Dies Illa

5 Capítulo IV - Das Marcas - Parte 2


Notas iniciais
Esse capítulo saiu um pouco mais longo que o normal, me desculpem! eu tinha que explicar um pouco mais coisas aqui D:

Morgan correu de volta para buscar os óculos de Rihito, mas não os encontrou. Pediu aos colegas dele que procurassem também, mas o professor ordenou que continuassem a aula e deixassem isso para o final.

Continuaram jogando.

Ao término da aula, o louro estava preocupado. Vasculhara o chão incessantemente e nada. Um de seus colegas o chamou, achava que talvez tivesse encontrado os óculos de Rihito, tinha uma expressão preocupada. "Não são aqueles ali?", perguntou, apontando ao longe um óculos estraçalhado. Os olhos de Morgan se abriram de espanto enquanto reconhecia-os naquele estado deplorável. Correu até o local, bem afastado de onde se passara o "acidente" e recolheu os restos do objeto. Seus amigos e ele ouviram um grupinho de rapazes que ria ao longe.

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O nariz de Rihito doía e a falta de óculos não o permitia enxergar com clareza. Olhou para a figura que estava ali mesmo assim.

Era o garoto das pintas. Rihito corou de vergonha. Ficou pensando por um bom tempo se devia fingir que não o viu ou se devia inventar uma desculpa para o que havia se passado no dia anterior, até que o garoto começou a desenfaixar os braços e sentar-se, como quem ia embora. Nisso a enfermeira voltou, e, indignada com a atitude do menino, disse

– Onde o senhor pensa que vai? Olhe só, desfez os curativos ainda por cima! Fique aí que eu vou ter de refazê-los, trate de se deitar!

Ela manobrou-o na cama para a pose que queria.

Foi então que Rihito percebeu que os movimentos do garoto eram lentos e moles como os de um doente, ou um velho, tanto que a senhora o ajeitou como achou melhor sem nenhuma resistência.

Simon tinha em seus lívidos braços vários machucados em forma de meia-lua, inchados de sangue e de aparência muito dolorosa. A enfermeira retornou.

– O senhor tem de manter os curativos! E não vá ficar por aí perdido nos bosques desse colégio a ponto de animais selvagens te atacarem! Sei que meninos com a idade de vocês tem paixão por aventuras, mas segurança em primeiro lugar... Não é, Rihito?

Rihito ficou desconcertado de ter sido chamado na conversa, mas concordou com a mulher para ser simpático.

– O que eram mesmo? Guaxinins? Cães selvagens? Eles são perigosos!

E ao terminar, a senhora saiu novamente. Nosso menino sorriu por educação. Já Simon parecia nem ouvir. Nos braços, ele tinha mais pintas. Rihito resolveu arriscar uma conversa amena.

– Não sabia que aqui tinham cachorros selvagens... Meio de se imaginar, já que aqui é tão grande e...

– Não tem. — Cortou abruptamente Simon. Rihito olhava confuso.

– Então eram guaxinins? Desculpe me intrometer, se isso te...

– Não.

Realmente, aquele tamanho de ferida não coincidia com nenhum dos animais mencionados. Simon sentou-se novamente para sair. Via-se fraco. Lento.

Rihito se ofereceu a acompanhá-lo até seu quarto. Simon olhou-o de canto de olho e aceitou. Enquanto andavam, o garoto das pintas perguntou

– Você sabe o que é retroalimentação?

Sua voz era solene.

– Sei... Acho que sim, por quê? — Respondeu o outro.

Simon calou-se. Parecia sorrir, mas Rihito não se certificou.

– Meu quarto é aqui — E apontou a uma porta próxima.

O nariz do nosso garoto sangrou umas gotas mais. Ele levantou uma mão ao rosto reflexivamente e lambeu-as, as gotas, à medida que escorriam em sua boca. Simon fixou os olhos no sangue por alguns instantes antes de correr para seu quarto e fechar a porta.

Sem se despedir.

Notas finais
*Para quem não sabe o que é retroalimentação: é o nome dado ao procedimento através do qual parte do sinal de saída de um sistema (ou circuito) é transferida para a entrada deste mesmo sistema, com o objetivo de diminuir, amplificar ou controlar a saída do sistema.