Dies Illa
2 Capítulo II - Dos companheiros -
O outro menino que dividiria o quarto com Rihito tinha o cabelo engraçado: era louro escuro, dividido na nuca com largas ondas que iam todas em direção ao seu rosto. Os olhos porém eram escuros, em uma aparência amigável, era bem extrovertido e falava muito já com os rapazes que acabara de conhecer. Morgan, o louro se chamava.
Rihito havia chegado antes de seu colega e ali já se instalara, receoso de que ter escolhido a cama primeiro pudesse gerar desentendimentos. Mas não os houve. Morgan chegou risonho, estava há pouco socializando no hall.
– Ah, Rihito, certo? — Disse o louro enquanto puxava a mala para dentro do aposento, fechando a porta atrás de si. — Sou o Morgan, filho do dono da Camden multinacional transportadora e importadora de chás, sabe?
Rihito conhecia, mas nem soube o que responder. Rihito era Rihito, não tinha referências de nomes importantes nem era "filho de ninguém". Quando seus róseos lábios se entrabriram, hesitantes, para responder algo, Morgan deu um salto à frente e colocou o rosto do colega entre suas delicadas mãos e disse
– Que olhos lindos você tem! Tão azuis... Eu sempre quis ter olhos claros, mas meu pai tem olhos escuros...
– Obrigado... — Timidamente respondeu Rihito, mais acanhado ainda pelo atrevimento do lourinho. — Parece... Que nós trocamos de olhos, não? — E deu uma risadinha sem jeito, aliviado de não ter dito algo tão idiota.
– Sim! Sim..! — Riu-se o louro, finalmente libertando as bochechas do menino.
Ele cheirava muito bem, cheirava a moças, um cheiro doce e aveludado. Rihito o achou estranho, mas simpático. Aguardou-o sair do banho para fazer-lhe uma pergunta.
– Morgan, você viu aquele menino pálido com uma pinta de baixo do olho?
Ele pareceu ficar sério depois de ouvi-la.
– Sim, mas nem falei com ele. Me parece o tipo de pessoa que se isola do mundo, sabe?
Rihito foi dormir pensando no assunto.
No dia seguinte, todos acordaram cedo para frequentar as aulas. Morgan apresentou seu colega de quarto aos outros rapazes com quem havia feito amizade, eram todos muito falantes, mas ele parecia só pensar no garoto das pintas e o procurava com os olhos por todos os lugares.
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