Dias intermináveis.
4 Capítulo 4.
Notas iniciais
Havia se passado uma semana desde o pedido de casamento, o casal vivia normalmente e visivelmente mais alegre, Hinata pensava qual seria o dia mais adequado para que se fizesse a cerimonia de casamento, como a festa de noivado havia sido ao cair da noite naquele mesmo dia em que o pedido fora feito. Já não bastava a surpresa anterior ainda tinha mais aquela, não sabia o quanto havia chorado naquela noite. Toda a família reunida em sua casa, o quintal enfeitado, nunca que a morena iria pensar que algo como aquilo estava sendo planejado de baixo de seu nariz. Aquela altura não adiantava tentar capitar as pistas deixadas no ar se é que havia alguma.
Era primavera, sua primeira sem estar de baixo d’água e não podia deixar de ficar encantada com as belas cores que cada flor desabrochava. Da janela da cozinha assim como a da sala, havia uma bela vista para o jardim, o lugar ainda mais magico do que poderia ser. Um belo sorriso tomou conta de suas feições, sua vida não poderia estar melhor.
Na verdade, estava.
Maneou a cabeça ainda desacreditada com o que havia acontecido instantes atrás.
Quando acordou, por uma fada mensageira naquela manhã, seu marido não se encontrava ao seu lado na cama, assim como em canto nenhum da casa. Apenas um bilhete no móvel ao lado da cama dizendo que se veriam apenas ao cair da noite. Dando a devida atenção a pequena fada que se encontrava flutuando a sua frente ela recitou um feitiço e do pequeno embrulho que ela carregava um vestido branco impecável recaia levemente sobre sua cama. Camadas e mais camadas de pano com detalhes brilhantes, a cintura ornada com um cinto de conchas e perolas. Hinata pôs as mãos sobre a boca demonstrando toda sua surpresa. Aquele era mais um presente de seu pai a fada dizia lendo um bilhete que acompanhava o embrulho magico.
Após o seu desjejum batidas desesperadas na porta foram ouvidas e com elas um alvoroço de vozes femininas. Hinata estreitou os olhos assim como uniu as sobrancelhas em interrogação. A porta quase foi derrubada em cima de si depois de destrancada mostrando cinco mulheres conhecidas pela morena, às faces de todas estavam eufóricas e antes que ela pudesse perguntar o que estava acontecendo elas a puxaram para dentro.
— Eu posso saber o que esta havendo? – A morena indagou completamente perdida assim que se acomodaram no sofá e tapete da sala.
— Oras. – Murmurou Hanabi cruzando os braços. – Já recebeu o presente do papai não é? O que mais você acha que esta acontecendo?!
Hinata ainda matinha o contato visual com a irmã, não entendendo o que aquilo podia significar, era apenas um presente afinal.
— Hinata! – Sakura e Ino exclamaram juntas.
— Você vai se casar. – Completou a ninfa loira batendo palminhas.
— Sim. Eu sei que eu vou, mas... – As palavras foram sumindo a medida que a compreensão lhe tomava a mente olhando aqueles dez pares de olhos brilhantes. – Não! Não... Impossível!
— Sim. Possível, já esta acontecendo! – A palavra agora era de Temari que erguia os braços e pulava no colo da morena a abraçando. – Você ira se casar hoje minha linda e invejável sereia.
— O que? – Hinata teria levantado se não fosse pelo peso extra que a amiga proporcionava em seu colo. – Como? – Ela olhou para as de mais que se encontravam sobre o tapete.
— Surpresa minha querida. – Tenten sorriu com a cara estupefata da sereia. – Seu pai foi o arquiteto de tudo, nos apenas ajudamos um pouco.
— Novamente, tudo de baixo do meu nariz... – Repreendeu-se balançando a cabeça negativamente logo um sorriso agradecido brotando em seus lábios.
E depois de mais algumas palavras Sakura as cortou dizendo que deveriam curtir o dia, o ultimo dia de sua liberdade como Temari gostava de dizer. As garotas asseguraram que os meninos estavam tomando conta de Naruto o fazendo relaxar para o grande dia ou grande noite já que ao anoitecer eles se encontrariam no altar e jurariam amor pela eternidade.
E o por do sol inundava a floresta com suas cores laranjadas mescladas com rosa, indescritível. Hinata olhava-se no espelho pelo que parecia a decima vez, não acreditando no que o reflexo lhe mostrava. Estava tão linda. Ino e Sakura haviam caprichado no penteado bem elaborado assim como nos enfeites do mesmo, não muitos chamativos, harmonizando completamente com o vestido. Era algo místico, o branco em tons rose que o tecido tinha as barras irregulares que não tocavam o chão, os pés trançados em fitas de cetim, por um momento poderia achar que era uma fada, ou uma linda ninfa da floresta. Sorriu com pensamento.
— Esta deslumbrante, minha filha. – A voz pacifica de seu pai ecoou pelo quarto chamando sua atenção.
— Papai. – Ela o saudou, em seguida o abraçando. – Muito obrigada. – O sorriso mais sincero brotando em seus lábios
— Vê-la feliz é o meu melhor presente Hinata. – O rei dos mares passou o polegar a baixo dos olhos perolados da menina, limpando as lagrimas que atreviam cair. – Vamos?
Concordando ela envolveu o braço dele no seu e caminharam pela estrada de terra enfeitado por luminárias coloridas levando-os até a boca do leão, onde aconteceria a cerimonia. Hinata tentava conter os sentimentos que queriam a todo o momento transbordar. Reparava que o local naquele dia em especial estava mais iluminado do que o normal, não só pelas lamparinas de enfeite, mas sim por algo a mais. E lá estavam elas, as pequenas fadas assim como vaga-lumes. Elas dançavam e recitavam poesias, abençoavam o matrimonio que logo aconteceria. Davam-lhe beijos estalados pelo rosto e sorriam carinhosamente por todo o percurso.
Chegando ao seu destino, onde se encontravam todos os convidados, ela surpreendeu-se mais uma vez com o que haviam feito com o lugar que lhe remetia a lembranças tão bonitas de sua infância. Seu pai a guiou calmamente ate o pequeno altar improvisado que encontrava-se no meio do lago, ela olhou apreensiva de começo mas assim que seu pé tocou a agua ela não afundou ficando ainda mais maravilhada. A magia era algo de se tirar o folego.
Seus olhos então se encontraram pela primeira vez, os olhos azuis cintilavam de felicidade por vê-la ali a sua frente tão bela como nunca. O rosto corado por provavelmente segurar o choro entalado na garganta. Sorriu para ela tentando de alguma forma passar segurança, aquele era o dia deles, somente deles. Hiashi depositou um beijo na mão de sua primogênita entregando-a para seu genro com um sorriso saudoso a qual foi retribuído prontamente pelo menino raposa. As mãos faiscaram ao singelo toque, os olhos brilharam em expectativa. Hinata não conseguia em nenhum momento reparar na vestimenta de seu noivo, pois estava perdida de mais em seus olhos e em seu sorriso. Os dois postaram-se a frente do sacerdote que regeria a cerimonia.
— Você, Naruto Uzumaki, aceita Hinata Hyuuga como sua legitima esposa? – O sacerdote olhou-o com olhos sorridentes. E sem hesitar a resposta veio, certeira sem nenhuma duvida;
— Aceito!
— Hyuuga Hinata você aceita Naruto Uzumaki como seu legitimo esposo?
— S-sim! – A morena lutava contra as lágrimas de felicidade que teimavam em aparecer a beira dos olhos.
— Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
Naruto sorriu para Hinata, agora sua esposa, puxando-a para perto enlaçando sua mão na cintura fina fazendo-a se curvar e beijou-lhe apaixonadamente selando aquele momento de união os convidados foram ao delírio gritando e assoviando.
A festa ocorria ao lado de fora da gruta, o ambiente magicamente iluminado de todos os lados, todos brindando a felicidade do casal, apreciando cada momento ao som da musica que os cercava fazendo os corpos dançarem em sincronia tornando o lugar ainda mais acolhedor.
— Ela vai desidratar se continuar olhando-a desse jeito. – Pronunciou-se seu melhor amigo pegando o noivo de surpresa.
— Ah, Sasuke... É inevitável. – Sorriu completamente extasiado pela beleza estonteante de sua mulher que encontrava-se inerte em alguma conversa na roda de amigas do outro lado do recinto. – Vai me dizer que não fica assim ao olhar Sakura.
— Hm. – O moreno murmurou bebericando um gole do liquido avermelhado em sua taça. – As vezes acho que ela é boa de mais pra mim.
— Quem não seria? – Shikamaru se intrometeu tomando uma das cadeiras por ali, logo outros se achegavam a eles. Sasuke revirou os olhos para a sua pergunta. – Temari é o meu completo oposto... – Deu de ombros.
— Podemos apenas pensar que fomos agraciados então. – Ponderou Sai chamando a atenção do grupo olhando para uma loira em especial. – Elas nos completam e isso deveria ser bom não é? – Sorriu enigmático.
— Pra alguém que não entende nada do assunto. – Chouji maneou a cabeça. – Ele esta certo afinal – Sorriu.
— Hey. – Ino chamou atenção dos rapazes. – Temos que aproveitar essa noite.
— Sim. – Tenten sorriu. – Aproximem-se, nós não mordemos. – Divertiu-se.
Neji Hyuuga foi o primeiro a dar o passo a ate ela, oferecendo-se para uma dança a qual foi prontamente aceita. E assim a festa transcorreu agradavelmente.
Os casais conversavam amigavelmente. Estranhos conheciam-se e trocavam olhares e sorrisos cumplices. A brisa acolhia a todos de forma aconchegante fazendo a noite ficar ainda mais proveitosa. Sorrisos. Palavras. Movimentos. Tudo estava perfeito.
A noite ia caindo o breu tomando o interior da floresta onde a festa acontecia, aos pouco chegado ao seu fim. Hinata e Naruto passando os últimos momentos recebendo felicitações e beijos de despedidas. Logo o local estava vazio apenas os dois olhando para a decoração daquela noite que estaria marcada eternamente em seus corações.
De mãos dadas seguiram para o conforto de seu lar.
Chegando perto da casa Naruto pegou Hinata no colo, levando-a para dentro sem desgrudar os olhos dos delas, abriu a porta com certa dificuldade arrancando uma risada descontraída da mulher, subiram os degraus para então chegarem ao quarto.
O ar tornava-se mais denso, apesar do calor de ambos os corpos um frio deslizava no estomago de Hinata. Ansiedade. Curiosidade. Sentiu o peso dos olhos celestes em suas costas enquanto escorregava lentamente o vestido pelos seus ombros e deixava-o cair lentamente pelo resto do corpo.
Naruto observou, como um predador pronto para atacar. Sem nunca perder um único movimento de sua mulher. Aproximou-se lentamente. Tocou-lhe delicadamente o ombro alvo, beijou o local. Hinata virou-se encarando fixamente os olhos do marido. As mãos pequenas passearam dos braços a nuca até fincarem nos cabelos loiros, trazendo-o para mais perto a fim de selar seus lábios em um toque que começava suave para logo depois tornar-se mais avido e quente.
Entre as quatro paredes, eles descobriam-se mais afundo entre beijos e caricias antes desconhecidas, deixando-se levar pelo prazer e a paixão que os envolviam, finalmente entregando-se de coração e alma um ao outro, pertencendo-se um ao outro por completo.
Cinco anos depois.
A neve caia completando a estação em seu frio. A casa era mantida quente pela lareira que queimava sem sessar os galhos que lhe eram entregues. Hinata tricotava mais um cachecol enquanto Naruto se exercitava como todas as manhas ao lado de fora da casa.
— Bom dia!! – Duas irreconhecíveis vozes gritaram descendo as escadas.
— Ho, bom dia. – Hinata largou o que fazia para receber a filha que saltava em seu colo. – Dormiu bem Himawari?
— Sim, muito bem. – Sorriu a pequena menina que não negava a semelhança de seu pai, tantos nos olhos como nas pequenas marcas em sua bochecha, mas que não negava a beleza de sereia da mãe.
— Foi dormir no meu quarto de novo! – Exclamou o menino a cópia menor de seu marido. – Medrosa – Cantarolou.
— Não sou não! – Retrucou a menina recebendo a língua do irmão mais velho.
— Boruto! – Repreendeu Hinata, o menino riu. – Vão tomar café.
A porta do jardim foi aberta e Naruto os saudou com um sorriso. Logo sendo derrubado na neve pelas duas crianças que riam sem parar, Hinata correu até eles informando que não estavam devidamente trajados para que saíssem naquele frio, apenas a ignoraram.
Naruto tentou ser autoritário não antes de Boruto declarar guerra jogando uma redonda bola de neve contra o pai. Ele olhou para Hinata que entendeu o recado, entrando para a brincadeira. Apenas as risadas sendo escutadas por onde quer que fosse. A correria de um lado para o outro a procura de se esconder do perigo que eram as gélidas bolas de neve.
E ali, em um momento somente deles nada mais existia, somente o calor de cada risada e abraço trocado no calor de uma brincadeira corriqueira que no fundo nenhum deles queria que acabasse.
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