Dies Illa
14 Capítulo XIII - Das Cartas -
Notas iniciais
O final do ano estava cada vez mais próximo e nessa época eram entregues cartas dos familiares aos alunos. Alguns passariam as férias de natal no colégio, como era o caso tanto de Rihito como de Simon e Morgan, mas a maioria esmagadora retornaria aos seus respectivos lares nesta data. O pai de Morgan ordenou que o louro voltasse, mas ele se recusara. Preferia ficar no colégio a ter de ir para casa. No caso de Rihito, seus pais teriam problemas para levá-lo e trazê-lo de volta, então decidiu também por ficar.
Algumas cartas contavam saudades, outras notícias, outras ainda cobravam resultados e bom comportamento dos filhos. Alguns nada recebiam, mas este não era o caso de Rihito. Morgan também recebeu uma carta de seu pai, no entanto nem quis abri-la. Não tinha o mínimo interesse em saber de que se tratava. O garoto dos olhos azuis estranhou, mas também não o questionou. Ele prometeu que após o período das aulas, nos jardins do internato, leria sua carta aos seus dois amigos. E a carta de seus pais era a seguinte:
Querido filho,
Esperamos que você esteja ótimo. Eu e seu pai estamos muito bem.
Eu fiquei internada só uma vez no mês passado, acho que minhas saudades por você me deixaram um pouco vulnerável. Mas não se preocupe comigo, por favor! Seu pai diz que eu que me preocupo demais. Eu resolvi plantar um jardim aqui em casa para me distrair, o doutor disse que isso me faria bem. Quero fazer um jardim cheio de flores para ter algo para te mostrar quando voltar do colégio. Quais são suas flores favoritas, filho? Acho que nunca te perguntei isso.
No mais, como estão seus estudos? Está tendo dificuldade em alguma matéria? Na sua idade, eu tinha problemas com matemática! Nunca me dei muito bem com isso! Mas se esforce para ser o melhor aluno de sua sala, tudo bem? Você já sabe, mas eu e seu pai não temos condições. Aliás, falando no seu pai, você não sabe, mas ele quer te fazer uma surpresa para quando você retornar. E eu só não vou te contar o que é porque ele me pediu segredo!
Rihito, saiba que você é o nosso filho maravilhoso que desde sempre só nos trouxe alegrias. Te amamos muito!
Beijos de Alice & Hayato.
– Oh... Seus pais realmente gostam de você hein, Rihito? — Comentou Morgan — E o que será essa surpresa do seu pai?
– Não faço ideia.
– Wah! Nadinha? Eu fiquei curioso~! Você vai ter de me contar o que é quando você ganhar!
Rihito achou graça. Dobrou sua carta de volta ao envelope. Ela era muito aconchegante, por mostrar que seus pais sentiam sua falta e que sempre dele se lembravam, mas ao mesmo tempo, fazia cobranças e exigências do menino. Ele sabia que não era intencional mas aquela mensagem o lembrara de toda pressão que sentia em ser sempre o menino ideal. Gostava de estudar sim, mas havia um receio em seu interior de deixar de ser o que era.
– Ne, Rihito... Como são seus pais? — Indagou o louro.
O menino pensou um pouco para responder.
– Minha mãe é ruiva, de olhos clarinhos assim. — E apontou para os seus olhos glaciais — O meu pai é japonês.
Morgan o observava, admirado.
– Nossa... É por isso que seu nome é diferente assim! E seus olhos são um pouco puxados também...
Rihito soltou uma risadinha abafada, um pouco embaraçado.
– É... Mas como minha mãe tem olhos grandes e azuis, eu não me pareço muito com ele... Acredito que só nos cabelos mesmo.
– Mas você é lindo do jeito que é! E... Hmm, minha mãe já morreu, mas quando viva era loura de olhos também azuis. Você me faz lembrar dela! — O seu amigo sorria apesar de falar sobre sua falecida mãe.
O menino de óculos não sabia como responder nesse tipo de situação, apenas agradeceu, fitando seus próprios pés. Não sabia nem para onde olhar.
– Bom, eu tenho que ir agora porque o Sr. Gunberg quer falar comigo! Até mais tarde — O louro levantou-se e andou contra o vento.
Seu perfumado aroma preencheu os pulmões de Rihito por alguns momentos antes dele desaparecer entre o aglomerado de alunos na entrada do prédio principal.
Simon deitara a cabeça no colo do nosso menino, seus negros cabelos espalhando-se todos por suas coxas. Ele segurava a carta dos pais de Rihito para o céu e olhava para ela.
– Você sabe quais são minhas flores preferidas? — Perguntou ele.
– Eu nem sabia que você gostava de flores.
– Não mesmo, mas passei a gostar de rosas e lírios depois que descobri de que eles são feitos.
Rihito pensava em alguma composição físico-química para tais flores. O que ele queria dizer? Todas deviam ser feitas da mesma coisa.
– De que eles são feitos?
– As rosas são feitas de sangue – Simon sorria como se houvesse prazer nas palavras pronunciadas — e os lírios são feitos de sêmen.
Rihito enrugou o nariz. O quê?
– E você sabe o que mais? Essas flores são eu e você. — O garoto das pintas sentou, apoiando-se nas mãos — Mais precisamente, você é a rosa e eu, o lírio.
– De novo falando bobagens, menino? — Ele se referia àquela história do começo do ano sobre ser um vampiro.
– Não não. — Simon aproximou o rosto do dele e roçou-lhe os lábios enquanto falava — Você tem o que eu preciso e eu tenho o que você quer.
As bochechas de Rihito queimavam na sua vermelhidão.
– Ah não! Você com isso de novo, dá licença! — O menino ajeitou seus óculos, arrancou a sua carta da mão do outro e foi embora, aparentemente perturbado.
Simon deitou-se no gramado onde estiveram todos eles e deleitou-se um pouco mais com os resultados de suas peripécias de cunho erótico que tanto constrangiam e incitavam seu garoto.
Fale com o autor