Diamante Dourado
2 – O homem das orelhas de gato!
Notas iniciais

A história que eu vou contar agora fala da nossa grande heroina, Myra Blokest. Devem estar se perguntando do porque eu a chamei de heroina... pois bem... Myra não só salvou o nosso mundo de ser engolido pelas trevas como também ela mostrou a todos nós que as fadas realmente existem e que estão sempre ao nosso lado.
Agora vocês devem estar achando que sou maluca, mas não sou... o que eu disse é verdade e eu posso provar isso. Vou lhe contar uma história bastante detalhada, por isso, prestem bastante atenção e deixem as suas imaginações levarem você a um novo mundo.
**
Estava num lugar escuro... negro... sem uma luz neste lugar. Meu coração estava apertado, estava com medo... medo de estar sozinha...
Onde estão as fadas? Eu quero vê-las... mas não consigo. Estou com vontade de chorar, mas eu prometi a mim mesma que nunca mais derramaria uma só lágrima, que eu ia ser forte para cuidar de mim mesma.
– Me ajuda! – ouvi uma voz desconhecida do lugar. Olhei com desespero por todo canto, mas de nada do dono daquela voz aparecer.
X
Fui despertada de meu sono por Milleni, uma das fadinhas que estão morando comigo em minha casa. Milleni é a fadinha da beleza. Me levantei da cama assustada, meu coração estava a mil. Olhei para Milleni que estava no canto de minha cama e novamente me deitei.
– Teve aquele sonho de novo? – Milleni perguntou num tom preocupado. Assenti com a minha cabeça olhando fixamente para o teto. Milleni pôs sua mão em cima da minha, tão pequenininha a sua mãozinha, tão pequena e fofa. – Olha, Myra. Não se preocupe com isso, logo, logo tudo isso passará e você não terá mais esses estranhos sonhos!
– Mas... – dei uma pausa na minha fala e dei uma leve suspirada. – É tão estranho. – Virei minha cabeça para o lado de Milleni. – Dois anos, Milleni! Dois anos que eu ando tendo esse sonho, é muito estranho!
– Tem razão! – uma outra voz entra no meu quarto, uma voz dona de um tom forte. Me levanto de minha cama e sento nela dando de cara com Yandra, a fadinha da leitura. Ela saiu entrando voando em meu quarto com aquela carinha séria de sempre. – Se ela tem esse sonho em dois anos seguidos então algo realmente está acontecendo.
– Alguém realmente precisa de minha ajuda, mas... sempre que ele pede minha ajuda eu acabo acordando e... – dou uma pausa nas minhas falas e suspiro. – acabo não sabendo aonde ele está.
– Traduzindo... – Yandra disse ajeitando os seus pequenos óculos. – É culpa sua! – ela aponta para Milleni.
– Claro que não. Eu não podia deixar a Myra tendo pesadelos aqui, eu tinha que acordá-la! – Milleni disse super vermelha, ela está nervosa por acusá-la sem provas e ela odeia isso.
– Podia sim, ela não vai morrer por causa do sonho e também... – antes de Yandra completar o que ia dizer eu a interrompi.
– Não é culpa de ninguém! – as duas fadinhas logo olham para mim, dei uma suspirada e olhei para as duas. – Olha,vamos esquecer isso tudo, ok? – olhei para as duas com um largo sorriso.
– Está bem então! – Milleni disse com uma voz de um tom para baixo.
– Tudo bem! – Yandra cruzou os seus braços assim fechando os seus olhinhos. Peguei as duas e botei uma de cada ombro meu. Sai de minha cama e abri a porta de meu quarto indo rumo a cozinha onde estava o resto das fadinhas.
Rye, a fadinha da graça. Ela sempre está a tentar alegrar aqueles que estão tristes. Ela não gosta de ver o rosto de alguém triste, por isso ela tenta ao máximo alegrar a pessoa. Com isso, ela é bastante excêntrica e animada, sempre fazendo também o máximo para ajudar, porém acabando de atrapalhar.
Lia, a fadinha da culinária. Ela sempre ajuda na cozinha fazendo coisas ótimas a se comer. O que ela gosta mais é fazer sobremesas para depois do almoço. Como tem que economizar no dinheiro ela acaba só fazendo almoço mesmo.
Roxy, a fadinha do desejo. Ela pode ler o desejo de todos, apesar de alguns se sentirem incomodados quanto a isso. No entanto, ela tenta ao máximo fazer com que os desejos das pessoas se realize, principalmente os desejos das crianças. Mas como nenhuma criança mais acredita nas fadas fica difícil de ela ajudá-las.
Bya, a fadinha do sonho. Essa pode entrar no sonho das pessoas e ver o que se passa nele. Porém, se o sonho da pessoa for obscuro ela se sente fraca e fica difícil de ela sair dali. Foi isso que aconteceu comigo, finalmente eu tinha conseguido tirar a Bya dos meus sonhos, se ela não saísse imediatamente ela ficaria presa no mundo dos sonhos para sempre.
– Bom Dia, meninas! – cumprimentei as garotas ao terminar de descer as escadas. As meninas olharam para mim com um largo sorriso também me cumprimentando. Milleni e Yandra desceram do meu ombro e foram direto pro fogão ver o que Lia estava fazendo pro café da manhã.
– Teve novamente aquele sonho, Myra? – Bya perguntou olhando fixamente para os meus olhos, se eu disser “sim” ela ficaria super preocupada, mas se eu disser “não” ela saberá que eu to mentindo.
– Bem... digamos que sim! – coloquei minha mão na minha nuca meio corada.
– Olha, Myra... – Bya suspirou. – Deixa eu entrar no seu sonho de novo, eu vou ficar bem!
– Não, Bya! Eu não vou te perder como quase te perdi semana passada! – falei olhando seriamente para Bya que logo desviou ela o seu olhar.
– Não vamos discutir sobre sonho, neh gente! – Lia saiu de perto do fogão com uma panelinha pequena em suas mãos botando então em cima da mesa, todas as fadinhas abriram um largo sorriso com a intenção de já atacar a comida. – Não mexem! – Lia lança um olhar assassino para todas que logo elas se acolheram em suas cadeiras. – Myra, pega a panela grande!
– Sim! – me levantei e fui para perto do fogão pegando então uma panela tamanho humano.
– Hoje eu não estou inspirada para fazer comida, por isso se contentem só com uma sopa! – Lia disse cruzando seus braços e fechando seus olhos.
– Tudo bem, Lia. Desde que a gente comece a comer! – Rye disse olhando fixamente para a panelinha das fadinhas. Lia foi servindo a sopa para cada uma fadinha enquanto Myra se serviu.
Todas se sentaram a mesa e começaram a comer saboreando cada detalhe da comida de Lia, não importando o que seja sempre é bom.
Terminei de tomar meu café e voltei pro meu quarto a junta de Milleni.
– Essa roupa aqui é perfeita para esse dia, Myra! – Milleni disse pegando minha roupas com dificuldades querendo levar então até em cima de minha cama, porém como a roupa estava muito pesada acabou ela não agüentando e a roupa caiu em cima dela.
– Você está bem? – perguntei tirando minha roupa de cima dela.
– Só um pouquinho tonta! – ela disse com a mão em sua cabeça, comecei a rir. A roupa que Milleni pegou era uma blusa branca com uma saia xadres da cor vermelho e preto. Vesti a roupa e pus meu sinto de laço preto na roupa. Arrumei meu cabelo deixando minha franja de lado. – Está linda como sempre, Myra!
– Obrigada, Milleni! – agradeci. Sai então de meu quarto e voltei para a cozinha aonde estava as outras meninas. – Vou indo, meninas. Se comportem, ok?
– Sim, Myra! – todas as fadas disseram juntas como um coral. Sai então de minha casa rumo ao meu colégio.
**
Chegando lá, fui direto para minha sala e sentei no meu lugar de sempre. Do lado esquerdo da sala ao lado da janela. Fiquei olhando pela janela, todos os meninos jogando futebol, as meninas andando para lá e para cá conversando.
– Oi, Myra! – ouvi uma voz feminina ao meu lado, me assusto ao ela chegar de repente. Me viro dando de cara com Mindy.
– Oi! – disse com a animação total, só que não.
– Olha, aqui está as atividades de ontem que você faltou. – ela me entregou umas papeladas e logo olhou para mim com um largo sorriso. – É pra entregar pro professor no final das aulas, ele estará na sala dos professores! – ela saiu então da sala com um largo sorriso.
– Eu não gosto dela! – ouvi a voz Yandra, olhei para os lados assustada, mas não a encontrei. Deve ser minha imaginação. – Myra, estou aqui! – olhei rapidamente para a minha mochila dando de cara com ela presa no fecho da mochila.
– O que faz aqui?! – perguntei sussurrando.
– Não queria ficar em casa, por isso eu vim atrás de você me escondendo na sal mochila, mas... – ela novamente tenta se soltar, mas sem sucesso. – Ta difícil. – suspirei e abri o fecho da mochila assim deixando Yandra solta.
– Não era pra ter vindo! – falei cruzando meus braços e olhando para ela seriamente.
– Desculpe-me, mas ficar em casa é tão tedioso! – ela disse fazendo uma cara de coitada. Suspirei e descruzei os meus braços, quando ouço então uma voz masculina vinda de minha sala.
– Com quem está conversando? – olho rapidamente para quem era. Era o garoto mais bonito do colégio, encantador, mas eu não gosto dele. O nome dele é Hiro, ele com sua beleza vive namorando com todas as meninas, mas sempre há uma discussão que faz com que eles se separem.
– Não te interessa! – cruzei meus braços olhando nervosa para ele.
– Tão simpática! – ele disse revirando seus olhos, abriu ele a armário da minha sala botando ali dentro a bola de futebol. – Vai ficar ai dentro da sala? – ele pergunta na porta de minha sala.
– Porque pergunta?
– Sei lá, você sempre foi sozinha então...
– E continuarei sozinha, pode ir aos braços de suas namoradinhas e me deixe em paz!
– Ta com ciúmes! – ele me lançou um olhar malicioso contra mim.
– Porque eu teria! – lancei então para ele um olhar assassino.
– Porque todas as meninas me amam e você também é menina então é claro que você não resiste a minha beleza! – ele diz com um sorriso no canteiro de seus lábios.
– Não me confunda com “todas” as meninas! – fiz entre aspas com os dedos. – Eu sou diferente delas e eu não gosto de você!
– Interessante! – ele logo sai da sala. Aff’s, ele me dá nojo.
– Que lindo! – Yandra ficava encarando Hiro com os olhos brilhando e com o rosto totalmente corado.
– ATÉ VOCÊ?!
**
Deu a hora da saída e todos haviam ido embora, menos eu... eu fiquei na biblioteca copiando a lição que Mindy me mandou. Yandra foi para casa porque ela estava com um tédio total ao meu lado.
Terminei o dever e levei para o professor. Logo sai da escola rumo de volta a minha casa.
No caminho estava um pouco escuro, estava anoitecendo, tinha que voltar logo porque a essa hora as ruas ficam muito perigosas. Apressei os meus passos para chegar logo.
– Me ajuda! — ouvi de novo a mesma voz do meu sonho, mas perai eu não estou dormindo... como eu consegui ouvir a voz dele? Eu parei na hora de andar e fiquei encarando os lugares próximos a mim. – Me ajuda, por favor! – ouvi de novo a voz, senti meu coração palpitar mais rápido, será que ele está em algum lugar daqui? Tanto faz, eu tenho que ajudá-lo.
– Onde você está?! – quase gritei por chamar ele, olhei para o céu e para os lados e nada de ele me responder, será impressão minha?
– Por aqui! – o tom de voz dele estava um tanto fraco, mas escutei ele claramente. – Siga a minha voz! – virei-me para uma esquina a minha direta e comecei a correr por ela. – Por favor, eu preciso de sua ajuda! – meu coração estava a mil, dois anos tendo o mesmo sonho dele me pedindo ajuda, se eu deixasse isso para lá o que seria dele? Tinha que ajudá-lo. Virei algumas esquinas seguindo a sua voz, ele repetia a mesma frase “Me ajude”.
Cheguei então a uma fábrica abandonada, botei minha mão aos meus joelhos e comecei a respirar rápido tentando pegar fôlego.
– Será aqui? – perguntei assim olhando para a fabrica abandonada. – Relatos dizem que todos que trabalhavam neste prédio morreram por doença desconhecida. – comecei a dar passos leves para trás.
– Me ajuda! – ouvi de novo a sua voz, desta vez claramente. Engoli seco e entrei depressa na fábrica, estava tudo escuro, não tinha como enxergar muita coisa. Essa fabrica me lembrava o meu sonho quando ele me pedia ajuda. Comecei a andar reto olhando cada canto do lugar, ouço então um barulho de ratos atrás de mim, olho rapidamente para trás assustada. – Me ajuda! – continuei seguindo sua voz, subi umas escadas dando de cara com uma porta logo a minha frente. Senti um arrepio sobre meu corpo todo, engoli novamente seco e olhei fixamente para a porta enferrujada. – Me ajuda! – a voz via de trás da porta, engoli o meu medo... botei minha mão na maçaneta da porta e a girei. Não abriu por estar enferrujada, então comecei a forçar para abrir, a porta então começa a cair... corro rapidamente para a parede e me espremo ali enquanto a porta cai logo a minha frente. Meu coração palpitou muito mais rápido. Agora que eu cheguei aqui não tem como eu voltar, vou continuar seguindo em frente. Engoli novamente em seco e dei leves passos para minha frente para ver o que tinha depois daquela porta.
Dei de cara com um enorme núcleo que palpitava ali, botei minha mão no meu coração que acelerava mais. Avistei dentro daquele estranho núcleo um homem com orelhas de gato... provavelmente não é humano. Estava ele adormecido ali naquele núcleo, será dele que via a voz? Me aproximei e o núcleo começou a pulsar mais rápido e a brilhar um pouco. Dei um passo para trás com a mão em meu coração apertando a minha blusa. De repente, Myra ouve uma estranha risada vinda de trás dela, ela se vira rapidamente dando de cara com um homem na porta do local.
– Olha só se não é a Myra Blokest! – disse mais um estranho homem com um sorriso não muito bom em seu rosto. – Chegou tarde demais, menina! Você não poderá mais salvar ele!
– C-Como sabe meu nome? – perguntei assustada dando leves passos para trás.
– Eu sei tudo sobre você... – ele dá uma pausa assim dando um passo para dentro da sala. – e sobre sua verdadeira mãe!
– Minha mãe? – murmurei olhando assustada para ele. Franzi logo minha testa olhando fixamente para ele. – O que fez com esse homem? – perguntei apontando para o homem com orelha de gato de dentro do núcleo.
– Finalmente eu consegui capturar! Tão tolo... – ele da uma pausa olhando logo para mim. – tão tolo de querer te salvar, Myra!
– Como assim? – estava começando a ficar confusa, não me lembro muita coisa de meu passado, então deve ser isso um fragmento dele.
– Ele agora está em minha mãos, estou absorvendo a sua energia toda e logo ele desaparecerá, sabe porque? – ele se aproxima entrando mais na sala. – Porque ele já está morto por estar muito tempo dentro deste núcleo. Myra, você chegou tarde demais! — Franzi minha testa e corri em direção ao núcleo rapidamente... – Ah não, você não vai voltar a estragar os meus planos não! – rapidamente o mesmo homem estendeu a sua mão direita que a mesma começou a brilhar. Um grande furacão apareceu atrás de mim me pegando de jeito e me levando para cima com a força que ele tinha. – Agora que você está aqui eu vou te matar para dar prosseguimento ao meu plano! – comecei a sentir falta de ar... será ali que vou morrer? Não eu não quero isso, eu tenho que viver. Comecei a ficar sufocada ali naquele furacão, o que eu faço agora? Alguém me ajude!
– Myra, encoste no núcleo! – ouvi de novo a mesma voz do meu sonho que via de dentro do núcleo. Não sabia porque, mas tinha que fazer isso... eu sentia que devia confiar nele, pela minha vida. Com dificuldades comecei a me rebater tentando encostar no núcleo. Finalmente consegui encostar no estranho núcleo, uma grande luz invadiu aquele local com ferocidade. A mesma luz envolve o meu corpo e única coisa que consegui ver foi o núcleo se desfazendo e aquele homem de orelhas de gato a abrir os seus olhos.
Continua...
Fale com o autor