Dias de Apocalipse
3 Capítulo 3
– Está bem, está bem. — Disse Jesse pegando espingarda.
– Você realmente acha que uma espingarda é necessário? — Perguntei.
– Ué, mas você falou com tanto medo.
– Não é medo, Jesse. — Falei.
Ouvi alguns passos saindo da cozinha.
– Olá? — Falou Jesse.
– Quem tá aí? — Gritei.
A pessoa tinha que ser um ninja para conseguir pegar a minha mochila sem eu perceber, não que eu seja muito atenta, é que ela estava tão perto de mim.
– Calminha, doce. — Disse um garoto loiro, com olhos azuis, era exatamente ao garoto que eu matei. — Então foi você que tentou me matar, né?
– Elly, do que ele está falando? — Disse Jesse olhando para mim.
– Me desculpa, eu não fazia ideia que era um humano. — Falei.
– Eu resolvi perdoar. — Disse ele sorrindo. — Pois eu sabia que aquele tiro iria chamar atenção dos zumbis.
Eu fiquei sem palavras, aquele garoto era profissional em sobrevivência, seria um péssimo inimigo. Abaixei minha pistola.
– O que você queria?
– Eu vi vocês entrando no Hotel.
Troquei olhares com Jesse, estávamos tremendo.
– Não fiquem nervosos.
– Hã? — Falei.
– Posso entrar no seu grupo? — Disse ele mudando totalmente seu tom de voz.
Olhei para Jesse e ele parecia gostar da ideia, eu também, ele tinha muita habilidade. Jesse abaixou sua espingarda.
– Não é bem um grupo, mas você pode entrar. — Falei. — Qual é o seu nome?
– Luke, filho do prefeito.
– Nossa. — Falei.
– Você não sabia? — Disse Jesse.
– Você poderia, por favor devolver minhas coisas?
– Claro, Clar!
Achei que ele estivesse repetindo Claro, mas apareceu uma garota.
– O que você quer? — Disse a garota. — Uau.
Ela tinha um sorriso sardento, seus cabelos eram castanhos encaracolados.
– Você achou sobreviventes! — Disse ela abraçando Luke.
– Não. — Disse Luke suspirando. — São intrusos.
– Ei, não somos intrusos. — Falei.
– Tecnicamente, somos. — Disse Jesse.
Luke falou algo no ouvido da garota, ela entrou na cozinha, voltou e jogou minha mochila.
– Obrigada. — Falei.
– Não há de que. Sou a Effy! — Disse ela sorrindo.
– Effy, sou a Elly.
– Nomes parecidos, quer comer algo?
Olhei para Jesse, ele balançou a cabeça. Luke se sentou e começou a conversar com ele.
A cozinha era limpa, estava cheia de alimentos.
– Então, o que você é do Luke? — Perguntei.
– Sou irmã dele, infelizmente minha família não gosta de mim. — Disse ela abaixando o tom de voz.
– Não fica assim, você parece demais. Seu irmão é muito assustador. — Falei.
– Eu concordo. — Disse ela rindo. — Olha, sanduíche.
– Não estão envenenados, né?
– Por que estariam? — Disse ela confusa.
Mordi o sanduíche inteiro, eu não tinha comida por dias. Me senti muito melhor e comecei a lhe perguntar.
– Vocês vivem aqui?
– Não, temos tipo um esconderijo.
– Legal, lá é seguro?
– Não acho, mas Luke disse que sim.
– Por que Luke te chamou de Clar?
– Bem, ele é um idiota.
– Concordo completamente. Mas não conte isso a ele.
– Eu nunca faria isso, não fale para ele que eu também falei, okay?
– Okay.
– Amigas?
– Amigas.
Pedi Effy tantos sanduíches que acho que todos os alimentos da cozinha acabaram, ela parecia está bem sobre isso. Ainda mais depois do juramento de amizade, eu acho que ela nunca teve uma amiga na vida.
– Então, as garotas terminaram a conversa? — Disse Luke
– Sim. — Falei.
– Você tem namorado?
Eu acho que Jesse não estava se sentindo bem.
– Não. Por que você quer saber? — Perguntei cruzando os braços.
– Porque ele é um safado! — Disse Effy.
– Melhor que ser uma artista.
– Não fale assim dela. — Falei.
– Sem brigas, pessoal. — Disse Jesse.
Luke tinha um carro, estava estacionado atrás da Lanchonete, tinha um pouco de sangue, não me incomodei muito. Me sentei atrás com Jesse. E cai no sono.
Quando acordei, eu estava encostada no ombro de Jesse, e ele estava olhando para mim.
– Oh, me desculpa. — Falei corando.
– Está tudo bem. — Disse ele sorrindo. — Vamos revezar?
Eu estava prestes a perguntar do que ele estava dizendo, então ele fez a mesma coisa comigo, deitou no meu ombro. Não reclamei, bem...
– Como está o casal aí atrás?
– Luke! — Effy bateu em Luke.
– Tá bom, Effy!
– Você parece cansado, deixa que eu dirijo.
– Não precisa! Da última vez você saiu atropelando todos os zumbis!
– O que você queria?
– Nossa, foi você que fez aquilo? — Perguntei.
– Sim. — Disse tirando um sanduíche de sua bolsa. — Querem?
Luke pegou um de sua mão, peguei um, estava uma delícia. Também guardei um para Jesse.
Jesse parecia ter pesadelos, e também falava algumas coisas. Até que teve uma curva que o fez acordar.
– Ai! O que aconteceu? — Gritou ele.
– Calma. — Falei.
– Me desculpa. — Disse ele.
– Está tudo bem, Jesse. — Falei sorrindo. — Quer um sanduíche?
– Quero! — Disse ele comendo.
Effy estava lendo um livro. Luke estava quase dormindo.
– Luke, está tudo bem? — Perguntou Effy.
Ele parou o carro e Effy ficou em seu lugar.
– Muito melhor. — Disse ele adormecendo.
Depois de algumas horas, estávamos no tal esconderijo. Era em Los Angeles. Também estava infestada de zumbis. Eles nos levaram para a floresta.
– Então, é aqui? — Perguntou Jesse.
– Sim, bem escondido. — Disse Luke.
Entramos e estava em ótimo estado, cheirava bem, estava limpinho e tudo mais.
– Fiquem a vontade. — Disse Effy sentando no sofá.
– O que aconteceu com seu pai? — Perguntou Jesse.
– É, ele está matando zumbis. Ele não gosta muito de mim. — Disse ela.
– Eu tenho certeza que ele gosta. — Falei.
– Obrigada, Elly. Você é a melhor amiga de sempre!
Fiquei um pouco vermelha, nunca tive um amigo verdadeiro, só Jesse.
– Doce, você parece cansada, temos quartos, vá deitar. — Disse Luke.
O fato de ele me chamar de doce me incomodava, mas incomodava Jesse mais ainda.
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