Diamante de Sangue
1 Capítulo 1
Notas iniciais
–Só café, por favor.
A garçonete ergueu as sobrancelhas para mim.
–Não vai comer nada?-perguntou, ela falava com um sotaque forte, russo talvez.
–Não, obrigada — falei dando um sorriso.
A garçonete deu de ombros e saiu para transmitir o pedido para um homem atrás do balcão.
Eu estava sentada em uma mesa ao lado de uma grande janela da cafeteria, olhando os pedestres passando apressados pela calçada.
Era meio de dezembro, os flocos de neve caiam tranquilamente pelo céu de Nova York e enchiam as calçadas de branco.
A noite estava fria, as pessoas que passavam pela rua se encolhendo dentro de seus grossos casacos durante as súbitas rajadas de vendo.
O sino da porta da cafeteria soou quando esta se abriu e Dilan Harvey entrou. Ele sorriu ao me ver e veio na minha direção , ele estava usando calças jeans e uma blusa preta com seus cabelos castanhos molhados pela neve derretida.
–Está bonita — falou ele se sentando na minha frente.
Olhei para o meu próprio reflexo na janela, estava usando um vestido curto e justo de veludo, meias arrastão e botas. Meu cabelo castanho-escuro caindo em ondas ate a metade das minhas costas.
A garçonete voltou trazendo a minha xícara de café e a colocou na minha frente.
–Deseja alguma coisa?- perguntou se virando para o Dilan, seus olhos cheios de interesse e expectativa.
–Não obrigado- disse ele sem levantar o olhar
–Se precisar é só chamar – falou ela enquanto se virava claramente ofendida por ele nem olhar para ela.
–Ela pareceu interessada em você – falei assim que a garçonete se afastou – e é bem bonita.
Dilan se virou na cadeira para olhar na direção da garçonete loira que estava indo atender os outros clientes.
–Sério?-perguntou – não reparei... Mas não faz o meu tipo
–Achei que loiras altas e bonitas fossem o tipo de todo mundo
Eu me lembro de quando nos conhecemos, a mais ou menos 10 anos, nós sempre estudamos no mesmo ano, mas só começamos a conversar quando eu havia caído do balanço na escola e ele veio me ajudar a ir para a enfermaria.
–Alice Backer!-falou ele me tirando dos meus devaneios — você esta ouvindo o que eu estou falando?
–Não –disse com sinceridade- o que você estava falando?
–Você esta ouvindo o que aqueles homens estão falando na mesa ao lado?
–Não, Dilan, é feio escutar a conversa dos outros – falei.
Ele revirou os olhos para mim e deu risada.
–Eles estavam falando dos desaparecimentos da cidade- começou ele- parece que a policia ainda não descobriu nada.
–Ah, isso- falei – minha mãe estava ate pensando em mudar de cidade, mas eu a convenci a ficar, afinal, o que você faria sem mim?
Ele olhou para o relógio ignorando o que eu falei apesar de claramente não ter gostado a ideia de eu me mudar.
–Acho melhor irmos- disse ele- o filme já vai começar.
–Que filme é mesmo?- perguntei- aqueles dos aliens?
–Esse filme saiu do cinema faz dois meses Alice- falou
–Ah, não sabia-falei.
–Acho que era aquele dos zumbis- ele falou alegremente
–Não me lembro de ter concordado com isso- falei.
–Bem então qual?- falou ele com a expressão passando de totalmente alegre para totalmente triste
–Pode ser o filme do zumbi então Dilan, afinal, esse filme de zumbis não deve ser tão ruim.
–Sério?-perguntou me dando um abraço
–Claro- afirmei- mas se você não me soltar agora vou morrer sufocada e você vai ter que assistir sozinho
–Desculpe – falou ele – vamos logo então
O cinema ficava a apenas uma quadra da cafeteria então não havia muita necessidade de se apressar, mas parecia que o Dilan não pensava a mesma coisa.
–Calma Dilan, não precisa andar tão rápido- eu tinha falado assim que saímos da cafeteria
Viramos a ultima esquina e eu avistei o cinema totalmente iluminado se erguendo no final da rua, uma multidão saia do cinema, provavelmente de algum filme que tinha terminado, e ia em direção aos restaurantes por perto.
Eu parei na frente de uma vitrine de uma pequena loja de roupas para ver uma luva de veludo que estava em liquidação.
–Alice – chamou Dilan parando alguns passos na minha frente
– Não são pra mim – falei deduzindo o pensamento dele – o natal esta chegando sabia?
–Sabia –falou ele rindo – minha mãe não para de falar os presentes que ela quer.
– Bom, depois posso voltar aqui — falei.
Estava me virando para segui-lo até cinema quando um brilho chamou a minha atenção do outro lado da rua, um homem vestindo roupas caras e correntes de ouro e prata, o que provavelmente foi o que chamou a minha atenção.
O homem estava passando na frente de um beco ao lado do restaurante, onde eles deixavam as latas de lixos, quando três homens totalmente pálidos com os cabelos pretos como óleo e os olhos vermelhos como rubis , o puxaram para dentro do beco tapando a sua boca impedindo que ele emitisse algum som.
–Dilan!-gritei – você viu isso?
– O que? – perguntou ele assustado com o meu grito repentino
– Um homem foi puxado por 3 caras para dentro do beco – vou lá ver – falei me virando e indo em direção ao beco
– E você vai fazer o que lá Alice? – perguntou ele – bater neles?
–Bem então ligue logo para a polícia – falei – mas mesmo assim eu vou, me espere aqui.
–Não vou deixar você ir sozinha – falou ele – eu vou também.
–Então ligue para a polícia antes – falei
– Acho que aqueles homens já ligaram- falou ele apontando para um grupo de homens paralisados na frente de um restaurante encarando o beco à frente, o mais alto deles com o telefone no ouvido falando rapidamente com alguém, a polícia provavelmente.
Comecei a correr em direção ao beco, com Dilan logo atrás de mim sem nem pensar no que faria quando chegasse lá.
Consegui ouvir atrás de mim o grito dos homens na frente do restaurante nos chamando de volta, mas não me virei para olhar.
Parei assim que cheguei à frente do beco, respirando fundo duas vezes antes de entrar com o Dilan ao meu lado.
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