Dies Illa
4 Capítulo IV - Das Marcas - Parte 1
Rihito ainda pensava no que havia feito e se punia mentalmente por tal. Perto de Morgan se sentia mais distraído, então procurou ficar junto dele o máximo possível.
Os rapazes teriam educação física no próximo período e foram se trocar para o uniforme apropriado. Morgan porém, vestiu um short muito curto, deixando suas pernas claras e suavemente roliças exageradamente expostas. Rihito olhou incrédulo e disse
– Você vai mesmo para aula com isso?
– E por que não? — O louro respondeu, fingindo inocência
– Não sei, você não fica com vergonha?
Morgan riu-se, abanando a mão e pondo-se à frente do colega.
– Claro que não... A vergonha é só o que você achar vergonhoso... Limites que você impõe em você mesmo!
Rihito achava que o louro gostava mesmo de atenção, mas ainda via verdade no que acabara de dizer.
– Aliás... — Continuou Morgan — Você é tão magrinho! Posso ver suas costelas assim.
E apalpou os ossos do menino, ainda sem sua blusa, passando levemente os dedos por eles como num piano.
Rihito se afastou instintivamente. Morgan sorriu e saiu do quarto deles, pedindo que o primeiro não se atrasasse. Colocou a blusa, os óculos e seguiu para o campo onde se realizavam as aulas pensando que seu colega era bem abusado; neglicenciaria, no entanto, considerando a idade que tinham. Chegando ao campo, não viu o garoto das pintas. Não se decidiu porém se isso era bom ou ruim, levando em conta o que havia se passado no dia anterior.
Todos de sua classe iriam jogar handball e Morgan se deu pressa em chamar o amigo para entrar em seu time. De início, Rihito encontrou dificuldades em se soltar, mas depois de um tempo tudo se normalizou e até jogava bem. Os colegas do seu time chegaram a elogiá-lo.
Momentos depois, alguém do time adversário lançou-lhe uma bolada furiosa ao rosto, fazendo-o cair e sangrar seu nariz. O professor mandou que levassem Rihito à enfermaria e que dele tratassem lá. Morgan e seus colegas estavam muito revoltados e agitados, porém fizeram como o ordenado. Rihito, cambaleante, quis voltar a fim de buscar seus óculos que na pancada haviam caído, mas o louro prometeu ir buscá-los depois.
Na enfermaria, uma senhora gentil tratou de estancar o sangue e botou Rihito para repousar em uma das camas antes de também sair. Ela o orientou a permanecer deitado para cima, mas lhe parecia que alguém além dele estava ali.
A brancura do teto e de suas luzes já o incomodavam. Ele resolveu olhar para quem quer que fosse que lhe fazia companhia.
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