Dias Imprevisíveis

17 Capítulo 17 -Problema Resolvido!


Notas iniciais
Capítulo dedicado à Mari Tremonti!Obrigada por recomendar a fic, flor! Adorei!Capítulo postado e comprido! Beijos, beijos!

‘No final do dia, almejo o recomeço de uma nova manhã, debaixo de expectativas que me levem a algum lugar ou me tragam soluções. Vivo a esperança de um dia melhor, que eu possa sorrir como uma criança debaixo da chuva, ou um apostador que jogou seus números da sorte. Espero pelo que virá, sem muita pressa de atender meus objetivos, por que não importa a quantidade de passos se eu não tenho fé naquilo que acredito veemente.’

Ao segurar a maçaneta da porta do quarto, na intenção de abri-la e sumir das vistas de David, deparei-me com Sarah, deixando o quarto de Ethan.

–Não entre. Preciso falar com você. – disse ela se aproximando, visivelmente mal humorada.

–Não temos nada para dizer uma à outra.

Rápida, Sarah pôs sua mão sobre a minha, impedindo-me de empurrar a porta.

–Você pode não ter o que dizer, mas eu tenho e muito.

Suspirei pesadamente e sutilmente desviei os olhos dos dela. Sem alternativas, soltei a maçaneta e abracei o caderno ao peito, voltando a encará-la.

–Ok. Vamos conversar se você quer tanto assim.

–Não aqui, mas no quarto de Ethan.

Eu a segui, desejando que o pesadelo de nome ‘Sarah’ acabasse logo.
De pé a porta, a loira convidou-me a entrar, sem tirar seus olhos azuis rígidos dos meus olhos verdes inquietos. Entrei em passos lentos, dando mais importância ao fato de eu está no misterioso quarto de Ethan, do que a presença desagradável da namorada dele.

–Vejo que você não conhecia o quarto. – Sarah se aproximou, impedindo minha concentração em cada detalhe do cômodo. –Fico feliz por ter constatado isso, pois eu estava me torturando sempre que pensava que você vivia fazendo companhia ao Ethan sobre os lençóis da cama dele.

–E eu fico mais feliz ainda por não termos chegado a essa etapa. – Sarah cruzou os braços, mordendo o lábio inferior com força. –Se você me trouxe aqui para dizer ofensas...

–Verdades ofensivas, eu sei, e isso magoa. – interrompeu-me esboçando um sorriso debochado. –Sabe de uma coisa? Eu não me sinto ameaçada por você – olhou-me de cima abaixo. –, nenhum pouco, mas odeio a ideia de você morar aqui, e está apaixonada pelo homem que eu amo de verdade. – balancei a cabeça concordando com ela e sorri sarcástica. –Ethan estava muito bêbado para ter beijado você naquela noite e comprovei isso depois de ouvir os pedidos de desculpas dele. Oh, meu Deus! Eu nunca o vi tão arrependido.

Sarah gargalhou com vontade, mostrando seu lado cômico que eu não pensava existir.

–Desculpe, mas eu ainda acho isso muito engraçado. – controlou-se ela, tomando postura. –Enfim... Eu não me sinto pressionada para vê-la longe daqui, por que sei que Ethan cometeu um deslize, do qual até hoje se arrepende, mas eu anseio o dia de chegar aqui e não vê-la nunca mais.

Suspirei entediada e, sem muito pensar, pus o caderno em cima de uma cômoda, sobre a bagunça de revistas e livros.

–Você está tão segura que pediu, desesperadamente, para Ethan me expulsar daqui.

–Não é verdade!

–Tudo bem. Diga o contrário o quanto você quiser, mas sabemos que estou certa. – ela estreitou os olhos. –E, se Ethan ficou tão arrependido por ter me beijado, o que deu nele para ter me beijado de novo?

–Eu não vou acreditar nisso.

–Oh! Não vejo mal nisso, aliás, acho até que é melhor você não me levar a sério. – fui à janela, entretendo-me com a vista. –Não acho que ele saia por aí beijando qualquer garota que se sinta atraído, por que... – virei-me para ela. –, Ethan não tem cara de ser assim, mas vai entender suas atitudes. – sorri. –E, sabe o que é mais surpreendente? Eu, perdidamente entorpecida com a sensação calorosa dos lábios dele contra os meus, reunir forças para afastá-lo de mim. – Sarah estreitou os olhos mais ainda e respirou pesadamente. –Eu posso dizer, com toda a sinceridade do mundo, que vou me arrepender disso para sempre.

–Quanto? – Sarah andou até a bolsa em cima da cama e a pegou de supetão; tirando desta um talhão de cheque. –Quanto você quer para sumir de New York? – perguntou enfurecida. –Vamos! Faça seu preço! Eu sei que todo mundo tem um.

Pouco conhecendo Sarah, embora eu já soubesse qual era sua índole, fui pega de surpresa pelo nível baixo de sua oferta.
Entretida em pensamentos que, tentavam entender o raciocínio de uma garota rica, vi de soslaio o bico da caneta se posicionar no papel valioso. Evitando a perda de tempo, Sarah olhou-me apressada, à espera do valor a ser posto no cheque.

–Quanto? – insistiu ela, completamente convencida de que eu tinha um preço.

–Megan tem razão. Você não vale nada.

Aquelas foram as palavras mais duras que eu disse a alguém.

–Seu preço.

Ela era persistente, acreditava fielmente em seus intuitos, mesmo sentindo o dissabor em meu olhar.

–Quantas pessoas já recusaram ofertas iguais a essa? – perguntei muito curiosa, embora soubesse a resposta. –Sou a primeira, não é? – indaguei, mas certa do que dizia. –Isso comprova que, ainda existem pessoas que não se vendem.

Saí da janela e fui direto à porta, sem direcionar o rosto à Sarah, mas ela, inconformada com minha resposta e, descaso, agarrou-me pelo braço.

–Por que tanta confiança, hã?

Observei sua mão apertando meu braço e tive que respirar pacientemente para não perder de vez a tranquilidade.

–Solte meu braço.

Ela ergueu a cabeça ao ouvir minha ordem, tentando mostrar-se superior, e sua postura desafiadora foi a gota d’água para mim. Tomada pela raiva, essa que até então eu não conhecia o limite, empurrei Sarah para trás, fazendo-a cair com tudo no chão. Imóvel, seu olhar era de ira, e seus pensamentos, sem dúvida alguma, eram maldosos a meu respeito.

–Seus dias aqui estão contados.

–O mesmo serve para você, Sarah. – deixei o quarto.

&&&&*&&&&

–Eu já ia te procurar!

Mal pisei no quarto e Megan já foi logo me puxando pelo braço, esbanjando euforia.

–O que houve?

–Jason conseguiu o número do telefone. – disse se sentando na cama e, como ela ainda me arrastava, fez com que eu sentasse também. –Agora é só ligar e falar com Crash.

Megan entregou-me o telefone e aguardou o contato que poria Sarah em maus lençóis.

–Tá. – disquei o número, sentindo o coração bater de pressa. –Que a alma dos meus pais não se entristeça agora.

–É por uma boa causa. – disse Megan mal se aguentando de tanta ansiedade. –Tá chamando?

–Sim.

–Alô.

–Err... Oi, Crash. Sou eu, Claire.

–Claire? A gatinha que gosta de fazer o bem?

Achei graça da forma de ele me descrever, cheio de humor. –Ela mesma. – rolei os olhos, divertida. –Escuta, eu preciso de um favor urgentíssimo.

–Qual é a parada?

–Preciso saber, com exatidão, quando e que horas Ethan voltará para casa.

Megan cruzou os dedos para o telefone não ser desligado.

–Isso é assunto extremamente pessoal, gata. Se o Ethan souber que estou de fofoquinha informativa com você, o humor dele vai estragar nossa parceria.

–Eu sei Crash, mas você é a única pessoa que pode me ajudar. – Megan fez sinal positivo ao ouvir minha súplica. –Além do mais, eu não estou pedindo a senha do seu cartão de crédito, apenas quero saber quando o Ethan volta.

–Preciso de dez segundos para pensar.

Aguardei na linha, sem nada ouvir do outro lado.

–O que ele disse? – perguntou Megan, aflita.

–Ele está pensando se pode me ajudar. – pus o telefone ao ouvido novamente e escutei Crash pigarrear. –O que você decidiu?

–Você vai ter que jurar que nunca dirá a Ethan que eu passei informação sobre ele.

–Juro.

–Ok. Ele voltará em dois dias, mas não sei a que horas.

–Droga!

–Pelo jeito a coisa é mesmo importante.

–Estamos planejando uma... festa surpresa para ele.

–Festa surpresa? – perguntou animado. –Eu me amarro em festa surpresa. Nesse caso, eu me encarrego de mantê-la informada por mensagens, mas tem uma condição.

–O que é? – indaguei olhando Megan, ambas apreensivas.

–Você vai ter que me convidar.

Não era uma boa ideia, mas a condição dele já estava imposta.

–Tudo bem, mas não convide ninguém, será algo meio que... familiar.

–Agora me sentir parte da família! – riu alto. –Eu tenho que desligar, o garoto prodígio está se aproxi...

–Cadê meu carro?

Paralisei ao ouvir a voz de Ethan ao fundo, tão distante quanto a sua presença.

–Te mantenho informada. Beijos, garota!

Baixei o telefone pouco a pouco, até deixa-lo repousado sobre o colo.

–Era a voz do Ethan.

Suspirei alto, voltando à atenção para Megan, e a flagrei olhando-me divertida; com certeza achando-me uma boba apaixonada.

–E aí? Conseguimos?

–Sim. O Crash vai colaborar, mas teremos que recebê-lo no meio dessa loucura.

–Melhor ainda! – Megan sorriu, pegando o telefone. –Agora, vou ligar para a residência Williams, e atuar como uma atriz de Hollywood. – discou os números, em seguida, respirou fundo.

–Residência Williams. Com quem falo?

–Err... Bom dia, senhora Williams. Meu nome é Megan Scott. Sou irmã do namorado de sua filha.

Grudei a orelha no telefone, a fim de ouvir o diálogo.

–Irmã do namorado da minha filha? Sarah não me disse que está namorando.

–Eu imaginei que ela não tivesse dito, por isso...

–Só tenho trinta segundos para lhe ouvir, estou de saída.

–Entendo, mas garanto-lhe que serei breve. Então...

–Ah! Desculpe-me! Meu tempo esgotou e preciso sair agora.

–Senhora Williams, eu sei que não é do seu interesse me ouvir nesse momento ou dia algum, mas estou pedindo, educadamente, assim como à senhora pediria, que me escute um minuto.

Megan antecipou-se antes que a mulher desligasse o telefone.

–Eu não tenho tempo para ouvi-la...

–Ok. Vou retornar a ligação em dois dias, mas não fale sobre isso com Sarah. – o silêncio pairou entre elas. –Eu gostaria muito que a senhora viesse nos conhecer, por que, se depender de Sarah, isso não acontecerá tão cedo.

–Por que não? O que há de errado?

–Nada, mas não sei se a senhora também dirá o mesmo. – ela prendeu o riso, certa de que a dúvida estava plantada.

–Quando posso conhecê-los?

Megan comemorou, em total silêncio. –Sexta-feira às... – pensou. –Às dez da manhã, mas não conte nada à Sarah, ela será contra. Posso passar o endereço?

–Por favor.

Megan havia conseguido o que queria, bastava saber se seu plano daria certo, conforme o pensado.

–Que mulher arrogante e insuportável!

–Pensei que você a conhecesse.

–Não. – suspirou em alívio, pois tinha se dado conta de que ela nunca gostaria da Williams. –Sarah não falava muito sobre a mãe, apenas ressaltava que a velha era chata e controladora.

–Uh. Por que às dez da manhã?

–Baseei nas tantas vezes que Ethan chegou aqui por volta desse horário. Agora será uma questão de sorte dá tudo certo. – disse um pouco desanimada. –Bem, pelo menos sabemos que eles virão, e que não vão gostar da gente.

&&&&*&&&&

Dois dias depois...

Enquanto Megan e eu agíamos como agentes do FBI, Melissa, Nicholas, David e Sarah – por que ela não saía mais do quarto da senhora Scott –, permaneciam sob o efeito de suas rotinas monótonas.
No segundo dia, daquela contagem regressiva e angustiante, acordamos bem cedo – somente Megan e eu –, e encaramos a faxina pesada da sala.
Exatamente às oito da manhã, tomamos café, e corremos ao supermercado. Não acreditávamos que os pais de Sarah ficariam para almoçar, por isso não nos descabelamos com a ideia de fazer uma receita requintada.

–Temos refrigerante e panquecas congeladas. – disse Megan fechando o congelador, um tanto orgulhosa de ter se comprometido a fazer o almoço; que ela facilmente deixaria descongelar e levaria ao micro-ondas depois. –Claire, o café você faz.

–Compramos açúcar?

–Droga! Esquecemos o açúcar! – lamentou vasculhando o armário. –Minha mãe tem adoçante no quarto. Irá servir direitinho.

–Adoçante é horrível, mas adoça!

Rimos juntas, dando pouca importância a ter que servir, em poucas horas, um café decente a nossos convidados ilustres.
Conversávamos descontraídas quando David entrou na cozinha, com a barriga saliente à mostra. Mortificada pela cena lamentável, Megan coçou as têmporas e fechou os olhos por alguns segundos, controlando-se para não iniciar uma discussão logo cedo.

–Será que dá para você cobrir essa pança nojenta?

Engoli o riso ao ouvir a pergunta sarcástica de Megan, embora eu fingisse está inteiramente entretida com as compras.

–Estou te incomodando, Claire?

Levantei a cabeça para vê-lo, sem entender a pergunta de David, já que Megan tinha sido direta e objetiva.

–É claro que você está incomodando ela! Que pergunta idiota! – bravejou Megan, explodindo como um vulcão.

–Ela não disse que eu a incomodo.

Seus olhos eram fixos nos meus e seu sorriso me intrigava.

–Temos coisas mais importantes para fazer, Megan. – falei tirando-a de lá.

–É impressão minha ou aquele porco estava todo sorridente para você? – cochichou ela.

–Eu não quero criar caso, mas ele me olha de um jeito...

–Como se quisesse devorá-la com os olhos. – concluiu Megan. –Não se preocupe, Claire. Vamos cuidar disso assim que eliminarmos o ‘problema Sarah’. Falando no diabo.

Cheia de sacolas, Sarah passou por nós, nos ignorando. Enraivecida, pois tinha que engolir a presença da antiga rival, Megan apertou os punhos, deixando as juntas dos dedos esbranquiçadas.

–Se Sarah estiver aqui amanhã, paparicando minha mãe, e se sentindo a dona da minha casa, eu a estrangulo diante de muitas testemunhas.

&&&&*&&&&

9h e 42min da manhã.

Lá estava Megan e eu, sentadas no sofá, descansando depois de termos encarado uma faxina que fora adiada há meses; isso era o que todos deveriam pensar.
A Scott, como sempre, esbanjava autocontrole, e improvisava mil e um assuntos do dia a dia. Eu, que às vezes olhava o relógio, agoniada, parecia ter aprontado algo muito grave na rua, e se refugiado dentro de casa.

–Claire! – Megan tocou meu ombro, rindo abertamente. –Você tá com cara de quem fugiu da cadeia!

–Desculpe, mas eu sou péssima nessas coisas!

–Você estava atuando tão bem. O que houve?

–É que são quase dez horas! – falei com cara de choro, divertindo Megan ainda mais. –E se o Ethan descobrir e dá uma confusão daquelas?

–Não pense o lado negativo. Pense na grande possibilidade de Sarah ser chutada hoje.

Ah! Eu pensava em um monte de coisas, principalmente as trágicas.

–Megan, eu não vi a Melissa hoje. Será que ela está bem?

–Fui vê-la agora a pouco, ela está com enxaqueca, e é óbvio que Sarah está bancando a enfermeira. – pelo tom de voz, percebi que Megan estava enciumada. –Minha mãe é tão vivida e não percebe que a nora está usando ela.

–Apesar de tudo, eu fico feliz por vê-la em casa.

–Eu também, embora...

Megan fora interrompida pelo som agudo da campainha. Sabendo que se tratava dos pais de Sarah, a Scott se levantou em um pulo, tamanha era a empolgação, e passeou os dedos no cabelo, indo à porta. Apreensiva, levantei-me encarando a entrada da casa, e a porta fora aberta.

–Senhora e senhor Williams, é um prazer conhecê-los!

–Megan Scott?

–Sim, senhora. – respondeu Megan escancarando um sorriso. –Entrem, por favor.

Como era de se esperar, o casal entrou olhando tudo a sua volta, mas nada disseram sobre o apartamento.
Imóvel, naquela sala, avaliei a mulher de meia idade, de cima abaixo, discretamente. Era uma senhora bonita, esbanjava elegância e superioridade no olhar; o que a tornava arrogante. Seu marido era um homem muito mais velho que ela, aparentemente, tinha a mesma expressão superior que a mulher, mas não conseguia disfarçar o incômodo.

–Essa é Claire, minha amiga.

–Oi. – disse sem ser muito educada, por que eu não conseguia fingir tanto. Eles apenas fizeram um gesto com a cabeça.

–Onde está Sarah? – perguntou a mulher, impaciente.

–Cuidando da minha mãe. – Megan falou dando de ombros. –Aceitam café?

–Não, obrigado. – respondeu o homem. –Estamos muito apressados.

–Temos que ir a um evento muito importante, daqui a pouco.

–Sei. – disse Megan coçando a cabeça. –Eu vou chamar a família inteira, mas é uma pena que meu irmão não esteja aqui, embora eu tenha quase certeza que ele chegará de viagem daqui a pouco.

–O que ele faz?

–Ele é especialista em rachas. – respondeu ao pai de Sarah, deixando-o boquiaberto. –Cara! Você precisa vê como ele corre na reta!

O celular no meu bolso bipou uma mensagem e, apressada, verifiquei se era nosso informante.

Ethan está à caminho de casa.

–Megan. – assim que ela me olhou, fiz sinal positivo.

A campainha tocou novamente, deixando-nos confusa.

–Eu atendo.

Fui à porta e, ao abri-la, deparei-me com a pessoa mais imprópria para está ali.

–Claire! Eu não me canso de olhar você!

–Crash. – quase murmurei. –Você quer ficar mesmo?

–Que pergunta é essa, gata? – indagou entrando. –Gente bacana na área!

–Menos, Crash. – disse Megan, sem muito se importar com a presença dele. –Aqui está o empresário do meu irmão.

–Empresário e psicólogo, por que aguentar o mau humor do Ethan não é para qualquer um não!

–Por favor, chame nossa filha. – disse a mulher, visivelmente incomodada.

–Venham comigo. Vou leva-los para conhecer minha mãe.

Mesmo contrariados, eles a seguiram até o quarto de Melissa.

–Que festa mais mixuruca!

–Não existe festa nenhuma! – falei cochichando. –Isso é uma emboscada para ferrar a namorada do Ethan! Melhor dizendo, Megan quer que todos saibam que Sarah Williams não presta. – Crash ergueu as sobrancelhas. –Isso é muito confuso para explicar em um minuto, então, presumo que você não tem o mínimo interesse em ficar aqui, certo?

–Tá brincando! – ele se sentou no sofá, confortavelmente. –Faz tempo que não assisto uma confusão em família!

–Ah! – suspirei derrotada. –O que você vai dizer a Ethan?

–Não se preocupe, minha querida. Eu tenho textos e frases na cachola. – piscou. –O que tem para beber?

–Café com adoçante.

–Uh. – murmurou decepcionado. –Posso dá um confere na cozinha?

–Claro, mas fique longe das panquecas, elas ainda estão congeladas.

–Vou lembrar.

Fechei os olhos e acariciei as têmporas, sentindo a cabeça doer de leve. Arredia a tudo a minha volta, ouvi o barulho bem distante da porta se abrindo, e passos se moverem. Distraída, passei a mão nas madeixas longas, e joguei o cabelo no ombro. Ao abrir os olhos, divagando em pensamentos, assustei-me ao deparar-me com Ethan, com o braço apoiado na porta, e a expressão divertida.

–Isso foi um show de recepção?

–Show? – indaguei confusa, com o coração batendo desenfreado. –O que quer dizer?

–Você estava com os olhos fechados – jogou a mochila no sofá. –, completamente concentrada em pensamentos, e mexia o cabelo de uma forma sexy.

Ruborizei. –Não era a intenção. – cocei a nuca, desajeitada.

Era a primeira vez que eu o via depois daquela noite e, somente naquele exato momento, tomei conhecimento do quanto sua falta havia me afetado; mais do que eu pensava e sentia.

–Quanto tempo você ia esconder de nós que está namorando?

–Eu ia contar, mas não agora.

A discussão tinha começado no quarto de Melissa.

–O que está acontecendo? – perguntou Ethan.

–Os pais de Sarah estão no quarto de Melissa. – falei sentindo um bolo na garganta.

–Você sabe que não vamos concordar com isso, não é?

–Eu só estou namorando! – gritou. –Agora é crime namorar?

–Não se trata disso. – passos no corredor dos quartos. –Você sabe onde seu namorado está agora?

–Por favor, pai! – aproximavam-se da sala.

–Saiba que não vamos aceitar isso, Sarah!

No soar histérico do grito da senhora Williams, Sarah surgiu, dando de cara com Ethan, que havia perdido o bom humor.

–Ethan? – Sarah aproximou-se dele, mas não correu para os seus braços. –Eles chegaram de repente.

Megan, Melissa, David, Nicholas e Crash — esse que logo voltou para a cozinha, nas pontas dos pés -, se aproximaram. O silêncio caiu sobre todos, mas logo fora quebrado pelo suspiro exasperado de Ethan.

–Eu vou explicar o que está acontecendo. – disse Megan, andando até o centro da sala, roubando a atenção de todos. –Eu planejei esse encontro. – confessou, para a minha surpresa. –Foi a única maneira de corromper os planos de Sarah e saber o que ela quer da minha família.

–Não seja ridícula! – disse Sarah, entredentes.

–Você nunca contou a seus pais que estava namorando o meu irmão, por que sabia que eles não iam aceitar o fato de Ethan viver a vida como um fora da lei, que minha mãe é desequilibrada, e que não temos o padrão de vida adequado para fazermos parte do seu mundo. – olhava-a prazerosamente. –Então você tirou minha mãe do hospital, fazendo-a aceitar uma vida sóbria, por que essa era a visão que seus pais teriam que vê em Melissa. Mas o que aconteceria depois? Minha mãe iria para uma clínica de reabilitação, com a promessa de que Miami a esperava em alguns meses, e ela seria esquecida dentro de pouco tempo. – Sarah engoliu a seco. –E Ethan? Você pensava que poderia muda-lo, não é? Dando a ele uma nova vida, mas cheia de fingimentos, e infelicidade.

–Eu fiz isso com boas intenções!

–Tudo bem, Sarah. – disse Melissa. –Já que suas intenções são boas, você não vai se importar se eu continuar sendo a mesma de sempre, certo?

Sarah calou-se, sob o olhar curioso de Melissa.

–Ela se aproximou do Ethan para me atingir, mas eu fui mais esperta.

–Você sempre com inveja de mim! – gritou Sarah. –Ainda não conseguiu superar o trauma de eu ter roubado seu namorado? – perguntou divertida, mas Megan controlou-se. –Ethan – para enfatizar a atuação, ela começou a chorar. –, todos aqui me odeiam! Sentem inveja por que eu sou inteligente, bonita, e tenho um bom coração.

–Sarah – Ethan, finalmente, estava se manifestando. –, fora da minha casa.

–O quê? – ela estava tão surpresa quanto eu. –Vai escolher esse bando de fracassados a mim?

–Olha, estou cansado e não durmo bem há dias. – confessou ele, pegando a mochila. –Se puderem diminuir o tom de voz, eu agradeço. – deu as costas a ela, mas parou como se tivesse esquecido algo. –Não me lembro de ter dado a chave da minha casa a você, mas, caso eu tenha feito, não se esqueça de devolvê-la ao sair.

Ethan deixou a sala, sob os olhares surpresos de todos, e o que ouvimos depois, foi a porta do quarto dele sendo trancada.

–Quem ele pensa que é?

–Um homem de verdade que te deu um fora! – falou Megan, aos risos. –Sai da minha casa, vadia!

Horrorizados, os pais de Sarah se aproximaram da filha.

–Eu vou acabar com você!

–Então vem, Sarah! – chamou Megan, mexendo o pescoço preparando-se para brigar.

–Não banque a ridícula! – Sarah foi agarrada pelo braço e levada à porta pelo pai. –Fizemos papel de idiotas aqui!

–Nunca me senti tão humilhada na vida! – berrou a senhora Williams, no ouvido da filha. –Você terá que se explicar, Sarah!

–Estou cansada de vocês dois!

–Baixe o tom de voz, mocinha!

E foi assim que o problema Sarah se desenrolou diante de todos e o nomeamos como resolvido. No fim, depois de muito tempo, Megan se vingou, embora eu não acredite que ela se empenhou tanto por causa do passado, mas por que Sarah estava se metendo com sua família.