_Vem pro Rio de Janeiro com a gente? -Lucas falou sério e muito calmo. Ele não tirava seus olhos dos olhos castanhos de Du.

_Que? -Perguntou surpresa, mas ao mesmo tempo soltando uma risadinha.

_Cê ta rindo do que, posso saber? -Perguntou Lucas não contendo a risada e apertando o nariz da ruiva, gesto que sempre à fazia sorrir.

Era incrível como ambos sentiam que podiam ficar ali a tarde toda. Eles se divertiam com tudo.

_Não, é que parece que cê não conhece sua família, né?

_Ah qual foi Du, cê já se acostumou com eles, né? -Perguntou Lucas se ajeitando para deitar, enquanto Du ainda estava sentada na cama.

_Sim lek, acostumei, a questão é: eles não se acostumaram comigo.

_Então se você já se acostumou com eles, cê já deve ter sacado que eles não se acostumam com ninguém. -Ele disse olhando para o teto.

Ela realmente não estava acreditando que aquela proposta era séria.

_É, mas cê ta maluco? Cara, e meus pais? -Ela perguntou e ele à olhou em seguida. -Cê acha mesmo que meus pais vão deixar eu ir pra sua casa, para o Rio de Janeiro? Qual é, eles nem gostam que eu venha aqui na sua casa em Petrópolis.

_Ta, eu sei Du... -Ele começou a falar e se levantou. -Mas pelo menos hoje, pode ser? Qual foi lek, casa nova, pessoas novas... Pessoas CHATAS. Poxa, você vai lá, a gente vai na praia, no shopping, numa baladinha. Só acho que você podia ir lá hoje, cê não acha não?

Du pensou um pouco. Mas não levou muito tempo. Ela adorava o Rio. Deixou o Rio com apenas 6 anos. Ela não gostava muito de Petrópolis. A única parte boa de se mudar pra Petrópolis era ter conhecido Lucas, seu melhor amigo.

_Ta lek, eu vou.

Lucas sorriu. Ele se levantou e foi na direção da porta. Colocou suas mãos na boca para abafar o som de sua voz e fazer parecer como se estivesse falando em um microfone e começou:

_Atenção passageiros: Senhorita Eduarda Botticelli está indo para o Rio de Janeiro junto com a família Medeiros, obrigado. E aproveitem a viagem.

Du que estava sentada na cama, se virou e olhou para Lucas. Os dois soltaram um sorriso. Lucas estava indo descer as escadas e Du logo falou:

_Sua imitação é horrível!

_Tô ligado!- disse Lucas.

Du pegou sua bolsa que estava na cadeira do computador e desceu as escadas atrás de Lucas. Marta estava conversando com dois homens, não muito maiores do que ela; Lucas na frente de Du e ela com a mão no ombro dele. Era assim que os dois estavam na frente da escada.

_Eduarda! O que você está fazendo aqui querida? Já sei, não precisa responder.

_Como assim mãe? -Ele perguntou.

_Ah meu filho, você acha mesmo que eu vou acreditar que vocês só jogam videogame?

_E o que mais a gente faria dona Marta? -Perguntou confuso, mas sorrindo para a matriarca da família.

Marta olhou Lucas como se ela quisesse transmitir o que estava pensando.

_Até quando vocês vão continuar com essa conversinha de que são apenas amigos? -Ela perguntou simplesmente, deixando os dois pasmos com a pergunta.

_Qual é, coroa?!

_Nós somos mesmo só amigos dona Marta. -Ela disse, apesar da situação, sorrindo.

A ruiva sempre achou que sorrir, faria com que Marta começasse a gostar um pouco mais dela.

Du e Lucas lidavam muito bem com isso. Muitas pessoas já haviam perguntado se eles eram namorados. Escutam essa pergunta desde que tinham 14 anos. Já estavam acostumados, mas nenhum dos dois entendia muito bem o porque que muitos achavam isso.

Marta ia falar algo, mas logo virou pra trás para ver quem havia fechado a porta. Era o Comendador. Ele andou até a direção da sala e olhou para todos presentes ali.

_Estão todos prontos? -O Comendador perguntou.

_Já, só falta a Clara, ela ainda não desceu. -Respondeu sua esposa.

_Prontos pra quê? -Perguntou o caçula dos Medeiros.

_Como pra que meu filho? João Lucas! Acorda! -Disse Marta estalando os dedos debochando do filho. -Nós estamos de mu-dan-ça, já esqueceu?

_Eu sei que nós estamos de mu-dan-ça dona Marta! -Respondeu Lucas no mesmo tom de deboche da mãe. -Eu quis dizer "como assim"? O caminhão de mudança só vai levar as coisas do seu quarto?

_Sim, isso a gente já tinha combinado ontem, mas como você foi para a balada, não é mesmo? Não ficou sabendo. -Ela disse indo em direção à cozinha. -Silviano! Você já está pronto?

Na sala restou apenas os três ali. Du olhando para o Comendador, ele olhando Marta andando até Silviano e Lucas olhando inconformado para o chão.

_Cê viu o que ela falou? Cara, a gente quase morreu naquele incêndio e ela nem se preocupou, só quis saber dessa porcaria de reuniãozinha que eu não tava...

Lucas não conseguiu terminar de falar, logo Zé Alfredo o interrompeu:

_Ah pare Lucas, vamos, pare de frescura. Sua mãe e eu hoje mesmo brigamos com você por você não ter aparecido. E sim, só as coisas dela vão para a casa nova. Nós vamos vender a casa assim mesmo, com móveis e tudo.

_Isso quer dizer que...

_Quer dizer que você vai ter uma casa nova, com tudo novo assim como seus irmãos.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos até que o Homem de Preto voltou a falar.

_Questions? Perguntas? Ótimo. Então vamos para o Rio!

_Espera pai!

Zé que estava indo para a porta, parou e permaneceu no mesmo lugar.

_Que foi?

_A Du pode ir com a gente?

_A moça aí de cabelo cor de fogo tem medo de andar de avião?

_Não senhor. Eu já andei.

_Então, let's go!

Ficaram então só Lucas e Du ali na sala.

_Vambora lek! -Ele disse.

Depois de mais ou menos uma hora de vôo, os Medeiros de Mendonça e Albuquerque estavam no Rio de Janeiro.

Assim que todos saíram do avião, logo pegaram um carro para ir para casa. Marta e Brigel, seu motorista particular, indo junto com Clara e José Pedro. E o Comendador indo com Du e Lucas juntos com Josué, seu amigo fiel.

Lucas estava quase dormindo encostado no ombro de Du e ela com a cabeça encostada na janela ouvindo música.

_Chegamos Lucas, acorda. -Disse José Alfredo.

_Hã? -O filho perguntava ainda sonolento.

_Josué, me ajude a pegar as malas aqui. -O Comendador pediu quando já estava fora do carro em frente ao porta malas.

Lucas e Du ainda estavam no carro, ele deitado no ombro de Du sem se preocupar em acordar.

_Lucas, acorda! -Ela falou baixinho.

_Hã? To acordado... -Começou a falar e a se levantar. Logo bocejou. -Eu tava tão aconchegado, ai vocês acabam com a minha alegria, sacanagem hein! -Ele brincou.

_Du? -Perguntou um homem que estava andando na calçada e logo se aproximou.

Ele usava uma camisa branca, jeans e sapatos marrons. Tinha cabelos mais ou menos compridos. Eram pretos e lisos.

_Davi? Fala sério! -Ela disse logo abrindo a porta do carro para ir de encontro com o tal rapaz.

Lucas que foi despertando aos poucos, se tocou que Du havia encontrado alguém que ele não conhecia e permaneceu dentro do carro.

_Que que cê ta fazendo aqui cara?-Ela perguntou e foi de encontro ao rapaz que parecia ser seu amigo e o abraçou.

Lucas não se conformou com aquele abraço. Ele ficou encarando os dois e vigiando suas atitudes. Acabou reparando a olhada, nada discreta, que Davi tinha dado para os seios de Eduarda.

João Lucas não conseguia se manter calmo. Como que alguém poderia olhar para partes intimas da sua melhor amiga na frente dele? Ele saiu do carro à tona e bateu a porta com toda a força da adrenalina que continha em seu corpo. Ele não aguentou ver aquela cena e ficar quieto.

Lucas chegou por trás de Du.

_Oi, quem é você?

_Eu sou o Davi! -Falou estendendo a mão e disse para Lucas o cumprimentar.

Lucas o cumprimentou sem muita vontade.

_E você conhece a Du? -Ele perguntou.

_É, ontem eu tava em Petrópolis, numa balada que pegou fogo e a gente se conheceu lá. Mas você quem é?

_Ele é o Lucas. -Disse Du. -Mas o que que cê ta fazendo aqui se você é de Petrópolis?

_Não, eu sou carioca. Eu só fui lá ontem. -Respondeu.

_Poxa, que legal! -Ela respondeu.

_Lucas, Du, acho bom vocês entrarem, o Comendador já está no apartamento e ele quer falar com a Eduarda.-Disse o amigo fiel do Comendador.

_Falou cara, a gente tem que ir. Vamo nessa Du. -João Lucas disse colocando as mãos nos ombros da amiga e levando ela para a porta do prédio.

_Tchau! -A ruiva se despediu.

_Tchau. -Disse Lucas.

_Até foguinho! -Davi se despediu e continuou andando.

Indo para o elevador, Lucas não aguentou e logo perguntou:

_Du? Du! Quem era esse cara?

_Ué, tu não ouviu? Ele é o Davi.

_Ta, e você só me fala dele agora?

Du não estava entendendo aonde Lucas queria chegar. Eles estavam na frente da porta do elevador quando ela o questionou:

_Qual foi lek?

_Du, ele...ele... -Lucas nem conseguia falar. -Cê nem sacou que ele olhou para os seus seios Du!?

_Que? Cê ta maluco lek.

_Eu vi Eduarda, é sério.

Lucas parou por um momento e respirou. Nem ele entendia o porquê estava tão nervoso com essa situação.

_Me diz, cês ficaram?

_Lucas, cê ta viajando cara. Eu apenas conheci ele lá. Ele é só um amigo.

O elevador chega e Du logo entra. Lucas vai em seguida.

_Ta legal, desculpa.

_Relaxa lek. -Ela disse sorrindo. -Eu já sei do que você ta precisando.

_Aé? Do que?

_Rio de Janeiro! Cê esqueceu que cê ta no lugar que tem as praias mais bonitas? Tu tem que relaxar.

_Vamo, vamo nessa!

Eles chegam no andar e logo entraram, mas de repente o celular de Du toca.

Quando ela olha quem é, fica imóvel.

_Que foi? Quem é? Não vai me dizer que é o Davi né, ah não, fala sério Du. -Falou João Lucas.

Eduarda olhou para o amigo, estava sem reação, não sabia o que fazer.

_Lék! É meu pai. Ferrou de vez! -Ela disse desesperada.

Notas finais
"Só me dará prazer Se viajar contigo Até o nascer do sol Seguindo no trem azul..."
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.