Dias Escuros
5 A Fuga
Joanne entrou,e, logo depois, entrei também.
Logo depois que eu abri a porta,vi um corredor imenso, no qual haviam velhos em cadeiras de rodas, homens em macas, uma mulher grávida gritando, e uma velhota gorda sentada no chão e suando muito.
As paredes, todas brancas, davam um ar estranho aquele lugar. Acima da minha cabeça haviam duas placas. Uma apontava com uma seta onde ficava o centro cirúrgico e outra apontava a área de transplantes.
Joanne seguia naquela direção. Fui atrás dela, me escondendo atrás de portas e pilares.
Ela virou na porta que dizia: “Central de transplantes”
Aquilo não me cheirou bem.
Me esgueirei pela porta entreaberta e quase perdi Joanne de vista. Notei que ela entrou na porta na qual estava escrito: Dr. Smytheson.
Fiquei com medo de entrar, pois era uma porta com o nome de alguém, e, esse alguém certamente era o irmão dela.
Fiquei do lado da porta que estava quase fechada, e consegui ouvir a conversa dos dois.
-Oi, Jo. Tudo bem?
-Tudo.
-Tenho coisas muito sérias para te falar. Onde você deixou o garoto?
-Em casa, é claro. – disse ela, esnobe.
Smytheson riu, e disse: — Eu gostaria muito de conhecer aquele menino. Ele é muito levado. Precisamos dar um jeito nele.
Fiquei muito assustado, mas continuei ouvindo a conversa dos dois.
-Calma, Smytheson. Já estou dando um jeito. Levou anos, mas, finalmente vou dar um jeito naquele garoto safado. Moleque desgraçado! Ele já deve ter descoberto tudo. Um dia depois, ele notou minha galocha.- disse Joanne num tom raivoso
-Ei, ei, calma aí, Jo. Fale mais baixo, vou fechar a porta.
Quando ouvi isso saí correndo pelo hospital e, mesmo sabendo que Smytheson não me reconheceria, fui embora correndo.
Subi rapidamente pelas escadas até meu apartamento, tranquei a porta e coloquei o sofá na frente dela, para que ninguém abrisse.
Fui direto até meu quarto, tranquei a porta dele também e acessei o Google em meu computador.
Procurei por Dr. Smytheson Waverly Creek e achei uma página do conselho de medicina que falava sobre ele.
“ Dr. Smytheson Horatio Boone, formado na Universidade de Middletown, é um renomado cirurgião, especializado na área de transplantes. O doutor Smytheson é filho do saudoso doutor Maximilian Horatio Boone, que foi assassinado em 17/2/1992. Smytheson parece ter herdado a perseverança e coragem do pai, e, até hoje exerce sua profissão no Hospital Geral de Waverly Creek.”
Saudoso Maximilian? Assassinado?
Me lembro que meu pai já me contou uma história sobre esse Maximilian.
Papai dizia que ele era amigo inseparável de vovô, mas algo aconteceu.
Aposto que a morte de Maximilian tem algo a ver com isso, e Joanne deve ter se aproximado de minha mãe por isso. Joanne queria se vingar de minha mãe, mas deve ter pensado que seria mais impactante acabar com a vida de um jovem primogênito, não é? Ou até mesmo Joanne tenha matado meu pai.
Consigo me recordar que eu até fiquei curioso sobre o fato. Meu pai não me respondeu. Só disse que um dia eu iria saber.
Depois, me deu um envelope com alguns pontos, que, até hoje eu não sei o que significam. Fiquei grilado com aquilo, mas esqueci depois de um tempo.
Eu não tinha mais tempo para desperdiçar. Joanne queria me matar. Ela mesma disse que queria acabar comigo. Eu tinha que tomar providências.
Liguei para April.
-Alô? – disse ela, sonolenta, parecia que tinha acabado de acordar
-Oi, April, aqui é O Andrew.
-Ah, oi Andy. Pode falar.
-Bem... É que eu preciso de um favor, e eu não sei se...
-Fala logo, menino! – ela esbravejou
-É que eu queria saber se eu poderia morar na sua casa.
-O...O quê?
-Bem... É uma longa história, posso ou não?
-Sim, se antes você me contar o que está acontecendo.
-Por telefone não dá. April, eu não tenho mais tempo a perder. Estou indo até aí. Me espere.
April tentou dizer mais alguma coisa mas eu desliguei logo.
Fiz minha mala com todas as minhas roupas. Não tenho muitas roupas, já que Joanne não pode comprar muitas. Então, um grande espaço sobrou na mala. Eu já sabia como preenchê-lo.
Peguei meu videogame e meu laptop.
Decidi que já estava pronto para deixar minha antiga casa. Foi difícil, mas, sabendo que ali eu iria morrer, não tive escolha.
Passei no quarto dos meus pais e peguei a foto de casamento deles, e uma foto de toda a família reunida.
Chorei ao lembrar que se minha mãe não tivesse ficado louca, e meu pai não tivesse morrido, as coisas seriam muito diferentes. Mas, ás vezes, a vida reserva surpresas más e boas pra gente. Essa foi uma má, mas eu sinto que as boas estão vindo.
Corri com minha mala até a porta.
Estava com os dois porta retratos na mão, e eu derrubei o que tinha a foto da minha família inteira reunida. Não liguei, e só peguei a foto.
Notei que do lado contrário da foto havia algo escrito á mão.
“Mallard Lane, 277. Três para frente dois para a esquerda. A chave de fenda é o segredo. Meia volta e o diabo você descobrirá. Código no envelope.”
Foi nessa hora que eu me lembrei do envelope com os pontinhos que meu pai me deu.
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