Diamante & Quilate
1 Em chamas.
"Lék!!"
Foi apenas essa palavra que João Lucas escutou no meio daquela multidão. Céu azul sem estrelas, como uma brisa de verão. Era assim que estava aquela madrugada em Petrópolis.
Lucas já estava do lado de fora da boate, com as pálpebras e as pupilas arregaladas. Seus olhos estavam procurando por Du. Pessoas e mais pessoas iam saindo da boate que estava em chamas.
Mas e Du? Onde ela estava? Ele não acabara de à ouvir o chamando? Só Du o chamaria assim.
Lucas procurou por Eduarda em todos os cantos. Ela não estava fora da boate. O filho caçula dos Imperadores olhou pela última vez ao seu redor e não encontrou sua melhor amiga dos cabelos vermelhos vibrantes.
João Lucas não pensou duas vezes e deu um impulso em suas pernas para entrar novamente para dentro daquela boate. Ele tinha que fazer algo, se alguma coisa acontecesse com Du por sua culpa, não queria nem pensar nisso, mas ele nunca se perdoaria.
Quando Lucas correu em direção à boate, ele sentiu alguma coisa o parar.
Um impacto.
Duas mãos brancas, com as unhas pintadas com um esmalte preto, estavam em seu peitoral.
_Qual foi? Ta maluco lék? Vambora! -A garota já gritava, tamanho era o medo que sentia.
_Du! -Sua voz estava carregada de alívio. -Vamo lék, vamo da o fora daqui!
Eles correram o máximo que puderam até o carro de Lucas. Abriram as portas rapidamente e entraram. Como sempre, Du se sentou no banco do motorista e Lucas no de passageiro. Eduarda dirigindo e João Lucas em seu lado, no banco da frente.
Com as respirações ofegantes e os corações acelerados, seguiram com o carro, mesmo que ainda sem rumo.
_Pra onde é que a gente vai? -Perguntou Lucas.
_Ué, pra tua casa mesmo, ou você quer mais confusões como essa? -Disse Du.
_Calma Du, para um pouco naquela pracinha. -Disse Lucas.
Eduarda deu seta para a direita e parou o carro na pracinha na qual eles já estavam próximos. Já eram seis horas da manhã, estava quase amanhecendo.
_Qual foi lék? -Perguntou Du.
_Não, não vamos pra casa não, olha meu estado! -Ele disse apontando para sua camiseta, que antes de toda a confusão era branca, e sua jaqueta preta, que estavam repletas de cinzas. -Meus pais vão me encher de perguntas.
_Ta, e você pretende fazer o que?! -Ela perguntou.
_Ah eu não sei. -Disse Lucas encostando a cabeça no banco. -Só vamo ficar aqui um pouquinho, ta?!
Du tirou as mãos do volante, em seguida tirou o cinto e jogou suas costas em seu banco.
_Que confusão! -Disse Du.
Lucas começa a rir.
_Que foi? -Perguntou Du.
_Isso tudo aconteceu, só porque você perguntou se a noite tinha que ser com ou sem emoção. -Lucas riu um pouco mais. -Isso foi com emoção pra você?
_Nem brinca lék, que susto que eu levei. E como que é que a boate pegou fogo?
_Sei lá Du, só sei que a gente saiu vivo! -Disse Lucas deitando sua cabeça no colo de Du.
_E mais uma vez, a dupla LucaDu saiu intacta! -Lucas imitou uma voz de locutor de desenho animado, com uma das suas mãos para cima, imitando um super-herói.
Du riu e começou a passar a mão nos poucos cabelos de Lucas.
De repente, o celular de João Lucas começou a tocar. Ainda deitado, se espremeu um pouco para tirar o celular do bolso e atendeu.
_Alô?
_Oi Lucas! -Disse uma voz que por mais baixa que fosse, foi possível para Du reconhecer que era uma voz feminina.
Du pensou em quatro possibilidades; poderia ser Cristina, sua irmã por parte de pai. Também poderia ser Clara, sua outra irmã, mas por parte de mãe e pai. Amanda, sua prima. Ou até sua mãe, Marta, a Imperatriz das jóias. Mas infelizmente, nenhuma das possibilidades destacadas por Du eram reais.
_Oi Cah! -Disse Lucas sorrindo e se ajeitando de novo em seu banco.
Na cabeça de Du, ela só conseguia pensar em quem seria essa tal "Cah". Ela ficou encarando Lucas. Ele estava olhando para o sol que estava nascendo. João Lucas havia naquele momento se desligado de alguma maneira. Havia até por um segundo esquecido da presença de Du. Apenas se concentrava naquela ligação.
_Ah que bom que você não se feriu e conseguiu sair antes. É claro que eu me preocupei com você, né? Mas que pena que a gente não se viu mais um pouquinho... -A voz de Lucas era quase que melosa.
Nada passava despercebido aos olhos da ruiva e então Du já começou a ligar os pontos.
_Tá bom então, beijo, tchau! -Disse Lucas sorrindo e desligando o telefone.
Automaticamente ele olhou para Du.
_Que foi? -Perguntou.
_Quem era? -Perguntou ríspida.
_Camila. -Respondeu.
_Quem?
_Camila, uma menina aí que eu tava pegando.
"Que eu tava pegando" Du ouviu essa frase sair da boca de Lucas várias e várias vezes e em todas as vezes ela sentia um peso sobre seu estômago, cada vez mais forte.
Du ficou em silêncio e seus olhos começaram a se encherem de lágrimas. Mas ela nunca deixaria ele perceber e então conseguiu escondê-las de Lucas.
_Ai Du, vamo pra casa. Tô cansadão! -Disse Lucas se espreguiçando.
_Vai sozinho! -Ela disse e saiu do carro.
Lucas também já tinha escutado um "vai sozinho" várias vezes sair da boca de Du. E isso sempre acontecia depois de ele ficar com uma garota qualquer. Mas ele nunca se tocava do que estava acontecendo.
Du, logo após de ter deixado o carro, andava na pracinha em direção à sua casa.
_Qual foi Du, pra que isso? -Perguntava confuso.
_Ué, nada. Só vou pra casa andando. -Respondeu sem emoção.
_Cê jura que não quer uma carona? -Tentava convencê-la.
_Não, tô de boa. -Mais uma vez foi fria.
Lucas achou estranho, mas depois acabou aceitando. Saiu do carro e foi pro banco do motorista. Rumo à sua casa.
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