Diferentes idades
16 Como é possível eu ter saudades tuas?
Notas iniciais
– Oi! — Cumprimentou Sammanta.
– Oi. Nós estávamos agora de saída. — Anna pegou na mão de Rafael e saíram os dois do quarto.
Robert sentou-se na cadeira, antes ocupada por Anna.
– As coisas não andam fáceis, pois não?
– Queres que te deixe sozinho com ela? — Sammanta perguntou a Robert.
– É me indiferente, não tenho segredos contigo.
Sammanta resolveu sair na mesma. Ainda bem! Eu tinha lhe alguma raiva neste momento.
– Como eu tive saudades tuas. — Ele agarrou na minha mão.
– Também tive saudades tuas. — Disse, apesar de ninguém poder ouvir e sentei-me na cama.
– Desculpa por tudo. Desculpa por te ter deixado, por ter armado aquela confusão na festa do Daniel… eu só fiz… asneiras contigo. E tu agora… estás aqui, depois do que te aconteceu… — Robert suspirou fundo. — Não sabes o quanto é difícil falar contigo quando tu não me respondes… — Ele riu fraco.
Isto fez-me visualiza-lo melhor, a ele a Anna, Sammanta e Rafael, estavam todos tão diferentes… tão grandes… senti orgulho, tristeza e felicidade tudo misturado, não os tinha visto crescer, mas fico feliz e orgulhosa por eles se estarem a tornar adultos.
– Eu sinto muito a falta, de poder falar contigo… a minha vida deu muitas voltas! Eu agora estou com a Sammanta... Eu sei que isto não te deixa muito feliz, mas ela até tem muitas parecenças contigo, apesar de não ser exatamente como tu… é sempre diferente. Mas eu fico feliz por a ter conhecido, ela mudou radicalmente a minha vida.
– Robert… por favor… Pára de falar nela… — Murmurei.
– Mas chega de falar de mim! — Fizeram-se alguns minutos de silêncio. – Eu vou estar à tua espera para quando acordares, quero ser o primeiro a abraçar-te. Eu não te vou voltar a deixar sozinha. Eu prometo.
– Posso? – Sammanta abriu a porta.
– Sim, claro.
– Já disseste tudo?
– Acho que sim. — Robert olhou para mim e sorriu.
– É que ela está muito concorrida. — Sammanta riu, já há muito tempo que não ouvia aquele riso.
– Vens falar com ela? – Robert levantou-se da cadeira.
– Eu? Eu não. Não tenho nada para dizer. – Sammanta fez uma expressão muito ofendida.
Robert não respondeu. Limitou-se a sair. Sammanta ficou a olhar um pouco para mim.
– Como é que é possível ter saudades tuas? – Ela murmurou muito baixinho e saiu logo.
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