Digi-Shots
7 Digi-Shot VII: A Sincera
Notas iniciais
Ok. Eu. Não. Acredito. Nisto:
O capítulo da Mimi foi o maior! Nossa! Eu estava JURANDO que ia fazê-lo bem menor em comparação aos outros, pelo fato de eu simplesmente não saber interpretar a Mimi e também por ter tido uma dúvida CRUEL quanto aonde ocorreriam as passagens. Acho que acabei me animando em tentar descobrir como "sê-la", e o troço saiu dos eixos e ficou maior do que eu pretendia.
Se houver muitos monólogos, peço desculpas! (Monologar é o jeito que eu sei para compreender melhor alguém - escrever sobre esse alguém, as opiniões sobre ele. No caso, ela, Mimi. Descobri que tinha mais opiniões formadas sobre ela do que eu pensava. Acho que quando paramos para realmente tentar entender alguém, acabamos vendo que gostamos mais desse alguém do que pensávamos...rsrsrs. Admito que ganhei mais carinho pela MImi após essa Digi-Shot.) :#
Importante: A Música dela é "Sei que poderemos nos encontrar a qualquer hora" ou ALGO DO TIPO. Foi estranho fazer uma frase com isso, mas acho que consegui uma frase e um capítulo decente!
Aproveitem! ♥
Mimi Tachikawa oscilava entre a sinceridade da palavra e a pureza do coração.
Pois verdades extremas, ainda que magoassem, eram coisas ditas por pessoas sinceras — padrão no qual ela se encaixava, mais pela facilidade de expressar a sua opinião verdadeira do que por qualquer outra coisa.
Se sentia frio, fome ou dor, não via o porquê de não dizê-lo em alto e bom som, sem se preocupar com o que os outros estavam passando, para, eventualmente, alguém resolver a questão por ela — fora acostumada assim. No entanto, até certo momento de sua vida, não tinha medo de perder seus amigos, não tinha medo que eles a deixassem, pois não se considerava alguém insignificante para ser abandonada. Sem contar que...
Ela sabia que poderia encontrá-los a qualquer hora.
Não que ela fosse de fato egoísta: era aí que se encaixava a pureza do coração, a de expressar o amor com todas as expressões e sorrisos. Todos os sentimentos que nasciam no coração puro de Mimi eram genuínos, e ela fazia questão de demonstrá-los de forma espontânea, dando seus gritos, choros e gargalhadas mais altos e sinceros.
Com olhos que transmitiam suas vontades, a menina possuía uma forma distinta e doce de ver o mundo, e, dificilmente, enxergava as maldades contidas no mesmo ou os limites que os outros estavam dispostos a aceitar. Em base, era uma pessoa adorável, mas que sabia — e muito bem — impor-se.
O mundo de Mimi era um mundo mais simples e descomplicado, mais ingênuo, delicado, fofo, mais sincero e contente. No entanto, era um mundo centrado, na maioria das vezes, apenas nela.
Como um imenso reino medieval.
No qual ela era a princesa.
"Mimi...Por quanto tempo mais ficaremos aqui?"
Naquele dia, a morena pensou em ignorar Palmon — pois, naquele momento do passado, pertencia a realeza e podia dar-se esse luxo de realizar apenas o que queria sem ser julgada -, mas acabou por responder:
"Para sempre."
"P-para sempre?" Espantou-se.
"Claro, ué!" Mimi sorriu abertamente: "Já discutimos isso antes, lembra? Porque eu deixaria de ser princesa, afinal? Por acaso parece que eu quero parar e ir embora daqui?"
"Bem, não, mas..."
"Se eu não quero parar de ser princesa, vai ser assim." Decretou. "E, como eu não vou parar, não temos motivos para sair daqui."
"Só que..." Tentou novamente. A Digimon já estava ficando desesperada com a situação que estavam vivendo. A humana se irritou de leve, exclamando como se fosse a coisa mais simples do universo:
"Vamos ficar neste lindo e maravilhoso castelo para sempre!"
"Okay." Palmon suspirou, pensando que seria melhor desistir.
Após um tempo em que Mimi analisava a sua própria imagem no espelho, tentando torná-la perfeita, escovando seus cabelos e ajeitando seu longo vestido rosa e branco de babados e laços, Palmon mudou de estratégia, lembrando-se de algo importante:
"E quando você vai cantar pros Gekomons e Otamamons, Mimi?"
"Eu não sei." Fez beicinho. "Não tô com vontade agora... e nem amanhã... e nem depois... ou no dia seguinte... Ah, um dia, Palmon, um dia quem sabe."
"Mas aquela música é tão linda, e fica ainda melhor na sua voz!"
Mimi sorriu de novo.
"Muitíssimo obrigada, Palmon!" Bateu palmas e abraçou, de tão facilmente que expressava seus sentimentos. "O mundo seria um lugar mais harmônico se todos tivessem a minha voz, ou, sabe, fizessem o que eu mando."
O que ela poderia fazer? Era um desejo sincero e inocente.
"Você sabe..." Palmon começou suavemente, tentando ser paciente. Ela fez o caminho até uma grande pufe rosa e luxuoso, como tudo naquele quarto. "A condição para ficarmos nesse castelo é você cantar para eles. Você precisa..."
"... Fazer com que o Rei dos Gekomons e dos Otamamons ouça uma música bonita para ele acordar do seu sono de trezentos anos." Completou Mimi com puro desdém em seu tom de voz. "Eu sou uma princesa, não um despertador!"
"Então, você não vai cantar." A outra suspirou.
Elas estavam numa situação inesperada. O grupo havia acabado de se separar, e, como Etemon fora destruído, as coisas andavam um tanto paradas. Palmon e Mimi, após deixarem Takeru, Yamato e seus Digimons, encontraram aquele castelo, e a brincadeira de reinar começara... e estava durando mais de um mês.
"Ah, não se preocupe! Eu vou ser uma princesa para sempre, então, ainda temos muuuuito tempo para resolver essas coisas!" Ela riu alegremente e piscou para a parceira.
"Você não pensa em voltar para os outros?"
"Penso, sim, às vezes. Mas, depois que o Taichi foi sugado por aquele buraco negro esquisito e Etemon foi pro beleléu, acho que todos não vão se unir por um bom tempo." Concluiu, sem preocupações, dando de ombros. "Enquanto o Koushiro se mata para achar o Gennai e o resto anda por aí, eu não me importo de ficar aqui, num castelo 'confortável repleto de súditos que me obedecem, num lindo e esplêndido reinado!
"Isso está mudando você!" Palmon gritou de repente. "E todas as suas responsabilidades como Digiescolhida...?" Emotiva como sua parceira, ela estava quase a beira das lágrimas.
Mimi, no entanto, não se deu por vencida:
"Entenda, Palmon, temos que pensar em prioridades...CADÊ O MEU VESTIDO DE BOLINHAS AZUIS?"
"AQUI, AQUI, PRINCESA MIMIIIIIII!" Veio o coro de gritos que subiam as pressas as escadas. Logo, a menina dava ordens aos Gekomons e Otamamos, que pulavam loucamente ao redor dela, afoitos. Palmon suspirou novamente, apesar de ter deixado um pequeno sorriso aparecer pela singularidade da amiga incrível que possuía.
Apenas se perguntava quando a princesa abriria os olhos para a destruição de seu reino Digital.
(...) Algum tempo depois (...)
"Vocês não são meus amigos! Vão para o CALABOUÇO!"
O grito da princesa; a ordem para os súditos. Obecederam-na por sua promessa. Falsa.
Aonde estava a sinceridade de Mimi Tachicawa?
"Mimi..." Alguém tinha que pará-la. Logo, ou seu brasão jamais iria brilhar, pois sua virtude perdia-se, alienando-se no puro egoísmo. Ela bradou, irritada:
"E você também, Palmon!"
"EU ODEIO VOCÊ!"
–-x---
"Amigos, por favor, me ajudem!"
O grito de Mimi propagou-se pelo nada, e Devimon e Etemon continuavam a avançar para atacá-la. As imagens de Jou, Taichi, seus paceiros e Palmon tremeluziam perto dela, dando-a esperança.
E as imagens dos amigos perdidos iam desvaecendo com seus gritos ressentidos:
"Não, Mimi." Taichi respondeu, aturdindo-a. "Você não é mais uma de nós!"
"Não se esqueça disso!" Exclamou Agumon.
"E nós não esqueceremos o que VOCÊ fez com a gente!" Jou decretou, furioso.
"P-palmon!" Mimi implorou à única que restava, assustada.
"Eu não gosto mais de você, Mimi!" Palmon gritou. "Você é EGOÍSTA!"
Todos os seus amigos haviam deixado-a. Para sempre. Não podia encontrá-los.
Ela estava só.
"EGOÍSTA... EGOÍSTA... EGOÍSTA!"
***
"Eu peço desculpas, Jou."
"O quê?" O mais velho piscou, confuso pela fala repentina.
"Eu sou egoísta, não sou?"
Jou franziu a testa e ajeitou os óculos. Ele olhou Mimi atentamente, e arregalou os olhos quando viu que ela chorava.
Sofria em silêncio, com lágrimas sinceras e soluços aprisionados em mentiras que agora não passavam de lembranças dolorosas.
"Não, não, claro que não!" Jou garantiu. "Por que você acha isso, Mimi?"
"Shuumon. Leomon." Balbuciou. "O que aconteceu com eles, Jou?"
O garoto mudou o peso de um pé para o outro, desconfortável. Encostou-se numa árvore e olhou para Gomamon, que dormia, exausto após eliminar MetalEtemon no antigo restaurante de Digitamamon, destruído pelos Mestres das Trevas. Os quatro, haviam dominado o Mundo Digital, e aquele dia do castelo podia quase ser considerado tranquilo comparado ao que passavam agora.
Palmon havia ido com o tristonho Orgemon e os outros procurar algumas frutas. Finalmente, sussurrou:
"Eles morreram."
"Eles foram mortos."
"B-bem, sim..." Surpreendeu-se pela correção.
"Assassinados. E sabe o porquê, Jou?" Ela gemeu, agoniada. Como ele, meio perdido, não respondeu, ela mesmo disse, elevando o tom de voz: "Por minha causa! Meus amigos morreram porque tentaram me proteger! A minha falta de altruísmo os matou!"
"A culpa não foi sua, Mimi." Ele tentou acalmá-la rapidamente. Com o chapéu rosa repousando em seu colo, apertou-o com força e gritou:
"Foi, sim! Eu sou uma pessoa egoísta! Eu sei que sou egoísta! Um peso para todo mundo!" Mordeu o lábio. Após uns segundos de silêncio, ela murmurou: "Eu já te prejudiquei com meu egoísmo. No castelo, sendo princesa. Porque você ainda é meu amigo?"
"Eu não tenho nenhum rancor sobre aquilo. Eu sou seu amigo porque gosto de você." Jou disse suave e timidamente, sorrindo para ela. Sentou-se ao seu lado, na grama, aventurando-se a encostar seu ombro no dela. "E você acabou se redimindo, no final, lembra?"
"S-sim..." Enxugou uma lágrima. "Eu cantei, no final das contas. E pedi desculpas para todos vocês. Eu realmente me arrependi". Ela sussurrou. "Eu realmente aprendi e cresci naquele dia."
Ela notou que podia sim, perder seus amigos devido suas atitudes. Podia perdê-los para sempre. E, agora, via outro detalhe, tão nítido quanto cruel:
Podia perdê-los para a Morte.
"Viu?" Jou sorriu novamente. "Você reconheceu seu erro, por tanto, não é egoísta."
"Se eu não fosse egoísta..." Ela começou, cismada. O mais velho suspirou quando viu que ela pretendia insistir ao máximo no assunto, e corou quando a garota virou-se para ele de modo que seus rostos ficassem um tanto próximos. Mimi, porém, não pareceu se incomodar: "...Nós não estaríamos aqui agora, separados dos outros, só porque eu me cansei de ver tantas lutas. Eu fugi, Jou! Fugi!"
"Não querer lutar não é egoísmo." Jou ponderou. "Pelo contrário, na verdade: a sua reclusa em ver pessoas machucadas e sofrendo — e querer ajudá-las quando isso acontece — mostra que você é uma pessoa muito altruísta, Mimi."
"M-mesmo...?" A tristeza dava lugar a uma face pensativa.
Assentiu, mais confiante de seus próprios argumentos. Exibiu um pequeno conhecimento de psicologia que seu irmão o ensinara, mais as suas próprias opiniões:
"Veja bem, altruísmo requer a prática de rebaixar a intensidade dos seus próprios desejos, fazendo com que os dos outros se sobreponham em sua cabeça. No entanto, o reflexo humano é pensar primeiro em si mesmo. Mas isso não representa egoísmo ou falta de preocupação com os outros, isso é sinceridade. Você é sincera, Mimi, e consegue demonstrar tudo que sente, ainda que, certas vezes, o que você sinta não tenha a ver com os desejos dos outros ao seu redor." Tomou fôlego, enquanto ela olhava-o espantada e admirada.
"C-continua, por favor..."
"Só que, conseguindo exprimir tanto amor e carinho como você sabe fazer," corou e pigarreou "logo você consegue preocupar-se com os demais, consegue fazer com que o que você quer seja algo bom e gentil. E não querer lutar é apenas isto: você quer um bem maior, Mimi, e não tem medo de dizer que não concorda com o que está sendo feito, não hesita em mostrar que quer algo diferente ou que essa não é a sua vontade — você não machuca os outros porque está sendo liderada à isso, pois é sincera de mais para tal coisa. Se você pensasse só em si mesma, não iria ao menos se importar com o sofrimento alheio. E eu admiro muito a sua ideia de vencermos sem violência."
Muito. Silêncio.
Os olhos âmbar arregalados de Mimi encaravam-no, fixos. Os dedos enluvados, antes agarrados no seu acessório preferido, repousavam nas abas do chapéu rosa, como se ela estivesse mais tranquila.
Certo de que tinha falado algo muito errado, gaguejou:
"A-ah, se eu disse algo que ofendeu..."
"AH, OBRIGADA, JOU!"
Tomou um susto quando Mimi o abraçou com tanta efusividade e alegria que achou que ela iria esmagar os seus pulmões.
"O-o-o quê?" Jou riu nervosamente quando ela se afastou, com uma expressão iluminada. "Você... gostou do que eu disse?"
"Sim, sim!" Ela assentiu. "Muito, mesmo. Obrigada. Eu prometo levar o que você me falou para o resto da vida. " Meio perplexo com tanta determinação inocente, Jou apenas acompanhava as palavras da amiga: "Adorei como você tratou o assunto, agora sei que não sou egoísta como pensava. É reconfortante saber que tenho pessoas que se importam comigo. Pensei mesmo que todos iriam me abanonar."
"Nunca faríamos isso; nunca te deixaríamos, Mimi, venceremos essa batalha juntos. " Ainda que abatida por tudo que acontecia, e também impactada pelo discurso de Jou, ela conseguiu sorrir:
"Eu sei." Após um momento, acrescentou: "E eu nunca deixaria nenhum de vocês."
E ela realmente pensava assim — e continuaria pensando, para sempre.
A pureza no coração de Mimi Tachikawa havia sido restaurada com palavras tão sinceras quanto as que ela mesma usaria.
Notas finais
Mais reflexivo que os outros, não? Ficou chatinho ou ficou legal assim? "Egoísmo" me pareceu ser o maior dilema dela... Foi o que eu mais trabalhei, o que mais me custou quanto a termos de compreensão, análise mental e coisas assim. Quero saber se retratei Mimi Tachikawa bem - pois ela é a personagem de D.A com a qual eu estou MENOS familiarizada a trabalhar com, entendem? (Acho que teremos esse problema com a Miyako e o Iori, na verdade.)
Enfim. Acabei vendo que a Mimi tem um potencial imenso, e agora sei que a admiro muito! :) As falas do Jou, na verdade, são os conhecimentos que ganhei sobre a personagem durante a realização dessa Digi-Shot. Aprendi bastante, sério. Também vi que ela não é tão "presa no mundo onde ela é a princesa", não: ela percebe as coisas que acontecem ao redor dela, o sofrimento, mas a sinceridade a leva a mostrar isso de uma forma diferente - mais genuína, menos comum. E me irrita o fato de pensarem que ela "não tem consciência das mortes que 'causou'", pois ela tem, sim, sente-se culpada pela dor. Mimi não é uma garotinha mimada - apesar de parecer, por fora. Ela é demais, a que mais amadureceu... Agora eu posso afirmar com toda a certeza do mundo que gosto de Mimi Tachikawa :D
E, está claro, eu coloquei um leve"Joumi" aqui, né? Foi mais ou menos intencional rsrsrs Sei como a maioria prefere esse casal, e quero saber se interpretei bem o modo como os dois interagem entre si. ^^"
*A primeira parte se passa um pouquinho antes do Episódio 25! A segunda, é o sonho do mesmo.
*A última parte é entre o episódio 47 e o 50, tanto faz exatamente onde.
Sei que tenho uns reviews para responder, não esqueci! ;)
Enfim, acho que é tudo isso! O próximo será do Jou!!
Até mais!! :*
B. Star Fic
Fale com o autor