Dielli, A violinista Flamejante.

1 Dielli, A violnista flamejante.


— Ei! – Gritou o velho, com o rosto corado de tanto álcool — Traga mais bebida pra gente mulher!

— Já vou Jacob! – Respondeu a atendente em quanto enchia mais copos com cerveja – Francamente um ,”por favor,” não o mataria.

— Não vá ficar brava comigo Suzane – o velho Jacob respondeu com um sorriso amigo – Se não eu não conto mais historias hoje. –Isso gerou um reboliço na mesa, que tinha mais três rapazes. Muito mas novos que o velho Jacob.

-Não esta brava, ne Suzane? – os três rapazes falaram em coro.

-Não, não estou. – serviu a cerveja para os quatro que estavam sentados, todos fizeram gestos de agradecimento – Só não vomitem no meu piso. – Deu as costas e voltou para o balcão.

Os quatro deram uma boa golada ao mesmo tempo e após esse momento de satisfação coletiva o mais novo do grupo perguntou:

— Então Jacob, que historia contar hoje? – não tinha mais de dezenove anos.

-Não apressa o velho Erpel! – O mais velho dos três falou, deu um tapa na cabeça de Erpel e sorriu para Jacob se desculpado pelo amigo apressado.

-Não se preocupe Torin – Disse Jacob – Não precisa ser duro com o garoto eu já ia começar a contar mesmo. – deu um sorriso malandro – Mas hoje e especial, vou contar como conheci ela pessoalmente.

— Já era hora de contar pra gente mesmo – O amigo do meio continua – Você sempre conta historias dela mas nunca contou como a conheceu.

— Moen, de quem vocês estão falando? – Perguntou Erpel.

- Você nunca escutou a historia da Phoenix e da raposa? – Indagou Torin. – Ou da canção que beijou o Sol?

- Já sim. – respondeu Erpel – São historias que minha mãe me contava pra dormir... Mas não entendo o que isso tem haver.

-Todas essas historias são ações de apenas uma pessoa, uma moça – disse Moen. – E o velho Jacob vai contar como a conheceu pessoalmente.

- Sim, foi assim que a conheci – Completou Jacob – Dielli, A violinista flamejante.

-Vocês três acham que qual e o elemento mais perigoso? – Questionou Jacob aos três amigos.

- As Trevas – Respondeu Erpel.

- O vácuo – Respondeu Moen.

- A Necromancia, aquela desgraça que fizeram por toda Sonatri prova isso – Respondeu Torin. E todos concordaram com ele no final.

O que você fala e bem verdade Torin, mas não e totalmente correto, o elemento mais perigoso e o simples e puro fogo. Digo isso porque ela usa apenas isso, e todas as historias que vocês já escutaram dela ela nunca precisou de nada mais que fogo e musica.

Vocês conhecem os polos, pelo menos já ouviram falar deles certo?

O polo do das trevas e conhecido como abismo, e só nasce certa vegetação lá que se alimenta de trevas.

O polo da Terra eu escutei rumores que era debaixo de um deserto, vai saber.

E o do Fogo, esse sim e importante para historia, e no maior vulcão do mundo. Fica em uma ilha, na verdade e a ilha e ele nunca dorme. E um verdadeiro terror.

Podem disser que isso e historia de pescador rapazes, mas eu já fui lá. Claro que não foi intencional o eu era marujo e meu barco naufragou, não me perguntem como sobrevivi a deriva e como não cozinhei na aquelas aguas de vulcão. Mas sobrevivi graças a Dielli.

A ultima coisa que me lembro é a acordar no meio da noite com a agua já me tampando. Consegui nadar entre a imensa rachadura que tinha no casco. Não pensei na hora o que poderia ter causado aquilo, mas hoje em dia eu me questiono bastante, não existe muita coisa capaz de fazer aquilo, coisas não-energéticas quero dizer. Talvez tenha sido um monstro marinho, vai saber.

Quando cheguei na superfície eu estava exausto, todo aquele clima, aquela tensão. Olhei em volta e não havia ninguém, toda a tripulação foi consumida pelo oceano a única coisa perto de mim era um pedaço de madeira da embarcação que abracei com toda minha força antes de desmaiar.

Próxima coisa que lembro, e disso eu lembro como se fosse agora, nunca vou esquecer essa musica. Era calma e aconchegante era quente e relaxante. Um som suave de violino preenchia todo meu corpo.

Eu abri os olhos e a vi, era linda como um por de sol no oceano. Ela estava sentada sobre uma pedra como uma musa, uma deusa. Incansável para um simples mortal. A cada vez que o arco tocava o violino uma nota mais bela que a outra surgia junto de labaredas flamejantes. As chamas a envolviam e me envolviam me protegendo do calor do lugar vulcânico. Os cabelos dela avoaçavam no vento um ruivo que dificilmente se diferenciava das chamas que dançavam envolta dela.

Eu diria que conversei com ela, que dormi com ela. Que homem que não gostaria não e mesmo? Mas não consegui, fiquei sentado na areia negra vulcânica o dia todo quase sem piscar e não sei nem o tempo que fiquei. Pode ter sido um dia ou um mês. Eu perdi a noção de tempo.

Parecia não haver noite em quanto ela tocava, ela parecia o próprio sol. Intocável e cintilante. Temi chegar perto e derreter. Mas assim fiquei: sentado e escutando. Sua própria musica me alimentava. Sua voz era perfeita ainda posso escutar se fechar os olhos.

Após muito tempo ela se aproximou ficou pouco menos de um metro de mim, senti seu cheiro. Cochichou em meu ouvido e se distanciou, tocou mais uma musica triste e melancólica dessa vez. Chorou. Nunca intendi o motivo. E com o ritmo da sua melodia seu corpo se desfez em chamas e foi levado pelo vento.

— Isso faz muitos anos rapazes, bem antes dos pais de vocês nascerem. – Jacob riu.

— E como vocês escapou de lá? – Questionou Torin cético.

— Isso e historia pra outra noite. – Gargalhou o velho.

Moen e Erpel se entre olharam e Erpel perguntou:

— O que ela cochichou para o senhor?

— “Uma boa ação não cura uma vida de pecado” – Disse o velho, palavra por palavra como se alimentasse dessa memoria. – A boa ação deve ser ela ter me salvado, a vida de pecado não me cabe julgar.

Os quatro terminaram de beber e se despediram. Velho Jacob pegou sua bengala e com dificuldade foi para praia, era uma noite linda a lua parecia devorar o preto do céu, a temperatura era perfeita. Com o pouco que entendia de energias criou uma pequena chama na areia a sua frente.

Sentou em uma pedra na areia e ficou lá um tempo, relembrando o passado.

E no silencio daquela noite, mais uma vez ele pode escutar. Aquela calma musica que foi tocada só pra ele.

Na sua cabeça o violino tocava e diante seus olhos as chamas dançavam.

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