Diana
1 Sins
Notas iniciais
Diana sempre foi uma garota que, desde pequena já chamava a atenção de outros pela sua inteligência. De cabelos longos e negros, era como uma amazona. Deixava-os soltos, a balançar naturalmente. Toda a sua família eram judeus. Menos seus pais, fazendo com que Diana acabasse não seguindo esse caminho e indo para Inglaterra estudar Direito.
Tempos após, Diana recebeu uma carta, onde dizia que sua família viria da Espanha, sua terra natal, mas foram pegos por pessoas que se diziam estar a comando do rei Aragão. Rei ambicioso, que via apenas a si e que se aproveitou da "onda" da Inquisição, para levar adiante negócios próprios, enquanto clamava ao seu povo contra a heresia e a falta de fé cristã.
Sem saber o que fazer, retornou a carta e logo estava fazendo suas malas e partindo rumo à Espanha. Uma Espanha sangrenta, violenta que nunca havia visto antes. Logo, foi recebida por uma conhecida que lhe disse:
— Você não pode ficar aqui, mocinha! Fizeram-se o que fizeram com seus pais, imagine o que farão com você!
— Então tudo é verdade, Lady Ina?
— Sim, minha família, sua família. Todos...
— Bastardos! – gritou Diana – Eles não tinham esse direito! Torturar e matar adultos e crianças!
— Diana, não culpe aos capangas... Eles estão a mando do rei. Fazem isso em troca de comida, teto e proteção de suas famílias.
— Por que minha família, Lady Ina? Por quê?
— Eles tentaram fugir para a Inglaterra, minha filha – disse Ina afagando Diana em seu colo. – Infelizmente foram pegos antes de chegarem à fronteira. Por mais que o caminho fosse longo, o rei descobriu e mandou homens atrás de todos eles... Eu fugi. Estava perto da porta da carruagem, então me joguei beira abaixo quando percebi que havia nos descoberto. A morte pra mim, naquele momento, seria melhor do que qualquer tortura que estaria por vir...
— Pois foi uma fraca! – disse Diana em um tom grosseiro e choroso — deveria ter ficado e ajudado meus avós!
— Sim, Diana. Fui e sou uma fraca. Eram vários homens... O que poderia fazer, eu, uma senhora? Você não deveria ter vindo Diana. Você estava bem com os ingleses. Tem um futuro próspero. Volte imediatamente! Aqui não é seu lugar! E se te descobrirem, logo irão atrás de você.
— Lady Ina, como seria descoberta em um porão de uma velha casa de vilarejo? Além do mais, esse rei irá me pagar. Por tudo o que fez a minha família.
— Não, minha filha... Não faça nada. Apenas vá! – implorou Ina. – vá, menina!
Diana apenas a olhou por um instante com a mesma cara que fazia quando iria aprontar algo quando criança.
— Lady Ina, não ficarei em paz enquanto não acabar com o rei e toda essa sangria. Queira a senhora ou não.
— Se quer ir para a batalha, precisará de um forte. Pode contar com meu teto, minha filha.
Diana foi para o quarto de hóspedes. Nada luxuoso, mas muito confortável. Diana desfazia suas malas sentindo certa nostalgia de quando criança e corria pela casa de Ina, que lhe penteava seus longos cabelos enquanto olhava pela janela que dava para o chafariz... Diana olhou para a janela. Aquele velho chafariz já não havia agua. Havia nada... Só conseguia pensar em como sua família sofreu, torturados por uma acusação que não havia fundamentos... Seguir outra religião nunca foi um pecado. Isso não é de forma alguma heresia.
— Se aquele rei quer sangue em suas mãos, que seja o dele mesmo! – disse em tom sussurrante. Terminou de arrumar suas malas e fora para a cozinha, onde estava Ina.
— Já ia lhe chamar Diana! Venha! Acompanhe-me na refeição.
Ina conhecia Diana desde muito nova. Ela era uma velha conhecida na família, e tinha um apreço por Diana.
Após a refeição, Diana foi para o quarto. Fechou-se em seu mundo ao se deitar. Fitava o teto, enquanto pensamentos passavam por sua cabeça... Até que ouviu grito vindo de fora da casa, que a fez despertar-se. Eram homens levando uma mulher. Diana apenas observava pela janela... Sem reação. Nunca havia visto tamanha brutalidade, até que levaram tal mulher em uma carruagem... Diana, apenas olhava... Até a carruagem sumir no breu da noite escura. Nesta noite Diana não dormiu. Era madrugada, quando pegou de suas coisas. Um sobretudo encapuzada e saiu madrugada a fora pelas ruas escuras e vazias... Apenas alguns comerciantes começando a abrir seus mercadinhos... Andava pela sombra para não ser notada. Conhecia aquele lugar como a palma de sua mão. Caminhou até o palácio do rei. Apenas observava. As luzes estavam apagadas. O dia estava a nascer e já se percebia movimentos da criadagem. Até que o viu pela janela. Observava de longe...
Já era noite quando Diana voltou para a casa de Ina.
— Onde estava, Diana? Preocupei-me durante todo o dia! Como você some do nada!
— Apenas observando Lady Ina... Apenas observando... – disse Diana calmamente, subindo os degraus.
— Quer que eu leve o jantar até seu quarto? – gritou Ina da cozinha.
— Por favor, Lady Ina! Ficarei grata!
Várias madrugadas Diana dedicara a observar o rei. Passava horas e horas ali, tentando achar uma brecha para que pudesse entrar em sua corte. Mas aquilo era como um forte. Nem do alto da mais alta das arvores Diana conseguia invadir. Foi quando lhe ocorreu a ideia de se passar por algum empregado e, assim, conseguir chegar aos pertences do odioso rei Aragão. Fora para a casa já anunciando a Ina que partiria em breve de sua casa.
Logo pela manhãzinha Diana já partia. Deixara um bilhete para Ina:
"Você ainda saberá de mim. Obrigada por tudo." – Diana.
E partiu determinada, sem olhar pra trás. Era como se finalmente ela poderia viver em paz. Depois de recebida, anunciaram-na ao próprio rei, que logo gostou dela. Uma moça educada. Aragão tirou-a dos serviços de empregada e a colocou como sua assistente pessoal. Olhares invejosos de todos: "como uma reles garota poderia estar ao lado de um grande rei como Aragão".
Logo se descobriu que além de espanhol, Diana era fluente em inglês e latim.
— Muito inteligente a senhorita. Deve ter tido uma bela educação. Além de bela és culta. — Disse-lhe Aragão se aproximando por detrás de Diana, acariciando e cheirando seus longos cabelos.
— Não, meu rei. Não tive a oportunidade de estudar formalmente. Roubava livros. Prestava atenção nas pronúncias de cada detalhe das palavras.
— Mas e o latim?
— Fiquei um tempo escondida em um templo.
— Escondida?
— Andei aprontando pelas ruas, meu senhor.
Em seguida Aragão a segurou em seus ombros com firmeza, ainda por detrás da moça.
—Então tu és uma travessa!
Dizendo-lhe isso, rasgou lhe a parte da frente do vestido que usava e a puxou contra sua vontade. Diana, em um golpe, o chutou pelas partes baixas e saiu de seu escritório.
"Porco nojento!" dizia Diana já em seus aposentos. Mas precisava continuar. Precisava permanecer na casa.
Pela manhã, Aragão, após o café da manhã foi até a sala de estar. Diana tocava o piano de calda lindamente, até Aragão pressionar a palma de suas enormes mãos ao piano.
— Insolente! Como ousas? Pensas que és quem, sua mulher da vida?!
— Me desculpe meu rei. Não quis ser insolente, apenas aproveitei um tempo livre... e havia tempos que não tocava. Não resisti.
— Pois resista! E volte ao trabalho.
Aragão se pôs pensativo, "uma mulher não seria tão prendada vivendo nas ruas." E foi aos seus aposentos aliviar tensões reprimidas há certo tempo.
Diana tinha livre acesso ao escritório de Aragão. Aproveitou-se do momento e foi vasculhar por seus documentos. Encontrou uma pasta com papeis e documentos que, sem duvida, eram ilegais. Pegou-o e colocou em meio a panos de mesa, assim que percebeu que Aragão vinha em direção.
— Deixe-me só! – Disse aos berros Aragão.
Diana saiu e voltara aos seus aposentos com a desculpa de que não se sentia bem. Trancou e teve certeza de que não seria interrompida. Em sua cama, começou a ler todos os documentos. Ficara a noite toda em claro. Mas aquilo que descobriu não poderia ficar impune. Guardou muito bem a pasta e foi ao encontro de Aragão, que se preparava para sair.
— Diana fique aqui! Tome conta de meus negócios enquanto não estiver aqui.
Diana consentiu com a cabeça. Era a deixa perfeita. Já que outros empregados eram proibidos a entrarem no escritório de Aragão, sempre trancado. A única cópia das chaves eram a de Diana que seguia ordens de trancá-la enquanto estivesse trabalhando. Diana fora imediatamente ao escritório assim que a carruagem de Aragão sumiu ao horizonte. Diana percorreu por cada livro, por cada estante, descobrindo todo o reinado sombrio e oculto de Aragão e seus comparsas. Houve lhe tempo suficiente para ter o que procurava e a certeza da morte de seus familiares. Mas precisava de muito mais. Precisava de mais tempo para acabar com aquilo de vez. Precisava de maior confiança de Aragão. Recolheu alguns documentos tendo a certeza de que não deixara rastro e saiu do escritório logo que Aragão chegava a sua corte. Correu sorrateira até as escadas. Subiu e logo que chegara a frente da porta de seus aposentos, antes que pudesse destrancá-la, uma das empregadas que fora selecionada junto com Diana pegou-a em seu braço fortemente e a colocou contra a porta. Começou-lhe sussurrar próxima de seu rosto. Diana sentia sua respiração em sua pele "eu sei que você pode nos ajudar, sei que pode acabar com ele e toda esta loucura." Diana ficou parada, imóvel. Não piscava. Estava em choque. Ninguém deveria saber de seu propósito, mas ao voltar do transe, a empregada já havia ido e ela simplesmente entrou em seu quarto, trancou a porta e colocou uma cadeira na fechadura como um reforço a mais. Já não estava mais segura na mansão. Tinha que agir rapidamente. Juntou todos os documentos que havia roubado, colocou seus poucos pertences em sua mala e decidiu ir embora naquela mesma noite.
Aragão a chamava aos berros. Aguardava em seu escritório e a pediu para se sentar. Deu-lhe um papel onde estava escrito vários tipos de torturas. Como torturas com água em que se pretendia colocar litros de água na vitima por um funil. A vitima seria completamente imobilizado com a barriga para cima. Ou onde a vitima era posta nua sobre um cavalete de madeira em forma de "V" onde as partes mais agudas ficavam entre as pernas e pesos eram presos entre os pés e a vitima ia-se, aos poucos sendo cortada ao meio. Aquilo chocou e revoltou Diana. Foi tomada por um ódio muito intenso. Mas não demonstrou. Apenas devolveu o papel.
— Essa será uma de nossas sentenças àqueles que não cumprirem às nossas ordens.
— Quais ordens seriam essas, meu rei?
— Não é da sua conta, vadia desprezível. Apenas não terão conhecimento de suas consequências caso sejam pegos desrespeitando de minhas autoridades.
Diana se viu sem rumo. Não poderia deixar que aquilo continuasse. Os documentos que tinham não afetariam o rei e ela acabaria morta ao meio. Ela precisaria daqueles documentos que fora acabado de mostrar. Mas esses ficavam guardados a chaves pelo rei. Diana, então resolveu se levantar. Já era noite e ela usava um vestido em que conseguia ver pelos olhos de Aragão que ele a desejava. Diana, passando a mão de leve, caminhou lentamente até o rei, que se mexeu um pouco surpreso em sua cadeira. Diana colocou seus braços em volta de Aragão e chegou ate sua nuca, onde o sentiu se arrepiar.
— Eu sei que você me deseja.
E virou a cadeira de Aragão, montando-se nele, fazendo com que o vestido se levantasse. Aragão a pegou forte e beijou todo o seu colón. Diana se mexia encima dele conforme mudava os documentos, colocando papeis aleatórios no lugar. Ela sentia repulsa, mas Aragão acabou por dominá-la ali mesmo como um animal. Sem pudor, como se estivesse dominando uma égua. Logo levantou suas calças e a mandou sumir dali. Diana pegou os papeis e fugiu ainda naquela noite.
Havia uma tempestade horrível, mas Diana chegou pela manhã na casa de Ina.
— O que está fazendo aqui, minha filha? Está toda ensopada! Não acredito! Você enfrentou a tempestade pela noite. Entre já! Tome um banho! Deixe que eu leve sua mala.
— Obrigada. — Disse Diana.
Subiu ate o quarto de hospedes e tomou um banho quente, imaginando se a corte já teria dado sua falta. Logo após, desceu. Ina chamou para comer. O dia estava ensolarado após a terrível tempestade da noite anterior.
— O que aconteceu, minha filha?
— Tudo Ina! Descobri tudo! E preciso de sua ajuda! — Diana retirou as pastas e espalhou todos os documentos pela mesa.
— Não acredito Diana! Você pode ser morta por isso!
— Mas antes, mostrarei toda a verdade!
— Minha filha, isso não envolve só ao rei, isso envolve a você também! Não acredito que você seja descendente de Joana D'arc! Diana, se isso cai em mãos erradas, não consigo imaginar as consequências.
— Preciso de sua ajuda, Ina! Preciso expor estes documentos publicamente
— Mas como, Diana.
— Ainda não sei, mas descobrirei!
Assim, Diana passou a procurar outros meios de não ser reconhecida. Em meio a pesquisas e fontes, Diana se encontrou com Marco, um revolucionista que estava disposto a derrubar Aragão. Passou-se a encontrar-se em um porão, num casebre que ficava em meio a um beco. Marco e Diana planejava um golpe frio. A família de Marco era completamente contra Aragão e se dispôs a reunir em praça pública uma assembleia, na qual, segundo eles, discutirão interesses políticos populares, impossíveis para a época. Aragão foi completamente contra e enviou seus exércitos.
— Rei Aragão! Ordeno-lhe que fique a frente de seu povo! Que tipo de rei se covardia perante a uma população injuriada? Venha! Suba a este palanque que foi feito especialmente a você! — gritava Antônio, pai de marco. Aragão saiu de sua carruagem e fora escoltado até o palanque.
Marco se pronunciou:
— Durante todo o seu reinado, as pessoas vivem em caos, medo, discórdias! Mulheres eram estupradas e mortas até mesmo em frente às suas famílias...
— Como ousa falar assim de seu rei, fedelho insolente! Condeno-te em nome todos que estão aqui! Levem-no! — seu exercito se calou.
Diana se pronunciou:
— Eu, Diana Giovanno D'arco, descendente de Joana Dar'c, A Donzela de Orléans mostro a cada uma das pessoas presentes, documentos que comprovam toda a farsa deste homem, que em nenhum momento soube o que foi ser um rei de verdade. E com sua condenação e posse de marco Giacommo, declaro abolida a inquisição. Levem Aragão até a cela. Sua sentença será amanhã ao meio dia.
Notas finais
xoxo :*
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