Dicionário

2 Capitulo um – E de Escuridão.


Notas iniciais
Aqui inicia nossa história!

Meu amor,

Muitas coisas aconteceram...

Mas agora você poderá seguir sozinho.

Pensei muito antes de ir, por mais que você não entenda meus motivos, eu peço para que me deixe ir.

Vivemos tantos momentos clichês...Irei sentir falta dos teus beijos, do teu abraço daqueles de deixar seu cheiro em mim, do teu colo...

Eu me despeço sentindo vontade de voltar aos teus braços e sinceramente não sei onde deixo todas as lembranças e como vou lidar com a falta da tua respiração no meu pescoço. Sei que vou te encontrar em qualquer e toda música. Sei que não passarei uma tarde sem pensar em você.

Quero agradecer por toda a compreensão e pelos carinhos. A verdade é que ao invés de eu te ajudar, você me ajudou. O mundo e a vida não foram tão cordiais comigo, meu amor, mas te conhecer me fez uma pessoa melhor.

Ajudar você a encontrar suas forças me fez encontrar as minhas e sei que logo a vida vai te recompensar pela dor que estou te causando hoje.
Por favor, não pense que você me afastou ou fez algo errado; Eu te amo e a escolha de ir foi minha. Foi preciso muita coragem para virar as costas para você.

Até aqui nós viajamos juntos, vivemos uma doce fantasia juntos...Não, uma doce realidade. Juntos atravessamos barreiras, enfrentamos medos. Com você aprendi que em uma vida podemos renascer e se reinventar milhares de vezes – Olhe para você! Um novo homem! –. Juntos criamos desejos e sonhos e escrevemos essa bela história. Não irei citar os maus momentos, mesmo que eles tenham sido necessários para nossa história, pois quero que você se lembre de mim como uma boa amiga.

Lembra que você prometeu me amar por 100 anos? Por favor, esqueça essa promessa. Se liberte de mim e viva bem. Viva uma nova vida, um novo amor.

E me desculpe escrever essa carta e não ter coragem de te olhar nos olhos: Eu não poderia ser mais cruel, mas eu sei que se te olhasse na cara não poderia ir. Me desculpe ter deixado a carta não em sua casa, mas na minha, eu não tive coragem de ir aí.

A caixa ao lado da carta, você conhece bem. A verdade é que o meu coração está aí dentro e mesmo que devesse estar no meu dedo, mesmo que meu dedo formigue sentindo a falta do anel, por favor o aceite de volta.

Eu espero que você possa me perdoar e que não alimente a esperança que eu vá voltar, eu não irei e se eu voltar, foi somente meu coração abalado querendo ceder a saudade, então por favor me mande ir de novo, pois eu não serei a mesma que sou agora.

Não tema mais o futuro, viva o melhor que puder, mas principalmente sinta! Sinta raiva, tristeza, alegria, euforia, amor. Nunca mais volte a se fechar.
Mas meu amor,

Muitas coisas aconteceram. E hoje, enfim, você poderá seguir sozinho.

Ass. Melissa Dias.

Apesar de toda a beleza e cores vibrantes e bela decoração do local, que em teoria era para animar o astral de quem passasse por lá, o rapaz estava no mínimo derrotado.

E como poderia estar diferente?

Pietro demorou dois dias para ter coragem de abrir a carta depois que fora no apartamento de Melissa quando sentiu sua falta.

E agora estava arrependido.

Quase todas manhas eles se falavam, muitas vezes tomavam café juntos, combinaram de se encontrar naquela tarde, o que não aconteceu. Ela não apareceu, nem o ligou no dia seguinte, e nem estava no café de sua tia nos dias posteriores.

Agora sabia por quê.

Era irônico, a pessoa que lhe ajudara tanto e que era o seu suporte, chutou-lhe a canela e o derrubou daquela maneira. Como ela pôde pedir para ele não alimentar a esperança que ela voltaria? Aquilo era um absurdo!

Ele a procuraria em todos os cantos do mundo!

Uma súbita fúria anormal subira no seu peito, deixando o incapaz de respirar direito.

O rapaz jogou a caixinha de veludo contra a parede do apartamento onde estava, para depois puxar o cabelo exasperado. Saiu do apartamento como um furacão, não sem antes chutar qualquer objeto que atrapalhasse seu trajeto até a saída. Não se deu trabalho de trancar a porta. Apenas a bateu. Atravessou o corredor da porta do apartamento até o elevador e o chamou diversas vezes. Se irritou ainda mais quando o elevador demorou demais para subir e quando finalmente chegou, entrou rapidamente apertando o botão do estacionamento.
A música brega que sempre tocava naquele minúsculo ascensor parecia querer o provocar, e serviu para alimentar seu ódio por ela mais que nunca.

Sua mente estava á mil por hora.


" E me desculpe escrever essa carta e não ter coragem de te olhar nos olhos: Eu não poderia ser mais cruel, mas eu sei que se te olhasse na cara não poderia ir. "


Os pensamentos angustiados de Pietro recordavam a carta anterior e refletiam nos espelhos do elevador o seu tormento. O elevador era lento demais para sua pressa. Queria abrir aquelas malditas duas portas logo e correr para seu carro, talvez ele a encontrasse ainda no seu bar favorito, em um museu de arte qualquer, na escola que a morena gostava de ministrar aulas extras ou até mesmo no café de sua tia, onde era mais facilmente encontrada.

Sua tia deveria saber de algo, não deveria? Um endereço, um número, uma resposta! Qualquer coisa.

Finalmente a porta se abriu e Pietro pode realizar o desejo de sua angústia. Andou rapidamente para o carro, despertando alguns olhares curiosos, outros assustados, acelerando o potente veículo, saiu do estacionamento despreocupado com os pneus do seu carro que queimavam com as viradas rápidas e repentinas que dava.

E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de "escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito. E tem também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por exemplo...

Estava pensando nas possibilidades do que poderia ter acontecido para que Melissa tenha ido embora, e nas possibilidades de onde ela poderia estar. Pietro jurou aos ventos que se a encontrasse iria amarra-la e a trazer de volta para ele. Sorriu sarcástico do seu pensamento obsessivo. Quando foi que ela virou algo tão fundamental na sua vida? Antes ela era só uma criatura irritante e agora ele se poderia sobreviver sem ela,

Estacionou como um louco na frente do Del Caffè Dias, onde Melissa trabalhava com a tia, foi insultado por uma mulher que quase bateu no carro dele, mas ignorou completamente. Ao entrar no local sentiu o cheiro de café que era feito e dos doces e salgados que eram vendidos, nesse momento sua raiva diminuiu dando espaço para uma repentina saudade e seu desespero aumentou ainda mais, dirigiu-se até o caixa, onde tinha duas ou três pessoas na fila para pagar, olhou o local pensativo e não percebeu quando chegou sua vez, ao som do “próximo” dito pela operadora do caixa. Se assustou quando a garota já conhecida o chamou.

— Onde está Olívia? – Perguntou o rapaz ainda meio aéreo.

— Ah... Eu vou chamar ela – Anna respondeu e entrou em uma porta dupla, próxima a eles. Em menos de 2 minutos Olívia, a dona do restaurante que já levava uma certa idade nas costas e a pequena operadora de caixa voltaram discutindo baixo.

Olívia parou e observou Pietro. Seu olhar avistou os olhos inchados, cercados pelas olheiras por causa do cansado e das duas noites mal dormidas do rapaz. Seus cabelos estavam um caos. Mas nada disso tirou a beleza do outro e nem sua elegância nas roupas sociais que vestia, porém, parecia que lhe faltava algo, ele parecia depressivo e de fato estava. A senhora lembrou-se das primeiras vezes que o viu, estava praticamente igual. Irritadiço, sem esperanças, triste, no entanto, em pé dessa vez.

A mulher suspirou, desviou o olhar de Pietro e pegou um pano para limpar o vidro do balcão mais próximo.

— O que houve Bertolli?

— Você sabe o que houve! – Pietro falou exasperado.

— Olhe o tom que usa comigo, não tenho culpa de seus problemas, rapaz !- Olivia fingiu irritação e virando-se para Pietro. Perdeu todo o teatro quando viu o olhar que lhe implorava uma resposta do rapaz. – Não sei de nada, Bertolli. Vá para casa.

—Dona Olívia! Por favor me diga o que aconteceu! Para onde Melissa foi? Porque ela foi? Ela não pode ter jogado tudo para o alto, sem mais nem menos!

—Eu já disse que não sei, menino! Mel é uma menina pés no chão, sabe o que faz! Se ela foi embora, teve motivo. Por favor, vá embora. Você está assustando meus clientes! – Olívia respondeu tentando fugir do assunto e começou a empurrar o mais jovem para fora do local.

—Exatamente! – Pietro firmou os pés no chão do local para não ser empurrado e aumentou o tom de voz pelo seu desespero ainda não abrandado. – Quero um motivo. Uma razão. Qualquer coisa.

A senhora suspirou e abriu a porta pro rapaz passar.

— Nem tudo é como queremos, menino. As pessoa apenas passam por nossas vidas. Elas não tem obrigação de ficar. Talvez a Mel tinha uma missão aqui, agora que está cumprida ela mais que deve procurar outra missão para si.

Vá para casa, Pietro. Mel voltou para casa da mãe dela, ela não vai voltar.

— Como pode logo a senhora que viu tudo que aconteceu aqui, dirigir tais palavras para mim? – Indignou-se Pietro. – Logo você?!

O rapaz alterou ainda mais a voz, fazendo a mais velha se espantar. O que fez o homem que estava tomando café no local levantar e por a mão no ombro do Pietro, e perguntar se estava tudo bem com leve ameaça na voz. Anna, assustada com a situação, puxou o braço de Pietro para fora do local com medo do pior, mas teve dificuldade com o processo.

-Quer que eu dê um jeito nele, Senhora Olívia? – Perguntou o homem ainda olhando para fora.

-Não, está tudo bem Jorge. Muito obrigada. Ele é um rapaz bom. Ele apenas... – Ela soltou outro suspiro, agora cansado- Apenas perdeu suas estrelas, e a noite vai ser longa para ele.

Notas finais
3bjs ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.