Digimon - A Nova Geração
2 Capítulo 2: De volta ao digimundo
Notas iniciais
Espírito Santo, Serra – Agosto de 2020
Eram aproximadamente seis e meia da manhã e Bruno já estava na rua a caminho do ponto para pegar o ônibus e seguir para o seu trabalho. Nada demais acontecia nesse trajeto que durava pouco mais que cinco minutos, ele chegava no ponto, pegava o mesmo ônibus, ia para o mesmo terminal, pegava outro ônibus e quase uma hora depois chegava no trabalho.
Lá as coisas eram um pouco mais agitadas, mas para Bruno já eram sem graça, pois com um ano e meio de empresa ele já havia se acostumado com as coisas que aconteciam lá. Ai quando já era noite ele desligava seu computador, pegava suas coisas e lá ia ele novamente pegar um ônibus, depois terminal e depois outro para chegar em casa. Nada acontecia lá também, exceto quando seu cachorro aprontava alguma coisa, afinal era o único ser com quem Bruno dividia seu apartamento.
Bruno estava com vinte e sete anos e após chegar em casas e tomar seu banho, deitou-se no seu sofá e começou a relembrar com nostalgia dos tempos que era criança e ia para a casa dos seus avós todos os fins de semana quase sem exceção, uma das lembranças que mais gostava era do sorriso da sua avó, uma de suas características mais marcantes, do jeito que ela o tranquilizava apenas com um olhar dos seus olhos verdes, dos beijos que ela dava nele, dos abraços. Outra de suas favoritas era a do seu avô que usava um par de óculos redondos de lentes grossas que com certeza era sua característica mais marcante, cantando alegremente: Amigão, amigão, amigão! Era assim que ele costumava chamá-lo. Uma lágrima escorreu enquanto sentia seu coração quente por essas lembranças, mas ao mesmo tempo doía lembrar dos seus falecidos avós.
Bruno se levantou e foi tomar um banho, seu cachorro o acompanhou até a porta do banheiro como fazia normalmente. Depois foi até a cozinha para fazer algo para comer já que estava morrendo de fome, enquanto picava as cebolas seu celular apitou 2 vezes, passou uma água nas mãos e foi checar o que era.
Whatsapp: 2 mensagens não lidas
Ao destravar o celular e deslizar o dedo na tela para ver quem havia mandado as mensagens, ficou feliz quando viu que eram de sua prima.
Yolanda: Ei, tudo bom?
Yolanda: Como vão as coisas aí? Saudades.
Bruno: Ei prima, to bem sim graças a Deus e vc?
Bruno: Só ando meio cansado por causa do serviço, mas fora isso tá tudo de boa.
Yolanda: Ah que bom, aqui tá tudo bem tbm. Esses dias sonhei com nossas aventuras no digimundo, parece que foi a uma eternidade né?
Bruno: Sim, às vezes parece que nem aconteceram kk. Mas sinto saudades daquele tempo.
Yolanda: Eu também, acredita que eu ainda tenho o digivice? Outro dia o Cauã achou ele nas minha coisas e eu quase infartei com medo dele estragar kkk
Bruno: Nossa kkkkk, imagino.
Enquanto Yolanda não respondia, Bruno terminou de fazer sua deliciosa janta de arroz, carne de soja e salada de repolho com maionese e já estava indo para o sofá comer. Após algumas garfadas na comida, o celular de Bruno voltou a apitar.
Yolanda: O que vc acha que aconteceu com eles quando nós deixamos o digimundo?
Bruno: Com os digimons? Não sei, acho que continuaram a viver suas vidas lá. Eu adoraria voltar para ver o que mudou nesses anos.
Yolanda: É, às vezes eu também. Mas mudando de assunto, nesse fim de ano, vc tem algum plano?
Bruno: Ainda não kkk, talvez passar sozinho na praia mesmo.
Yolanda: Porque você não vem pra BH? A gente arrumar um lugar pra ir aqui ué.
Bruno: Prometo que vou pensar com carinho nesse convite rs
Yolanda: Pensa mesmo Bruno, melhor do que ficar sozinho ai.
Yolanda: Deixa eu ir que tenho que dar janta pro Cauã e tenho que comer também kkk
Yolanda: Bye, dorme com Deus ♥
Bruno: Beijoss, boa noite e durma com Deus também
Deixando seu celular no braço do sofá, Bruno se deitou nele e começou a procurar o próximo super sentai para ver no notebook que ficava conectado a sua televisão, decidiu que iria ver Ninninger.
Como de costume Bruno cochilou, acordando somente quando sentiu uma pontada de dor no pescoço pois havia esquecido de pegar os travesseiros. Enquanto tentava alongar o pescoço, pegou o celular para ver as horas — 01:20 da manhã – levantou-se e foi até seu quarto para pegar seus dois travesseiros. Quando retornava para a sala notou que seu digivice, que estava pendurado na parede ao lado da sua cama, estava com um brilho fraco. O garoto ficou surpreso pois já havia anos que ele não dava sinal de vida, levou o dispositivo consigo para a sala para examiná-lo, era azul-claro com botões brancos, sua tela emitia um brilho bem fraco, mas ainda estava preta. Bruno pegou seu celular para tirar uma foto e enviar para Yolanda e checar se isso estava acontecendo com o dela também e assim que aproximou o celular, a tela do digivice emitiu uma forte luz branca em direção a tela do celular que por sua vez brilhou intensamente envolvendo Bruno na forte luz e ele sabia exatamente o que iria ocorrer a seguir.
Minas Gerais, Belo Horizonte – Agosto de 2020
Após dar janta e colocar seu filho para dormir, Yolanda pegou seu celular para conversar com seu namorado. Depois de um tempo ela se levantou para ir a cozinha para pegar um copo de leite gelado, ao voltar pro seu quarto viu que algo estava emitindo uma luz fraca na prateleira que ficava ao lado de sua cama, ela foi checar e viu que era seu digivice. Yolanda voltou com ele para sua cama e acendeu a lanterna do seu celular para verificá-lo e assim que aproximou os dois dispositivos o digivice emitiu uma forte luz branca em direção a tela do celular que provocou um brilho que a envolveu por completo.
Digimundo
Após o brilho cessar Bruno retirou os óculos de armação preta e esfregou um pouco os olhos antes de ver que estava em uma espécie de caverna que tinha um cheiro de maresia, ele foi caminhando para a saída e viu que a caverna dava para uma praia. Ao olhar na direção oposta ao mar, viu no horizonte uma enorme montanha e então não teve mais dúvidas, estava no digimundo e mais precisamente na Ilha Arquivo, lugar que anos atrás foi o ponto de partida das aventuras que ele, seu irmão e seus primos viveram no mundo digital.
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