Notas iniciais
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"Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele."- Platão
All the Love xx
1 de outubro de 2014:
É inverno em Londres e minha mãe, Johanna, me obrigou a vir pra escola, mesmo eu dizendo que ajudaria a cuidar das minhas irmãs doentes, ela não me deixou ficar em casa, então, eu estou em mais uma aula chata de artes. Não que eu não goste de artes, amo na verdade, mas essa professora é realmente entediante, pra não dizer o quão velha ela é.
Acho que ela dá aula a tanto tempo que o contrato dela deve ter sido datilografado num pergaminho.
Enfim, enquanto a sala toda morria de tédio ou dormia, resolvi praticar meu esporte preferido: Observar as pessoas. Claro que uma em especial me chamava mais atenção, mas eu não quero admitir pra mim mesmo que tenho uma queda pelo garoto mais lindo da escola (isso aos meus lindos olhos azuis, que quase nunca se enganam). Sabe como é, ele tem muitos amigos, não é tão popular, mais ainda sim, aqueles cachos aparentemente macios conquistam quase todas as garotas, e me arrisco a dizer que muitos garotos também. Sem falar do seu sorriso de covinhas que o torna totalmente convidativo para se ter uma boa conversa. Ele é muito simpático, mesmo só tendo conversado com ele três vezes no máximo e apenas em trabalhos em sala.
Observando-o, devo destacar, ele está esplêndido. Com sua calça skinny rasgada, T-shirt do Capitão América e cachos perfeitamente modelados. Após alguns minutos, vejo uma tatuagem próxima ao dedão, que eu presumo ter sido feita recentemente, pois ela não estava lá semana passada. Não que eu fique reparando.
O sinal do final da aula e ínicio do almoço, bate e me tira dos meus devaneios. Vou ao meu armário colocar meus cadernos para poder seguir ao refeitório, ao abri-lo deixo cair um papel. Olho para os lados, não encontrando ninguém, abaixo-me e pego um envelope branco sem remetente (o que é realmente estranho pois ninguém no século XXI ainda manda cartas). Ao abri-lo, encontro um pequeno poema digitado em um papel amarelado e a única parte que foi escrita a mão era o "All the Love xx ", a letra não era delicada, mas era linda.
Meu estômago deu mil voltas e minha mente estava fervendo.
"Será que tenho um admirador secreto? Quem será que é? Meu Deus. Okay Louis, não pire, pode ser apenas uma pessoa brincando com você."
Mas, infelizmente, não pude conter o sorriso que se formou e permaneceu no meu rosto.
Chegando ao refeitório peguei apenas um pudim de chocolate, pois eu amo o pudim de chocolate da escola, e me sentei no lugar de sempre com Zayn que estava conversando com Perrie e Josh.
Zayn, é um pouco mais alto que eu, tem olhos castanhos-claro, tão claros que se tornam, as vezes, em um tom dourado, ele é um tanto magro, moreno, de descendênciaa arábe. Ele é realmente muito lindo e amoroso, muitas garotas e garotos, o acham bastante sexy, mas acabam com medo de se aproximar, por ele ser parecer misterioso, até um pouco bad boy. No fundo, ele é muito carinhoso e divertido, muitas vezes, assim como eu, se comporta como uma criança e talvez seja por isso que ele seja meu melhor amigo e Perrie tenha uma queda por ele.
Falando em Perrie, ela é uma garota loira dos olhos azuis, magra, se veste como uma verdadeira patricinha e aparenta ser mimada, não sendo tão chata, apenas um pouco enjoadinha. Não posso descrevê-la muito, pois não a conheço corretamente para o fazê-lo, mas ela consegue se encaixar em alguns assuntos nossos e quando sente que está sobrando, dá um pequeno tchau e vai embora. Desde o meio do ano ela vem se aproximando do Zayn, suspeito até que eles tenham um caso, porém não vou me meter. Ele sabe que se quiser pode vir falar comigo, e se não fez isso é porque não há nada pra contar.
Josh é um aluno que entrou no começo do ano e desde então anda conosco. Ele é um pouco menor que eu, com cabelos de tonalidade loiro escuro, olhos castanhos, ama tocar bateria e até tem uma banda com uns amigos de sua antiga escola. Eles se encontram aos sábados e aos domingos para ensaiar, eu e o Zayn já fomos em alguns ensaios e eles tocam realmente bem, mas a banda ainda não tem um vocalista, contudo eles estão tentando resolver isso. Enfim, ele é um cara legal, um pouco tímido, mas conforme se conquista sua amizade ele se solta, se parecendo com o Zayn nesse aspecto.
Quando me aproximei, com o sorriso ainda estampado no meu rosto, o assunto qualquer que eles estavam discutindo foi ocupado por três faces olhando diretamente pra mim com expressão interrogativa.
— Desenbucha. – Zayn e Josh soltaram juntos assim que me sentei.
— Oi, pra vocês também, olá Perrie – dou um sorriso pequeno e Perrie acena com a cabeça.
— Tá, tá, mas agora fala, o que aconteceu? – Insistiu Zayn revirando os olhos.
— Recebi uma carta com um poema, sem remetente. – Disse com um sorriso no rosto e mostrando a carta.
— AI MEU DEUS! QUE COISA MAIS LINDA – ele gritou depois de ler o que estava escrito, me assustando. Sério, o Zayn é bem viado as vezes, não que eu não seja, mas ele é quem beija meninas.
— Como és gay Zayn Malik. – disse soltando uma gargalhada.
— Mais que você impossível. – Perrie acabou se pronunciando.
— Hey! Pra sua informação eu sou Bi, ok?
— É, Bi de Bicha só se for. – Josh falou, fazendo os três rirem, não me importei, já que eu realmente nunca havia me interessado por garotas, constatando-me assim, como homosexual.
Com isso o sinal bate e vamos juntos pra nossa próxima aula. Chegando lá, puxo o Zayn para sentar-se comigo e discutirmos sobre esse "poeta secreto" (prefiro assim, pra não parecer mais clichê do que já é).
O professor ainda não havia chego, então resolvi perguntar:
— Acha que pode ser alguém que está realmente apaixonado por mim? Ou apenas uma brincadeira de mal gosto?
Percebendo minha pequena animação e um pequeno brilho nos olhos, ele apenas suspira e diz:
— Isso eu não sei dizer, apenas espere, se for brincadeira, ele irá desistir, se for algum admirador secreto, ele irá aparecer.
— Tudo bem, obrigado Zaynie, você é o melhor. – Disse lançando-lhe um sorriso verdadeiro que ele retribuiu.
Continuo pensando nisso por mais um tempo, enquanto o professor entra e começa a passar algumas atividades referente a matéria da semana passada. Dou um suspiro e resolvo deixar pra lá, pois minha frase da vida é: o que for pra ser será, não importa quais caminho percorramos, seja qual o destino que devamos alcançar, nós chegaremos. Não sei se alguém já escreveu isso, mas, pra mim, isso é uma das mais genuínas verdades.
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