Did You Know?
1 Prólogo
Notas iniciais
Lorenzo gostava do céu nublado. Achava que a vantagem de morar ali era que todos os dias, o céu estava nublado. Ele gostava de morar ali. Era calmo, e...
– Lorenzo! – O pai dele o chamou das escadas. – Arrume-se, hoje você tem grupo de apoio! – Lorenzo se levantou da cama, foi até a porta e gritou: – EU. NÃO. QUERO. IR. PRA. ESSA. DROGA. – A cada palavra, ele dava um soco forte na porta. Era sempre assim. Não suportava, odiava mais do que tudo, que fizessem algo por ele sem sua permissão. Era frustrante. De qualquer forma, seu pai o colocou em um grupo de apoio chamado GAD. Sigla para: ‘Grupo de Apoio aos Desajustados’. E eufemismo para: ‘Grupo de Apoio aos Malucos, Retardados e Perturbados’. Aparentemente, era um grupo independente que ajudava aos malucos boladões com a vida a se integrar na sociedade. Todos os dias, a partir de hoje, Lorenzo terá que ir pra esse grupo.
– Certo. – Suspirou fundo. Tomou banho; escovou os dentes; se vestiu; saiu do quarto; desceu as escadas e encontrou seu pai na sala. – Olhe, garoto. Eu entendo que você é um pouco temperamental, coisa do tipo. Mas não gosto que fale assim comigo. Só quem levanta a voz aqui, sou eu. – Lorenzo deu de ombros. Entendia o que o pai dele queria dizer. Mas ele era assim. Simplesmente era assim. Os dois entraram no carro.
***
GAD ficava apenas a sete quarteirões dali, então não demorou muito até chegarem. Lorenzo abriu a porta do carro e saiu. – Filho, tome cuidado. – Seu pai disse, e o filho assentiu.
A primeira vista, parecia uma grande casa. Prosseguiu com o caminho, hesitou um pouco e deu três rápidas batidas na porta. Demoraram uns cinco segundos para alguém atender. Era um adulto, de estatura alta, que o convidou para entrar. Lorenzo entrou, e sim, aquilo realmente era uma casa. Porém, não havia móveis lá, exceto as várias poltronas formando um círculo naquela sala vazia.
Quatro poltronas estavam ocupadas por pessoas, no mínimo, estranhas. Sentou-se numa poltrona afastada deles.
O adulto também se sentou, e disse em um tom para que todos escutassem: — Hoje é o primeiro dia do Grupo de Apoio aos Desajustados, que tem como objetivo ajudar a vocês se sentirem, como posso dizer... Confortáveis, na sociedade. Entendam, a sociedade tem certo preconceito, e medo, por assim dizer, de pessoas diferentes. Vocês são diferentes. Comportam-se de um jeito diferente. De qualquer forma, o que faremos hoje? Apresentação. Meu nome é Bruce Titor, sou o líder deste grupo. Certo, vamos para o próximo. Você, de camisa listrada. – Bruce apontou para um garoto miúdo de cabelos castanhos. Ele mexia as pernas, olhava para os lados, suava.
– Meu nome é... Samuel... Wayne. Samuel Wayne. É. Tenho onze anos. Sofro de Transtorno de Personalidade Paranóide... – Bruce pegou uma prancheta, lá havia alguns nomes marcados. – Aqui diz que você é Samuel Davis, e tem quatorze anos, apesar de ser pequenino. — Olhou para o garoto e levantou uma sobrancelha. – É mentira! Quem é você?! Um alien? Um agente do governo? Vocês querem me pegar?! – O menino se descontrolou, pulou da cadeira e correu para a porta.
Mas estava trancada. Bruce agarrou-o firme, deu o remédio necessário para acalmá-lo e o levou de volta para a poltrona. O líder, novamente, se acomodou na poltrona, suspirou fundo e disse: — Fui alertado que você surtaria. Quem é o próximo? – Um jovem de aparência invejável se levantou, tinha cabelos loiros e olhos verdes. Ajeitou a gola da camisa, limpou a garganta e se apresentou: — Meu nome é Allan Parker, filho do prefeito desta cidade. Tenho dezesseis anos de beleza na minha linda face, e fui injustamente diagnosticado com Transtorno de Personalidade Narcisista. Não que faltem parafusos na minha cabeça. Na verdade... – Olhou para os outros jovens com certo desprezo. – Acho que sou o mais normal daqui. Hunf. – Sentou-se novamente.
Bruce revirou os olhos e passou para o próximo. Desta vez, foi um jovem de cabelos negros bem penteados e olhos escuros. Não parecia haver nada de anormal nele. Porém...
– Meu nome é Alexei Williams. Tenho dezessete anos e fui diagnosticado com Transtorno de Personalidade Antissocial. – Ele sorriu, e foi aí que mostrou sua verdadeira identidade. Ele tinha um sutil sorriso de psicopata.
Bruce pediu para a próxima jovem se apresentar. Ela não respondeu, estava entretida com um Action Figure de Star Wars, e ficava fazendo um barulho estranho com a boca.
O líder a chamou repetidas vezes, mas mesmo assim, ela não se importou. Então, desistiu de tentar fazê-la se apresentar.
– Astrid Collins, quinze anos, diagnosticada com Transtorno de Personalidade Esquizóide. – Ele a apresentou. Allan deu uma tosse forçada, em sinal de deboche.
– Realmente, bem esquizoide mesmo. – Sorriu, curtindo a própria piada. Lorenzo, que se manteve calado durante todo o momento, finalmente se apresentou.
– Lorenzo Jones, dezesseis anos, diagnosticado com Transtorno de Personalidade Borderline. – Disse, um pouco alto demais. Mas ninguém pareceu se incomodar.
Bruce Titor se levantou. — Todos aqui, a meu ver, parecem absolutamente normais. – Deu uma olhada rápida em Samuel e Astrid. – Todavia, vai ser interessante vocês se relacionarem, participarem das atividades que vou lhes proporcionar, entre outras coisas. – Olhou para o relógio. – Enfim, hoje foi apenas a apresentação. Amanhã, às 15:30. Podem ir. – Todo mundo se levantou e começou a caminhar para a porta quando... – Ei, ei. – Alexei começou, chamando a atenção de todo mundo. – Vocês sabiam que a cada cem pessoas, uma é psicopata? – Ele abriu um sorriso no rosto, aquele mesmo sorriso assustador que todos veriam novamente um dia...
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