Dies Illa
13 Capítulo XII - Sob as Luas -
Rihito encantou-se ao ver Simon usando seus óculos, mas Simon voltara estranho da sala de Norman. Agradeceu timidamente, sentindo-se plenamente tocado pela atitude do companheiro.
Simon no entanto não dizia nada. Via-se mau-humorado.
– Vamos voltar, Simon, está tarde. — Rihito pegou em seu braço — Está tudo bem com você? O que aconteceu? — Um tom de genuína preocupação abarcava sua voz.
O garoto das pintas derrubou-o no chão, ali mesmo, e beijou-o ferozmente. Postou-se entre as pernas de seu menino, levantou-lhe os quadris à altura dos seus e abaixou-lhe as calças até os tornozelos. Rihito amedrontou-se ao perceber a sua intenção.
– Simon, para com isso!! — Seus olhos azuis o encaravam incrédulos, mas ele estava novamente em frenesi — Simon!!!
Rihito ininterruptamente tentava fechar as pernas, enquanto Simon tentava descontar toda revolta que sentia no que estava fazendo. Precisava aplacar aquela sensação que não se aliviava. Seu estômago queimava e Norman continuava a observá-los de sua janela com um sorriso sujo no rosto. Ele fingia ignorá-lo, fingia não vê-lo, mas sentia ainda fresco o hálito dele em sua nuca.
Seus olhos estavam mais perdidos que nunca. Ouvia a voz de Rihito a chamar-lhe, mas era só. Seus dentes, alvos e pontiagudos, clamavam muito mais alto pelo sangue do menino frágil que se debatia sob suas mãos. Cravou-lhe uma dolorosa mordida na parte interna de sua coxa. Aquele sangue era quase tão quente e consolador quanto o de seu pescoço, mas apenas uma mordida não seria suficiente. Se banharia em seu sangue se pudesse, nadaria nele como nadara aquele dia na piscina e se afogaria. Assim seria um com Rihito. Seria um com ele, presa e predador, não teriam mais esses nomes. Por que ele relutava tanto em se tornar um com ele? Desejava tirar-lhe toda aquela roupa que impedia o toque mais direto e mais puro entre seus corpos, seria um com seu garoto. Imediatamente.
Rihito no entanto não tinha noção do que se passava na mente de Simon, mas pressentia no que tudo aquilo iria culminar. Não queria — ou melhor, não podia — fazer sexo com o outro. Tinha uma vida acadêmica intensa e pesada, seus pais não eram ricos como os de Morgan, não poderia permanecer em Kensington Academy caso suas notas estivessem abaixo de ótimas. E ele sabia que se masturbar de vez em quando era muito diferente de ter um parceiro sexual disposto a transar todos dias até a exaustão. Rihito não tinha privilégios, tinha apenas sua inteligência. Ademais, não sabia o que se passara dentro da sala de Norman para o garoto das pintas ter regressado tão violento e transtornado, mas certamente aquilo o havia machucado. Queria dizer-lhe algo.
Mais cedo havia descoberto uma nova pinta da qual ainda não tinha conhecimento. As mãos de Simon tremiam um pouco. Ele ainda usava os óculos de seu companheiro , que no exato momento passava por um pequeno tormento de sua timidez. Logo que Simon arrancou a camisa, Rihito o deu um forte abraço. O momento era agora.
– Eu não sei o que aconteceu, Simon, mas já acabou. — Sua voz ecoava lenta e serena na mente dele em meio a todo aquele silêncio noturno.
Ambos estavam deitados no chão, um por cima do outro. Os cabelos de Simon cobriam o rosto de Rihito. As feridas de suas coxas latejavam. Sob suas luas de sangue nasciam um sentimento novo. Como um contato tão superficial feito aquele conseguia ser tão reconfortante?
– Vamos voltar, Simon. Decerto já passa da meia noite.
Simon não queria se mover.
– Se importa em me devolver os óculos?
Simon rejeitou o pedido. Com eles, o garoto tornaria a ver e também perceberia Norman a espiá-los de sua nefasta janela de curiosidade.

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