Dias Sombrios
1 Hope
Notas iniciais
Eu não sei como começar essa história, cada um lê de seu ponto de vista, uns vão me açoitar com palavras cruéis, outros vão demonstrar condolência, mas de uma coisa eu tenho total veracidade, nenhum me defendera até o fim dos tempos.
Então com nenhum tempo a perder, vou contar-lhe minha história, detalhe por detalhe, então desde já, comece a pensar qual foi meu pecado, tente ficar ao meu lado nesta guerra sem fim.
***

Prólogo
Existe um grande reino chamado Krallik, ou como nossos queridos personagens o chamam “o vaco”, o motivo? Simples, não tem nada, somente os ricos riem e se divertem enquanto comem iguais a porcos, gastando os impostos do povo com coisas fúteis. No “abismo” de Krallik, existia uma pequena aldeia, com menos de 100 habitantes, esse povo era totalmente controlado pelo rei, o medo já era um velho amigo e a fome um conhecido.
Em meio a tanta infelicidade, vivendo em meio aos pecados de Pandora, existia a esperança, vivendo no coração de todos, ela nunca abandonou o mundo, era o motivo de todos acordarem cedo e se matarem no trabalho, para continuarem vivos e verem tudo aquilo mudar, para verem o rei sofrer pelos seus pecados.
Nessa pequena vila existia uma mulher chamada Lucy, sendo a mais bela da vila, com seus belos cabelos cacheados da cor negra e seus olhos da cor do oceano, era cortejada por todos os homens, mas ela sabia que aquilo não era amor, era apenas desejo, então os rejeitava e vivia com a sua vida simples, acordava cedo e arrumava uma pequena padaria que tinha com todo cuidado, e continuava com seu grande ciclo vicioso. Mas em um dia qualquer um homem bate em sua porta, era de noite a luz da lua refletia em seu cabelo prateado, seus olhos demonstravam angustia e dor, suas roupas de nobre estavam ensanguentadas, o branco havia virado vermelho, a jovem mulher de seus 23 anos de vida apoia o homem em seu braço com cuidado e fecha a porta com cuidado, colocando em um pequeno emaranhado de palha.
— Me desculpe – falou Lucy angustiada enquanto se levanta e pega uma pequena caixa de madeira – coloque isso em sua boca, assim se sentir dor pode morder – comentou a menina rasgando a blusa do homem e pegando uma pequena agulha e costurando a ferida, o homem grita, mas não a nada que ela possa fazer ou é isso ou sangrar até a morte.
Quando terminou arrumou tudo, limpou o sangue e organizou as coisas, tudo feito minuciosamente. Foi até o homem e colocou um pequeno cobertor sobre o mesmo. Quando iria se levantar o homem segura em seu braço, não com força e sim com delicadeza, como se tivesse segurando algo que se quebraria facilmente.
— Por favor- sussurra o desconhecido.
Nem ela saberia o motivo, mas naquele momento ela concordou baixinho e ficou ao seu lado até adormecer.
Acordando cedo como sempre, varreu novamente a padaria que era junto de sua casa e fez pães fresquinhos arrumando-os em cima da bancada de madeira, colheu umas flores por perto e colocou em um vaso, “pronto” pensou Lucy suspirando, enquanto passava as mãos no cabelo.
— Com licença – falou o homem da noite interior- Obrigado pela muda de roupa que deixou ao meu lado.
— Ah que nada – comentou Lucy – era do meu falecido pai, ele morreu usando elas.
Ela riu após ver sua cara de pavor e o chamou para um pequeno café, após uns minutos de conversa ela notou algo estranho e perguntou cautelosamente.
— Desculpe perguntar, mas você é cego? — perguntou Lucy olhando em seus olhos. – seus olhos são totalmente brancos assim como seu cabelo, e você só tem 25 anos certo?
Ele se calou por um instante, como se tivesse perguntando-se se era algo realmente necessário.
— Não sou cego – comentou Leo rindo – sou um dragão – respondeu sério.
— Tipo você tem asa e tals? – vendo que ele confirmou Lucy começou a rir.
Ele apenas olhou de relance para aquela cena, e sentiu um estranho alívio por ela não ter acreditado, ele apenas entrou na brincadeira e riu junto.
Anos se passaram, de uma bela amizade surgiu o amor e eles se casaram tendo uma linda menina chamada Hope, seus olhos eram iguais ao do pai, seu cabelo era totalmente cacheado mas era branco, e sua pele seguia o mesmo padrão, seus pais a amavam muito, mas infelizmente quando Hope tinha 3 anos seu pai morreu, ele foi nadar em um grade rio que tinha perto da vila e a correnteza o levou, Lucy ficou triste mas se manteve firme e a criou ate seus 6 anos de idade.
E lá estava Hope com seus cinco anos correndo pela casa, quando vê um homem com roupas caras se aproximando de casa, seu olhar a assustou, e ela correu ate sua mãe puxando a barra da saia de sua mãe.
— Mãe tem um homem mau vindo – fala baixinho Hope.
Lucy que estava lavando a louça olha disfarçadamente pela janela, ela o vê e rapidamente balança as mãos tirando um pouco do sabão.
— Hope vai pra cima agora- responde Lucy friamente.
Quando a menina foi subindo a mãe a chama e diz que a ama, Hope responde que a ama igualmente, mas Hope não gostou disso sua mãe estava triste.
Os homens entram e reviram todo o andar de baixo.
— Pegando crianças e usando como ratos de testes vocês são nojentos – falou Lucy cuspindo na cara de um e rindo.
O homem dá um tapa em sua cara e manda os outros a segurarem quando ela ia falar algo tampam a boca dela, ela entra em desespero.
O homem sobe a escada, e entra em um pequeno quarto, ah sim ali estava ela, uma criança. Ele segurou a menina que gritou fortemente, mas ele era forte e ela era fraca, ele desceu com a criança nos braços enquanto passou pelo lado da mulher de cabelos cacheados morta no chão, a menina entra em desespero seus olhos estavam inchados de tanto chorar, o homem sai junto dos outros dois e a levam para algum lugar do mundo.
***
Em uma pequena cela enferrujada estava uma menina, cabelos grande e bagunçado da cor branca seus olhos seguiam o mesmo padrão junto a sua pele, estava totalmente suja, vestindo um vestido preto. Ela ouve o barulho da porta e escutou o Homem se aproximar, passo por passo ela memorizou cada instante.
— Eae Tio o que vai ser hoje? – ela olhou sarcasticamente para ele e riu – serra? Eu não sinto poha de dor nenhuma.. já falei- comentou mexendo no cabelo enquanto observava cada instante daquele local, memorizando tudo, nada podia passar despercebido diante de seus olhos.
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