Die Young

1 Paraíso escuro - I


Notas iniciais
Oi! Então, a fic vai ser divida tipo em partes, cada parte com uns 3 capítulos, por exemplo esse é o 1° capítulo da parte 1. Essa primeira parte é chatinha mesmo porque conta os motivos da personagem principal ser como é. Ela começa com 13 anos e termina se não me engano com 30. Comentários são muito bem-vindos porque é bem chato escrever pra fantasmas né... Espero que gostem. A capa tem a Lana porque eu imagino a Carmen como a Lana. OBS: Posto no Spirit também.

Carmen, Carmen, uma alma tão seca quanto as folhas dos livros que lê.

Será que o nó em sua garganta que formava cada vez que ouvia a Sra. Rey dizer que se arrependeu de ter trazido Carmen ao mundo um dia se desmancharia? Talvez daria algum alívio se colocasse os sentimentos para fora do corpo em forma de lágrimas, mas a menina de cabelo castanho e óculos sujos colocou na cabeça que apenas pessoas fracas choravam e ela não era fraca. Pobre Carmen...

O tempo nublado combinava com a situação em que a menina se encontrava, o céu cinza não ajudava nem um pouco a melhorar o humor de Tiffanny, sua mãe, e muito menos o dela, só uma pessoa conseguia fazer Carmen sorrir espontaneamente: Eidan, seu pai.

Ouviu uma batida na porta do quarto, se fosse sua mãe teria que ouvir poucas e boas por causa das roupas jogadas no chão e Patch, o hamster, andando livremente pela cama de casal. Depois de prender o cabelo em duas tranças abriu a porta. Seu querido pai entrou sorrindo com um cupcake e uma pequena vela acesa na mão e um pequeno embrulho na outra.

– Carl, feliz aniversário!

– Obrigada, papai!

– Lembro quando eu ainda conseguia te pegar no colo! 13 anos é demais, não cresça mais, está entendendo?

Carmen soltou uma risada que fez o pai se alegrar ainda mais.

– Vamos combinar uma coisa, você pode até crescer mas sempre vai ser uma menina linda e esperta como é agora, promete?

– Mamãe disse que não devemos prometer nada, nunca.

– Sua mãe não sabe o que diz. Tome aqui seu presente, me desculpe não ser grande coisa, sabe como estou andando ultimamente...

Eidan estava doente, nunca disse a verdade para Carmen, sempre que ela perguntava qual era o problema ele dizia que era apenas uma gripe passageira, mas que gripe é essa que em 6 meses não passou? Tiffanny não trabalhava pois vivia reclamando de dor, cada dia era uma dor diferente, o salário que seu pai ganhava como carpinteiro mal dava para colocar comida na mesa.

Carmen rasgou o papel de presente e viu um livro e um colar com um pingente de fada; Ela adorava fadas. Colocou o colar e admirou o pingente perto das clavículas marcadas, pegou o livro e cheirou o meio, não havia nada melhor para ela do que o cheiro dos livros, por isso passava tanto tempo em seu quarto, tinha uma estante lotada de livros que seu pai comprava sempre que podia. A menina abraçou seu pai como forma de agradecimento pelos humildes presentes.

– Carmen, desça já e alimente esse seu cachorro!

– Droga... -Carmen murmurou-

– Carmen, não vou falar duas vezes!

– Já estou indo mamãe!

Eidan deu um sorriso de lado para a filha e ela desceu as escadas correndo, escorregou pelo corredor por estar descalça, apenas com a meia três quartos listrada.

– O que tenho que fazer?

– Descalça de novo, Carmen? Não te compro mais sapatos também!

– Desculpe, não deu tempo de calçar algo...

– Como se fosse muito ocupada... Dê algo de comer para esse bicho.

Tiffanny estava se referindo à Toby, o cachorro vira-lata que Carmen levou para casa quando estava voltando da escola 2 anos atrás. Carmen vasculhou o armário debaixo da pia onde sua mãe estava lavando pratos atrás da ração mas não encontrou nada.

– Onde está o pacote de ração dele?

– Acabou.

– E como quer que eu o alimente?

– Dê seu jeito, não fui eu que trouxe esse bicho pra cá.

Carmen revirou os olhos e saiu da cozinha, foi até a área de serviço e pegou uma coleira vermelha. Foi para a sala e encontrou seu pai lendo um jornal com pantufas azuis nos pés.

– Papai, poderia me dar dinheiro pra eu comprar ração para o Toby?

– Tinha que acabar logo agora... -Eidan disse abrindo a carteira e se deparando apenas com uma nota de 20- Filha, papai não tem dinheiro agora, vá até a casa da vizinha e peça um pouco de ração, com certeza ela dará.

Carmen deu um sorriso forçado, foi até o jardim e colocou a coleira em Toby e foi para a casa ao lado, bateu três vezes na porta e esperou alguém abrir. Era a Sra. Margareth, loira aparentando ter 60 anos, logo quando a porta abriu Carmen pôde ver 3 gatos andando pela casa e um pequeno poodle branco vindo de encontro ao seu cachorro.

– Bom dia, a senhora poderia me emprestar um pouco de ração para o meu cachorro? É que acabou e meu pai não tem dinheiro pra comprar mais agora...

– E ele vai comer?

– Creio que sim...

– Vou pegar, espere aqui um minutinho. -A idosa olhou para as nuvens escuras- Ou melhor, venha para dentro, está muito frio para uma garotinha ficar na rua!

– Obrigada. -Carmen entrou, deixando Toby arranhando a porta do lado de fora-

– Podia ter deixado o cãozinho entrar também. Você quer um chá?

– Sim, por favor.

– Então, quantos anos você tem, pequena?

– Hoje faço 13, e a senhora?

– Ah! Parabéns então! Eu já tenho muito mais que 13...

– Imagino.

– Aqui está. -Margareth entregou um pote com ração e uma xícara de chá- Quantos anos tem seus irmãos?

– Meu irmão está morto. -Carmen respondeu sem nenhuma emoção-

O irmão de Carmen, Albert, tinha 27 anos quando estava voltando do trabalho de madrugada e um carro desgovernado atropelou-o. Tiffanny adorava Albert, Carmen nem tanto, talvez fosse porque sua mãe vivia dizendo "Ah se aquele dia tivesse sido você e não ele".Nenhuma filha deveria ouvir uma coisa dessas da própria mãe, mas Carmen já estava acostumada e já estava até imaginando que ela deveria mesmo estar fora da vida de Tiffanny.

Depois de responder a pergunta da senhora Carmen deixou a xícara em cima do braço do sofá, se despediu, pegou Toby e voltou para sua casa.

– Onde estava!? Foi pegar ração no outro bairro!? -Ouviu sua mãe gritar-

– Estava tomando chá com a senhora Margareth.

– Por que voltou? Deveria morar com a senhora Margareth de uma vez! Agora se arrume que não quero que se atrase para a escola.

Depois de estar com a saia e a camisa da escola e o cabelo em rabo de cavalo foi para frente de casa com a mochila nas costas esperar a van passar.

Entrou na van e foi para um dos últimos bancos junto de Iggy, sua única amiga, que tratou de entregar uma sacolinha cheia de chocolates para Carmen como presente de aniversário.

Iggy era negra, tinha o cabelo black power e os olhos escuros, um pouco mais baixa que Carmen e morava em uma casa enorme, seus pais eram muito bem de situação, tanto que Carmen tinha vergonha de ir na casa dela, onde era recebida por uma empregada.

Na aula de inglês com o Sr. Gerald entrou o zelador do colégio na sala procurando por Carmen.

– Carmen Rey, por favor, pegue seu material e vá para a sala da diretoria.

Carmen lançou um olhar confuso para Iggy e saiu da sala, andando rápido pelos corredores da escola até chegar na diretoria, onde sua mãe estava esperando-a.

– O que aconteceu?

– Seu pai está no hospital.

– Por causa da gripe?

– Foi isso que ele te disse? -Tiffanny pegou algumas moedas e entregou para Carmen- É para o ônibus, vamos.

Ficaram o caminho inteiro sem dizerem nada uma para a outra, quando chegaram no hospital Tiffany avisou a mulher da recepção que iriam visitar o paciente Eidan Bruce Rey e foram para o quarto onde ele estava.

O homem sorriu para a filha mesmo estando como estava: Cheio de fios ligados ao corpo. Naquele mesmo dia sofreu um acidente quando estava indo comprar leite no mercadinho do bairro. Uma bicicleta bateu nele, então ele caiu e bateu a cabeça no meio fio, estava mal, mas não queria deixar Carmen com medo.

Depois de ficar algum tempo ali com Eidan as duas tiveram que voltar para casa.

Era 22:30 horas da noite, Carmen que tinha lido demais acabou adormecendo, foi quando o telefone tocou e depois de algumas palavras Tiffany acordou-a dizendo as palavras que acabariam com a vida da pequena Carmen:

– Carl, acorde, temos que ir no hospital, seu pai morreu.