Diferente

4 Episódio 4 - A descoberta


Após a aula da matéria Treinamento, a diretora apareceu de repente, devido ao seu poder.

— Vejo que colocaram o uniforme escolar. Muito bem.

Lívia parabenizou os calouros com um tom de voz alegre, mas logo voltou a seriedade e continuou a falar:

— Todos vocês estão na mesma turma! A Turma nº 1 que é referente à primeira série do fundamental. Quando passarem de ano estarão na Turma nº 2 e assim por diante até chegarem na Turma nº 11, que é referente ao terceiro ano do ensino médio, último ano escolar. Terminando os estudos, sem repetência, vocês se formarão aqui, na Escola Nacional dos Diferentes, recebendo o certificado de conclusão de ensino. Bem, agora para encerrar as apresentações peço para que vocês, por favor, sigam a inspetora pois ela os guiará até a sala de aula da próxima matéria de vocês. Ah, sim. Eu quase me esqueci de dizer isso. Não é permitido usar os poderes dentro da escola, a menos que seja durante as aulas de Treinamento.

Após o final da frase a diretora Lívia ficou novamente invisível. Em seguida, o sinal tocou e lá se foi a turma, acompanhando a inspetora, que fez o caminho reverso para fora da Arena de Exibição e Desenvolvimento, levando os jovens calouros até sala de aula da próxima matéria a ser lecionada nesse primeiro dia de aula deles.

Essa escola não era muito diferente das demais. Além do que já foi dito sobre o tamanho e o sistema de ocultamento, algumas matérias também fazem parte da distinção desta instituição. As disciplinas são:

Biologia;

Espanhol;

Física;

Francês;

Geografia;

História;

Inglês;

Matemática;

Português;

Química;

Sociologia;

E Treinamento, com a ajuda de um orientador, trabalhando em conjunto com o professor dessa matéria.

Depois de algumas aulas, chegou a hora do recreio. Foi durante esse intervalo que Dante descobriu seus poderes ocultos.

Dante estava conversando com Carlos em um dos pátios da escola quando eles viram uma menina bonita passando na frente deles. Na mesma hora, Dante sentiu como se algo o tivesse possuído e se viu no lugar que havia descrito na aula de Treinamento (uma sala enorme e escura). Lá, próximo a ele, tinha uma forma humana, de coloração negra e olhos vermelhos, parada, de braços cruzados, olhando para frente onde aparecia exatamente o que acontecia no mundo real (Quase como uma sala de cinema com os presentes acontecimentos da sua vida sendo exibidos na tela).

Carlos viu seu amigo se levantar de repente e ir na direção da garota. O garoto de espinhos achou aquilo estranho e decidiu seguir o colega. Quando os dois estavam a dois passos de distância da menina, Carlos parou, mas Dante continuou caminhando em direção a jovem. Já bem próximo a ela, o garoto da água segurou a guria pelo braço, olhou nos olhos dela e disse:

— Eu sou seu namorado! Me beija!

Carlos viu a garota beijar intensamente Dante, como se eles fossem um casal que não se viam há muito tempo. O beijo daqueles dois foi tão intenso que chamou a atenção de todos os alunos da escola que estavam no pátio descoberto.

O verdadeiro namorado da aluna apareceu, viu a cena, ficou muito irritado e rapidamente separou o “casal”.

— Que porra é essa? — o rapaz pediu explicações para a garota.

— Eu não sei amor! Eu só senti muita vontade de beijar esse menino como se fosse você, mas sabia que não era. Não consegui me controlar por algum motivo. — explicou a namorada nervosa e confusa.

Dante voltou a ter controle de seu corpo, saindo daquele espaço de observação, e tentava entender tudo o que estava acontecendo.

Depois de olhar para a pessoa que havia acabado de beijar e pensar por alguns segundos, a moça disse:

— Ele fez alguma coisa, amor! Lembro que os olhos dele estavam verdes e agora estão castanhos.

Carlos percebeu que a situação poderia piorar e se aproximou dos três para tentar resolver na base da conversa com um pouco de brincadeira. Infelizmente não adiantou.

Dante finalmente entendeu o que acabara de ocorrer e também tentou resolver na base da conversa, só que de forma séria e amigável.

O namorado não quis saber da explicação e deu um soco na cara de Dante. O novato caiu no chão. Carlos vendo que aquilo era o início de uma briga, tentou apartar, entretanto, os amigos do namorado apareceram e seguraram ele, impedindo-o de fazer qualquer coisa para evitar uma possível confusão.

Dante se levantou e pediu para o garoto parar, pois algo ruim poderia acontecer. O aluno veterano riu e não parou, dando um empurrão no novato. Dante de novo se ergueu e pediu mais uma vez para o agressor parar, mas ele negou e novamente socou o calouro.

Após o soco, Dante sentiu a mesma coisa que mais cedo — pouco antes de ir atrás da garota — e logo percebeu que estava novamente naquele mesmo lugar escuro, só que desta vez, próximo a ele, tinha uma forma humana de coloração laranja e olhos verdes, que aparentava estar de saco cheio do que acontecendo.

De costas para seu agressor, Dante se virou, sorriu — maleficamente—, levantou o braço direito, apontando a mão fechada para o namorado irritado, e depois a abriu rapidamente, esticando seus dedos na direção do rapaz à sua frente. Na mesma hora do último movimento, o veterano foi arremessado contra uma parede a vinte metros de distância por algum tipo de força invisível.

Os amigos do agressor, espantados com o que aconteceu, soltaram Carlos e foram tentar bater em Dante. Contudo, ao se aproximarem do novato, bastou um olhar do mesmo para que eles fossem empurrados para longe, da mesma forma que seu amigo foi, embora em uma distância menor.

Carlos ficou paralisado, tentando entender o que tinha acontecido. Depois viu seu amigo com a mão erguida avançar contra o namorado — agora assustado —, que estava sendo mantido preso na parede. Enquanto via Dante ir em direção a vítima, Carlos lembrou que seu amigo havia dito ter três personalidades. Com essa lembrança em mente, decidiu procurar pela inspetora.