Difícil De Prender
1 Capítulo 1
Quarta – Feira – 18 de Março
Era 05h00min da manhã quando o relógio despertou.
– Deus do céu, hoje ainda é quarta-feira e eu estou morta! – pensou Olivia.
Com muito sacrifício esticou o braço, pegou o despertador que ficava na mesinha ao lado da cama e o travou. Ficou tentada a permanecer deitada por mais cinco minutos, mas sabia que se o fizesse, acabaria dormindo e perdendo a hora.
Levantou, caminhou até o banheiro, tirou a roupa, entrou embaixo do chuveiro. A água estava na temperatura ideal, fazendo com que ela conseguisse relaxar. Ficou ali, parada, permitindo que a água escorresse por seu corpo, e pensando em como seria o seu dia. De uma coisa tinha certeza: não seria bom.
Nunca era, pois seu trabalho consistia em lidar com estupros, mortes e mais todo tipo de violência que se pode imaginar. Mas foi isso que escolheu para sua vida. Gostava de ajudar as pessoas, era isso que sabia fazer. É claro que às vezes era difícil, tentava não se deixar envolver com o sofrimento das vítimas, mas ela era humana. Como não se compadecer com uma criança que foi molestada ou com uma mulher que foi espancada? E era esse sentimento que a fazia ter força para ir até o fim e colocar os culpados na cadeia. É claro que não fazia isso sozinha, pois contava com uma equipe ótima que assim como ela, também fazia de tudo para que a justiça fosse feita.
Desligou o chuveiro, secou-se, caminhou até o quarto e vestiu a sua roupa, uma calça jeans, blusa azul, casaco preto, cachecol bege e um sapato também preto. Foi até a cozinha para tomar o café antes de sair.
– Já vi que terei que comer na rua – pensou, examinando o armário – Não tem nada aqui. Preciso fazer compras esta semana.
Enquanto caminhava para a sala, teve uma ideia.
Pegou o telefone e discou um número. Do outro lado, uma mulher atendeu no segundo toque.
– Alô, Olivia. Bom dia! – disse Casey.
– Bom dia, Casey. Estava pensando se poderíamos nos encontrar para tomar um café antes do trabalho. Aproveitamos e falamos sobre os detalhes dos julgamentos da semana – sugeriu Olivia.
– É claro que sim. Podemos nos encontrar em quarenta minutos na lanchonete próxima à delegacia?
– Combinado. Até já!
– Ok.
Olivia desligou o telefone, pegou sua bolsa e saiu. Como seu apartamento era relativamente próximo a delegacia, foi andando. Depois de pouco mais de meia hora de caminhada, chegou à lanchonete. Entrou e logo viu Casey sentada no balcão.
– Cheguei – disse Olivia dando um sorriso e sentando-se ao lado de Casey.
– Ah, que bom. Já viu o jornal? – perguntou a promotora preocupada, pois já imaginava a reação da detetive.
– Não... por quê? – perguntou desconfiada, devido ao tom de voz de Casey.
– Porque tudo indica que o dia será no mínimo emocionante – disse num tom sarcástico – Dá uma olhada.
Olivia pegou o jornal e leu a manchete da primeira página, que dizia isto:
“Segunda jovem universitária encontrada morta”
Logo abaixo, em letras enormes:
“QUANTO TEMPO A POLÍCIA DE NOVA YORK LEVARÁ PARA PRENDER O ASSASSINO?”
– Cretinos! – disse Olivia batendo no balcão.
– Foi exatamente isso que eu disse quando li... – comentou a promotora parecendo não se importar.
– Esse tipo de coisa só atrapalha a investigação! Não podia ter vazado!
– Olivia, você conhece a imprensa. Eles conseguem descobrir coisas que até Deus duvida. E você sabe que isso aqui até demorou a acontecer – disse apontando a capa do jornal – Já é a segunda vítima e só a agora eles descobriram.
–Você tem razão. Eu já deveria estar acostumada, mas esse caso está tão complexo que está tirando todos do sério, sabe? O padrão é o mesmo, então já temos certeza que foi a mesma pessoa que cometeu os crimes, pois a faca utilizada foi a mesma. O problema é a inteligência dele. Ele não deixou pistas, nós não sabemos para qual lado ir e agora o vazamento da notícia pode piorar tudo. A imprensa vai cobrar, a população vai se alarmar e nós não temos uma resposta! – disse Olivia colocando as mãos na cabeça e se apoiando no balcão.
Eu sei que não é uma situação boa, mas tenho certeza que em pouco tempo vocês terão um assassino para me apresentar e eu terei o prazer de colocá-lo no corredor da morte, se eu estiver de bom humor, talvez na perpétua – disse Cassey da forma mais natural possível, enquanto olhava o cardápio.
– Sabe, quero morrer sua amiga – disse Olivia assustada com a forma como ela falava.
– Então faça por onde e pague o meu café! – respondeu a promotora dando um sorriso.
–Está certo, vamos pedir.
Enquanto estava ali, tomando o seu café, Olivia percebeu o outro motivo de gostar de seu trabalho. Em outros lugares as pessoas não se preocupavam umas com as outras, apenas faziam o seu trabalho. Na delegacia era diferente. Por mais que a situação estivesse ruim, um dava força ao outro para continuar.
Eles estavam no mesmo barco, portanto o objetivo era o mesmo: fazer justiça.
E era isso que iria fazer.
Terminaram de tomar o café e caminharam para a saída da lanchonete. Não eram mulheres que passavam despercebidas: Casey Novak tinha estatura mediana, pele branca, bochechas rosadas, olhos espertos e sempre atentos aos acontecimentos, cabelos longos e loiros e um corpo esguio. Olivia Benson era alta, dona de uma beleza exótica e com um corpo de dar inveja a muitas mulheres, a pele era de um tom moreno claro, olhos castanhos expressivos, cabelos também castanhos, mas que dependendo da luminosidade poderia assumir um tom próximo ao cobre. Seus cabelos estavam na altura dos ombros e usava uma franja repartida de lado, o que compunha uma linda moldura em seu rosto.
Vistas por pessoas que não as conheciam, a beleza poderia ser a primeira coisa a ser notada. Depois, talvez uma impressão de fragilidade. As aparências enganam.
Na rua, a promotora fez sinal para um táxi e se despediu da detetive, pois tinha um dia repleto de audiências.
Benson seguiu para a delegacia.
Precisava prender um assassino.
Notas finais
Beijos e uma boa leitura!
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