Dias de chuva
16 Especial – Meus dias de chuva por Tayla Miller
Notas iniciais
Naquele dia haveria um treino em outra academia. Com certeza eu iria, apesar da chuva que estava fazendo. Não havia levado um guarda chuva, já que queria mesmo me molhar, sentir um pouco aquela água fria. Pois bem, assim eu fui. Na volta tudo estava exatamente como imaginei. Chuva, muita. As pessoas corriam a fim de se esconder, umas estavam com uma proteção necessária, sejam capas ou guarda-chuvas. Eu apenas caminhava com meu jeito de sempre. Mas naquele dia algo novo aconteceu. Um rapaz vinha em minha direção, foquei os olhos nele e vi que era o irmão mais velho de uma amiga que eu tinha. A Laís. Seu nome acho que é Leonardo, se não me engano. Ele estava chorando. Tenho quase certeza que sim. Do nada o menino para na minha frente e me joga um buque de rosas. Nossa estavam molhadas, mas ainda assim eram lindas. Refeita de meu susto eu o vi partir. Chegando em casa subi rapidamente pra evitar o olhar curioso da minha mãe. Sabia que ela iria perguntar. Quando examinei melhor o meu presente. Havia um cartão nele. Supus que seria para a verdadeira dona. Larissa. Tinha escrito. Entendi tudo, de certo alguma coisa havia acontecido, mas não quis me meter. Peguei o cartão e comecei a ler. Meu Deus, que garoto ingênuo. Ele existe mesmo? Serio? Porque as palavras que tinham ali não podia ser escritas por um garoto. Eram muito delicadas e sinceras. Coloquei elas em um vaso qualquer e depois fiquei pensando. Será que ele estaria fingindo?
No dia seguinte pelos comentários das fofoqueiras eu ouvi, ele havia sido traído pelo melhor amigo. Nossa. Ninguém merece isso. Entendi então o porque das lágrimas. Fiquei na minha como sempre. Não conversava mais com Laís a muito tempo, não iria do nada chegar até ela e perguntar porque seu irmão estava mal. Realmente aquele rapaz fazia um papel de trouxa.
...
Alguns dias se passaram e eu comecei a falar com ele. Até tive a presença do ilustre Leonardo Walker no meu treino de boxe. O treinador cismou nele. Achava que pelo físico e altura seria um ótimo boxeador. Eu ficava rindo disso. Era até cômico olhar ele conversando todo sem jeito com os meninos.
— Tayla, ele é uma ameaça? – Jensen perguntou. Era o meu grande amigo, me lembro que ele era um dos únicos que estava ao meu lado quando todos apontavam e diziam que eu era uma qualquer. Acho que aquela época foi a pior da minha vida, assim como a morte da minha melhor amiga. Porem os que se chegaram a mim, sinto que foram verdadeiros e isso eu não posso negar, marcou muito a minha vida.
— Não. Muito pelo contrario, nós e que temos que protege-lo da ameaça. – começamos a rir. Ele lançou aquele olhar avaliador e depois deu meia volta.
— Vai ser divertido Tay.
— Concordo.
...
Mais uma vez me surpreendi com a sua capacidade de ser dramático. Eu sentia que precisava estar ao lado dele. Queria urgentemente estar. Me vi nele quando as pessoas cochichavam por ai, dizendo o que não sabiam. Detestava isso. Por um minuto eu pensei que ele era assim também. Já que tentou me beijar do nada na lanchonete. Claro que eu não deixei como também, por puro reflexo acabei batendo nele. Mas depois eu vi, que ele era diferente.
E quando eu menos esperei aconteceu o nosso primeiro beijo. Eu não beijava a muito tempo, não confiava mais nos garotos que chegavam perto de mim. Sentia medo e não queria passar por tudo aquilo de novo, mas sentia que com ele era diferente. Parecia que eu era o homem da situação. Não que ele fosse gay, nunca. Mas que era uma sensibilidade que eu não nunca conheci, há isso foi. Ele me defendeu daquelas garotas idiotas. Só de olhar pra elas eu sentia raiva. Muita, demais. E as vezes isso me atrapalhava quando eu ir dançar. Amava o ballet também. Foi a minha primeira paixão, mas o boxe veio abalando tudo. Não pude negar que em pouco tempo estava uma praticante fiel. Era o meu mundo. Então quando eu não deixava quase ninguém entrar nele, aquele chato cheio de frescura veio tropeçar na minha vida. As vezes tínhamos conversas bem divertidas e eu não posso mentir que a companhia dele aos poucos ia me deixando feliz. Meio boba até e o medo de confiar ainda era grande. No fundo toda mulher sente medo de se relacionar de novo quando passa por uma decepção. Seja ela madura ou não isso é algo que nos deixa sempre com aquele pé atrás. E eu não sou diferente, não quero lamentar dos meus motivos. Porem não consigo te explicar como meu coração se abriu para alguém como ele.
Mas só dessa vez e só agora, eu queria poder toca-lo. Sentir o cheiro dele. Me viciei naquele toque leve, dos sorrisos sem motivo. Aquele olhar profundo. Quando eu menos notei estava apaixonada por ele. E por mais que eu quisesse evitar eu tinha a necessidade de não deixar mal algum chegar perto dele. Ainda mais quando do nada ele vinha e me defendia, sem mais nem menos. E aos poucos junto com ele eu retomei a minha amizade com Laís, isso foi bom também, já que ela sempre fora uma boa amiga. E eu tenho certeza que se naquele dia ela tivesse ido a festa me defenderia.
Faz tempo que falo naquele dia, naquele dia... mas nem contei o que foi aquele momento pra mim. Bom, foi o pior dos piores. Eu cedi a uma paixão e levada por ela acabei caindo em uma armadilha sem pretendentes. Fui usada e abusada na frente de pessoas que eu julguei amigas. E o pior de tudo, pelo cara que eu achava que fosse mudar por mim.
Bem, mas isso é passado e ficar remoendo o passado não vai me ajudar em nada. Eu vim aqui pra falar sobre o meu quase namoro com Leonardo. Creio que agora seja um namoro de verdade. Já que eu o beijei assim do nada e ele ficou com cara de paisagem. A forma respeitosa como ele me tocava, antes e depois de saber dos meus traumas me deixou imensamente feliz. Senti que poderia contar com ele e encontrar um verdadeiro amigo. Um amor. Mas algo em mim não queria acreditar que um cara daquele jeito existia e que estava ali tão perto de mim, estava pronto pra me amar.
Desculpa, agora a dramática esta sendo eu. Mas é o que eu sinto e que bom que você pediu a minha opinião. Tenho de ir, daqui a pouco tenho um encontro com o meu cara dramático. Acho que hoje, só hoje, posso me vestir como uma garota normal. Já que os únicos olhares que me interessam são os dele.
Fale com o autor