Diamante Bruto

78 Capítulo Quatro - Os seus olhos


Notas iniciais
Uau... bem, eu confesso que estava pensando seriamente em abandonar a fic, por isso dei um tempo. Mas começaram a surgir comentários, pessoas falaram comigo e isso me motivou de tal forma a continuar que.. Ah, enfim... espero que gostem. Tentarei postar mais um no final de semana. GRATIDÃO, GENTE! :)

— Não me olhe assim, não fui eu que escrevi. — Pryia sorriu para Castiel depois de retirar o prato vazio da mesa do ruivo. Eram três horas da tarde e o rosto inchado dele denunciava que acabara de acordar. No fundo do restaurante, próximo ao palco, vazio, uma loira alta com os braços tatuados e o sorriso travesso acenava para ele. Castiel olhou o guardanapo com o nome Sandy e um número de celular. Ele assentiu para a loira, depois sorriu levantando o guardanapo.

— Dona Margarida, tô indo na Natsumin. — Pryia em instantes tirou o avental por cima da roupa e, levando uma sacola, saiu pela porta de entrada.

Castiel não teve tempo de pensar direito. Rapidamente colocou uma pouco a mais de dinheiro do que devia sobre a mesa e seguiu Pryia rapidamente. Fazia uma semana que não via Natsumin e... Depois de tudo o que acontecera, não esperava diferente. Ela sequer o veria mesmo se aparecesse nu e pintado de ouro no quarto dela. Droga.

— Espera! — Castiel corria como louco enquanto alcançava os passos lardos de Pryia.

— A que devo a honra, Castiel dos Tríades? — a menina olhava pra ele com malícia, como se soubesse de algum segredo obscuro.

Castiel engoliu em seco.

***

Uma semana antes...

— Olha, representante, uma reunião. — Castiel estampava um sorriso de coiote no rosto. — E, pelo visto, não fomos convidados.

Ele passeou os olhos pela sala. Olhos bastante sarcásticos, olhos que sorriam ao mesmo tempo em que odiavam. Aqueles olhos pararam nos dela. Azuis como um céu de dia. Ela o olhava de volta. Séria, calada. Ao seu lado estava ninguém menos do que o riquinho, filho de dono de hotéis com um olhar superior.

E ele sabia bem o motivo daquele olhar superior.

— Senta com a gente, Castiel. — Lysandre segurava um copo com gelo em uma mão e na outra, uma garrafa de uísque. Ofereceu o copo para Castiel. — Deixa que cuido do Nathaniel.

Castiel passeou o olhar pela sala mais uma vez. Levantou a mão, negando o uísque, depois sentou Nathaniel numa poltrona isolada para um.

— Eu cuido dele. — Ayuminn aproximou-se de Nathaniel, depois e tocou sua testa. Em seguida, contida como ela sempre foi, aproximou-se de Lysandre, murmurando algo sobre o representante estar com febre, antes de subir as escadas com pressa. Castiel notou a pequena protuberância, quase imperceptível, para ser sincero, na barriga da noiva do seu melhor amigo, mas qualquer empatia e felicidade pelos dois estava passando longe devido ao outro casal no sofá.

Castiel continuou encarando-os calado, sem perceber.

— É melhor tomar um pouco antes que suas costas te matem. — Lysandre sorriu para o amigo como bem sabia fazer. Mas Castiel não conseguia tirar os olhos dos dois no sofá.

Natsumin finalmente se levantou, depois de murmurar algumas palavras para o riquinho. Palavras que Castiel não ouviu, mas que pediam para que Viktor não fizesse nada e ficasse, como estava, calado e sentado no sofá.

— Eu vou pegar algumas aspirinas pra febre. — Natsumin olhou para Castiel enquanto ia para a cozinha. Seus olhos acenavam para que ele a acompanhasse.

— Estou de saída. — Castiel disse com a voz bem projetada, para que toda a casa ouvisse. — Agradeço o uísque. Mas estou dirigindo.

— Um gole não mata ninguém. — Viktor pronunciou do sofá, em seguido projetou um sorriso no próprio rosto. Castiel trincou os dentes.

— Não. — Castiel respondeu com um sorriso sarcástico, bem como sabia fazer, em seguida, aceitou o copo que Lysandre ainda segurava e bebeu de uma vez. — Boa noite a todos. — o ruivo colocou o copo na mesa de centro da sala, em seguida dirigiu-se à porta.

Mas, no meio do caminho, alguém agarrou sua perna. Ele olhou para baixo.

O menino.

***

Momento atual...

— Na verdade não. — a voz de Pryia era alta, então ela podia ouvir com clareza, mesmo que a porta fechada do banheiro abafasse e a água fria do chuveiro confundisse os sons em sua cabeça, a voz de Pryia ainda era clara. Quase tão claras quanto sua memória. Com quem Pryia falava?

— Olivia ainda é uma parte significante de mim. — Natsumin conseguia distinguir bem a voz de Pryia, mas não entendia com quem falava, possivelmente Alexy ou Rosa, os dois que, quando Pryia não podia, traziam comida para ela.

Natsumin não se preocupou naquele momento, o pensamento de que pudesse ser um dos dois aliviou suas preocupações. Ela lavava o cabelo com calma, passa as mãos delicadamente no próprio rosto que ainda doía um pouco. As marcas estava ficando amareladas, logo voltariam ao normal. Ela desligou o chuveiro, e seguido enxugou o corpo e envolveu os cabelos numa toalha. Vestiu as roupas íntimas e seguiu para a sala. Estava fazendo muito calor.

— Qualquer relacionamento é uma parte significante de nós. — a voz dele era clara e suave. Sussurrada.

E Natsumin não teve tempo de voltar para o quarto.

***

Uma semana antes...

Ele o olhava com aqueles olhos grandes de cinza. Olhos que pediam, como um gato faminto. Ele puxava o jeans da calça de Castiel com força enquanto dos lábios pequenos não saía nada além de uma palavra.

— Vermelho! Vermelho!

Castiel olhou o moleque por mais um tempo. Era bonito, tinha traços da mãe. De alguma forma, o lembrava de alguém e, quando olhava para o palhaço no sofá, pensava que o menino tinha era sorte de não se parecer com o pai.

Castiel se segurou para não chutar o moleque para o lado, enquanto ele bloqueava o caminho na porta. Ele apenas suspirou de pé e logo Natsumin apareceu para tirá-lo.

— Eu já estava de saída, fique. — Natsumin olhou Castiel com aqueles olhos doces, quase como os mesmos olhos que uma vez o hipnotizaram.

— Você acha que é você que me impede de ficar aqui? — Castiel tirou com o máximo de delicadeza que tinha as mãos do garoto de seu cabelo enquanto pronunciava entredentes.

Natsumin nada disse. Apenas o viu sair pela porta.

Castiel bateu a porta com muita força, deixando para trás um rastro de pessoas sem graça e sem ter o que dizer, incluindo Ayuminn, que descia as escadas com termômetros e travesseiros mais folgados. Ela correu na direção de Nathaniel e olhou para Lysandre, que passava as mãos nos cabelos.

Natsumin estava parada diante da porta, com o pequeno Ethan no colo, perplexa. Diante daquele todo silêncio, ouviu-se um choro.

Ethan passava a mão no rosto da mãe. Natsumin segurava com força, como sempre aprendeu a fazer, mas as lágrimas teimavam e caíam por seu rosto, caladas. Viktor esfregava o próprio rosto com força, ainda sentado no sofá. Natsumin respirava fundo para parar de chorar.

Viktor se levantou do sofá e beijou a testa de Natsumin.

— Ele merece a verdade. — Natsumin olhou com ternura para Viktor. De alguma forma, nos olhos dele havia muito ódio, muita amargura e nada que Natsumin fizesse ou dissesse seria suficiente para impedi-lo de fazer o que aconteceu depois.

— Isso não pode ficar assim. — Viktor saiu como um touro porta a fora.

— Viktor, não! — Natsumin gritou, Lysandre apenas o seguiu.

***

Momento atual...

— Tá aí, Tríade. — Pryia sorriu depois de brindar com Castiel o uísque que depositara nos dois copos de plástico que pusera para os dois. — Por isso a música de vocês é boa. Você é um cara que parece saber de algumas coisas, até.

— Sinto que devo dizer obrigado, mas isso não me pareceu um elogi.. — Castiel pigarreou para Pryia, que sorria. A menina desfez o sorriso quando Castiel levantou da cadeira e encarou uma Natsumin com bastante raiva e, apenas de lingerie na porta do próprio quarto.

— Pryia, eu...

— Eu sei, Nats, foi mal. — Pryia levantou os ombros e fez uma carinha de criança que acabara de fazer algo de errado e sabia bem. — Ele insistiu e eu não tive muito o que fazer.

— Você... — Natsumin passava a mão pelo rosto. — O que ele...

— Você está de lingerie. — Castiel tentava não olhar, em respeito a ela, mas era quase impossível.

Natsumin o olhou por um instante, como se tentasse processar as informações e então, caiu em si.

— Cristo. — ela correu para dentro do quarto e em alguns minutos estava de volta vestindo shorts e uma regata. — Obrigada pelo almoço, Pryia. — Natsumin deu dois beijos no rosto de Pryia, antes de dirigir-se à cozinha, ignorando a presença de Castiel completamente. O ruivo assentiu com a cabeça, como se entendesse bem o que ela queria dizer com aquilo, mas não iria desistir.

— Você me deve uma resposta. — Castiel falou com convicção, ainda na distância segura próximo à Pryia, que olhava para ele confusa.

Natsumin continuou a fazer o que estava fazendo — esquentando a comida — como se nada tivesse acontecido.

— Bom, até mais. — Pryia piscou para Castiel, como se o encorajasse, depois seguiu para a porta.

— Pode ficar se quiser, Pryia. — Natsumin pronunciou da cozinha, mas sequer virou para trás.

— Ela é sensata o suficiente para entender o que está acontecendo. — Castiel aproximou-se de Natsumin.

— Eu ficarei lá fora. — Pryia disse enquanto fechava a porta com cuidado. — Precisando de mim, estou no corredor. É só chamar. — ela fechou a porta, finalmente. Séria.

Natsumin retirou o prato quente do micro-ondas, em seguida, direcionou-se à mas em silêncio.

— Até quando isso vai durar, Natsumin? — Castiel passava a mão pelos próprios cabelos, nervoso. — Até quando vai continuar a se fazer de criança?

Natsumin comia em silêncio.

— NÃO FUI EU QUEM FEZ ESSA MERDA NO SEU ROSTO! — Castiel bateu com força as mãos na mesa, ofegante. Seus olhos lacrimejavam.

***

Uma semana antes...

Quando ela saiu por aquela porta, era tarde demais.

Lysandre estava entre Castiel e Viktor, o lábio de Castiel sangrava enquanto Viktor permanecia intacto.

— Me bata o quanto quiser. — Castiel cuspiu um pouco de sangue no chão. — Nada vai mudar.

Vendo de longe, ela não entendeu aquelas palavras, não entendeu o que Castiel quis dizer com aquilo. Ela pôde presenciar Viktor se enfurecer ainda mais e partir pra cima de Castiel com toda força. Lysandre o segurou por um tempo, mas seria preciso mais uma pessoa. Castiel, pelo visto, respondia apenas com palavras e aquilo feria Viktor muito mais do que com socos.

— Nada vai mudar o merda que você é. — Castiel dava alguns passos para frente, mas havia uma calma incomum em seu temperamento. Como se estivesse certo do que falava. — Nem mesmo comprar pessoas.

Com aquelas palavras, tudo aconteceu rápido demais. Como flashes.

Viktor se desvencilhou dos braços de Lysandre e acertou um soco no rosto de Castiel. Felizmente nada abrira, o ruivo levantou-se rindo, mas dessa vez correspondeu com um soco em Viktor e Lysandre empurrava ora um, ora outro para trás, até que Natsumin apareceu no meio, tão rápida e furtiva que mal foi vista.

— CHEGA!! — Suas palavras foram tão rápidas quanto seu corpo que caiu no chão.

***

Momento atual...

Castiel respeitou o silêncio dela em resposta ao ataque de nervos dele e encostou na bancada da cozinha braços cruzados. Eles permaneceram naquele jogo de silêncio por alguns minutos. Ele a olhava, ela o ignorava e continuava a comer calmamente.

Castiel sorriu. Via que ela aprendera com ele de alguma forma.

Aquele silêncio continuou até Natsumin dirigir-se à Pia depois de terminada a refeição e começar a lavar seu prato. Castiel permaneceu atrás da bancada, onde encostou a cabeça ruiva e suspirou.

— Nós dois sabemos quem ganha nesse jogo. — Castiel encurralou Natsumin na saída da bancada. A menina apenas o olhou e desvencilhou-se, como quem diz “sim, e não é você”.

— Natsumin.... Por favor. — Castiel tocou a nuca dela e então a abraçou por trás. Era um abraço aconchegante, carinhoso. Era um abraço de remorso. — Se eu soubesse o que aconteceria, eu sairia dali e nunca mais voltaria para essa cidade novamente.

Natsumin se soltou dos braços dele, lutando para segurar as lágrimas nos olhos.

— Eu fico feliz por ter seguido sua vida. Fico feliz por ter me esquecido completamente. — o ruivo passou a mão pelo rosto e suspirou. A menina ainda estava de costas para ele. — Mas nada vai mudar que você me deve uma resposta.

Natsumin virou-se para ele finalmente. O corte no lábio do ruivo parecia sarar bem e, por algum motivo, ela não entendia porque não conseguia tirar os olhos dos lábios dele. Ela mesma não se entendia naquele momento, não entendia porque mesmo de lingerie em frente a ele não se sentira incomodada, mesmo sentindo-o em seus braços depois de tanto tempo, mesmo com raiva daquele ruivo, ela não conseguia odiá-lo. De jeito nenhum. Em nenhuma circunstância.

Natsumin sentou-se no sofá com a cabeça entre as mãos. Respirava fundo. Os cotovelos estavam apoiados com tanta força nas próprias pernas, que estavam vermelhos.

Castiel agachou-se de frente a ela.

— Eu não vou implorar. — ele tirou uma mão dela do rosto. — Estou apenas cobrando o que me deve e você sabe disso.

Natsumin então, inesperadamente tocou o rosto dele. Passou o polegar alvo e gélido sobre o machucado no lábio dele.

Castiel olhou-a por um instante, aquele rosto doce e enfático. Um sorriso formou-se em seus lábios. Ele beijou o polegar dela. Um flerte.

Natsumin então ergueu um muro de gelo entre os dois.

— Me desculpe. — ela retirou a mão do rosto dele, deixando um rastro de desejo se dissipar no ar, mas Castiel permaneceu ali, diante dela. Segurou novamente sua mão. — Me desculpe pelo Viktor.

Uma aura negra surgiu no rosto de Castiel. Ele levantou-se de imediato, balançando a cabeça inconformado enquanto andava em direção à porta.

***

Uma semana antes...

— VOCÊ SOCOU O ROSTO DELA!!! — Castiel partiu para cima de Viktor como um trovão rápido e turbulento. No meio do caminho desistiu e olhou o corpo de Natsumin nos braços de Lysandre. A noiva do amigo apareceu na porta segurando a criança. Castiel pegou Natsumin dos braços de Lysandre enquanto o babaca riquinho permanecia em choque com o que acabara de fazer: Nocautear a própria namorada.

Lysandre chamou a ambulância que não demorou a chegar. Eles colocaram Natsumin numa maca e Castiel correu para acompanha-la. Lysandre e a noiva o fizeram também e quando o riquinho também o fez, Castiel não precisou impedi-lo. Ayuminn o fez.

— Você já fez o bastante. — Ayuminn olhava para Viktor como nunca antes havia olhado para ninguém. Lysandre beijou a noite e desceu da ambulância. Ele assentiu para Ayuminn e ela para ele e os dois se entenderam no próprio código silencioso. A ambulância partiu com Castiel e Ayuminn, deixando para trás Lysandre, que conversava com Viktor.

— Castiel.... — no meio do caminho, Natsumin começou a falar em meio ao delírio. Ayuminn beijou a testa da amiga e se afastou para que o ruivo pudesse se aproximar.

Castiel beijou a testa dela. Suspirou. Havia certa felicidade em seu rosto, Ayuminn pôde perceber. Uma felicidade apenas por ela chamar seu nome.

— ehe yeb xeus ojhous... — Natsumin se enrolou nas palavras.

— Não precisa dizer nada, Natsumin. — Castiel acariciou a mão dela que segurava a sua.

Natsumin balançou a cabeça para os lados. Sim, ela precisava. Respirou fundo. Castiel aproximou a orelha dos lábios dela para ouvir com clareza.

E então, ela finalmente disse.

— Ele tem seus olhos.

E apagou logo em seguida.

***

Momento atual...

— Droga, Natsumin! — Castiel segurou o braço dela, forçando-a a olhá-lo.

Natsumin deu um safanão nele, mas não deixou de encará-lo.

— O que quis dizer com aquilo? — Natsumin suspirou com as palavras de Castiel e afastou-se.

— Quero que diga nos meus olhos. — Castiel pronunciou na orelha dela, tão rápido que ela mal o notou se aproximar. — O que quis dizer com ele tem os seus olhos?

— Era só uma alucinação. — Algumas lágrimas formaram-se nos olhos dela e ele sabia que o que aquilo significava não era alucinação alguma.

— Então é meu nome que você chama no delírio? — ele aproximou o corpo do dela, mas a garota não se moveu. Embora fosse irônico, o rosto do ruivo era estupidamente sério.

— Talvez eu seja mais uma de suas fãs imbecis. — ele se aproximava e ele não tirava os pés fincados no chão.

— Por que os meus olhos? — ele tocou o rosto dela com delicadeza e Natsumin se segurou para não ceder àquelas carícias.

— Faça as contas por si mesmo. — ele desceu a mão pelo pescoço dela, acariciando a nuca de Natsumin. Ela sabia bem o que ele sabia. Castiel sabia como provocar.

— Quantos anos ele tem? — Castiel acariciava o pescoço dela com o polegar.

— Dois. — Natsumin tirou a mão dele do pescoço e segurou-a com ambas as suas. — Quase três.

Castiel afastou-se. Algumas veias tornaram-se protuberantes em sua testa. No rosto do ruivo formaram-se expressões que ela nunca antes havia presenciado. Um misto de surpresa, indignação com.… alegria, talvez?

Natsumin não sabia como reagir. Permaneceu ali, olhando-o com cautela.

— Eu sabia que havia algo de familiar nele. — o ruivo andava em círculos enquanto passava a mão pelo próprio rosto e pelos fios vermelhos.

Natsumin sorriu. — Sim.

— Vermelho, vermelho... — o ruivo continuava a andar em círculos e falava sozinho.

— Sim... — Natsumin deixou as lágrimas caírem pelo rosto. Aquele momento era como tirar um grande peso de suas costas, como...

— Eu quero ser parte da vida dele. — Castiel aproximou-se de Natsumin a uma distância segura. Uma distância que não o permitisse toma-la em seus braços diante daquela emoção. —MERDA, NATSUMIN! — ele então se afastou e voltou a andar em círculos. — Como pôde me esconder algo assim?

— Você não estava aqui. — ela murmurou entre lágrimas. — Não seria útil em nada.

— Você não sabe de nada. — ele aproximou-se demais dessa vez, o nariz colava ao dela. — Eu voltaria. Eu voltaria e você nunca ficaria sozinha.

— E você não seria quem é hoje.

— FODA-SE QUEM EU SOU! — ele se afastou novamente, era reconhecível um misto de emoções que confundiam o ruivo naquele momento. Como já não bastassem as incertezas da estrada, da fama...

— NÃO INTERESSA! — Natsumin gritou entre lágrimas. — VOCÊ NÃO VOLTOU, NÃO VAI VOLTAR, EU FIQUEI SOZINHA, ME ERGUI E VOCÊ NÃO FEZ PARTE DISSO! AGORA CHEGA E ENCARE O QUE ACONTECE AGORA!

— Você nunca esteve tão certa... — rapidamente ele tomou-a nos braços.

Quando seus lábios se tocaram, ela foi pega de surpresa e ele também. Embora o desejo fosse mútuo, a necessidade de escondê-lo também a era. Os lábios tocaram-se e houve forte eletricidade naquele toque. Ele tinha as mãos na cintura dela, mas ela não o tocou de volta. Por mais que fosse tentador continuar, ela não o faria.

E então ele tocou os lábios nos dela mais uma vez. E mais uma. E abraçou-a.

Ela o abraçou de volta.

— Eu quero vê-lo. — Castiel afastou o rosto do ombro dela, mas não a soltou de seus braços. Pousou a testa na dela.

— Eu sei. — ela sorriu enquanto comprimia os lábios e segurava as lágrimas no rosto.

— Onde ele está? — Ele acariciou a lombar dela, onde estavam suas mãos.

— Na creche. — ela comprimiu os lábios novamente.

— Quem vai busca-lo? — ele tinha a voz firme, como se soubesse a resposta.

Natsumin ficou em silêncio.

— Quem vai busca-lo? Castiel afastou-se de Natsumin e passou a mão pelo rosto.

— Viktor. — ela respondeu secamente.

— Você voltou com ele depois de tudo o que aconteceu? — havia raiva novamente no rosto do ruivo.

— Só tínhamos dado um tempo. — Natsumin tentava prender as lágrimas no rosto. — Ele passou aqui de manhã.

— E você aceitou as desculpas dele? — Castiel estava indignado.

— Todos merecemos uma segunda chance, não acha? — ela o encarava séria enquanto andava para a porta e a abria.

Castiel balançava a cabeça positivamente, mas ainda indignado, enquanto andava para a porta. Entendera bem o recado.

— Quero vê-lo ainda hoje. — Castiel murmurou entredentes.

— Podemos busca-lo juntos. — ela sugeriu olhando com seriedade nos olhos.

Castiel assentiu com a cabeça. — Que horas?

— 18. EM ponto. — ela frisou.

— E o.. — o ruivo relutava para não dizer o nome dele.

— Viktor? — ela o completou.

Castiel ficou em silêncio.

— Ele dormirá aqui hoje. — e dito isso, ela fechou a porta.

— MERDA! — Castiel socou a parede do corredor. Logo ao lado, encontrou uma Pryia que sorria pra ele.

***

— Por que a pergunta? — Castiel quebrou a mudez dos dois enquanto caminhava de volta ao restaurante.

— Você se preocupa com ela. — Pryia chutou algumas pedrinhas pelo caminho.

— É normal. — Castiel respondeu frio mais uma vez.

— Não. Não é. — Pryia sorriu para ele, como se soubesse de tudo.

Castiel caminhou ao seu lado em silêncio por um tempo.

— Há outros motivos para você saber demais além de ser a fã número um dos Tríades?

— ele sorriu de volta para ela.

— Talvez. — Pryia mordeu o lábio inferior.

— Você gosta dela. — Castiel parou de andar no caminho. Pryia continuou. — Você gosta

dela! — Castiel sorria, aliviando a tensão que tivera anteriormente. Ambos já chegavam próximos ao restaurante.

— Não mais que você. — Pryia abriu a porta e sorriu para Castiel antes de entrar.

— Não diga bobagens como se me conhecesse. — o ruivo criou uma parede como sempre fazia quando alguém invadia sua privacidade de alguma maneira.

— Não preciso. — Pryia piscou para o ruivo. — Você olha para ela como eu olhava para Olívia.

E então ela entrou e fechou a porta, deixando Castiel do lado de fora com as mãos nos bolsos. Cristo. Era a segunda vez que uma mulher batia a porta na sua cara só hoje.

Notas finais
Tentarei postar mais um no final de semana. GRATIDÃO, GENTE! :)