Dias De Escuridão
2 Capítulo 2
Personagem Narrador
Clarice
Eu não sabia onde estava, o que havia acontecido comigo, tudo oque eu sabia era que eu estava no porta malas de um carro, e este estava em movimento.
Escutava vozes dentro do carro, pareciam dois homens, um parecia preocupado, o outro já nem tanto, parecia que já sabia oque iria fazer, queria ver o resultado de tudo aquilo. Estavam conversando. Eu estava atordoada, conseguia escutar poucas partes da conversa:
— ... não sei... ela...
- não ... preocupe... sob... controle
Sabia mais ou menos oque estavam dizendo, dava para perceber, mas não conseguia ter certeza, minha cabeça doía demais, eu não conseguia sentir minhas pernas, e pelo jeito minhas mãos estavam amarradas. Tudo oque eu conseguia ver, era a luz do freio do carro. O que será q eles estavam querendo comigo? Será que meus irmãos estavam bem? E minha mãe? Onde estavam me levando?
Depois de algum tempo dentro do carro, tudo escuro, abafado, quente, eu comecei a passar mal, como minha cabeça já doía, meu estomago para ajudar, começou a “dar cambalhotas”, eu já tinha problemas de estomago, mas aquilo lá não estava ajudando em nada. Por sorte, o carro parou depois de uns 5 minutos, escutei as portas da frente abrirem, e baterem, logo depois, o porta malas também abriu, revelando a cara de meus sequestradores, um deveria ter lá os seus 35 anos, era musculoso, tinha pouco cabelo, barba bem feita, olhos pequenos e castanho claro, sua boca era carnuda, ele vestia uma bermuda e uma regata, já o outro, parecia ser mais jovem, tinha no máximo 19 anos, não parecia mais velho que isso, poderia ser filho do outro, seus cabelos eram lisos, nem comprido, nem curto, razoável para se fazer uma franja, mas não como na modinha de hoje em dia, a franja não era jogada pro lado, mas sim, meio espetada, seus olhos também eram pequenos, mas ao invés de castanho claro, eram meios verdes, um verde escuro, quase castanho, mas se notava a diferença, seus lábios eram chamativos, rosados, mas carnudos igual o do mais velho, também tinha um bom forte físico, vestia também uma bermuda, mas não regata, ele usava uma blusa normal, branca, com o símbolo no infinito preto. Ele seria bonitinho, se não tivesse me sequestrado é claro.
O mais velho me tirou de lá, nada delicado, o garoto só observando, tinha cara de quem não queria estar fazendo aquilo, mas estava fazendo, tudo oque o mais velho falava para ele fazer ele fazia.
Eu estava em uma sala, tinha uma janela bem alta, de madeira, aquelas bem antigas que abrem para fora que tem uns pauzinhos que quando passa o dedo faz uma barulhinho engraçado, sabem? E a porta era do mesmo jeito, oque, para a minha sorte, dava para escutar tudo oque diziam do lado de fora.
Agora, eu tinha percebido, tinha uma mulher, era mãe do garoto e mulher do homem, ela estava furiosa, não sei pelo oque, mas não parava de gritar, coisas como:
- OQUE VOCES FIZERAM? – ou então – COMO PUDERAM FAZER ISSO? – e também – QUE TIPO DE HOMEM VOCES SÃO?
Estava muito brava. Logo depois o homem mais velho veio falar comigo, estava arrependido , mas não podia fazer mais nada a partir do momento em que ele colocou o clorofórmio em mim. Ele se apresentou, chamou seu filho (agora eu tinha certeza de que o garoto bonito era filho dele), apresentou-o também, e começou a explicar:
- Meu nome é Leonardo, este é o David. No dia em que eu e a mãe dele descobrimos que ela estava gravida, eu queria que fosse uma menina, daquele dia em diante, eu esperava, do fundo do meu coração que no resultado do ultrassom desse menina! Mas não, deu menino. Ficamos decepcionados no começo, mas logo nos acostumamos com a ideia, pensando que, quando David nascesse, poderíamos tentar novamente. – eu estava prestando muita atenção, porque ele estava me contando tudo aquilo? Depois de uma pequena pausa, ele continuou. – Quando ele completou 4 anos de idade, resolvemos que já era a hora de tentarmos de novo, mas descobrimos que minha mulher tinha o útero fraco, e se engravidasse poderiam morrer tanto ela, quanto o bebê, eu não poderia suportar a ideia de perder minha mulher e minha filha que estaria para vir. Resolvemos não tentar mais.
Eu não entendia nada, porque ele estava me contando aquilo? Resolvi perguntar:
- Desculpe-me senhor, mas oque isso tem a ver com o fato de você ter me sequestrado?
Ele pareceu confuso por um momento, mas logo respondeu:
- Nós iremos te criar a partir de hoje, sinto muito, mas você nasceu no dia em que era para a minha filha nascer, e você é tão bonita. Minha filha seria igualzinha a você! Linda! Do mesmo jeito.
AI MEU DEUS! Eu na conseguia acreditar no oque eu estava ouvindo. Estava totalmente chocada com a noticia. COMO ASSIM IRIA MORAR COM ELES???? Escutamos a mulher dele chamar os dois, quando o David estava saindo logo atrás do pai, pude jurar que vi os lábios dele mexerem algo como:
— Eu irei te ajudar!
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