Dias Sombrios
2 Capítulo 1 - Coisas Piores
Hoje é dias 5 de maio de 2087, o primeiro ataque será de madrugada, meu pai parte daqui a pouco, estávamos arrumando as malas, eu acabara de colocar a camisa preferida dele quando eu ouvi um estrondo horrendo vindo de lá de fora, fomos ver na janela, os rebeldes já estavam indo, meu pai também iria.
–Pai, você tem mesmo de ir? — eu implorava, pois esta podia ser a última vez que eu o vejo com vida- Não pode desistir?
–Não posso, mas garanto que nos veremos de novo — ele falava com uma certa dúvida em seu tom de voz — Vou lá, venço a guerra, e não sofreremos nunca mais, Bruce. Prometo.
–Soldado Solace, apresente-se. — disse uma voz rouca, depois ouvi o ruido da porta se abrir.
–Tenho de ir, filho — disse meu pai, tentando fazer eu não chorar — Mandarei cartas assim que possível.
–Tchau pai, boa sorte lá. -eu disse, com a voz trêmula.
–Vem aqui — disse ele, e eu fui na sua frente e dei o abraço mais forte de minha vida.- Cuide da sua mãe.
–Está bem.- eu disse, ele virou e beijou ela.
–Fique bem, Maria- ele se voltou para mim- E filho, eu te amo.
–Eu também, pai.- Isso foi reconfortante para tirar o meu pensamento indesejado sobre sua morte imediata.
Ele saiu pela porta, que fechou-se na minha frente e da minha mãe, enxuguei minhas lagrimas e abracei ela, tentando a reconfortar, pois de agora em diante, somos só eu e ela.
–Tudo vai dar certo, filho -ela disse tentando me reanimar, tentando fazer o impossível pois nem ela parava de pingar várias lagrimas no chão — Tudo vai dar certo.
Errado! A guerra sempre muda as coisas, amores, vidas, promessas e muito mais, as palavras que ela dissera é só mais uma dessas coisas. E para isso acontecer, era só uma questão de tempo.
Ao anoitecer, fiquei olhando pela janela, quilômetros e quilômetros de nada, fiquei pensando na minha vida, eu não me lembro quando, mas em algum momento eu adormeci.
Sonhei que estava em uma floresta, de frente para um lago, percebi uma garota ruiva encostada em uma árvore, de costas para mim, quando cheguei perto dela, ela desapareceu, como um vulto. Aves gritaram, voaram tão rapidamente que pareciam borrões no céu azul bem claro, ouvi um enorme estrondo, acordei, o céu estava clareando, fui até a cozinha, onde minha mãe preparava meio pão de grãos que ela havia feito, com queijo de cabra e leite da cabra da vizinha.
–Alguma notícia?-perguntei, minha mãe balançou a cabeça, em sinal de discordância.-Come, mãe, você está sem comer desde ontem, não é?
–Estou sem fome — ela respondeu, mas estava na cara que isso era mentira. Dividi meu pão ao meio e dei metade a ela. Ela pegou e comeu. Coloquei meu copo no centro da mesa, é o que eu faço quando o conteúdo é para dividirmos. Eu comi e continuei sentado olhando para o centro da mesa, e ela fazia o mesmo. Ficamos em silêncio total por um bom tempo até que ouvimos um barulho na porta, alguém estava batendo. Eu abri e me deparei com um morador da nossa região do Distrito 12, Sr. Cambrey.
Oi, a sua mãe está ai? — ele disse, e no mesmo instante, minha mãe apareceu atrás de mim. — Olá, Maria, entregaram esta carta aqui, meus sentimentos.
Ele saiu andando, e eu sabia oque acontecera, era meu pai, sobre ele, ele se foi.
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