Dias de Poder - Crônicas de 1001
1 Capítulo 1 - Em seu Lugar (Parte I de III)
- Mas que por – um ônibus passou buzinando pela Rua Barata Ribeiro, cortando o palavrão que Michel pronunciara. -... é essa?
De pé em um ponto de ônibus, na esquina com a Rua Belford Roxo, enquanto pessoas iam e viam numa típica sexta-feira estavam ele, Bispo e Alessandro. Esse último lia um jornal, pendurado na banca de jornal.
- Eu não sei! — respondeu Bispo. Ele tirou os óculos e limpou as lentes na camisa. — Recebi uma SMS do Rogério pedindo para a gente se encontrar aqui.
— Mensagem de texto é uma coisa tão gay! — expressou-se Michel.
- Desde quando você acha mensagem de texto uma coisa gay? — questionou Bispo.
- Desde que ele começou a ver Gossip Girl. — disse Alessandro, ainda olhando para o jornal.
Michel arregalou os olhos, espantado.
- O QUÊ? — gritou.
- Pensa que eu não percebi que o seu IP tem baixado uma sequência de episódios da série? — ele deu um sorriso de meia boca.
— Como é que é? — Bispo abriu um sorriso também e encarou o amigo.
- Claro que não! — defendeu-se Michel, seriamente. — Eu... é... eu – Bispo e Alessandro caiam na gargalhada. — ... desde quando você bisbilhota os Ips das pessoas?
Agora Alessandro tinha virado e os encarava, ainda rindo.
- Não é nada! É que isso--
— Oi, gente! — A voz de Rogério foi ouvida do nada e, alguns segundos depois, o corpo do menino apareceu subindo a calçada.
Os três se viraram e o viram.
- De onde você surgiu? — Bispo perguntou, procurando por um ônibus, pois não havia nenhum e Rogério não devia ter saído do nada.
- Isso não importa! — disfarçou o garoto recente na conversa. — Então... somos só nós certo?
- Exatamente! — respondeu-o Alessandro. — Eu, você, Bispo e...
- O fã de Gossip Girl aqui! — interrompeu Rogério, olhando e rindo para Michel; este fez um carão.
- Como você-- Indagou Michel.
- Eu controlo o vento, lembra? — ressaltou Rogério. — Ouço tudo o que passa por ele.
- Vocês são um bando de filhos da p--
BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMM!!!
Um barulho estrondoso foi ouvido, chamando a atenção de todos. Não muito distante da esquina, uma fumaça preta e intensa foi formada, saindo de uma janela de uns dos prédios naquela rua. As pessoas começaram a se aglomerar em torno do edifício e, em poucos segundos, formou-se uma multidão. Os quatro rapazes também começaram a se aproximar, vendo o que tinha acontecido.
— Chame os bombeiros! — sussurrou Bispo para Alessandro.
O rapaz super inteligente se afastou e o outro levou o braço à cabeça, encostando apenas dois dedos na sua têmpora.
— Alô? É... houve uma explosão num edifício aqui em Copacabana e... tem bastante fumaça saindo...
Bispo se afastou do amigo e se juntou a Rogério e Michel.
— Nós deveríamos ir lá – sugeriu Bispo.
Os outros dois arregalaram os olhos.
- VOCÊ TÁ MALUCO, NÉ? — virou-se Michel, irônico, chamando a atenção. — Você tá vendo o quanto de fumaça tá saindo de lá? Quer virar churrasco? — ele já tinha abaixado o tom de voz.
- Ele tem razão! — discordou Rogério. — Pode ter pessoas lá dentro.
- Então o único que pode entrar lá é você! Porque eu com eletricidade, ele com nerdice, e o Chico Xavier da tecnologia ali não podemos fazer muito! — apontou Michel.
Entre os olhares de sarcasmo de Michel e o de indignação de Bispo, Rogério mostrou-se receoso.
— Ok! — pronunciou ele momentos depois – Fui!
E num piscar de olhos, Rogério desapareceu em pleno ar.
- Cadê o Rogério? — perguntou Alessandro se juntando a eles.
— Lá dentro! — respondeu Michel.
- Acha que isso foi uma boa ideia? — perguntou Bispo.
Então houve uma outra explosão vinda do mesmo apartamento. A multidão recuou, atrapalhadamente com uns tropeçando e caindo sobre os outros.
— Anda, Rogério! Anda! Anda! Anda! — sussurrou Bispo.
- Anda, garoto! — acompanhou-o Alessandro.
Os três ficaram ali, fazendo suas preces para que o garoto lá dentro se apressasse. Houve outra explosão.
- Ok! Tô indo lá dentro! — determinado, Bispo começou a costurar um caminho pela multidão e a se afastar dos outros dois.
- Peraí, seu mal-- — Michel tentou impedí-lo, mas era tarde demais e Bispo não poderia ouví-lo. — Merda! — ele saiu atrás, deixando Alessandro para trás.
— Ué? Cadê os outros dois? — disse Rogério, surgindo novamente do nada.
— Mas... você... lá... como você faz isso? — Alessandro levou um susto com o rosto e roupas enfumaçados do colega. — Não tinha ninguém lá dentro! Não sei o que houve! Depois eu te explico! Cadê eles? — perguntou Rogério mais uma vez.
- Eles foram atrás de você! — contou Alessandro , quase se enrolando na velocidade em que falou.
O rosto de Rogério se esticou, mostrando espanto e então houve mais uma explosão.
Uma última que foi a pior de todas. Agora todas as janelas daquele andar foram dominadas e estouradas simultaneamente, lançando vidro para todos os lugares. As pessoas, desesperadas, começaram a se afastar, empurrando umas as outras. Uma pilastra que sustentava àquela parte do primeiro apartamento incendiado cedeu e parte do andar desabou.
- VOCÊ É LOUCO? — gritou Rogério momentos mais tarde no hospital.
— Senhor, eu peço qu--
— EU ESTAVA TENTANDO TE AJUDAR! — Bispo cortou a enfermeira.
— O QUE FOI QUE O IDIOTA ALI – ele olhou para Michel, que retribuiu um olhar severo e intimidador enquanto cuidava do braço quebrado. — Quero dizer, o Michel disse? Eu era o único que podia ir! Eu ia voltar!
- Gente, vocês não precisam gritar um com o outro! — tentou amenizar Alexia, encostada no canto.
— Eles são sempre assim? — Sussurrou Darcilene, ao lado daquela.
— DESCULPE POR ME PREOCUPAR COM MEU AMIGO! — devolveu Bispo, se exaltando.
— AAAAAH VAI PRO INFERNO! — terminou Rogério, dando as costas e se afastando.
- PELO MENOS EU SOU O INTELIGENTE! — Jogou Bispo, querendo ser ele a finalizar.
- PELO MENOS AS PESSOAS GOSTAM DE MIM! — retrucou Rogério, já distante.
- PELO M--
- CALA A BOCA, PORRA! — agora Darcilene tinha perdido a linha. — CHEGA VOCÊS DOIS! QUE DROGA! — Todos ali encararam ela, surpresos. Eles sabiam que Darcy era meio estressada, mas nunca tinham visto ela daquele jeito. — QUE MERDA! PONHAM-SE NOS SEUS LUGARES!
E, finalizando, ela também saiu da sala.
— Tudo bem, meu bem! — sussurrou Alexia para o nada, mordendo o lábio inferior em seguida.
Continua...
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