Dies Illa

8 Capítulo VII - Dos Segredos de Simon


Notas iniciais
de novo esse capítulo está mais longo, mas leiam até o final que eu garanto que não vão sentir arrependimentos! tem fanservice no final~! gomen ne!

Rihito fazia de tudo para esconder a meia-lua de sangue de seu pescoço. Morgan no entanto já havia percebido-a. Ficou a observar as roxas nuvens do céu noturno se enrolarem umas sobre as outras. Ao virar-se na cama, Rihito deixara exposto seu pescoço acidentalmente. Via-se muito vulnerável e aquela ferida preocupou o louro, que imediatamente o chamou. O garoto acordou assustado e lembrou-se do que queria esconder.

–Rihito, o que é isso no seu pescoço? Parece que alguém te mordeu!

Ficou em silêncio. Tinha sido incauteloso. Hesitou, mas por fim resolveu contar-lhe.

– Sabe aquele menino de quem te perguntei? O garoto das pintas?... Ele se chama Simon — Rihito sentiu um rubor nas faces ao dizer o nome do colega — Foi ele quem me mordeu.

– Mas o quê!? — Morgan claramente irritou-se.

– Ele me mordeu! Na realidade ele se mordeu primeiro! Eu não entendi bem o que ele estava fazendo, achei que ele se auto-mutilava e interferi... Quando na enfermaria, você não o viu! Os braços estavam em carne viva, cobertos de luas como esta — E apontou para a ferida.

Morgan estava indignado. Originalmente pela passividade de Rihito diante da situação, de ter deixado o garoto das pintas fazê-lo tal mal e depois poque reprovava totalmente aquela ousadia e aproximação.

O louro genuinamente teve ciúmes do amigo pela primeira vez.

–-- ♪ ---

Rihito compareceu às aulas no colégio como de costume pela manhã. Desta vez foi Simon quem o procurou. O garoto das pintas parecia mais vivo, se movia graciosa e elegantemente pelos corredores e áreas comuns do internato, chamando a atenção dos outros rapazes. Os comentários precediam o encontro dos dois.

Ehh?? O que aquele esquisito quer com esse menino? Sério? Ele é da sua sala? Que má sorte! Ele é tão nojento!

Simon convidou Rihito para visitar seu quarto. Assustado, o garoto recusou educadamente.

– Vamos! Você não tem nada a me perguntar sobre aquilo?

O que ele queria dizer com "aquilo"?

Não obtendo respostas, Simon apelou. Queria contar ao garoto para envolvê-lo naquilo o mais rápido possível. Chegou perto de seu ouvido e fez sua oferta.

– Se você vier, eu te mostro minhas pintas. Todas que quiser.

Como saberia ele que Rihito tinha essa fixação? O garoto dos óculos se pôs tenso.

– Quer conversar? — Ele perguntou.

Simon acenou com a cabeça que sim.

–-- ♪ ---

Simon abriu a porta do seu aposento e Rihito entrou tímido logo em seguida. Chamou-lhe a atenção o colega dormir sozinho, havia apenas uma cama em seu quarto. Simon sentou-se nela e tirou a jaqueta do uniforme, atirando-a no chão.

– Sente-se aí — Ele disse.

Não tinham cadeiras ou bancos ali, então obviamente referia-se à própria cama. Rihito sinceramente sentiu medo. Encarava fixamente desde sua entrada os lençóis e fronhas banhados em sangue, além de papeis e tiras de tecido que foram usados como ataduras jogados pelo chão em mesmo estado. Tudo ali cheirava a ferro. Tinha náusea. Quis fugir. Suas pernas lutavam para sair em disparada dali, todo seu corpo gritava perigo.

– Esse sangue é meu.

Rihito foi puxado para fora de seu transe ao ouvir aquelas palavras. Sentou-se afinal. Simon engatinhou até o colega para checar a mordida. O garoto estava tão arisco que ele achou graça e riu por entre os dentes.

– Eu preciso de sangue para viver.

O menino olhava muito desconfiado.

– O que quer dizer com isto?

– Quero dizer que os outros humanos portanto me classificariam um vampiro.

Mas que idiotice era essa?

– Vampiros não existem, Simon. — Disse o menino ajeitando os óculos.

– Sei! Sou um humano também, como você. Mas meu corpo mantém meus telômeros intactos a partir da ingestão do sangue de meus irmãos. É quase como um incesto. — Um sorriso deturpado cruzava seu rosto.

Se ele era um vampiro mesmo ou apenas um pervertido, o fato é que ele bebia sangue.

– No dia da enfermaria então, porque você estava todo machucado? Alguém aqui além de você é assim por acaso?

O garoto das pintas suspirou, sentou-se, colocou a panturrilha por cima do outro joelho e jogou o peso do corpo pra trás, se apoiando nas mãos. Contou-lhe o que se passou naquele dia, sem nenhuma alteração no semblante ou humor.

Simon percebeu Rihito interessado nele desde o dia do jardim, quando o garoto de óculos descobriu sua pinta na clavícula, e se pôs a pensar nele. Na noite anterior ao dia da enfermaria, seu corpo queimava de desejo. Ele já havia feito isto antes algumas vezes, mas como nunca tinha realmente restringido seus instintos, foi só no caso de não ter sorte com uma vítima.

Ele teve de morder a si próprio.

Possivelmente sua intenção de poupar Rihito intensificara sua luxúria: o menino era miúdo, de rosto inocente daqueles que se empenham com afinco na vida acadêmica. Era como se um apertão pudesse quebrá-lo.

Simon rolou em sua cama. Realmente a privação do sangue já tirava seu vigor, mas não obstante, sentia uma coceira gostosa em seu baixo ventre. Tomou seu próprio sangue enquanto se tocava.

De olhos selvagens, ele empurrava os lençóis com seus pés e gemia como se estivesse em profunda dor. Os colegas dos quartos vizinhos estranharam. Ao terminar, estirou-se na cama, coberto com seus fluídos... Brancos ou vermelhos? Não conseguia distinguir em sua visão vertiginosa. Suas mãos em frêmito, seu corpo latejava como todo aquele líquido escarlate a vesti-lo como uma cortina de veludo.

Perdera muito sangue.

Simon limpou-se, vestiu-se. Pela manhã frequentou as aulas normalmente até um professor notar o que os alunos comentavam e que o garoto de fato se coçava muito nos braços. Seus colegas de classe estavam espantados, ou tinham nojo, ou o achavam apenas obviamente grotesco, esquisito. Quando perguntado, inventou aquela história de estar andando pelos bosques a noite em Kensington Academy, sem se importar em dar detalhes. Algo sobre ser atacado por um animal.

Não havia porém nenhum animal além dele mesmo.

Rihito ouviu a todo relato morrendo de vergonha. Toda ela que o exótico Simon não sentia, nosso menino sentia por ele.

– É horrível — Comentou Simon — Como beber a própria urina para não morrer de sede.

As sobrancelhas de Rihito se uniram em reação a analogia. Simon voltou seus olhos ao menino. Foram suas olheiras sempre assim tão charmosas?

– Como o prometido.

Ele vestia sua camisa e um colete de lã preto na ocasião. Tirou-os de uma vez só. As auréolas de seus róseos mamilos eram um tanto maiores que o comum também, mas Rihito rapidamente desviou o olhar dali. Havia pintas em seu peito e abdômen. Simon se virou de costas. Em sua pele de neve, ali também podiam se contar mais umas 5. Pôde ver os nós dos ossos da coluna do rapaz e suas escápulas. Ele então começou a desabotoar as calças e foi aí que Rihito decidiu partir. Aquilo estava levando um rumo incerto.

– Obrigado por compartilhar seus problemas comigo, mas eu realmente preciso ir!!! — Ele se curvou e saiu.

O que foi tudo aquilo?

Notas finais
Telômeros são as extremidades dos nossos cromossomos e durante nossa vida essas pontinhas vão se desgastando. E é isso que provoca o envelhecimento do corpo basicamente.