Dias de chuva

5 A boxeadora.


Notas iniciais
Ola a todos, obrigada pelas visualizações. Boa Leitura.

Eu não entendi nada com nada.

— Anda Leonardo, já estamos atrasados. – Daniel me chamou, estava tão estático com a frase dele que me esqueci que ainda tínhamos aula.

O resto do dia foi tranquilo, cruzei com a moça que me agrediu no corredor. A culpa foi minha. Não havia ninguém por perto então

— Me Tayla. Eu não quis ser idiota daquela forma...

— Mas você foi. – ela me interrompeu.

Fiquei com medo de que fosse ser agredido. Fiquei na minha, vai que a garota decide que precisa me bater?

— Desculpa. — Fiquei quieto. Qualquer coisa que eu dissesse poderia se voltar contra mim.

— Tudo bem. – ela baixou a cabeça e disse alguma coisa que eu não pude entender. – Eu tenho de ir. Estou atrasada.

— Você é boxeadora? – eu quis saber.

— Sim, eu sou. – disse ela secamente indo embora.

Fiquei olhando ela indo até sumir da minha vista. Se você olhasse bem no seu rosto veria que ela é ate bonita. Não seria tão masculina se se arrumasse mais.

De repente Larissa vinha em minha direção.

— Oi Leon? – ela disse tranquilamente.

— Oi Larissa. – ela estava linda como sempre, nunca vi uma garota ser tão bonita assim em toda a minha vida.

— Você viu o Kevin? – que balde de água fria.

— Não eu não o ví. Mas como você está? – eu falei baixinho.

Meu coração estava acelerado e eu não sabia o que fazer. Eu amava aquela garota mais do que tudo e se ela pedisse agora mesmo para voltar eu o faria. Sem pensar.

— Eu estou ótima. – ela disse jogando o cabelo para o lado. Era lindo ver ela fazendo isso. – Vou atrás do meu namorado. Com licença Leonardo.

Ela passou por mim levando consigo o meu coração. Como podia ser assim? Eu estava desolado, completamente desolado. Tudo que eu fiz por ela. Mas tenho de parar de reclamar e seguir em frente. Eu vou conseguir.

...

A minha vingança para com minha irmã estava arquitetada. E o melhor de tudo, eu ainda tinha chances de me vingar do Kevin.

Daniel era outro que duelava pelo amor da Lais com meu ex amigo. Isso era algo que só nos dois sabíamos e eu tinha certeza que se Kevin visse eles juntos iria ter um treco. Eu creio que isso seria a melhor coisa a fazer.

Estava caminhando tranquilamente pelo pátio da escola quando notei que havia uma sala que ninguém usava, deixa eu explicar melhor. Nossa escola tem dois prédio um paralelo ao outro. Em um dos prédios ainda existem salas que não são utilizadas. Algumas foram postas para servir como sede de clubes. Como os de natação, judô o que você imaginar. As pessoas se reúnem lá e os que tem de praticar suas artes em piscina ou em um tatame tem uma área reservada. Inclusive o mais novo grupo que abriu foi o de ballet e boxe. Creio que aquela louca deve estar nele. Do seu jeito violento.

Estava distraído e não percebi que minha irmã vinha em minha direção.

— Preciso de um favor seu. – para minha surpresa.

— Diga.

Ela me passou algumas folha de papel e analisando-as eram questões de um simulado de Química.

— Entrega por favor elas a Tayla.

— O que? – como assim? Virei empregado dela? Vou apanhar de novo? Não mesmo.

— Eu não acho ela em lugar nenhum. E preciso que esses papeis sejam entregues ainda hoje. Fiquei responsável por isso hoje. – ela suspirou ajeitando a mochila que iria cair.

— Eu tenho cara de seu assistente por acaso? – eu já estava preparado para protestar mais, quando ela abriu a mochila e de lá retirou um livro novinho em folha da Saga de Gelo e Fogo, Guerra dos tronos, o primeiro livro. Eu surtei. Eu queria esse livro a muito tempo. Mas não trabalhava e nem ganho mesada. Nunca entendi porque só ela quem ganha. – Esta comprado agora?

— Sim, na hora. Mais alguma coisa? – podem rir, eu sei. Sou fácil.

Bem, com os papeis em mãos faltava achar a pequena fera. O tempo estava para chover a qualquer momento então eu precisava ser rápido se quisesse chegar enxuto em casa. Meu livro novo estava devidamente embalado e nenhuma gotícula de água iria atingi-lo caso chovesse.

Parti em minha missão. Passei por algumas pessoas e as cumprimentei. O primeiro local onde eu iria procura-la era o clube de boxe.

Lá chegando ela realmente estava. Entrei de mansinho e me sentei em uma cadeira que ficava escorada em uma parede. O local tinha um tatame enorme e um octodromo onde ela e estava lutando com um cara. Nossa ela é muito ágil. Eu fiquei hipnotizado olhando o coitado apanhar como se não houvesse amanha.

— Ei ameba, o que esta fazendo ai? – ela parou do nada de socar o infeliz e me olhou. Que medo!

— Desculpa, vim só entregar esses papeis para você. Foi a Laís quem mandou.

— Huuuum. – ela pós as mãos na cintura. Eu não entendi o porque, mas não conseguia deixar de olhar para ela. – A ameba é irmão da patricinha fofoqueira.

— Ameba? Bem a parte da fofoqueira é bem verdade. Mas ela não é patricinha. – realmente eu não estava mentindo.

Ela desceu do local retirou uma das luvas e pegou os papais da minha mão.

— Obrigada. – ela disse baixando a cabeça. – pelas flores também.

Corei na hora. Havia esquecido que era pra ela que eu dei as flores.

— De nada. Ahn... eu tenho de ir agora. E desculpa por pensar que você fosse um garoto. Eu fui idiota. – droga eu estava com a voz tremulando.

Antes que eu pudesse soltar qualquer besteira eu sai. Quando estava chegando na porta do local chuva! Sim muita chuva. Fiquei de boca aberta olhando pra água caindo feito uma cascata.

— Droga. – soltei sem pensar.

Quando me virei para pedir para esperar um pouco ali, esbarrei nela. Tayla estava bem atrás de mim e eu não percebi.

— Desculpa, eu...

— Calma. Tudo bem. – ela disse olhando me de soslaio. – Não precisa desse medo todo, eu não vou bater em você. Eu juro que eu não vou. Aquele dia foi por que você foi idiota o suficiente, para tentar besteira. Mas eu não sou agressiva. Não é isso que o boxe prega.

Tinham mais cinco rapazes ali, eles nem estavam me dando atenção. Deixavam eu conversar com ela a vontade.

— Eu que fui, sei lá. Idiota, a ponto de ceder a...- não podia falar a palavra aposta na frente dela. Eu iria apenas ganhar outro soco.

— Ceder à ? – ela quis saber, claro.

— Nada. Acho que vou na chuva mesmo.

— Eu tenho um guarda chuva grande, posso dividir com você. Apenas se quiser esperar. – ela disse tirando a outra luva.

Não estaria perdendo nada esperando. Optei por sim.

Meia hora depois ela estava pronta. Dessa vez ela deixou os cabelos soltos, mas ainda a mesma roupa que sugeria que ela fosse um garoto. Para completar a situação ela não tinha seios grandes.

— Vamos ameba.

— Por que uma ameba? – serio, eu juro que não entendo.

— Quando eu comecei a treinar boxe, meu mestre me chamava de ameba, por eu ser muito mole e fraca nos treinos. Depois que eu comecei a ter mais experiência ele parou com o habito de me chamar assim. – ela explicou já embaixo do guarda chuva comigo. Nosso braços estavam bem colados um no outro e como eu era bem mais alto eu levei o objeto. Ele era realmente grande, cabia duas pessoas muito bem. Por sorte a nossa não estava ventando forte. Isso fazia com que não nos molhássemos muito.

— Entendi agora, sou uma ameba então. – ela tinha razão. Depois de me ouvir dizer isso ela sorriu. E que sorriso lindo. Não havia reparado na simplicidade dela.

Andamos em silencio até uma quadra antes da minha casa.

— Eu moro uma quadra a frente. – eu disse. – E você?

— Eu moro a mais ou menos umas duas quadras daqui.

— Obrigado por me trazer. – eu dei uma pequena corridinha até a porta de casa, não me molhei muito. Subi rapidamente as escadas ignorando o cumprimento da minha mãe e fiquei olhando pela janela do meu quarto que dava para rua.

Acenei pra ela que me retribuiu.

Quando sai do meu estado de alegria eminente, minha irmã estava encostada na porta do meu quarto com os braços cruzados, me olhando com o ar de surpresa.

— O que é? Ela é legal. – eu disse agora me sentando na cama.

— Nada. Apenas estou surpresa. La não é de falar com nenhuma garota e os poucos com quem ela fala são algumas meninas que fazem ballet. Isso é mega estranho.

Eu apenas observei minha irmã. Minha mente agora estava ocupada pelo rosto da Larissa sorrindo. Me lembrei que ela disse que um dia quis dançar ballet.

Meu semblante mudou completamente. Não entendia porque, mas ela transformava minha vida em dias de chuva.

Notas finais
Até a próxima.