Dias de chuva
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Notas iniciais
Domingo chegou bem mais rápido do que eu pude imaginar. A ansiedade estava a flor da pele. Eu iria até a casa de Tayla busca-la e quando cheguei lá fique surpreso. Ela estava linda. Usava um short jeans não tão curto, uma blusa regata branca com uma estampa de sapatilhas e uma jaqueta da mesma cor e material do short, sapatilhas cor de rosa com lacinhos, semelhantes a de bailarinas, um colar delicado com um coração. Seus cabelos estavam soltos, os olhos com uma maquiagem leve e os lábios com aquele gloss que a deixava delicada e charmosa ao mesmo tempo. Fiquei olhando pra ela descendo as escadas, cabelos no vento, ar de miss.
— Nossa como você esta linda. – eu tinha de elogiar.
— Obrigada, eu espero que esteja bem arrumada.
—Claro. Pronta pra se divertir? – eu disse passando o braço pelo dela. Ela fez que sim com a cabeça e fomos. Encontramos o casalzinho em frente ao parque. Laís estava como sempre, bem arrumada. Daniel estava todo bobo com ela ao lado. Minha irmã abraçou Tayla e elogiou a menina da cabeça aos pés. Detalhe, ela nunca elogiou a Larissa assim. Nem me lembro de alguma vez ela ter elogiado ela.
Eu nunca soube me vestir bem para encontros ou o que quer que fosse, então minha irmã entrou em ação, pegou um jeans básico e uma blusa preta de mangas compridas. Segundo ela eu ficava bonito de preto. Não quis retrucar, ela quem mandava. A blusa não era totalmente lisa. Tinha um pequeno detalhe na altura do peito. O sapato? Ela pegou uma tênis all star preto com uma estrela do lado. Bom continuando. Fomos compras os bilhetes da entrada. Tayla parecia nervosa, eu também estava. Mas contudo a felicidade em ter uma garota como essa ao meu lado era maior. Os primeiros brinquedos que fomos, foram aqueles bem radicas. Pensei que ela ficaria com medo, mas pelo contrario ela amou. Fui eu quem fiquei meio enjoado em alguns. Minha irmã sofre do coração, então ela teve aqueles de que não gostou. Daniel pelo contrario nesse momento se esqueceu de que estava apaixonado e embarcou conosco nos mais radicais. Pensei que minha irmã fosse ficar com raiva de ser abandonada em certos momentos, mas não.
— Você não fica incomodada em ele te deixar sozinha para correr feito uma criança? – eu perguntei enquanto comprávamos pipoca. Tayla estava em outra fila com Daniel, a dos sucos.
— Na realidade fico até feliz que ele seja assim. Já que eu quero alguém que seja completo para que eu possa transborda-lo e não que ele dependa de mim para tudo. – ela disse enquanto o vendedor lhe passava o troco. – E como está com a Tayla?
— Indo bem até agora. Eu nem sei direito como agir. Ela tem um simplicidade cativante. Não é difícil agrada-la e ao mesmo tempo me sinto meio bobo sem saber o que fazer.
Ela apenas riu e depois me deu um leve empurrão com o ombro. Depois do almoço, claro que comemos só porcaria, fomos na roda gigante, para relaxar um pouco.
— Está gostando? – eu perguntei a ela.
— Sim, esta sendo um dia único pra mim. – eu sabia que precisava dizer mais alguma coisa, falar como eu me sentia. Mas as palavras não queriam sair. Então eu peguei do bolso da calça um pequeno mimo que eu tinha preparado pra ela. Um colar com um pingente de luvas de boxe. Não sabia se ela iria gostar, mas juntei nele tudo que eu podia enxergar nela.
— Que lindo. – ela disse quando pegou o colar.
— Bem eu acho que esse presente é uma representação da sua personalidade, força e ao mesmo tempo graciosidade, não sei se você gostou, mas...- ela nem me deixou terminar. Foi logo me abraçando e dando-me um beijo demorado. Ficamos mais um tempo juntos e ela começou a me falar um pouco de como foi difícil escolher a roupa e o quanto a mãe dela disse o quanto ela esta bonita. Era muito diferente ver ela falando sobre sí. Nem parecia aquela garota durona e fria que eu conheci. Pensei que era um garoto. Nossa as coisas mudam tanto. Saímos do brinquedo e fomos encontrar nosso companheiros de passeio.
O sorriso se transformou em seriedade quando vi Kevin parado na nossa frente. Seria uma coincidência infeliz? As vezes que queria acreditar que sim.
— O que está fazendo aqui? – eu perguntei.
— Esse local é pra todos não é? –ele disse com um sorriso habitual.
— Sei bem disso. – nesse momento Laís chegara com Daniel. Estavam rindo e brincando um com o outro, quando eles notaram a presença do loiro aquela alegria sumiu.
— O que ele está fazendo aqui?
—Renan. – Daniel sussurrou baixo, mas eu ouvi e entendi que as nossas suspeitas eram as mesmas. Creio que não comentei algo aqui, mas Kevin é o melhor amigo do Renan. Quando eu conheci ele, já era amigo de Daniel e Matheus. Foi o loiro quem trouxe o ruivo pro nosso grupo. No inicio eu pensei que ele era a fim do cara. Mas era só coisa da minha cabeça, tanto que Matheus brincou com isso a um bom tempo atrás. Mesmo que naquela época eu não falasse com ele, creio que a amizade com Renan continuava a mesma. Só poderia ter sido ele que soltou essa informação sobre a nossa saída, ainda mais o local. Já que não existe coincidências tão precisas assim.
— Nossa pessoal, aqui é um local onde qualquer um. Não entendo a reação de vocês. – ele se fez de bobo dando a mesma desculpa sem graça. Apesar de ele ter passado pelo que passou minha irmã ainda está com um pé atrás com ele. Eu a respeito. – Chamei Renan e Matheus. Creio que devem chegar daqui a pouco. E olha que legal estarmos todos juntos.
Foi dito e feito, poucos minutos depois o ruivo e o coreano chegam. Matheus não esta com cara boa, supus que alguém obrigou ele a vir ou algo do gênero. Ainda bem que não fui eu, não queira ver aquele rapaz irritado.
Não vamos esquecer no sorriso que se formou no rosto dele ao ver seus convidados chegando. Renan baixou a cabeça ao me ver. Daniel desviou o olhar.
— Eu acho que a Laís não está muito feliz com tudo isso. – Tayla me disse enquanto caminhávamos pra fila da montanha russa.
— Eu tenho certeza que não. – aproveitando que ela sabia um pouco sobre a situação eu contei o resto que faltava. Sobre as nossas duvidas e a opinião dela.
— Complicado isso. Concordo com a Laís, mas ao mesmo tempo vejo que o Kevin não teve muita culpa.
— Pois bem. Não sei o que dizer. – continuamos conversando enquanto observava o loiro grudar na minha irmã. Daniel não estava gostando nada. Mas eu não podia intervir.
Estávamos todos no brinquedo quando ele começou a andar. Foi divertido, porém Kevin ficou passando mal. E do nada vomitou na lixeira mais próxima. Minha irmã ficou condoída, eu acho, já que foi buscar uma água pra ele e sentando ao seu lado em um banco, ficou passando as mãos em suas costas e dando-lhe sermões sem motivo.
Ele sorria feliz. Já meu outro amigo olhava de longe desconsolado. Mas creio que um sopro de coragem abalou as suas estruturas. Do nada ele saiu do nosso lado e parou em frente a minha irmã que ainda ajudava o loiro. Respirou fundo e jogou a bomba.
— Laís, quer namorar comigo?
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