Digimon Adventure 3.0: Luz Vs Trevas
65 A Invasão de Daemon
Notas iniciais
CAPÍTULO 065

Os irmãos Kyoto voltavam para a base secreta — a mesma em que Ray e Márcia ficaram anteriormente — a fim de pegarem algumas coisas antes de partirem. Ray, ainda como Dynasmon, pegou uma caixa com alguns objetos. Aiko pegou uma outra caixa menor.
Dentro da caixa em que o menor segurava estava um porta retrato dos pais deles, aliás, dos quatro reunidos num passeio em família. Logo Ray se despediu daquele lugar que lhe trouxe muitas lembranças boas. Lembranças de seu envolvimento com a mulher da sua vida, que agora esperava um filho seu, mas nem imaginava isso.
Os dois caminharam mais um pouco até encontrar uma TV. O objeto esperava apenas uma oportunidade para abrir o portal.
— E agora, irmão? O que eu faço?
— Abra o portal com o seu digivice ditando as palavras "Digiportal abra". Nós voltaremos para a nossa casa, precisamente pelo nosso computador da sala.
— E a tia?
— Se dermos sorte, ela não estará. Lembra que ela viajaria nesse fim de ano?
— Ah sim.
Aiko pegou o seu digivice, apontou para a tela do televisor e disse as palavras. Logo o portal se abriu e ambos foram sugados pela luz.
Em algum lugar de Shibuya, numa casa da região, uma luz intensa ocorreu dentro da residência. Os dois voltaram pelo portal no computador da sala. A casa estava completamente escura. O mais novo foi até o interruptor e ligou a luz do ambiente. Nada havia mudado, tudo estava na perfeita ordem, empoeirado, mas estava. Ray deixou a caixa no chão e pediu para o seu maninho separar umas roupas pra ele.
— Melhor não se mover para não derrubar nada. Parece que a tia não está mesmo. Pegarei uma roupa para você — disse Aiko levando a caixa junto.
O mais velho começou a mudar de forma e a retornar à sua forma natural. Aos poucos ele virou humano. Agora o rapaz estava nu, pois ele, ao se transformar em digimon, destruiu suas roupas. Ray foi até o seu quarto, que diga-se de passagem era enorme e tinha uma cama de casal, abriu o seu closet e pegou uma cueca boxer numa gaveta, porém só usaria quando terminasse o seu banho. Ele queria tirar toda a sujeira que o digimundo lhe trouxe. Então foi até o banheiro do seu quarto e tomou um banho por lá, com água morna para a alegria dele.
— Ray, eu já separei as nossas roupas, eu vou tomar o meu banho também — falou o jovem.
— Tá certo. — disse ele enquanto passava o shampoo.
Enquanto a água caía sobre seus cabelos castanhos e lisos, ele se lembrava daquele dia em que tomou banho junto de sua amada. Foi um dia inesquecível. Estava muito ansioso para que ela voltasse aos seus braços. Queria beijá-la, tocá-la, sentir em seus braços. Queria até em ter... um filho com ela. Era o seu sonho.
Enfim, ele saiu do chuveiro, desligou e pegou um roupão que havia ali. Logo se cobriu e depois pegou uma toalha para enxugar seus cabelos que já estavam um pouco crescidos — Márcia adorava vê-lo com os cabelos desse tamanho, que chegavam até abaixo das sobrancelhas dele — depois de enxugar as madeixas ele foi até um armário no banheiro e pegou uma espuma de barbear e um barbeador. Queria tirar aquela barba rala que se formara em seu rosto nesses últimos dias. Passou a espuma e depois foi retirando com o barbeador os pelos de seu rosto até ficar novinho em folha. Com o rosto comparável a bunda de nenêm, sem nenhum vestígio de cabelo.
— Agora sim... ei peraí. Os meus olhos...
Ao se ver no espelho ele percebeu que seus olhos, antes castanhos escuros, agora ficaram castanhos bem clarinhos, chegando perto de um verde. Foi impressionante, ele não acreditava que a pigmentação de sua íris havia mudado tão drasticamente. Todavia pensou numa resposta mais contundente. Seus olhos só mudaram devido a sua transformação para Dynasmon. Seus olhos já ficaram vermelhos antes, mas nem percebera isso. Logo após o susto, ele que era muito vaidoso, passou hidratante pelo seu corpo, depois foi uma lavanda pós banho e depois penteou seus cabelos, modelando-os facilmente. Ficou novo em folha.
Logo após a sessão de limpeza e higiene pessoal ele foi até o seu quarto e vestiu a sua cueca. Depois pegou as suas roupas que estavam sobre a cama, uma calça de pijama preta com uma camisa simples branca, e as vestiu. Olhou pra baixo da cama e pegou seus chinelos. Logo depois foi até a sala pegar a caixa maior e a levou até um quarto de hóspede vazio. Depois foi pra cozinha ver se tinha algo pra comer, pois estava morrendo de fome. Pegou no freezer tudo o que podia ser de comestível. Não importava o que era, apenas pegou o que dava pra comer, como um pote de sorvete de chocolate que depois comeu tudo em três tempos. Foi no armário e pegou alguns pacotes de macarrão instantâneo e preparou uma sopa com algumas verduras para si e pro seu irmão. Logo estava com os dois pratos bem cheios.
Aiko, antes de ir comer com seu irmão, foi até o altar que ficava num terreno no fundo de sua casa. Era como se fosse um quintal, mas um tanto espaçoso e com um pequeno templo em que eles faziam orações e acediam incensos. Logo ele teve uma surpresa, ou não. Apareceu por de trás do garoto um Koromon! Sim, um Koromon.
— Oi Aiko. Até que enfim voltou! Estava te esperando desde a minha luta com o Ornismon — disse a cabeça rosa.
— M-Master, é você?
— Sim, sou eu. Não se lembra que foi aqui que me encontrou antigamente? — respondeu.
Os olhos do rapaz se encheram de lágrimas. Mas havia uma dúvida.
— Valkyrimon disse que você não se lembraria do nosso passado.
Koromon não entendeu o que o parceiro quis dizer.
— Oba, o meu parceiro voltou! — bradava de alegria enquanto segurava seu digimon nos braços.
— O que foi que aconteceu? — perguntou Ray ao escutar os gritos do irmão.
— Olha, irmão, é o Master que voltou. Ele voltou pra mim — disse o garoto mostrando o pequeno digimon para o mais velho.
— Nossa, e como ele voltou?
— Ele virou um digimon na forma extrema e se sacrificou para derrotar Ornismon. Daí ele morreu, mas Valkyrimon impediu que ele sumisse para sempre e o ressuscitou. Só não sei por que ele disse que o Master não se lembraria mais do seu passado.
— Aiko, quem é ele? É o seu irmão?
Aiko e Ray ficaram admirados com a pergunta de Koromon. Ele já conhecia o Ray, porém havia perdido a memória. O garoto respondeu que o homem era sim seu irmão e que era de total confiança. Os três foram tomar a sopa. Koromon comeu o que tinha sobrado na panela.
— Estranho ele não se lembrar de ti. Nós ficamos juntos por três dias.
— Talvez o que Valkyrimon disse pode estar meio certo. Ela deve ter esquecido outras coisas, menos você. Você, Aiko, é tão importante para ele que nem morrer e ressuscitar acabou com as lembranças. Aproveite ao máximo que isso aconteceu.
Koromon arrotou ao terminar de comer. Ele pediu mais comida.
— Meu irmão, estou muito orgulhoso de ti. Se nossos pais estivessem vivos, estariam muito orgulhosos — falou Aiko enquanto pegava algo na geladeira.
— Infelizmente eles não estão. Sabe, eu sempre me achei culpado da morte deles, por ter estado longe de vocês durante o acidente. Só que no momento que escutei Daemon falando a verdade, esse peso saiu das minhas costas. Foi triste, porém ao mesmo tempo um alívio. Agora eu juro que arranjarei um jeito de acabar com a raça daquele ChaosPiedmon e fazer justiça em memória aos nossos pais. Pode ter a certeza absoluta disso.
Logo uma mensagem na secretária eletrônica pode ser ouvida.
"Olá meus, queridos. Aqui é a tia Mayako, tudo bem? Eu só queria avisá-los que eu voltarei amanhã pela manhã. Depois de algum tempo fora, vocês já devem ter voltado, não é possível que não voltaram, por favor. Ray, meu meninão, eu quero vê-lo novamente, já faz um bom tempo que não nos vemos. Enfim, até amanhã, meus lindos. Tchau."
— Ai não. Por que ela tem que vir justamente amanhã? Ela não sabe tirar um mês de férias? — indagou Ray pondo as duas mãos sobre o rosto.
— Irmão, fica calmo. Ela é a irmã do nosso pai, também faz parte da nossa família — respondeu Aiko. — Ela se preocupou muito contigo quando se trancava no quarto.
— Acho que eu vou dormir. Estou completamente desgastado com a luta que tive. Até amanhã, irmão — ele recolheu os pratos e os colocou na pia. Depois foi para o seu quarto.
Aiko e Koromon foram para o outro quarto. O garoto tinha o quarto com uma coleção de bonecos de super-heróis de diversos tipos. Também o cômodo tinha o papel de parede do Batman, seu herói favorito. O rapaz abriu o seu guarda-roupa e pegou sua mochila da escola. Ficou na cama junto do seu digimon. Tirou o seu caderno, seu lápis de desenhar e começou a fazer um desenho de Koromon. Depois fez outros de quando o pequeno Koromon era um MasterTyranomon e depois um último de Goddramon.
— Olha você aqui no desenho.
— Eu já fiquei assim?
— Puxa vida, eu me esqueci de que perdeu a memória. Como você se lembra que derrotou Ornismon e não se lembra como era antes?
— Sei lá, só sei que não me lembro. Agora eu quero ficar bem juntinho de você e dormir bem pertinho — disse Koromon se alisando em Aiko.
— Eu também. Fiquei com saudade nesse tempo que fiquei sem você — ele guardou suas coisas e depois desligou a luz — vamos aproveitar, parceiro, e ficarmos perto um do outro.
Aiko e Koromon dormiram juntos. O rapaz gostou muito da surpresa que tivera. Agora o seu sonho estava quase realizado. Só faltava acabar com aquele que acabou com seus pais.
Ray já estava dormindo quando teve um pesadelo envolvendo seus pais, Lilithmon e a sua vida durante esses cinco anos de sofrimento. Acordou um tanto atordoado, percebeu que o interior do quarto estava frio devido a janela entreaberta. Fechou e voltou a se deitar. Lembrou-se de sua amada. Como ela estava agora do outro lado do mundo? Enfim voltou a dormir para acordar disposto no dia seguinte, pois o amanhã não seria nada fácil.
...
Enquanto isso, Gennai dava as últimas instruções aos digiescolhidos. O homem pediu para que todos fossem pelo mesmo portal e que se encontrassem com os antigos digiescolhidos. Era essencial juntarem forças para derrotarem os inimigos que são ainda mais fortes que os anteriores. Leomon, Jijimon, Valkyrimon, MachGaogamon, Mummymon e Picklemon ficaram com Gennai, despediram-se das crianças. Estas foram encontrar um portal qualquer. Não era difícil achar uma TV perdida.
— Olhem, gente, um portal — disse Mia apontando para um televisor.
— Jin é você quem abrirá esse portal. Vamos todos para a sua casa — disse Paulo.
— Tá certo, mas já deve estar tarde. Olha só, gente, não façam muito barulho. Digiportal Abra! Vamos todos.
Gennai olhou para um aparelho igual um digivice e sorriu. A carona estava para chegar.
— O dia de vocês foi bem desgastante, não? Lutaram muito bem.
— Gennai, você acha que as crianças vencerão aqueles digimaus? — perguntou Leomon.
O homem bocejou e pediu que não o enchessem de perguntas num horário tão tarde. De repente, algo surgiu do céu. Era uma nave.
— Podem entrar — falou Lynx pilotando.
— Entrem.
Os seis o fizeram e ficaram confortáveis nos assentos da parte de trás. Gennai sentou ao lado da mulher.
— Daemon atacou?
— Sim.
— E o que você vê para o futuro?
— Aquele Daemon não se parece em nada com os inimigos que os digiescolhidos enfrentaram. Ele é um ser perverso demais. Talvez tenhamos perdas humanas no processo.
Lynx sabia que Gennai não brincava quando dizia algo sério. Ele conhecia muito bem a natureza daquele digimon chamado Daemon.
ODAÍBA, TÓQUIO
O portal abriu de volta para o mundo dos humanos. Todos os seis digiescolhidos e os seus parceiros foram envolvidos pela luz do portal. Assim todos chegaram a casa de Jin. Cada um caiu em cima do outro e causando aquela confusão na sala da casa.
— O que é isso? — a mãe de Jin vinha com uma panela na mão pensando ser um invasor.
— Saiam de cima de mim. Eu não sou estofado pra servir de assento! — gritou Rose.
— Mamãe, sou eu. Nós voltamos — falou o rapaz.
— Ah Jin, meu filho, me desculpa — ela ligou a luz — nossa vocês se machucaram? Ei o que houve? Por que todos estão aqui?
— Depois eu te explico. Precisamos nos organizar, gente — disse Jin saindo de cima da Rose.
— Paulo, eu to com muita fome — disse Impmon.
— Eu também — disse Betamon — to com sede também.
— Eu estou com vontade de ir ao banheiro — disse Mushmon.
— Eu só quero energia para me carregar — falou Hagurumon.
— E eu tenho tudo. Fome, sede, vontade ir ao banheiro... — reclamou Palmon.
— Nossa, gente. Vamos com calma, cada qual terá a sua vez. Vamos organizar tudo. Eu sei que já está bem tarde da noite, mas vai dar tudo certo. Prepararei um banquete pra todos vocês, pois devem estar famintos — A senhora Fukuda olhou para o relógio na parede. — Está tarde, mas dessa vez eu darei uma colher de chá.
— Oba, onde tem comida? — perguntou Paulo ansioso.
— Nem pensem que vão comer nesse estado. Olhem pra vocês, tadinhos, estão sujinhos. Por favor, porquinhos não. Vão tomar banho, vão se lavar, começando com as garotas. Tem uma banheira no banheiro que dá pra duas pessoas. As roupas eu lavarei na máquina e depois colocarei para secar na secadora. Não se preocupem que para os meninos o Jin empresta umas roupas...
— Mãe!
— Jin, cala a boca. Para as meninas eu tenho uns vestidos que vão ficar grandes, mas quebra um galho até as vestes secarem por completo.
E assim se deu. As crianças foram ao banho junto de seus parceiros e logo trocaram de roupa. A senhora Fukuda preparou algumas vitaminas e pra isso utilizou bananas, mamão e outras frutas que tinha pra fazer um banquete aos seus convidados. Logo depois, ela, com a ajuda de Mia, fez torradas com uns pães que tinha. Todos devoraram, incluindo os digimons, e ficaram satisfeitos.
— Pronto, agora sim eu estou vendo que consegui deixá-los satisfeitos por completo — falou a mulher.
— Obrigado, senhora Fukuda. — agradeceu Ruan.
— Muito obrigado — repetirem os outros em uníssono.
Lucemon ainda estava na sua verdadeira forma. Incomodava-se quando ficava assim no mundo real. Então ele pediu sua roupa de volta ao Jin que guardava dentro da sua mochila. O rapaz tirou as roupas do loiro de dentro e as deu. O digimon pediu permissão pra se trocar e foi. Quando voltou já estava na sua forma humana, tão humano quanto os escolhidos que ali estavam.
— Agora sim estou muito melhor. Às vezes acho que as minhas asas atrapalham muito — disse o jovem.
— Legal, garoto. Ótimo truque de esconder aquelas asas e a tatuagem do seu corpo. Bom, agora tá na hora de vocês dormirem, pois já passa das onze horas. Vou providenciar uns cobertores... Mia você poderia me ajudar?
— Sim senhora.
Logo eles deram um jeito e dormiram sobre alguns cobertores na sala mesmo. Não era nada confortável, mas não tinha escolha. O jeito era dormir para acordar no dia seguinte.
...
O dia começou nada agradável em Tóquio. A temperatura despencou drasticamente e já começava a cair um pouco de neve logo pela manhã. As pessoas começavam a sair para o trabalho bem agasalhadas e protegidas contra o frio intenso. O mês de dezembro era realmente um dos mais frios que existia no país. Principalmente quando se estava chegando o Natal. As ruas enfeitadas davam um brilho a mais juntamente com a paisagem invernosa.
Ocorreu um leve tremor na cidade. Taichi acordou para ir à sua velha rotina de trabalho. O homem se arrumou e se agasalhou bem, colocando uma roupa de inverno. Sora também vestiu uma roupa para frio.
— Deixa que eu dou esse nó — ela se referia ao nó da gravata que seu marido ainda não sabia fazer.
— Muito obrigado, querida. Eu não dormi muito bem. Tive um mau pressentimento.
— Tai, você me deixou preocupada. Saiu da cama sem mais nem menos e depois demorou em voltar.
— Não consegui dormir o que preste. Ei, não fique preocupada comigo, estou bem. Talvez esse frio tenha me deixado mal.
— Tá bem, Taichi. Fingirei que isso não é uma desculpa sua, pois a calefação estava em perfeito estado. Eu vou olhar o Haruhiko, ele já esta chorando — a mulher beijou seu marido e foi até o quarto do seu bebê.
O homem saiu de casa por volta das oito e meia. Ele entrou no seu carro e foi para o escritório onde trabalhava. No caminho, ficou preso no trânsito devido a um engarrafamento intenso. Uma neblina atrapalhava a visibilidade dos motoristas.
— Droga. Hoje o dia não está nada bom.
Ele ligou o rádio e ouviu que a temperatura média da capital estava por volta dos quatro graus negativos. Também ocorreram tremores fracos no início da manhã.
Voltando um pouco no tempo...
Hikari acordou ansiosa para o encontro que iria ter com o Takeru. A garota realmente estava decidida a escutar o que o seu melhor amigo teria que dizer. Ela, após tomar um banho morno e se arrumar, ficou esperando o tempo passar. Ainda eram sete e dez da manhã e seu encontro seria lá para as nove horas na torre de Tóquio. Ela ligou a TV e viu o noticiário da manhã. No jornal passava alguns pontos da cidade que estavam bloqueados devido a neblina e a neve que aconteciam.
— Filha, eu vou ao mercado. Se for sair é só entregar a chave ao porteiro que depois ele me dá.
— Está bem, mãe. Daqui a pouquinho eu sairei e deixarei lá.
— Vai sair, Kari? — indagou a gatinha.
— Sim, Tailmon. Eu vou me encontrar com o T.K lá na torre. Ei, não me olhe com esses olhinhos que me dá uma pena. Eu queria te levar, mas será um encontro a sós, entendeu?
— Sim, eu entendi. Espero que vocês comecem logo esse namoro que já era pra ter começado há anos — disse a gata deitando no sofá.
— Tailmon que absurdo! Takeru e eu somos apenas amigos.
— Aham. Finjo que acredito.
Como era recesso, Takeru não teria aula até em janeiro. Portanto ele tinha tempo suficiente para se encontrar com a Kari. Após tomar o seu café da manhã, ele foi se preparar para o encontro.
— Ei, Patamon, que roupa eu visto?
— Não acredito que não sabe qual das camisas vestir. T.K você já ta bem grandinho pra pedir a minha ajuda.
— Tá, mas quando quiser uma ajuda minha não me peça.
— Eu nem uso roupas.
...
SHIBUYA, TÓQUIO
Ray acabava de acordar quando ouviu a campainha soar repetidas vezes. O rapaz se levantou da sua cama e ainda com um pouco de sono foi até a parte de fora da sua casa atender. A casa de Ray era murada com cerca elétrica e possuía interfone e também um botão da campainha. O rapaz saiu para atender a visita repentina.
— Quem é?
— Sou eu, meu amor. Mayako. Acho que perdi a chave. Abra logo essa porta e me deixe entrar.
Ray abriu e viu uma mulher de uns quarenta anos, cabelos lisos e pretos e que possuía todos os traços de japonesa. Ela usava uma roupa de inverno e carregava algumas sacolas que logo ele ajudou a carregar.
— Rayzinho, meu meninão, há quanto tempo não te vejo. Vem cá me dá um abraço, meu lindo — ela começou a abraçá-lo. — A última vez que nos vimos foi há muitos dias. Você só vivia trancado no quarto e o Aiko resolveu vê-lo. Os dois desapareceram então decidi voltar para a minha casa do interior.
Mayako entrou sem muita cerimônia e pôs as sacolas sobre a mesa. Ficou observando tudo e viu que tinha marcas estranhas no chão.
— Que pegadas são essas?
— O quê? Como assim.
A mulher puxou Raymond e mostrou o chão empoeirado. Havia duas marcas escuras. Eram pegadas de Ray da noite anterior.
— Viu?
— Deve ter sido umas caixas que coloquei aí. Nada demais.
— Que caixas?
— Tia o que está fazendo aqui? Pensei que ficaria até o fim da viagem na sua cidade.
— Ora, Rayzinho, eu sou a irmã do seu falecido pai. Moro aqui também. Na verdade estava muito preocupada com vocês. Novamente, nessas últimas semanas vocês não me davam notícia. A propósito... Aonde foram todo esse tempo? — ela disse pondo uma cara de intimidação.
— Er... fomos a...
— Tia Mayako! — Aiko apareceu com seu Koromon nos braços.
— Olá, meu bebezinho. Gente como tá crescido. E é porque não nos víamos apenas alguns dias atrás. O que é isso?
— Um boneco de pelúcia...
— Deixa eu ver...
— Não. Quer dizer, agora não. Ei o que a senhora veio fazer aqui?
— Aiko, que pergunta tola, tolinho — ela apertou a bochecha dele — vim vê-los após ficar preocupada nesses dias. Não posso?
— É claro que pode. A senhora quer alguma coisa?
— Não precisa, Ray. Eu trouxe algumas coisas para vocês.
— Tia, não precisava. Eu já ia comprar algo pra casa.
— Ray, meu querido, eu sei que vocês têm dinheiro que herdaram da herança dos seus pais, mas faço questão de ajudá-los com alguma coisa. Eu trouxe, na maioria das coisas, alimentos. Então se estiverem com fome é só pegar sem cerimônia.
— Ei, a sua tia é legal...
— Tá, agora fica calado. Ela não pode te ouvir — disse o garoto pondo a mão na boca de Koromon.
— Com quem falou, Aiko?
— Ninguém, tia.
Koromon pensava apenas numa coisa: comer.
Ray queria sair de casa e respirar o ar da cidade mesmo que esteja fazendo quase zero grau. Ele deixou a sua tia e o seu irmão na sala e foi colocar uma roupa de inverno. Ele vestiu uma camisa por debaixo do casaco escuro, uma calça também escura com um tênis, cachecol, luvas e um gorro.
— Ele nem se despediu de mim.
— Tia, ele é assim mesmo. Não o leve a sério — disse Aiko.
...
Kari saiu do seu apartamento e foi para o outro lado da ponte se encontrar com seu amigo de infância. A garota estava esperando um táxi quando foi surpreendida por Daisuke. O rapaz ia lhe fazer uma visita surpresa. A moça se assustou com a presença do amigo.
— Oi Kari hehe.
— Dai, que surpresa em vê-lo por aqui. Olha eu queria conversar contigo, porém numa outra hora. Estou com pressa.
— Eu vou contigo então, Kari. Ei, o Veemon ficou em casa dormindo, então eu resolvi passar pra passear mesmo.
A moça sorriu, mas por dentro queria despachar Daisuke dali.
Eles ficaram esperando o táxi até que o celular do moreno tocou várias vezes. Ele atendeu e, para a felicidade da Yagami, era Ken Ichijouji querendo conversar com o amigo. Daisuke relutou de início, no entanto teve que ir se encontrar com o amigo. A garota sentiu-se aliviada agora podia ir ao encontro sem nenhuma interrupção.
— Bendito seja Ken Ichijouji — disse ela bem baixinho ao dar tchau para o colega.
MINATO, TÓQUIO
Algum tempo depois, Hikari chegou à torre de Tóquio. Ela pegou o elevador e sobiu até o andar de observação turística. Ao chegar lá, se depara com Takeru já esperando. Então ela tomou coragem e foi até ele. O loiro estava observando a paisagem da cidade. Virou-se ao notar a presença da morena. Ele ficou um pouco receoso, mas tomou atitude e foi falar com ela.
— Kari... Finalmente chegou. Estava esperando por ti.
— T.K eu queria conversar contigo, mas pelo telefone eu percebi que você é que tinha urgência em falar comigo. Do que se trata?
— Na verdade o motivo que eu queria falar é que...
De repente, eles ouviram uma explosão vinda de algum lugar debaixo deles. Os dois ficaram preocupados e tentaram ver alguma coisa. O clima pré-romântico foi interrompido por mais um barulho de explosão. Algo de muito estranho estava acontecendo.
— Você consegue ver? — perguntou o loiro.
— Não enxergo.
— Então é melhor descermos.
Os elevadores ficaram fora de serviço. Takeru e Hikari ficaram presos na torre.
...
Os digimaus que vieram pelo portal feito por Daemon começaram a atacar pelas redondezas. As pessoas corriam aterrorizadas vendo o ataque dos digimons malignos. Eles atacavam no ar, terra e água. O tumulto começou na capital japonesa.
Daemon e seus três generais foram na direção da torre de Tóquio. O Imperador das Trevas escolheu a torre por ser um lugar alto e que podia facilmente espalhar as trevas no mundo inteiro. Com seu poder, ele encobriu toda Tóquio, inclusive o bairro de Minato, pelo poder das trevas. Era impossível sair ou entrar alguém na capital japonesa, pois o escudo de energia negra impedia.
Daemon levitou até o topo da torre assustando quem estava dentro, inclusive Kari e T.K que o reconheceram logo de imediato. Seus generais também subiram até o topo e logo toda a torre ficou isolada com outro tipo de escudo. Não dava pra entrar ou sair da torre. Moradores e turistas que ficaram lá não tinham escolha a não ser ficarem cativas. O lorde demônio estendeu os braços ao céu e começou o seu ritual de espalhar a energia escura em todo o mundo humano.
— Olhem, já começou. O Imperador é muito eficiente e não perde tempo — disse ChaosDukemon.
— Estou louco pra acabar com a raça daqueles digiescolhidos de uma vez por todas. E também acabar com uma certa pessoa — disse ChaosPiedmon rispidamente.
— Acalme-se, ChaosPiedmon. O nosso mestre ainda não ordenou nada. Fique quieto — BlackWargreymon advertiu.
— Estou de saco cheio de esperar isso. Eu não aguento mais esperar aqui enquanto os outros se divertem. É isso, eu irei atrás daquele Dynasmon e acabar com ele definitivamente hehehehehe — o palhaço saiu voando dali à procura de seu inimigo. Estava convencido de que o venceria.
— Como sempre o ChaosPiedmon é imprudente e isso um dia custará a sua vida — disse ChaosDukemon.
Daemon, apesar de ter visto seu subordinado o desobedecer, não quis intervir. Talvez ele poderia acabar com algum digiescolhido que encontrar.
As canais de televisão anunciaram a invasão dos monstros chamados digimons. As crianças digiescolhidas já sabiam dessa inevitável invasão e teriam que se apressar para impedi-los. Os veteranos só souberam depois de algum tempo.
Taichi soube no seu escritório que os digimons estavam atacando. Ouviu uns gritos de pessoas vindo da rua logo em frente o escritório em que trabalhava. Espantou-se ao ver um DarkTyranomon andando atrás das pessoas e destruindo alguns carros. Aliviou-se ao lembrar que colocou seu carro no estacionamento ao lado do escritório.
— Preciso avisar isso aos meus amigos.
Ele pegou seu celular e ligou para a sua esposa. Sora atendeu e confirmou que já sabia. Alguns Bakemons haviam invadido o prédio deles e por isso ela estava escondida. O homem pediu pra que ela não saísse de casa por nada.
Mimi e Palmon também ficaram escondidinhas no apartamento. Jo, como estava no hospital, ficou por lá mesmo. Não dava pra sair com um enxame de digimaus soltos por aí. Ligou para o Koushiro querendo saber alguma resposta.
O nerd ainda não soube dizer o que havia acontecido no digimundo para que os monstros pudessem passar. Logo teve uma ideia.
— Vamos nos reunir. Todos nós. Agora eu tenho que saber o que acontece... Espere! Uma mensagem do Gennai no meu laptop.
O rapaz leu o que havia escrito numa mensagem. Era exatamente tudo o que ele queria saber. Logo ele pegou seu aparelho e foi com o senhor Tento para a casa de Jin.
— Koushiro, o que disse naquela mensagem que o deixou desse jeito?
— Algo muito ruim aconteceu, Tentomon. Muito ruim.
O rapaz e seu digimon foram correndo e voando respectivamente, para a casa de Jin que ficava relativamente perto dali. Tomou muito cuidado para não ser descoberto pelos digimons que passavam de um lado para outro.
— Malditos digimons. O que houve aqui?
— Calma Motomiya. Depois perguntaremos ao Koushiro. Ele pode nos responder exatamente o que aconteceu — respondeu Ken.
— Droga! E a Kari? Ela saiu sozinha. Nem Tailmon saiu com ela — o rapaz já ia correr e sair quando Miyako interferiu.
— Espera, Daisuke. A Kari está com o T.K. Ela me disse isso — Miyako pensava que mentia. Entretanto a mentira dela era a pura verdade. Os dois estavam juntos presos na torre.
— Que droga. O T.K sempre chegando na frente.
— Cara, você ainda tá nessa? Eles se conhecem desde sempre e você só a conheceu no colegial. Que isso lhe sirva de consolo — falou Ken.
Koushiro chegou na casa de Jin. As crianças estavam lá e precisavam da ajuda de alguém experiente e que sabia como deter os digimons invasores. O ruivo disse que para acabar com a invasão, todos os digiescolhidos precisavam se juntar e enviar os monstros de volta para o mundo digital.
— Como fizemos naquela vez, não é? — perguntou Paulo.
— Sim.
— O problema é que esses digimons não são necessariamente do Digimundo — respondeu Jin.
...
ChaosPiedmon convocou um SkullSatamon para ir com ele atrás do seu inimigo. O palhaço não se cansaria até derrotar Ray de uma vez por todas. Não era nada pessoal, contudo queria ter o gostinho de acabar com o Kyoto mais velho.
— Preciso de sua ajuda. Você lutará contra o Dynasmon antes de mim. Assim você o cansará e depois deixará o resto comigo.
— É claro, senhor. Vai ser divertido acabar com esse tal Dynasmon.
Esse SkullSatamon veio direto do oceano de Dagomon e era mais perverso e forte do que aquele derrotado por Lucemon. Seu poder era 96 mil.
— Hehehe eu juro que essa luta já está ganha. Além dos pais que já matei, acabarei com o filho mais velho. Sempre quis acabar com ele, mas era impedido constantemente pelo imperador. Agora que tudo está resolvido, eu não tenho mais impedimentos. Eu, ChaosPiedmon, o General Executor das Trevas farei o túmulo de Ray Kyoto aqui mesmo.
Continua...
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