilhosa. Já estou com água na boca!


Um garçom bem vestido se aproximou com um sorriso gentil.


Garçom: Boa tarde, senhores. Se puderem me acompanhar, vou levá-los até suas mesas. Lá poderão escolher à vontade entre os pratos do nosso cardápio especial.


O garçom conduziu os Digiescolhidos até uma ampla mesa decorada com elegância, onde todos se acomodaram juntos para o almoço. O atendimento era impecável — garçons atentos, pratos bem apresentados e um ambiente que exalava sofisticação. Cada um se sentia como um verdadeiro convidado de honra.

Enquanto saboreavam os pratos, os elogios não paravam. As combinações de sabores surpreendiam, e a experiência gastronômica era digna de um restaurante de alto padrão. Risos, comentários animados e olhares de admiração tornaram o momento ainda mais especial.

Após a refeição, o grupo se dispersou pelo resort. Alguns decidiram explorar os jardins, outros foram conhecer as áreas de lazer ou simplesmente aproveitar um tempo tranquilo com seus Digimons. Era uma tarde perfeita para descobrir cada cantinho daquele lugar encantador.

Quando a noite finalmente chegou, o resort se transformou. Luzes suaves iluminavam os caminhos, e a decoração ganhava vida com detalhes minuciosos que deixavam todos de boca aberta. Era como estar em um cenário mágico, onde cada elemento parecia ter sido pensado com carinho para encantar os visitantes.



Tai: Muito obrigado! — Respondeu com um sorriso, enquanto o grupo começava a seguir o garçom, animados com o que estava por vir.

Agumon: Que tarde maravilhosa, Tai. Fazia tempo que eu não me divertia tanto... e comi como nunca! Estou até mais leve de felicidade.

Tai: Fico feliz que tenha aproveitado, Agumon. Mas lembra, hoje foi só o primeiro dia. Ainda temos muito pela frente.

Agumon: Dá até uma tristeza pensar que vai acabar. Pena que no Digimundo não tem essas coisas...

Tai: É verdade, lá não tem resorts nem águas termais..., mas o Digimundo tem sua própria magia. E só nós temos o privilégio de viver aquilo.

Agumon: Posso te perguntar uma coisa, Tai? — Disse com um olhar mais sério, se aproximando.

Tai: Claro, manda.

Agumon: Você está realmente feliz com tudo que tem?

Tai: Como assim? Por que essa pergunta agora?

Agumon: Só queria saber... você não sente que falta alguma coisa para sua vida ser ainda melhor?

Tai: Olha, eu tenho você, tenho meus amigos, minha família... acho que isso já é tudo que importa.

Agumon: Fora isso, acho que falta sim, Tai.

Tai: Falta? O que exatamente? — Perguntou, desconfiado, franzindo a testa.

Agumon: Uma namorada, Tai. Você não tem alguém para compartilhar esse lado mais pessoal da vida.

Tai: Namorada? Ah, Agumon... minha vida é tão corrida, cheia de responsabilidades. Nem penso muito nisso.

Agumon: Mas tem alguém que você gosta, não tem?

Tai: Mesmo se eu dissesse que não... você saberia que é mentira, né?

Agumon: Claro que saberia. Te conheço bem demais. Pela sua reação, pelo jeito que você olha para ela... já sei quem é.

Tai: Você sabe?

Agumon: Sei. Mas não precisa dizer o nome. Só acho que você devia contar para ela o que sente.

Tai: Isso é mais difícil do que parece. Tenho medo... medo de ela não sentir o mesmo e a gente perder a amizade.

Agumon: Tai, você carrega o brasão da coragem. Isso tem que significar alguma coisa, não é?

Tai: Talvez... talvez eu precise usar essa coragem para isso também. Só queria ter certeza de que não vou estragar tudo.

Agumon: Confia em mim. Se o sentimento é verdadeiro, ela vai sentir também. Você só precisa dar o primeiro passo.

Tai: Tomara.... Acho que vou dar uma volta, pensar um pouco.

Agumon: Mas Tai, já são quase duas da manhã. Não está tarde demais?

Tai: Vai ser rápido. Só quero tomar um chocolate quente e respirar um pouco. Prometo que volto logo.

Agumon: Tudo bem então. Eu vou ficar aqui descansando. Boa sorte, Tai.

Tai: Boa noite, Agumon. — Disse com um sorriso leve, saindo do quarto em silêncio.


Tai sentia o peso daquele sentimento crescendo dentro de si, como se ocupasse cada espaço de seus pensamentos. Era intenso, constante, e por mais que tentasse ignorar, ele sabia que estava sendo pressionado por algo que ainda não conseguia enfrentar por completo. Decidiu, então, dar um passo atrás — focar nos estudos, tentar reorganizar sua mente e deixar o coração em segundo plano, pelo menos por enquanto.

Naquela noite fria, em busca de silêncio e clareza, Tai saiu de seu quarto e caminhou até a praia do resort. O céu estava limpo, pontilhado de estrelas, e o som das ondas quebrando suavemente na areia criava uma trilha sonora perfeita para sua introspecção.

Ele se sentou na areia, abraçando os joelhos, sentindo o vento gelado tocar seu rosto. Não havia ninguém por perto, apenas ele e seus pensamentos. Olhava para o horizonte como se buscasse respostas nas sombras do mar. Ali, sozinho sob o céu noturno, Tai permitiu-se apenas sentir — sem pressa, sem distrações, apenas ele e o silêncio que tanto precisava.


Continua...