Diante da neve

4 Nosso território


Notas iniciais
Yoo! Devo milhões de desculpas pela demora desse capítulo, mas épocas de provas são terríveis! D: Antes que leiam, preciso avisar duas coisas: - Esse capítulo (além de curto) não foi bem revisado, gente! Então acho que vão encontrar alguns errinhos que passaram por mim já que a postagem foi nas pressas mesmo rs (Amanhã vou corrigi-lo daqui mesmo!) - O que vocês vão encontrar nesse é algo um pouco diferente dos três capítulos anteriores. Em homenagem ao Gaiden dessa semana (SASUSAKU REINA!!!), tive que fazer algo mais voltado pros dois. Até porque já estava na hora, né?! Obrigada aos que favoritaram a história e aos que comentam. Vocês fazem a fic continuar! Um beijo!

Quando saímos da delegacia, os flocos de neve já pintavam as ruas de branco. O frio parecia ter aumentado fazendo com que os músculos dos meus braços enrijecessem em baixo da minha velha jaqueta de couro preto e imediatamente me arrependi por não ter colocado outro casaco no banco de trás do carro. Estava ocupado demais pensando no quão idiota eu havia sido e somente depois de alguns instantes reparei na garota ao meu lado que usava apenas uma camiseta de algodão completamente suja com sangue seco. Sakura tremia enquanto tentava se envolver com seus braços machucados e à medida que via a cena, sentia minha respiração acelerar de uma maneira que julgava impossível. Soube no mesmo instante que aquele sentimento não poderia ser comparado com piedade, era algo difícil para explicar, mas forte o suficiente para me deixar terrivelmente incomodado.

– Pegue, vista meu casaco.

– De jeito nenhum, Sasuke! Você vai congelar se ficar só com essa camisa.

– O mesmo vale pra você. Ande, vista logo ou nós dois morreremos congelados aqui.

O casaco foi arrancado da minha mão antes mesmo que eu terminasse a frase e naquele instante ficou claro pra mim que qualquer palavra relacionada a “morte” teria que ser descartada de meu vocabulário enquanto estivesse na sua presença. Eu que sempre fiz questão de manter a fama como uma pessoa rude, mesmo que isso implicasse na tristeza das pessoas ao meu redor, estava me limitando por uma desconhecida. Devia estar ficando completamente maluco mesmo...

Dentro do carro, eu tentava ignorar sua presença focando minha atenção nos empecilhos que o vento forte havia arrastado para a pista. De vez em quando sentia o olhar dela sobre mim e estranhamente aquilo não me deixava irritado, mas algo dentro de mim dizia que ela estava buscando em meu rosto o real motivo pra que eu a ajudasse. Estava aí mais uma questão complicada para nós dois: Porque estou ajudando essa garota?

Quarenta minutos depois estávamos em frente ao meu prédio. Sakura continuava ao meu lado e embora parecesse forte o bastante para andar, podia ouvir seus pés arrastando no mármore do piso conforme seguíamos até o elevador que nos levaria até o décimo quarto andar. Era óbvio pra mim que ela não aguentaria muito tempo de pé e cheguei a duvidar de que conseguiria chegar até o apartamento sem que eu tivesse que carregá-la, mas ela se manteve firme como pôde até conseguirmos chegar em nosso último destino do dia.

Permanecendo encostada na porta da sala, ela me encarava enquanto eu sentava no sofá para tirar as botas e meias ensopadas. Julgando pelo seu cansaço, pensei que ela deixaria qualquer conversa para o dia seguinte, mas pela forma como buscava as palavras ao abrir e fechar a boca, parecia ter muito a me dizer.

– O banheiro fica dentro do quarto, se quiser tomar um banho enquanto arrumo algo para você vestir...

– Você não me disse que morava sozinho.

– Algum problema nisso?

– Não! Quer dizer... Eu achei que você tivesse uma esposa ou algo do tipo.

– Seria um tanto estranho te trazer pra cá se fosse casado, não acha?

– Bem, é verdade. Mesmo assim...

– Não se preocupe, não tenho nenhum interesse em mulheres com cabelos cor-de-rosa.

Os grandes olhos verdes abriram um pouco mais quando me ouviu citar a cor de seus cabelos e presumi que, se não estivesse tão esgotada pelo dia cheio, eu teria que fugir do meu próprio apartamento para evitar uma confusão maior.

– Ótimo, porque eu também não tenho interesse em homens brutos como você.

– Bruto? O que aconteceu com o “Obrigada por me deixar morar com você, Sasuke”?

– É claro que estou agradecida! Se não fosse por sua ajuda eu nem sei onde poderia estar agora e vou arranjar uma maneira de te pagar por tudo isso um dia, mas você está sendo um grosso desde que nos conhecemos, Sasuke!

– Acredite, eu não poderia me importar menos com o que acha de mim.

– Insuportável, é isso o que você é.

– E você deve ser a garota mais irritante que já tive o azar de conhecer. Agora, pelo amor de Deus, pare de falar!

– Quer saber?! Vou tomar um banho, não tenho força suficiente pra discutir com você agora.

Pisando fundo contra o carpete do apartamento, ela foi em direção ao meu quarto e depois de alguns instantes ouvi a porta do banheiro bater com certa violência. Que ótimo começo para uma convivência pacífica, não? Parecia que qualquer plano de me manter fora de confusões estava afundando junto com a minha tranquilidade e tudo isso em uma única noite. Todos os meus sentidos apontavam que haveriam discussões muito mais conturbadas que aquela no futuro e preferi não pensar em como estaria aquele lugar dentro de uma semana.

Enquanto minha mente divagava sobre o que faria para retornar à vida normal, me assustei quando senti o celular vibrando em meu bolso. Não havia muitas pessoas que me ligavam ou mandavam mensagens, principalmente naquele horário tão tardio, mas logo imaginei que fosse Kouta tentando ter notícias de Sakura. Estava pronto para dizer a ele que tinha sido uma péssima ideia trazer a menina para morar comigo, quando o ícone para mensagens de texto piscou no visor, mostrando que eu havia recebido algo de um número desconhecido e imediatamente fiquei tenso com o que poderia vir.

– “Sabemos que ela está com você. Fique fora disso se não quiser acabar como eles. ”

Haviam descoberto o paradeiro de Sakura muito mais rápido do que imaginei, mas considerando que viemos juntos para o meu apartamento, era possível que estivéssemos sendo seguidos da delegacia até aqui sem que eu percebesse. Além disso, como conseguiram meu número? Não é como se eu espalhasse informações minhas por aí, principalmente se isso envolve mulheres estranhas me ligando o tempo inteiro. Qualquer que fosse o objetivo dessas pessoas, agora eu estava envolvido na história e por mais que minha razão gritasse para deixar Sakura seguir seu caminho por si mesma, tudo em mim apertava quando pensava em fazer algo do tipo. Poderia ser apenas o caráter falando mais alto, mas sabia que não era apenas isso.

Quando um grito abafado ecoou pela sala, não me permiti pensar antes de correr até onde Sakura estava. Enquanto atravessava o quarto já pensando no que fazer se aqueles caras estivessem ali dentro com ela, a porta do banheiro abriu bruscamente liberando uma longa nuvem de vapor e com ele, cabelos cor-de-rosa correram em minha direção. Em um momento eu estava em pé e no segundo seguinte já estava no chão, sentindo o carpete macio ás minhas costas e o peso de Sakura em cima de mim.

Seu rosto estava extremamente corado, mas se pelo calor do banheiro ou pela nossa proximidade, isso eu não saberia dizer. Os olhos verdes que antes me encaravam com desconfiança, agora me passavam uma mistura de susto e confusão pelo que havia acontecido ali. Uma de minhas toalhas preferidas envolvia seu corpo e apenas por alguns poucos centímetros não mostrou mais de seu colo do que poderia mostrar.

– ...

– Eu, hã... acho que esquentei a água mais do que deveria e só pensei em correr para fora, desculpe.

– Hm, tudo bem.

Mesmo sem conseguir tomar o banho que queria, ela exalava o cheiro adocicado de avelãs e percebi que em meu estoque de sabonetes e óleos não havia nenhum com tal cheiro. Quando já estava me acostumando com seu peso em mim, ela saiu da mesma forma que caiu, rapidamente. Porém, algo dela ficou em mim e dessa vez não era o perfume.

– Sakura... Sua toalha...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.