Diamante Bruto
49 Capítulo Sete - Rainha da Discórdia
Notas iniciais
Maratona!♥
Ela tinha os passos calmos, a postura firme, a coluna reta. Desfilava o corpo repleto de curvas— que para ela eram divinas— a calça jeans apertada marcava bem seu corpo do quadril para baixo, o umbigo estava à mostra, visto que usava apenas um top rosa que por causa do grande decote, mal cobria os seios.
Ela se sentia a rainha daquele fim de mundo. A dona daquelas areias brancas, daquelas casinhas furrecas de madeira, daquele ambiente que deveria representar calmaria, mas que para ela não passava de um criadouro de mosquitos e outros insetos insignificantes. Ela prendeu o cabelo castanho em um rabo de cavalo alto, seu segredo estava bem guardado por ter sido muito bem feito. Edgard, aquele cabeleireiro dos infernos até que havia conseguido fazer algo de bom pelo menos uma vez na vida. Os fios prolongados pareciam bem naturais, como se todo aquele volume de cabelo fosse realmente dela. Ela pôs os óculos de sol caros, de aro redondo e de cor dourada nos olhos e abriu um largo sorriso de orelha a orelha. Ponto para Edgard. Era a primeira vez que ela vinha àquele fim de mundo. Mas, estava ansiosa e não conseguia mais esperar até o início das aulas. Apesar de essa ser a última semana de férias, contando com sábado e domingo, faltavam ainda três dias. E ela não esperaria mais nem um segundo. Precisava vê-lo imediatamente. Suas fontes a haviam informado perfeitamente do paradeiro dele. Disseram que ele havia mudado bastante, os cabelos que eram negros foram tingidos de vermelho, estava mais forte, mais maduro e mais frio. Poderia ter sido ela o motivo de ele ter ficado assim? Ela sorriu com o pensamento. Seria ótimo saber que Castiel havia mudado por causa dela. Ainda mais depois daquela cena que havia acontecido com Nathaniel. E como aquele loirinho estaria agora hein? Poderia ser ótimo revê-lo e, talvez, conseguir, quem sabe, o que não havia acontecido quando Castiel os interrompeu. Se bem que Castiel era mais bonito do que Nathaniel. O representantezinho careta era tão chato que, apesar de gato a dava náuseas. Agora Castiel não. Castiel sempre fora lindo demais. Perfeito demais. E agora estava ainda melhor. O “gatinho” que beijava seus pés, e transformava belas melodias em composições apreciáveis, agora havia se tornado um garanhão frio, grosso e mal-humorado. Bom saber. Agora que ela estava de volta e precisava dele, faria de tudo para conquistar novamente aquele coração de pedra e derrete-lo com seus encantos femininos. Ela arrastou as botas pretas de salto agulha contra a areia fina e observou a casa pelo lado de fora. Era ampla, tinha dois andares, não era uma casa qualquer. Ela podia apostar que o aluguel daquilo devia ter sido bem caro. Castiel com certeza nãos estaria sozinho. Não pagaria um preço alto para estar em um lugar que ao menos gostasse. Devia estar com aquele projeto de cosplay que era o amigo dele. Como era o nome dele mesmo? Oh sim. Lysandre. Isso é, se aquele garoto não se esqueceu de viver. Até porque, pelo que ela se lembrava, memória não era o forte dele. E também, quem liga? Os negócios dela eram com Castiel, não com Lysandre. Seu objetivo era convencer Castiel, trazê-lo de volta para o seu lado. Ela nunca pensou que fosse precisar dele, mas em sua vida profissional e pessoal, os negócios estavam acima de tudo. Inclusive do amor. Amor, paixão, seja lá o que ele sentia por ela antes. Ela sabia que não sentia o mesmo. Gostava de ficar com ele, é claro, não se esqueceria nunca de seus braços fortes a envolvendo, da primeira noite dos dois juntos... Mas depois de Castiel muitos vieram. E junto com a carreira. — Tem certeza do que vai fazer? — um homem alto, abraçou-a por trás. Os cabelos eram castanhos, mas tinham mechas douradas. Os olhos eram azuis, da mesma cor daquele mar à frente dos dois. Ele era uns dez anos mais velho do que ela. Ela virou o corpo para ele, pondo cada uma de suas mãos em cada bíceps dele, que tinha o peito nu e a camisa branca jogada sobre o ombro. Ela levantou um dos joelhos, acariciando a perna dele sob a calça jeans larga com a sua, em seguida puxou com força o pescoço dele para baixo. — Absoluta. — pronunciou com os lábios roçando no ouvido dele, mordiscando em seguida o lóbulo da orelha dele. Aquele homem era seu empresário. O mesmo homem que há alguns anos atrás, tirou-a de Castiel. Ela estava dormindo com ele recentemente. Na verdade, já havia ficado com praticamente toda a equipe e a banda. Faltavam poucos e que, logo logo estariam na lista dela. Nenhum deles escaparia. Bastava representar algum interesse para ela. — Vai dormir com ele também? — o homem brincou, apertando os dedos contra a curvatura da coluna exposta dela, causando-a arrepios leves. Tinha um sorriso absurdamente malicioso nos lábios carnudos e naturalmente avermelhados. — Se precisar... — Ela beijou a pele ligeiramente morena do pescoço dele, em seguida ameaçou um beijo, mas logo recuou, tentando provoca-lo. — Então repita. — ele a puxou para perto. — O que? — ela já sabia o que, mas ousava perguntar com malícia. — Qual o seu nome? — ele indagou, sorridente. — Meu nome é Debrah Killings e faço de tudo para conseguir o que quero. — ela respondeu e dos olhos azuis transbordava malícia. — Agora sim, pode ir. — ele soltou-a.
Ela abriu mais uma vez seu sorriso de naja e virou-se de costas, rebolando os quadris propositalmente. Sabia que quando se virasse, ele a estaria olhando. E ela adorava isso. *** Nathaniel estava cansado de ouvir Melody falar de trabalho e das expectativas que tinha com a volta as aulas, portanto, levantou-se deixando-a com Violette na praia. A menina não cansava de parecer perfeita e aquilo o irritava constantemente. Ela era linda e inteligente, de fato, mas exatamente por ela ser ou parecer ser perfeita ele não conseguia se sentir atraído por ela. Mas ultimamente, ele vinha carregando um fardo contraditório. Não sabia o que sentia de fato, se era ilusão, desejo, ou qualquer outra coisa desse tipo. Ele se lembrava de que no último romance policial que havia lido, a forma como o agente do FBI olhava para a antropóloga denunciava sua paixão por ela. Paixão? Mas será realmente isso que ele estava sentindo? Será que olhar distraidamente para aqueles olhos azuis e, de alguma forma se perder neles implicava em algo como... Paixão? Ele não sabia. Na verdade, sequer se preocupava em saber. Sabia que havia uma tensão entre ela e Castiel. E, era claro que Castiel poderia estar se aproveitando disso. Era só o que ele sabia fazer. Castiel não gostava de ninguém além daquela bruxa malfeitora que um dia ele chamou de namorada. Poderia estar magoando Natsumin. E ela não merecia isso. Nathaniel não gostava nem mesmo de pensar nele. Na verdade, lembrar-se de vê-la beijando Castiel através da fogueira e, ainda por cima, tudo por ideia de Ambre, praticamente o deixava em fúria. E ele sabia que a irmã havia feito aquilo para atingi-lo. Ou atingi-la. Nathaniel de fato não sabia. Era por isso que não só ele como muitos garotos tinham interesse por ela. Natsumin era inalcançável e indecifrável. Ninguém conseguia sequer chutar o que ela estava pensando. Ainda tinha um passado incerto e, pelo que ele havia lido, sem querer, em sua ficha escolar, era uma rebelde até o ano passado e fazia coisas erradas. Quebrava regras da escola, discutia com companheiros de classe e eram poucos os que ela gostava. Não ligava para o que pensavam dela. Sempre tinha respostas irônicas para dar, inclusive a professores. E sempre teve um talento indescritível para música. Nathaniel até hoje não entendia as palavras daquela ficha. Natsumin havia rejeitado o convite para participar do clube de música, havia se inscrito no de basquete, raramente falava com alguém, com exceção de Armin e Alexy e, talvez, Castiel. Não era mais rebelde, não questionava, não respondia. Como pôde Natsumin ter mudado tanto e em tão pouco tempo? O que teria acontecido com ela? Ele tinha a cabeça baixa até aquele momento. Sem pensar, levantou os olhos cor de mel que, iluminados pelo sol daquele horário, pareciam amarelos. Estava a poucos passos da casa. Mas algo o surpreendeu. Não, não podia ser. O loiro sentiu imediatamente um aperto no peito, um nervosismo sem igual que trazia consigo as lembranças ruins do passado, as lembranças que o fizeram ser tachado por muito tempo como mentiroso e traidor. Ela. Aquela garota. Mas o que ela estava fazendo aqui? Não poderia ser coincidência, não mesmo. Seus olhos amarelados pelo sol a viram envolver-se nos braços de um homem alto, praticamente beijá-lo. Os dois tinham uma intimidade incomum. Ela começou a andar em direção à casa. Nathaniel arregalou os olhos e não teve outra reação senão correr. O loiro podia sentir a adrenalina sobre o corpo, sabia que morreria naquele dia se Castiel a visse com ele novamente. Ele entrou com calma na casa, que parecia vazia e procurou fazer o mínimo barulho possível. Mas foi novamente surpreendido. *** Natsumin caminhou lentamente em direção à origem dos passos. Se ela se concentrasse um pouco mais, poderia ouvir uma respiração ofegante. Quando conseguiu, sentiu o peito apertar. Poderia ter acontecido algo? Poderia ser Castiel? Ela deslizou pelas escadas de madeira lentamente, ansiando, ao mesmo tempo em que temia saber de quem se tratava. Os olhos azuis estavam atentos, as mãos se encontravam em formato de punho e o estômago comprimido denunciava a tensão. Quando finalmente resolveu avançar de uma vez, sentiu-se aliviada por saber de quem se tratava. — Nathaniel? — os olhos azuis agora estavam um pouco duvidosos. O estado do loiro não era normal. As pupilas estavam dilatadas, o negro de seu interior praticamente domava a cor caramelada que era sua característica. Os cabelos loiros estavam desgrenhados, denunciando uma corrida até o local, a testa estava suada, o peito nu estava domado pelo suor. Ele tinha as duas mãos apoiadas nos joelhos quando Natsumin o surpreendeu e a cabeça, que estava abaixada, agora levantou-se para olhá-la. — Natsumin? — ele levantou-se. — Pensei que não havia mais ninguém aqui. — Acho que eu deveria dizer o mesmo. — a menina aproximou-se e pôs a mão direita no ombro esquerdo do garoto. — Está tudo bem? — Está, está. — ele desviou os olhos para o lado, o que denunciava sua aflição e a tentativa falha de mentir. Nathaniel nunca fora muito bom nisso. — Não, não está. — a menina forçou-o a olhar em seus olhos. — Algo te assustou. Nathaniel apertou os lábios enquanto focalizava os olhos naquelas águas cristalinas que eram os dela. Natsumin era muito linda e essa proximidade que ela tinha agora dele o deixava nervoso de certa forma. Nunca havia estado tão próximo dela, a não ser quando ela precisava dele ou quando havia feito a inscrição na escola. Não porque ele não queria vê-la, ou vice-versa, mas porque ele nunca tinha tempo de vê-la e, apesar de ela perambular por toda escola, estava sempre acompanhada dos gêmeos ou de Castiel. Nathaniel desviou os olhos novamente e suspirou. Embora quisesse, não poderia contar nada a Natsumin. Aquele segredo morreria com ele para sempre. Assim como deveria ter feito naquela época. — Tudo bem, você não quer falar. — Natsumin sorriu. — Pelo menos quer um copo d’água? — Quero sim, obrigado. — Nathaniel estava mais calmo e Natsumin pôs rapidamente água gelada no copo de vidro e ofereceu ao menino.Toc-toc. Assim que bateram na porta, Natsumin pôde ver a aflição atingir novamente o rosto de Nathaniel. *** — Acho que não vou pegar o bloco agora. Lysandre tinha os olhos bicolores perdidos novamente. Mas agora, naquele horizonte ao fundo. Os braços estavam cruzados sobre o peito nu em parte, porque ele usava a camisa de linho aberta. A mecha mais escura do cabelo foi jogada para seu rosto com o vento forte oriundo do mar. — Tanto faz. — Castiel também cruzou os braços sobre o peito nu. — Eu também teria preguiça de ir até aquela casa andando. Lysandre não falou mais nada. Preguiça era uma palavra muito forte, portanto ele não quis adequá-la à sua frase. E, é claro, ele queria conversar um pouco mais com Castiel. Afinal, faltavam apenas três dias e, de fato, a discórdia chamada Debrah estava iminente. O rapaz só não sabia que, perto até demais.
Notas finais
Não se esqueçam, por gentileza, favoritem, recomendem, comentem! Isso ajuda muito! ♥
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