Digi-Shots
11 Digi-Shot XI: Espectadores
Notas iniciais
Eu AMEI escrever essa. Simplesmente amei. É uma visão meio esquecida do anime, e claro que eu lhe dei o drama e a emoção apropriados, espero que tenha ficado legal! É curta, mas vai fechar o primeiro Arco! ÉÉÉ! :D
Meu segundo post do dia de hoje, que, por falar nisso, é primeiro de agosto!! :)
Aproveitem! ♥
Eles eram apenas meros espectadores naquela aventura.
Os protagonistas sabiam que eles se preocupavam. Testemunhas sem voz, sem ação e com os ouvidos e olhos aguçados para observar. De nada adiantaria que se rebelassem àquilo ou recusassem-se a aceitá-lo. Se tentassem mudar o destino, empenhar-se-iam em vão. Era inevitável e brutal. Por mais que doesse, não havia nada a fazer. As lágrimas se derramavam, os braços tentavam puxá-los a
Seus filhos.
Seus filhos iriam desbravar florestas, navegar por mares, desidratarem em desertos, sentir frio em cordilheiras nevadas, cansar-se ao escalar montanhas, submeter-se a poucas horas de sono e vigília noturna, procurar comida e dormir no chão à mercê de tudo que desejava assassiná-los. Seus filhos iriam lutar, batalhar, expor-se em guerras – iriam liderar guerras, fazê-las — contra seres que eles não conseguiam entender por completo. Seres poderosos, sem dó, sem alma ou piedade, armados com raios poderosos, explosivos, ataques de todos os tipos e potências.
Seus filhos iriam matar.
E eles não poderiam fazer nada para poupá-los da face aterradora da vida que resolvera atormentá-los e persegui-los de maneira precoce e ampliada, e lhes arrancar a inocência. Não podiam protegê-los, como deveriam fazer! Aqueles parceiros não poderiam fazer o trabalho que eles tinham que fazer! Aquela aventura predestinada roubara suas criancinhas amadas, tornara-a guerreiros. Estava além do controle, além de suas capacidades – um fato muito entranhado em uma realidade que eles não conheciam.
E tinham medo.
Suas crianças iriam conhecer a dor, o sacrifício, a tirania, o medo e a maldade.
A Morte.
Enquanto eles assistiam.
As mudanças viam-se claras neles. Os passos oscilando entre a firmeza e o sigilo apressado quando andavam em casa: como se lembranças de batalhas e fugas se mesclassem de repente. Algumas vezes, eles debatiam-se em desespero em suas camas durante a noite, tentando escapar de memórias certamente mais apavorantes do que pesadelos, que queriam matá-los. Haviam, sem seus pais e irmãos mais velhos em alguns casos – aqueles que se culpavam por não estarem ali, fazendo o que deveriam fazer! -, se habituado um tanto melhor à solidão. Tinham amadurecido mais que o normal, e isso se refletia em suas ações. Os olhos, contudo, eram o que mais os assustava. Ante, eram brandos.
Agora, havia fogo por detrás da íris.
Havia bravura, amizade, amor, curiosidade, sinceridade, confiança, esperança e luz neles. Havia conhecimento, pureza, fé, lealdade. Tudo em brasa, como se a qualquer momento pudessem atear as labaredas no mundo, mostrando uma gana doentia de continuar vivendo. Não mais existindo. Vivendo. Porque agora aqueles oito sabiam melhor do que eles mesmo o que era viver. Aquilo os deixava perplexos, confusos, assombrados, amedrontados e um com doloroso orgulho paterno, materno e fraterno. Sim, aquele orgulho doía, porque custara demais em termos emocionais. Talvez aquelas virtudes estivessem ali desde sempre, mascaradas pelo cotidiano e pela faixa etária e sua respectiva imaturidade, e, por isso, não as notaram antes.
Mas aquele mundo as notara. E as cobiçara – ou seria que os corações de seus filhos que haviam atraído-se para lá, almejando um meio para que aquele fogo despertasse? Elas faziam seus filhos especiais não apenas na família ou entre conhecidos e amigos. Ah, não.
Aquelas virtudes faziam de seus filhos os salvadores do mundo.
Fazia de seus filhos Escolhidos.
O que eles haviam se tornado como pessoas os deixava admirados. É claro que, antes de tudo isso, já os admiravam simplesmente pelo que eram, tanto de ruim, quanto de bom – traços daquelas características que deveriam estar adormecidas em todos os humanos. Mas agora a admiração tomara uma proporção incômoda, fantasiosa, bizarra e surreal. Seus filhos, heróis, sem eles, tinham salvado o mundo.
Os mundos.
Apesar do feito mais que impressionante e inacreditável, ainda eram crianças. Suas protegidas legalmente, incapazes de responderem por si perante a lei, perante a vida real, as responsabilidades reais – se é que qualquer limitação mundana ainda podia aplicar-se a elas.
Mesmo que desejassem protegê-las, ao invés de deixar essa tarefa aos parceiros, os pais das Crianças Escolhidas sabiam que elas estavam em boas mãos, mãos de seres que fariam de tudo — inclusive entregar suas próprias vidas – para vê-las sãs e salvas. Talvez não lhes trouxesse total alívio, mas era um bom consolo em uma situação tão confusa. Aqueles companheiros provaram-se verdadeiros e leais ao extremo, e eles não poderiam ser mais gratos.
E, na verdade, havia algo que eles podiam fazer.
Acreditar com toda a fé que aquelas crianças eram capazes de realizar qualquer coisa.
Aquele era o grupo de espectadores mais maravilhados que jamais existiu.
Notas finais
Acho que essa Digi-Shot diz por si só tudo que eu poderia tagarelar. O deslumbramento dos pais dos Escolhidos, como eles ficaram quando voltaram do Digimundo aos olhos de seus pais (e irmãos, no caso do Jou, já que estranhamente nunca mostraram seus pais)e o que os espectadores sentiam em relação a isso.
Eu quase entrei detalhadamente na vida de cada um; iria narrar com seus nomes (Natsuko, Susumu, Yoshie, Hiroaki, etc), mas achei mais intereessante exrecer algo que incluísse o que todos sentiam. Mas um dia eu explorarei a relação dos Escolhidos com seus pais mais detalhdamente, no Arco III, "Laços". :)
Minha intenção era de deixar essa um tanto mais madura e sensitiva do que as demais! Espero ter conseguido e espero que tenham gostado! Provavelmente vou editar essas notas depois e deixá-las com tudo o que eu quero dizer, mas se eu o fizer, aviso, okay? Dou-lhes mais atenção e falo mais nas respostas, prometo! Agora vou postar a minha surpresa de 1º de agosto!! õ/
FIM DO ARCO I! ♥
Obrigada por lerem!
Abraço,
B.Star Fic.
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