Dias intermináveis.
2 Capítulo 2.
Notas iniciais
Estava mais cedo do que o normal para encontrar-lhe à quele dia, estava ansioso. Pensar em falar que queria o pedido dela para si significava que ele gostava dela, era algo além do que imaginara, o que ela iria pensar? A linha de pensamentos esvaiu-se quando ouviu as águas do lago remexerem-se.
Pôs-se a olha-lo, assim que seus olhos se encontraram o rosto do loiro avermelhou-se desviando de seu contado visual. Franziu levemente as sobrancelhas. O que teria acontecido? Sentia que algo o afligia. Nadou até perto de si.
— O que há de errado? – Perguntou de forma direta.
Naruto a encarou. Porque as mulheres tinham esse dom? Elas sentiam o cheiro quando algo estava errado de longe. Pensou brevemente na forma que abordaria o assunto. Seria direto com ela da mesma forma que ela era com ele. Respirou profundamente, percebia que aquela demora irritava a morena que mantinha os braços cruzados sobre a terra aos seus pés. Sentou-se olhando de forma profunda os olhos perolados.
— Eu... Eu... É... – Prendeu a respiração, não iria conseguir.
— Fala logo. – Inclinou-se sobre ele deixando seu tronco para fora da água. Se já estava sendo difícil naquele jeito, assim só pioraria a situação. – Seja direto Naruto. – Sua fala era suave, mas seus olhos imploravam angustiados para saber o que teria acontecido.
— Eu quero seu pedido! – Despejou, apertando com força suas mãos sobre as pernas que estavam cruzadas.
— Mais isso é so daqui à seis anos. – Falou ela voltando o corpo para dentro d’água ainda o olhando confusa.
— Eu quero ser aquele quem receberá o pedido, Hinata... – Desviu o olhar constrangido dos interrogativos da morena que agora adquiriam um quê de surpresa. Um silêncio perdurou entre ambos. Fora um tolo, jamais ela o olharia com aqueles olhos. Tão inocente... Praguejou-se pela estupidez. – É isso deve ser loucura, — Comentava ele apoiando uma mão no chão para levantar-se. – Desc... – Sentiu algo segurar-lhe o pulso e antes que pudesse terminar de falar fora calado pelos lábios adocicados da sereia.
Fora um toque rápido, gentil e leve. A morena afastou-se com sua cintura ainda fora da água e sorriu da cara espantada do garoto. Não quebrando o contado que seus olhos mantinham. Teria que esclarecer o ocorrido antes que ele petrificasse por si mesmo.
— Terá o pedido. – Sorriu ela tirando um sorriso completamente bobo dos lábios do loiro. – Satisfeito? – Afastou-se vendo-o concordar ela maneou a cabeça enquanto seu rosto avermelhava-se o chamando para nadar.
Com o passar dos dias avistavam algo chegando com tamanha brutalidade sem mais nem menos os reinos do Sul e Leste começaram uma guerra desolando tudo que encontrava a sua frente. Quem eles pudessem pegar como aliado sendo este contra a lei ou bruxas, que defendessem seu reinado os tinham ao lado. Na procura pelo melhor armamento Naruto fora pego de surpresa quando voltava para casa, tinham mantido seu tio como refém, esse não pode fazer além de lamentar-se.
Tendo em mãos o poder da besta de nove caldas o reino do Sul cantava vitória antes do tempo. A felicidade acabou quando descobriu-se que para destrancar o poder aprovisionado de dentro do garoto tinham que ser feitos feitiços para desatar o selo imposto por seus pais. E começaram então a busca incessante pela chave que revelaria os poderes escondidos da raposa.
Ninguém precisou dizer a Hinata o porque de Naruto quebrar a promessa. Logo a guerra afligira Atlantis pondo a cidade toda em alerta tendo de evacua-la. Terror assolava os quatro cantos da terra. A busca diligente por poder estava mantando a todos. Algo tão fútil que cegava aqueles que a comandavam, não se importando com as famílias envolvidas.
A terra chorou durante três terríveis anos onde o ato mais horrível fora contemplado. Após ouvir que os mares não eram mais os mesmos depois de serem atingidos por um poder de procedência duvidosa matando, assim, todo ser vivente do local, Naruto irou-se não precisando mais ser controlado para soltar seu poder conforme aqueles que o mantinham sobre cárcere. Descontrolou-se por completo. Tomando a forma completa da Raposa de nove caldas.
Ninguém mais o controlava, ele estava livre mesmo sabendo que isso era mentira. Ele mesmo não se reconhecia nem mesmo podia controlar-se dando inicio a outra destruição. Queria apenas acabar com aqueles que teriam começado aquela bobagem toda. Queria por um fim em toda aquela guerra. Mas estava cego.
“Naruto...”
Ainda com o pouco de consciência que lhe restava esquartejou aqueles que o puseram como bichinho de estimação. Depois procurou pelos que tinham culpa de tudo de toda aquela banalidade. Os fez sofrer como havia sofrido. Fazendo-o com que sentissem sua dor da pior maneira possível.
“Naruto!” Aquela voz. Aquela voz o chamava, parecia clamar por atenção, já havia escutado o chamando, o importunando. Ela pedia para que parasse, mas isso só o instigava a continuar, e quando viu já não havia mais o que destruir, mas ainda sim algo dentro de si pedia por sangue.
“Escute-me, Naruto!” A raposa pôs-se a rugir colocando as grandes patas em volta de seu rosto e orelhas. Aquela voz queimava, aquela voz trazia um brilho alaranjado atordoante que não conhecia.
“Naruto...” Mesmo não vendo, conseguia sentir que quem falava sorria, mesmo que minimamente. “Correntes de selamento” e com essas palavras a nove caudas grunhiu de dor, as correntes prenderam-se ao seu corpo e não se viu mais nada além da escuridão.
O corpo não correspondia-lhe as ordenanças, ficou parado por mais alguns segundos, espremeu os olhos para abri-los em seguida e foi ofuscado pela luz laranja que o cercava fazendo com que fechasse os olhos rapidamente. Teria morrido? Não se lembrou de flash backs antes de sua partida. Abriu os olhos vagarosamente tentando foca-los em algum lugar, viu um vulto a sua frente, os olhos do garoto arregalaram-se. O avental verde em frente ao vestido branco, os longos cabelos vermelhos de que tanto gostaria de ver, os olhos azul chumbo o encaravam ternamente em suas extremidades lagrimas a espera para serem derramadas. Quem seria ela?! Um sentimento de saudade abateu em seu peito.
— Naruto... – A voz suave ecoou chagando aos seus ouvidos. – Desculpe né, as correntes devem ter lhe machucado. – Desculpou-se a mulher desajeitada olhando-o, como sentia falta dele. – Mas, só fiz o que toda mãe deveria fazer...
— Mãe... – Balbuciou o garoto que agora estava se levantando, ela sorriu-lhe e antes que pudesse pronunciar qualquer palavra Naruto a agarrou em seus braços. – Eu... Eu a muito, a muito... – Gaguejava as palavras, os soluços fazendo-se presentes. – Eu a muito tempo quero te encontrar, mamãe...
— Esse sotaque. – Ela sorriu, retribuindo o abraço. – Você realmente é meu filho. Demoram-se no abraço, aproveitando da presença um do outro.
— Tinha... Não na verdade tem um monte de coisas que eu gostaria de te perguntar quando te encontrasse. – Falava sorridente afastando-se dela vestido de seu melhor sorriso, a muito queria conhecer aquela que havia lhe colocado no mundo e agora, ela estava ali, sorrindo para si.
— Claro, pode me perguntar o que quiser, mas antes – Ela virou-se, como se visse algo atrás de si. – precisamos parar a nove caudas.
As forças da raposa diminuíam, a besta sabia de quem se tratava todo aquele chakara e mesmo que lutasse não seria pariu para Kushina Uzumaki, a única além de seu filho a conseguir selar dentro de si tamanho poder. As correntes apertaram-se em volta do corpo ostil do animal que cedia a derrota.
Kushina e Naruto encontravam-se sentados um ao lado do outro, a mulher lhe explicava que quando declararam a sentença ao seu próprio filho, Minato, seu pai havia pedido que selasse o poder do animal com seu poder, para que quando a hora chegasse ela pudesse ajuda-lo, o menino por outro lado parecia não prestar muita atenção sorrindo de forma boba para a mãe.
— Está me ouvindo?
— Mamãe, como você é linda. – Dizia ele balançando-se de um lado para o outro.
— Ora, obrigada. – Agradeceu ela. – Seu cabelo é igualzinho ao do seu pai, completamente rebelde. Mas me desculpe se você nasceu parecido comigo. – Dizia a respeito da personalidade turbulenta que desejava que o filho não herdasse.
— Porque? Como eu nasci parecido com você, isso me faz bonito também não é?! – Dizia ele. – E você tem um cabelo liso vermelho muito lindo. Queria que meu cabelo fosse assim também. – Ela riu agradecida pelas palavras do menino.
— Você é o segundo homem que elogia meu cabelo vermelho. – A mulher falou, a voz embargada de nostalgia.
— Ohh, sério? E quem foi o primeiro? – Perguntou curioso.
— Ora, quem mais seria se não seu pai, Naruto?!
— Ah, é mesmo. – Alegrou-se deixando a mulher um pouco perdida. – Né, eu sempre quis saber uma coisa e queria muito perguntar quando te encontrasse. – A mulher esperava que ele continuasse. – Como você e o papai se apaixonaram? –
O rosto de Kushina herdou a cor de seus cabelos, riu envergonhada um tanto abalada pela pergunta inesperada, mas aquilo era de ser normal, afinal, era seu filho. Ajeitou-se sobre o olhar curioso do loiro que tanto parecia com o homem que amou anos atrás.
— Vamos ver... – Ela procurou as palavras certas. – Foi em um confronto que teve entre dois clãs poderosos daquela época, os Uchihas e a aldeia da folha....
A narrativa era expressamente escutada por Naruto que não deixava nenhum detalhe escapar. Sua mãe contava que em meio a guerra a floresta a qual pertencia foi invadida e corria riscos, como guardiã deveria proteger o vale de qualquer coisa que fosse. O espírito da raposa era temido, descrito como a pior dentre todos. E naquela reencarnação ele pertencia a Kushina. Odiada pelos poderes desconhecidos, ditados como sombrios por aqueles que não conheciam foi alvo das armas dos leigos. A luta foi extensa, cansativa e deixou rastros de destruição.
— E foi ai que conheci Minato. Ele era conhecido como relâmpago armelo de Konoha. – Ela sorriu. – Apesar de forte, a luta me desgastou. Foram três dias horríveis. Quando estava em meu limite expandi meu chakara e já deve imaginar no que deu... Ferida eu nada pude fazer a não ser voltar a minha forma humana e cair desmaiada naquele lugar, quando acordei, quem cuidava de mim era Minato. – Ela encarou o filho com o semblante alegre. – Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ele elogiou meu cabelo, — Kushina passou a mão nas longas madeixas carmins estendidas ao chão. – que tanto odiava.
— Porque? Porque odiava seu cabelo?! – Indagou o menino aflito. – Ele é lindo! – Afirmou.
— Obrigada, — Sorriu ternamente. – eu nasci com o espírito, pois vinha dos meus ancestrais, então não havia como fugir desse destino. Apesar de guardiã, os aldeões me odiavam me temiam e então me deixavam de canto. Eles diziam que a cor de meus cabelos era a marca da besta, nada podia fazer a não ser carregar este fardo. Eu não pensava em protege-los realmente, mas sim a floresta, afinal eu sou a guardiã da floresta. Era assim que eu pensava. E daí veio o primeiro apelido, tomate. As crianças odiavam tomate, então esse ódio se materializou em mim. – Suspirou ela com as lembranças. – Eu era valentona, sempre vencia quem me provocava os amassando que nem tomates – Empolgava-se fechando as mãos em punhos. — , e então outro apelido surgiu, pimenta ardente. – Ela riu. – Que idiota né. – Maneava negativamente a cabeça. – Mas mesmo que carregando a raposa comigo, sendo marcada pelo cor do cabelo, ainda era eu. – Ergueu a cabeça. – Eu só queria que me vissem como sendo uma pessoa normal apesar de tudo. Na minha cabeça não era pedir de muito...
— Eu entendo... – Naruto pôs sua mão sobre as de sua mãe.
— Você deve ter tido problemas, me desculpe por isso. – O menino negou suas palavras. – Mito, sua avó antes de partir disse que eu deveria ser feliz, deveria me encher de amor e alegria. E eu vivi feliz, Minato me proporcionou isso. – Sorria agradecida. – Então, não sinta pena. – Voltou a encara-lo.
— Isso é tão egoísta, eu não tive problemas como esse. – O olhar de Naruto era distante. – Acho que com o decorrer do tempo as coisas mudam, apesar de viver em uma aldeia e ter de protege-la as pessoas me amavam.
— Então se alegre!
— Eu me alegro, mas você sofreu tanto...
— Ora, isso é passado meu filho! Passei o que passei orando pra que nada disso acontecesse a você... – Apertou suas mãos nas dele. – Doeria muito se eu soubesse que você não era feliz, já basta essa maldição. Mas ainda bem que você foi feliz e amado. Você é nosso orgulho.
— Obrigado!
— Eu te amo, Naruto. – Ouviu as palavras o atingirem como plumas, demorou a digerir e assim que o fez o rosto avermelhou-se fazendo a mulher rir de sua atitude.
— Eu também te amo mamãe.
— Eu também amo você. – Uma terceira voz se fez presente no local. Naruto virou-se rapidamente ficando estático ao ver o homem que mais parecia ser seu reflexo em um espelho.
— Minato! – A voz de Kushina era de repreensão. – O que faz aqui?
— Eu não suportei saber que só você teria esse gostinho. – Dizia o homem encarando o filho com brilho nos olhos. – Eu queria ver o meu menino.
Levantou-se e correu para os braços do homem mais velho, o rosto escondido no peito enquanto o abraço era retribuído fortemente. A felicidade não cabia dentro de si, poderia explodir de alegria naquele momento. Ali, qualquer outra alegria não se comparava.
— Ora, não me olhe assim amor. – Pedia Minato.
— Você burlou as regras, tem pouco tempo aqui!
— O que é uma pena. – Minato olhou sua mão que começava a sumir. – Espero que sua mãe tenha contado tudo o que queria saber. Como os fios de seu cabelo tornaram-se o nosso fio vermelho do destino. – O homem passeava com as mãos nas madeixas de sua esposa.
— Sim! Ela contou. – A tristeza passou por Naruto, sentia que a hora de se despedir estava chegando. – Vocês já estão indo...
— Sim. – Sorriu tristemente a mulher. – Mas antes, precisamos canalizar o chakara da raposa.
— Certo. – Assentiu o menino.
— Iremos te ajudar. – Minato apoiou a mão em seu ombro. – Vamos.
A raposa estava enfurecida, completamente amarrada. Assim que Naruto apareceu em seu campo de visão irou-se mais remexendo-se inquieta. Minato e Kuhina mantinham-se ao lado do filho oferecendo-lhe suporte, uma fina linha quente como lava ligava o receptáculo a raposa. Naruto colocou a mão sobre o selo em forma de espiral que se encontrava em sua barriga enquanto seus pais reforçavam sua ligação do fino fio que o ligava a raposa, uma camada grossa de chakara foi lançada sobre a raposa imobilizando-a ainda mais. Com o consentimento de seus pais Naruto girou o selo e posicionou as mãos a sua frente foi um ardo-o trabalho, pois ainda que fraca a raposa ainda lutava por sua liberdade. Feito a canalização o chakara avermelhado entrou dentro do corpo do menino, a raposa caiu enfraquecida e os portais ficaram-a no chão selando-a novamente.
— Pronto. – Minato sorriu para o filho. – Você é de mais.
— Tive a quem puxar né, Jiraya me contou muito sobre vocês. – O menino sorriu alegremente.
— Naruto, — A mulher o chamou, o tom de despedida aparente em seu tom de voz. – nós estamos indo. – O garoto maneou afirmativamente a cabeça apesar de não querer. – Desculpe por ter te passado este peso. Por não termos vivido ao seu lado...
— É, verdade... – Minato suspirou. – Nos desculpe.
— Não, — O menor negou com a cabeça. – vocês não precisam se desculpar. Afinal, isso não é um peso. Certo que eu não cresci sabendo o que era um amor de pai e mãe só pude imaginar, mas eu não os culpo, vocês deram a vida pra me salvar. No meu ponto de vista, não tem amor que se compare. – Os olhos de Kushina encheram-se de água e ela correu para abraça-lo, logo depois Minato fez o mesmo. Naruto passou os braços pela cintura de ambos enquanto estes o apertavam fortemente pelo pescoço.
— Obrigada por nos deixar ser seus pais! – Kushina dizia alegre suas ultimas palavras ao filho. O aperto de ambos ia se afrouxando. – Obrigada por ter nascido de nós.
— Saiba que sempre te amaremos. – Minato falou embargado de emoção.
— Obrigado... Muito obrigado... – O aperto esvaiu-se deixando apenas uma brisa quente ronda-lo como que o embalando para dormir. As lagrimas caiam sem parar passeando por suas bochechas chegando até seu queixo.
O cansaço o abateu fazendo com que caísse no chão da densa e escura floresta, sua aura não era a mesma, estava apascentada fazendo com que os espíritos que rondavam a floresta o cercassem e o protegessem acostumando-se com sua presença. Ainda podia sentir a quentura deixada pelo amor de seus pais. Sabia que quando acordasse eles não estariam mais ali, mas sabia que onde quer que ele fosse, eles o acompanhariam, carregados para sempre em seu coração.
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