Diga que me quer.
47 Bruno diz que não pode ficar com Fatinha.
Eu estava tentando preparar algo pra comer. Estava tão distraída pensando nas coisas que eu vim escutando esses dias sobre o Bruno. Eu realmente não preciso ficar chorando pelos cantos por alguém que não está nem aí pra mim.
Quando ia me sentar no sofá com a minha bandeja cheia de coisas que eu preparei a campainha tocou. Me assustei. Olhei para o relógio, eram 00:24h. Quem seria uma hora dessas? Olhei pelo olho mágico e não dava pra ver ninguém. Abri a porta de vagar e o Bruno estava lá. Com uma cara de cachorro abandonado em pé enfrente a porta.
- Posso falar com você? — ele perguntou. Estava estranho.
- Isso é hora de vir me encher o saco? — eu falei, já irritada.
- Por favor, preciso conversar com você. — ele disse se aproximando.
- Entra. — eu dei espaço pra ele entrar.
Eu nem sei o que estava fazendo. Não estava afim de briga, mas queria ouvir o que ele tinha pra dizer. Talvez eu estivesse aceitando o fato de ser amiga do Bruno, será que assim seria melhor?
- Pode sentar se quiser. Eu ia ligar a televisão. — eu disse pegando a bandeja e colocando em cima da mesa que havia do lado do sofá.
- Então Fatinha... eu.. — ele parecia estar confuso.
- Fala Bruno. Você veio aqui pra ficar olhando pra mim com essa cara de coitado? Fala logo. — eu disse e ele se sentou no sofá.
- Posso ficar perto de você? — ele perguntou chegando mais perto de mim no sofá.
Senti meu corpo estremecer. Comecei a tremer e ficar nervosa. O que ele pretendia com isso? Ele estava chegando cada vez mais perto.
- Por favor. Me desculpa. — ele disse e me deu um abraço tão.. carinhoso. Fechei os olhos e o abracei de volta.
- Te desculpar pelo que? — perguntei e me soltei dos seus braços.
- Por tudo. — ele disse e soltou a respiração.
- Um dia quem sabe Bruno. Mas hoje não. — eu disse.
- Eu não quero ter que viver nesse clima com você. Você passa por mim e nem fala comigo. — ele disse me olhando.
- Você acha que eu tenho que te tratar como, Bruno? Depois de tudo que você fez comigo? Você ficou comigo e depois me esculachou. Mentiu dizendo que não podia ter filhos e depois me fala que vai ficar noivo porque sua namorada está grávida? — eu disse e meus olhos encheram de lágrimas.
- E se eu disser que ela não está? — ele disse e eu fiquei surpresa.
- Você mentiu pra mim de novo?
- Me perdoa. Eu só precisava ficar longe de você pra não trair mais a Ana. Só que eu não consigo resistir. Quando eu to perto de você eu quero, mas.. — ele disse e abaixou a cabeça.
- Mas o que?
- Não sei, Fatinha.
- Sabe sim, fala.
- Você é linda, mas o seu jeito não é o tipo de garota que eu curto pra namorar, entende? As roupas que você usa, o fato de dar em cima de todo mundo. Se você fosse um pouco menos complicada, eu juro que tentaria.
Quando o Bruno disse aquilo, senti uma lágrima rolar pelo meu rosto. Continuei encarando ele.
- Acho que você precisa de alguém que te aceite e que não tenha vergonha de mostrar o que sente. Alguém que te assuma, sabe? Eu não conseguiria fazer isso.
- Então, você gosta de mim? — perguntei com um sorriso fraco.
- Gosto. Mas só consigo sentir algo quando a gente tá sozinho, sabe? Porque você me dá carinho e fica comigo sempre que eu quero.
Limpei o meu rosto e me levantei.
- Entendi. — ele veio atrás de mim.
- Por favor. Não me ignora mais. Não quero saber que você está triste por minha causa. Eu sei que é difícil. Mas eu torço muito pra que você seja feliz, de verdade. — veio por trás de mim e abraçou minha cintura. — Quero ser seu amigo.
Fechei os olhos com muita força. Meu mundo estava desabando ali. Ele então estava terminando tudo comigo? Se é que um dia existiu alguma coisa. Eu não sabia o que falar. Minha barriga estava doendo demais. Limpei meu rosto e me virei pra ele.
- Por mim tudo bem. — eu disse e ele me olhou surpreso.
- Que? — parecia indignado.
- Amigos? Não é o que você quer? Eu aceito. — eu disse dando um sorriso fraco e erguendo a mão para ele apertar.
Ele segurou a minha mão e me puxou. Colocou meu rosto no dele e me deu um beijo. Um beijo suave. O beijei por alguns segundos, mas logo me soltei.
- Desculpa.
- Tudo bem. Foi o ultimo. — eu disse tentando ser a pessoa mais fria desse mundo, embora eu estivesse morrendo por dentro.
- O ultimo. — ele concordou.
- Era só isso?
- Está me expulsando? — ele disse sorrindo.
- Sim.
- Nossa, então tudo bem.
Fui em direção à porta e quando ia abrir minha mão nem se mexeu. Colei minha testa na porta e comecei a chorar desesperadamente. Percebi que ele se aproximando. Me virei.
- Tem certeza que é isso que você quer? — eu perguntei olhando pra ele. Ele tinha um olhar triste.
- Vai ser melhor assim. Não quero te machucar. Você vai encontrar alguém.
- Então pode ir. — abri a aporta e ele foi embora.
Antes de fechar porta pude perceber que ele olhou pra trás e sorri fraco. Então fechei a porta. Me joguei na cama e chorei muito. Pensei em tudo que ele tinha me dito. Será que ele queria tudo aquilo mesmo? O que eu vou fazer agora? Será que fiz bem em aceitar ser amiga dele? Não posso. Eu amo o Bruno.
Minha barriga doía demais. Foi como se o prédio inteiro tivesse caindo sobre mim. Aquelas palavras, o rosto dele me parecia tão triste. Cheguei a achar que ele não queria aquilo, mas se ele falou, talvez seja porque quer sim. Desisto.
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