Dias de chuva
9 Passado.
Notas iniciais
Fiquei ali observando ela sumir pela rua. Quando me virei pude ver minha irmã me encarando com aquela olhar de duvida.
— O que foi? – eu quis saber saindo da janela e encarando-a.
— Tayla neh? Vai acabar se apaixonando quando menos perceber.
— Deixa de dizer isso Laís eu não vou me apaixonar por ninguém. Eu já amo a Larissa e isso não tem como negar. – ela baixou a cabeça encarando o chão. – Vem, vamos comer alguma coisa.
A comida da minha irmã iria me animar. E era lasanha e eu amava isso, de carne e queijo. Uma delicia. Não sabia como, mas aquela garota tinha um dom. Devia ser chefe gourmet ao invés de advogada. Pois era isso que ela queria.
— Uma delicia como sempre. – elogiei. No dia anterior ela fez uns sanduiches e um bolo de cenoura com chocolate. Daniel se derreteu, como sempre. Até Matheus quis repetir.
Minha mãe ainda não havia chegado e nosso pai, bem esse não fazia a menor diferença. Já que sentado no sofá não nos dava a menor atenção. Era como se estivéssemos sozinhos. Por mais que eu odiasse isso eu não dizia nada. Já ela se incomodava um pouco, as vezes a pegava olhando pro nosso pai com uma tristeza.
— Desencana Laís. – eu sempre dizia como mais pra mim mesmo. Procurava distrair ela.
Nesse instante o seu celular toca. Para nossa surpresa é Kevin. Ela me mostra a tela do aparelho completamente surpresa.
— Toma. – ele me estendeu o objeto. – Atende e diz que eu morri de diarreia.
Não contive o ímpeto de rir. Quando ela queria era muito louca.
— Alô, Leonardo falando. – ele ficou um pouco em silencio.
— Laís esta? Preciso falar com ela?
— Sobre?
— Assunto nosso Leon. Passa por favor o telefone pra ela.
— Ela não está.
— Como não? Leonardo eu sei que ela deve estar enchendo a sua barriga de lasanha ou macarronada. Você sempre come isso as quartas. – porra. Amizade longa da nisso, a pessoa acaba conhecendo até sua cor preferida de cueca.
— Tá. – olhei pra ela com aquele ar de desculpa. Não havia o que fazer.
— O que você quer comigo? – ela falou secamente.
— Podemos falar a sós? – estava no viva voz. O que é? Eu queria ouvir também.
Ela revirou os olhos e me puxou pelo braço, fez menção de silencio e fomos pro quarto dela. Lá ele começou a falar.
— Quero te dizer que aquele beijo não foi algo em vão.
— Então por que você esta namorando a ex do meu irmão? Não faz sentido.
— Tenho um motivo. Eu sou um covarde por não enfrentar a verdade, mas por enquanto eu estou com ela. Mas eu tenho de confessar que eu amo você. Sempre amei e preciso dizer isso antes que eu não consiga mais.
— Que verdade é essa? Por que não me diz agora. Eu vou entender. Eu quero muito que possamos nos entender. Esses anos todos eu guardei o sentimento e quando achei que fossemos ficar juntos, você me aparece namorando a Barbie do colégio? Pior ainda... – ela hesitou ao me olhar. – Ele é seu melhor amigo.
Silencio total. Nenhum dos três disse mais nada.
— Olha Kevin. – ela rompeu aquele momento. – Me esquece, okai? Me deixa em paz e finge que eu morri. Que eu nunca existi na sua vida.
— La... – antes que ele pudesse dizer algo, ela desligou e ainda bloqueou ele.
Bem feito. Perdi a fome, mas não podia desperdiçar o que ela tinha cozinhado com tanto esforço. Peguei meu prato e o dela e alguns chocolates. Ela apenas sorriu triste. A tarde iria ser nossa de novo.
...
Eu estava encantado com ela. Eu sabia, mas ainda amava Larissa. Porem o sorriso o jeito doce e os passos de dança que ela mostrava me deixavam extasiado. Corri pra ver seu treino de boxe. A habilidade era notável. Ela não parou dessa vez e continuou. O treinador ficou me observando de longe e riu de mim. Quando notei o sarcasmo dele não entendi. Até você?
— Belo treino hoje. – eu disse quando ela se aproximou de mim.
— Você deveria experimentar. Quero ver esses músculos trabalharem. – ela deu um leve soco no meu abdômen. Eu dei um paço pra trás e ri.
— Qualquer dia.
— Não esta chovendo. O que você quer me esperando?
Fiquei sem saber o que dizer. Por que mesmo eu estava esperando?
— Posso dizer que seu sorriso é o motivo.
Ela corou na hora e desviou o olhar. Quando notei isso eu também corei. Que merda eu disse?
— Ahnn. Quando são suas aulas de ballet? –quis saber.
Ela tapou a minha boca as pressas. O que foi? Era segredo e eu não sabia?
— É segredo. – ela disse baixinho.
— O.k.a.i. – disse pausadamente.
Esperei que ela tomasse um banho e se trocasse. Bem rápido para uma garota. Quando íamos saindo do clube encontramos duas garotas que eu creio que conheciam ela.
— Humm, virou gay agora? Saindo com esse garoto. – a mais baixa disse em tom irônico.
Reconheci, eram da sala da Laís.
— Acho que suas lentes de contato estão vencidas. Creio que sabem que Tayla é uma garota.
— Deixa Leonardo, vamos? – ela quis me puxar. Ela estava com medo? Qual é? Ela é forte, bonita, aguerrida. Delicada. Por que temer essas garotas estúpidas?
— Como assim? Você não tem porque...
— Vem, por favor. – fui interrompido. Percebi que havia algo errado.
Peguei em sua mão e a arrastei. Mas parece que as garotas não desistiam fácil.
— Por que não diz a ele seu passado?
Senti a mão dela tremer dentro da minha.
— Será que ele teria coragem de ficar com alguém tão fácil assim? – elas riram. Sou esquentado e o sangue me subiu a cabeça.
— O que porra vocês estão dizendo? Será que só sabem fazer mal as pessoas para se sentirem bem? Não percebem o quanto são ridículas. – nem eu mesmo sabia por que defendia ela. Mas não podia deixar aquilo passar.
Elas pararam de sorrir feito antas e nos olharam torto.
— Sabemos que ela nunca vai arrumar um homem que queria essa ai, já é muito usada. – elas não desistiam mesmo. E eu já não tinha mais nenhuma paciência.
Percebi que ela queria começar a chorar e eu não ia aceitar isso.
— Saibam que ela é mil vezes mais mulheres do que vocês. – eu disse isso e a puxei pra perto de mim. Não queria saber se levaria um soco depois ou não.
Na frente de todo mundo, sobre os olhares curiosos eu a beijei. No pátio, com todo o sentimento.
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