Dies Illa

22 Capítulo XXI - De Joelhos -


Notas iniciais
Segurem-se mais um pouquinho para SimonxRihito! Mas eu finalmente entrei um pouco mais na mente do Morgan :3~

Todos olhavam para Morgan quando ele passou correndo pelo hall do internato.

Olha só, o que aconteceu com ele? O uniforme dele está uma bagunça, parece que apanhou! Esse é aquele gay, sabia? Ehh..!

Norman também, atraído pela comoção observava o louro passando, com olhos investigativos e uma expressão severa. Sabia muito bem reconhecer aquelas mordidas, sabia muito bem a quem elas pertenciam, o pavor e o trauma estampados no rosto de seu aluno apenas reafirmavam tudo o que identificara. Cerrando os olhos, o coordenador rosnou em um tom de voz nem um pouco amigável.

– Maldito sobrinho..!

"Naquela cabecinha imunda dele não há espaço para bom senso nem discrição alguma. Não basta o Rihito-kun? Em que ele estava pensando? Haa.. Sorte é que o garoto da vez parece bem inofensivo e arisco, não causará nenhum tumulto que prejudique minha imagem aqui... Nem poderíamos sumir com ele como já foi o caso noutros tempos, o pai do menino é um homem influente."

Enquanto Norman estava a ponderar diversos fatores das ações inconsequentes de Simon, Morgan ia dali direto ao seu quarto, onde ao chegar encontrou seu amigo lendo. O louro ruidosamente bateu a porta, chamando a atenção de Rihito.

– Morgan!! O que aconteceu?

À primeira vista, pensou que aquilo devia ter sido obra dos rapazes que o perturbavam, mas olhando bem... Olhando bem, conhecia aquelas feridas características até demais. Ficou em silêncio. O louro abraçou-o e tornou a chorar, sabia que Rihito havia entendido quando este tomou-o em seus braços pela primeira vez, tocando seus macios e dourados cabelos. Morgan apertou-o mais ainda.

– Vá tomar um banho que olharei isso depois. — Aconselhou o moreno.

O outro obedeceu. Rihito trouxe ambas as mãos ao rosto e esfregou a testa, suspirando. "Por que diabos isso está acontecendo?" ele pensou, extremamente irritado.

–-- ♪ ---

Norman, enfurecido com a petulância de seu sobrinho, foi buscá-lo do lado de fora do prédio do colégio. O garoto das pintas até tentou desviar-se do tio, mas no fundo tinha conhecimento que seus sentidos eram muito mais aguçados, visto que era um vampiro puro.

– Para a minha sala, Simon. Imediatamente. — Ele inclinou-se e sussurrou com a voz fria.

– Me obrigue. — O garoto respondeu, com desprezo.

Simon sempre indisciplinado, adorava irritá-lo. Divertia-se vendo Norman bravo. Um sorriso cínico emergiu dos lábios do homem, que o segurou pela nuca e o guiou até sua sala de coordenação. Ali dentro, o sorriso dissipou-se e ele gritou o quanto quis com o menino, que a nada respondia por falta de interesse.

– Você nunca se comporta! Eu vi o que você fez com aquele garoto, você acha que pode se expor desse jeito? Me expor desse jeito!? Onde você acha que ficaria se não fosse por mim? Já estava mais que na hora de começar a agir como adulto, como vampiro, e não como esse moleque estúpido que você é.

Simon revirava umas agendas enquanto seu tio falava.

– Nem quer me ouvir, não é?

Norman violentamente agarrou-o pelo pulso, derrubando os cadernos que ele olhava, sentou-se no sofá e arrancou as calças do menino. Seu cinto até esfolou sua pele, deixando-a vermelha. Ele então virou Simon de bruços sobre seus joelhos para desferir-lhe golpes em suas nádegas usando uma régua de madeira. O garoto das pintas grunhia, tentando livrar-se da punição do tio, mas com as calças prendendo-lhe os tornozelos, não obteve muito sucesso.

Inevitavelmente, suas partes íntimas eram pressionadas contra as coxas de Norman o tempo todo com o peso de seu corpo, também dificultando sua respiração. Seus ondulados cabelos balançavam para baixo e cobriam seu rosto.

– Heh — Ele riu de um modo singular — Você me trata como se eu fosse criança.

– É porque você se comporta como tal!

– Mas você sabe? — Ele ignorava as respostas do tio — Cientistas alemães, aqueles bem depravados mesmo, da Segunda Guerra Mundial... Eles descobriram que garotinhos ficavam excitados quando apanhavam apoiados nos joelhos das mães... Acho que tinha algo a ver com a privação de ar associada a posição.

Norman uniu as sobrancelhas. Que garoto imbecil, divagando numa hora destas.

– É que... Eu realmente estou com muita falta de ar agora... Ngh... Ah!

O coordenador imediatamente botou-o em pé e deu-lhe um tapa no rosto.

– Pode parar se você pensa que eu acho graça em te ver sujando meu terno.

Simon riu. Não havia nada que o incomodasse mais que alguém lhe sujar os ternos. Norman tinha outros afazeres, mas não acreditava que o sobrinho aprenderia lição alguma apenas com aquilo. Amarrou-o, então, com os pulsos para trás, ao pé de uma pesada estante.

– A noite venho te buscar. Trate de pensar nas palhaçadas que você faz nesse tempo. — Disse o tio, trancando portas e janelas, largando-o preso, seminu e sentado no chão de sua sala.

–-- ♪ ---

Morgan despiu-se cheio de cautelas, de modo que não roçasse suas roupas em seus nefastos machucados. Recordou-se de sua mãe dizendo-lhe que devia ser rápido nessas horas para que assim doesse menos, mas ele temia fazê-lo por si próprio. Morgan odiava dor. Mas acreditava que a merecia mais que tudo no mundo, portanto não conseguia nem odiar quem o infligisse-a. Simon contudo era um caso especial, ele o detestava, mas não por tê-lo entregue a dor e sim por ele sempre tirar Rihito de sua companhia. Sentia que, não fosse por ele, certamente o garoto dos óculos redondos, tímido e recatado, de unhas e ponta do nariz rosados seria todo dele.

Ligou o chuveiro e logo tirou de baixo do curso d'água fria seu braço até que ela se esquentasse. Hesitante ele entrou. Recolheu-se todo ao contato dos duros pingos que batiam em sua pele como agulhas a perfurarem-lhe. Suas feridas ardiam. Como Rihito suportava aquilo?

Morgan encarava seu umbigo. Já vira o umbigo de seu amigo antes, parecia-se muito com o dele. Pôs-se a circulá-lo com o indicador fantasiando que aquele era o que pertencia ao seu amado. "Ah, o que eu estou fazendo? Hito-Rin é sempre tão gentil comigo, me protegendo de tudo e eu ainda falo grosserias pra ele... Definitivamente Morgan, você não o merece! Mas se não fosse por aquele Simon... Não me importa se nas férias ele foi simpático se no resto do ano ele é uma besta!" sua mente estava instável. O louro enfiou os cabelos na água para livrar-se desses pensamentos e acabou lembrando de algo. Habitualmente durante o banho ele toca numa antiga cicatriz que possui em seu períneo.

Tinha vergonha dela apesar de não ser tão chamativa nem bizarra, morria de medo da reação que Rihito teria caso algum dia colocasse os olhos na coisa. Causaria-lhe ojeriza, talvez? Para Morgan aquilo era o mais plausível, mas levando em consideração quão bondoso o moreno era, talvez não houvesse problema. Sem querer, a imagem que logo em seguida grudou em sua cabeça foi a dele mesmo de quatro em sua cama com os quadris no ar, sua cicatriz completamente exposta e Rihito a lamber-lhe, traçando-a com sua língua quente e molhada. Reflexivamente, Morgan pressionou seu períneo e uniu os joelhos, envergonhado. Decidiu sair do banho, as pontas de seus dedos já querendo enrugar.

Enxugou-se, apenas encostando a toalha nas doloridas mordidas de Simon e após vestir suas cuecas e uma blusa, foi ter com Rihito. Este surpreendeu-se ainda mais ao ver a totalidade de luas que seu companheiro encrustara na carne do louro. Não sentia ciúmes, na realidade, pois sabia que aquilo era uma vingança de Simon. Estava mesmo era indignado de ver o quão longe ele levara aquela situação contra Morgan.

Seus olhos glaciais estudavam as feridas onde ele polvilhava o remédio, um simples pó hemostático que carregava consigo, mas que para Morgan valia mais que qualquer especiaria oriental.

Ele não secara apenas seu sangue, secara também suas lágrimas.

–-- ♪ ---

Ao finalmente retornar, já de madrugada, Norman encontrou Simon dormindo recostado na estante na qual fora preso. Aproximando-se, percebeu que achava seu sobrinho adormecido gracioso. Além do mais, percebeu que após tanto tempo passado, seu pobre filhote urinara ali mesmo. Seus olhos de serpente cintilaram.

– Coitadinho, não aguentou se segurar... — E com um lenço em mãos, tratou de limpá-lo.

Simon ainda estava um tanto catatônico. Sua pele retraía-se levemente com os suaves esfregões do lenço de Norman.

– Volte ao seu quarto, certo? — Ele dizia com a voz aveludada ao soltá-lo.

Simon vestiu-se, despediu-se do tio e saiu.

Já estava com saudades de Rihito.

Notas finais
Ne, vcs acham que eu devia incluir incesto nas categorias? :c eu n considero a relação do Norman com o Simon um incesto exatamente, e acho que citar a coisa na fic não a transforma numa fic de incesto.. mas isso é o qe eu acho pessoalmente, e vcs? oAo; ps: Hito-Rin é um apelido que o Morgan deu em sua cabeça pro Rihito. ps 2: Períneo é aquele pedaço/área que fica entre os genitais da frente e o ânus e tem alguns músculos e tal, pra quem não souber :T e muito obrigada a todos que comentam e favoritam Dies Illa! *w*