Diamante Bruto
59 Capítulo Dezesseis - O Caminho de Volta
Notas iniciais
Maratona!♥
Recomendo que, quando eu indicar no texto, leiam ouvindo a música "Find may way back",
link: https://www.youtube.com/watch?v=89j-MzXlIAs
Batia o pé direito impaciente.
Guardou o celular no bolso, a porta da casa dela era de um marrom claro, feito bege, e havia duas janelas do mesmo comprimento da porta, uma em cada lateral. Levantou o rosto e por uma delas pôde vê-la se aproximando. Usava calças jeans e uma blusa de alças preta. Os pés estavam descalços. Segurava algo nas mãos, provavelmente uma bola de pelos qualquer e colocou-a no sofá branco em que estava sentada. Ele cerrou os punhos e desligou o celular, precisava conter a raiva, embora o coração disparasse. Disparava de raiva, é claro, nada mais do que isso. Uma parte bem idiota e estúpida dele queria apenas saber se ela estava bem, se ela ainda estava ali, se Natsumin ainda existia para ele. Mas, a maior parte, a mais sensata e a mais certa, queria apenas esclarecer essa maldita história, afinal odiava ser culpado por algo que não fez, algo do qual não tinha absoluta ideia do que fosse. E odiava, principalmente, quando Natsumin escondia as coisas apenas para si. Respeitava, mas não queria dizer que gostasse. Ela abriu a porta e ele entrou como um tufão, as mãos jogando o cabelo rubro para trás e os braços logo cruzando-se atrás dela. — Seja bem-vindo à minha humilde residência, poço de bom humor. — Natsumin tinha um sorriso sarcástico sem mostrar os dentes no rosto quando se virou para ele, uma habilidade que aprimorara com o próprio . Gesticulou para que ele se sentasse no sofá e passou a andar calmamente em direção à cozinha, logo ao lado da sala de estar. — Dá para me responder o que diabos está acontecendo com você? — Castiel tinha os dentes trincados, por isso pronunciava entredentes. Aproximou-se com as sobrancelhas duramente franzidas e as narinas infladas. [i]Que sexy.[/i] Ela sorria enquanto reparava nele de soslaio. — Você quer água, café, suco de maracujá? — continuou com aquele sarcasmo, não sabendo o quanto aquilo a estava deixando perto da rebelde. Ele se aproximou dela repentinamente, mas ela logo notou, mesmo estando de costas para ele, a mão abrindo a geladeira, o corpo desviando-se para o lado, para que Castiel não estivesse em um ponto cego e ela pudesse vê-lo pelo menos um pouco. A dúvida frequente era se ela simplesmente queria vê-lo, ou se estava insegura com a presença dele e tão... Próximo. A resposta era um pouco dos dois. Não o via há tanto tempo e ele estava tão... Perto demais.. — Claro, mas não prefere me dar na boca? — ele entrara no jogo do qual era o dono. Natsumin tinha colocado a jarra de água na pia e pegava um copo quando a mão dele tocou a sua e ele pronunciou em sua orelha. Merda. Aquilo a causou arrepios. — Lógico. — Ela virou-se repentinamente para trás, estava altamente desconfortável com o corpo de Castiel tão próximo do seu e ela ainda de costas para ele. Os narizes se esbarraram naquele momento e ela arregalou os olhos, o coração em êxtase. De costas para a pia, tateou a parte mais abaixo, procurando a gaveta enquanto ele sorria com o rosto cada vez mais próximo do dela. Onde diabos havia parado o mau humor dele, afinal? Castiel era tão... Tão.... Tão sexy. Ah.... merda. Instável! A palavra era instável! E não sexy. Virou-se de costas para ele novamente, droga, dessa vez esbarrou com os quadris nele e ouviu sorrir baixinho. Preencheu o copo com água e colocou o canudo que encontrara com dificuldade na gaveta. — Água? — ele provocou, observando-a agachar-se e desviar-se da proximidade dele rapidamente. Ele não entendia bem o motivo, toda vez que estava com Natsumin queria explodir algum lugar, quebrar coisas porque ela o irritava profundamente, mas ao mesmo tempo queria estar mais próximo dela, era quase automático, ele não conseguia controlar aquela provocação. Na verdade, a verdadeira provocação era ela mesma. Virou-se para ela e notou que Natsumin tinha os cotovelos apoiados sobre um balcão no final da cozinha e mais próximo à sala, o corpo inclinado para frente mostrava, mesmo sem ela perceber , frestas da blusa de alça e olhando-a daquela maneira, Castiel notou que ela não era tão tábua afinal. Provavelmente ela notou também. O rosto estava mais vermelho do que os tomates sobre a pia. — Para que nenhum outro líquido estrague seu bom humor. — ela notou que ele se aproximava e mesmo que também se apoiasse no mesmo balcão que ela, mas do lado oposto, era um proximidade perigosa. Ela afastou-se e deu de ombros, guardando a garrafa que esquecera fora da geladeira. Demorou a fecha-la propositalmente para que ele não notasse seu rosto rubro e o cenho franzido. Mal sabia que era tarde demais. Droga, droga, por que a proximidade dele a estava afetando tanto? — Pois bem. — Virou-se com um falso sorriso no rosto, estava atuando por tanto tempo, guardando a rebelde e fingindo ser quem não era, que já estava ficando fácil fazê-lo. — A que devo o prazer da sua visita? — Então quer dizer que sente prazer ao me ver? — seu sorriso era de uma raposa bem traiçoeira e ele bebeu um gole da água sem usar o canudo. O braço esquerdo estava apoiado no balcão, ele estava um pouco inclinado porque era bem alto. — Interprete como queira. — ela balançou os ombros, tentando ficar o mais indiferente possível, enquanto aproxima-se do balcão e apoiava-se novamente, do lado oposto. Notou os olhos dele novamente em sua blusa, mesmo que por breves segundos, e em instantes seu rosto já estava rubro novamente.
— Não me respondeu ainda. — ele tinha a expressão séria agora e mais uma vez Natsumin perguntava-se o quão grande era a sua capacidade de mudar de humor tão rapidamente. — Não sinto prazer ao te ver, Castiel. — ela revirou os olhos e os desviou dele.Mentirosa. A rebelde apontava o dedo para ela, os olhos grandes bem atentos abaixo das sobrancelhas franzidas para baixo. Estava apenas acompanhando o show e Natsumin não estava precisando muito dela porque estava se saindo muito bem ao entrar naquele jogo de sarcasmo. — Não foi essa a pergunta. — Castiel estava duramente sério, o copo de água estava vazio e ele tinha um dos punhos fechados sobre o balcão agora. — O que diabos está acontecendo com você? — Nada! — ela sequer notou que gritava. — Deixa de ser mentirosa, Natsumin! — ele bateu com o punho fechado sobre o balcão e este tremeu um pouco, mesmo sendo de mármore. Natsumin não se intimidou, o olhar pareceu mais firme e rígido enquanto o encarava em reprovação. Era incrível como Natsumin estava precisando cada vez menos da rebelde. O “eu não sinto prazer ao te ver” foi a única idiotice que precisou de ajuda. Fora isso, ela estava se saindo bem. Ele rapidamente contornou o balcão e em instantes estava de frente para ela, segurando-a pelo braço, o rosto tão próximo que Natsumin teve de afastar-lo para trás já que era quase impossível se soltar dele. — Não quero te obrigar, mas detesto que me acusem pelo que não fiz! — O-o que? Eu não te acusei de nada! — ela empurrava o peito dele para trás e afastava o rosto, mas Castiel era ainda mais forte quando estava com raiva. — Por que estava chorando então? — ele reparou que poderia machuca-la e soltou seu braço, notando que ela não reclamara, portanto não a machucara, ainda bem. Apoiou as duas mãos na pia, agora era ele quem estava de costas, os ombros tensos, a respiração fraquejada e a galopes. Natsumin cruzou os braços e encostou-se ao balcão, bem ao lado dele, mas na posição inversa. Estava de costas para o balcão, os olhos perdidos no ar da sala de estar. O coração estava acelerado, ela estava nervosa. A presença dele a estava afetando. E muito. Castiel percebeu aquilo. O coração dela batia tão alto que ele podia ouvir claramente. Perguntava-se como ela não podia notar aquilo e mal sabia que ela notava sim e tentava esconder, mas era impossível. Não conseguia domar as emoções. O ruivo contestava-se também, era um cavalheiro à beira de um precipício e não conseguia fazer com que seu cavalo não saltasse, mas também não conseguia descer dele. Porque não queria. Não podia e não iria abandona-la, Natsumin surgiu em sua vida, detonando tudo o que ele conhecia, como uma tempestade e deixando marcas que ele tentava mas não conseguia apagar e incógnitas que ele pela primeira vez não conseguia decifrar sozinho. Mas ela não era, não podia ser especial. Natsumin era só a antiga novata que conhecera, a garota que morou com ele por um tempo. Nada mais. — Isso... — ela procurava encontrar as palavras e os olhos piscavam rapidamente. As palavras tropeçavam no ritmo do próprio coração. — Isso é uma longa história! — ela afastou-se do balcão e passou a andar em círculos pelas proximidades da sala de estar. — Olha para mim. — Castiel virou-se e apoiou-se no balcão da mesma forma que antes ela estava. Esperou-a levantar os olhos. — Tenho todo o tempo do mundo. — ela parou de andar em círculos, os braços antes cruzados passaram para mãos nos bolsos da calça e ele soltou as mãos do balcão, aproximando-se o suficiente dela para abaixar a cabeça e fazer com que as testas se tocassem. — Talvez eu não queira contar. — ela tinha as expressões serenas agora, disfarçava da melhor maneira que podia, embora conseguisse sentir o cheiro dele com aquela proximidade e ver aquele sorriso de coiote tão próximo dos lábios dela. — E por que não contaria? — ele ainda estava bem sério. — Talvez pelo mesmo motivo que não me contou da sua ex-namorada. O ruivo arqueou as sobrancelhas. *** — Desculpe por sair correndo e te deixar sozinha no carro, Ayuminn. — Rosa virou a cabeça para trás assim que se sentou no banco do carona. — Eu só precisava esganar um pouquinho o ruivo mas nenhum dos dois me deixaram. — Lançou olhares furiosos para Leigh, no motorista, e Lysandre, atrás, próximo à janela direita, Ayuminn estava na esquerda, e pensativo. — Tá tudo bem. — Ayuminn prendia as lágrimas nos olhos bicolores, era doloroso saber que Natsumin sofria e ela não podia fazer nada. Rosa sorriu e virou-se para frente. Leigh estava quase chegando a casa e ela se lembrou de algo muito importante, portanto virou-se novamente para trás. — Espere, você conhece Natsumin, não é? — Rosa tinha um sorriso de triunfo no rosto. — Você mesma me disse no dia em que nos conhecemos. Ayuminn arregalou os olhos. Sabia que não podia negar. Estava farta de mentiras. — Sim, eu disse. — confirmou. Mal sabiam todos que Natsumin escondera algo dela também, há muito tempo. — Tem ideia do que possa ser? — Rosa continuava o interrogatório. — Não, não a vejo há anos. — Ayuminn abaixou a cabeça e Lysandre a observava de soslaio, notando que talvez Ayuminn não se sentisse muito à vontade com a situação. — Não se falam mais? — Rosa tinha as expressões curiosas. — Não. — Ayuminn foi objetiva. — Mas.. — Rosa, ela não está muito à vontade com as perguntas. — Lysandre pontuou para que Rosa parasse um pouco. Todos estavam à par de uma situação da qual não tinham outra ideia a não ser que talvez não tenha sido gratificante e tenha magoado mais pessoas do que apenas Natsumin. O rosto olhava para Ayuminn, discreto como sempre e sentir aquele olhar nela a fez ruborizar por um instante. Rosa suspirou e parou um pouco com as perguntas. Retornaria depois que chegassem a casa. *** — Como sabe dela? — Castiel foi quem se afastou dessa vez e começou a andar em círculos, as mãos passando pelo cabelo ruivo e descendo para os bolsos, procurando os cigarros. Esqueceu que não tinha os trazido para não fumar na frente dela. Natsumin arfou, com aquela proximidade havia prendido a respiração e agora a soltava com vontade. — Ela esteve atrás de você na praia. — Natsumin confessou no lugar de mentir sobre aquilo. Não ganharia nada e Castiel acabaria descobrindo de qualquer maneira. — O que ela fazia lá? — ele parou de andar em círculos e quanto levantou os olhos para ela, estavam comprimidos e o cenho duramente franzido. Natsumin reparou o próprio erro. Lembrou-se da forma como foi sarcástica com a garota, como disse que o Castiel que conhecia era um gay de cabelo rosa e olhos azuis. Imaginou-o daquela maneira, ali, na sua frente e os lábios deixaram escapar uma risada baixa, com direito a dentes à mostra. — Isso não tem graça, Natsumin. — Coisas que se fazem na praia. — dissimulou a inocência que nunca teve e, se dependesse da rebelde que agora escrevia planos em um papel no ar, não teria nunca. Até a rebelde sorriu ao vê-lo com roupinhas apertadas e cabelo rosa. — Mar, sol... — a rebelde levantava placas em que escrevia as falas de Natsumin, depois piscava o olho para mostrar que Castiel estava ainda mais bonito do que da última vez em que se viram e... Bem, ele era lindo quando estava com raiva. — Gays e fogueiras.... Mas Natsumin discordava... Não é? Discordava? — Se não me disser a verdade, vou perguntar a ela agora. — ele abaixou o rosto e pousou novamente a testa na dela e Natsumin se sentiu ser empurrada para a parede. Estava cercada, literalmente. — E qual verdade quer saber, afinal? — era ela quem brincava agora, a rebelde aplaudia e enxugava as lágrimas invisíveis, “essa é a minha garota”. Natsumin não fazia ideia, mas o fim da farsante estava próximo e a rebelde estava sorrateiramente tomando seu lugar. Castiel recuou mais uma vez, pensativo e ela deixou escapar um suspiro. Aquela pergunta era ambígua, Natsumin até que era bem inteligente. Como se o pedisse para escolher entre ela e Debrah. Se estava interessado em saber sobre ela ou Debrah. A verdade, era que ela não havia pensado tão profundamente, apenas tinha duas verdades na cabeça. Uma envolvia tequila e dormir junto à ele na areia e a outra, envolvia um gay de acabelo rosa e tanguinha. — Está com ciúmes por acaso? — ele entrava novamente naquele jogo, o sorriso era de uma traiçoeira raposa. Suas negras órbitas eram penetrantes. — Hã? — Natsumin achava aquilo ridículo. Ela com ciúmes de... Qual o nome dela mesmo? De... Deu uma projeto de vaca como aquela garota? A primeira coisa que odiou foi o ar de superioridade que ela tentou passar naquele dia na praia, a segunda era que a garota não parecia ser certa, Castiel era um rude e grosso, um Diamante Bruto, mas se lapidado, se destacaria entre os demais. Mas isso era impossível, sua beleza estava ali, no fato de não deixar que ninguém o lapidasse.
— Você não sabe, mas Debrah me fez uma grande proposta.... hum... algo que não posso recusar e você está armando uma confusão, fez Rosa invadir minha casa querendo em matar e Lysandre vir com lições estúpidas... — o rosto dele estava ficando vermelho de raiva, mas olhando para Natsumin com aqueles olhos da cor de chamas de um fogão a gás o fez lembrar-se do dia em que se beijaram na porta do quarto de guitarras, a maciez de seus lábios, I Will crumble, “eu desmoronaria”. E, que merda, era verdade, ele sempre desmoronava diante daqueles olhos, daquele rosto de boneca, da delicadeza que escondia uma menina forte e decidida, independente. Uma garota que ninguém conhecia porque a cada dia Natsumin parecia ser uma pessoa diferente, como se escondesse o seu verdadeiro “eu” de tudo e de todos, aquele segredo era a magia dela, merda, não podia força-a a esclarece-lo. — Rosa tentou te matar? — Natsumin caiu na gargalhada, segurava a barriga e Castiel passou a olha-la novamente, merda como ela conseguia fazer isso com ele? Ela o desmoronava, depois ria da sua cara, como ela conseguia fazê-lo mudar o humor tão rapidamente? — Isso não tem graça! — ele deu um grito alto e o mau humor havia atingido o auge. Fartou-se de ironias por enquanto, estava com muita raiva. Natsumin calou-se, as sobrancelhas estavam arqueadas e os olhos arregalados. Limpou a garganta, um pouco sem jeito, as mãos foram passadas para os bolsos novamente. Acariciava os braços nus e arrepiados e deu de ombros com a cabeleira negra caindo sobre o rosto. Podia ouvir a respiração alta de Castiel, estava ofegante, e quando virou rapidamente para trás, o via afastar o cabelo ruivo para trás e agarra-lo no couro cabeludo com força, soltando-o depois. Estava muito, muito nervoso mesmo. — Por que acha que vou ter ciúmes de uma pessoa que nem conheço? — Natsumin foi quem aproximou-se dele dessa vez, os braços cruzados e os dentes trincados. O cenho estava franzido, ela também estava ficando com raiva. — Eu não sei! Talvez se sentiu ameaçada, eu não sei! — ele tinha as duas mãos para o alto. — Ameaçada? Você acha mesmo que eu sou o tipo de pessoa que se sente ameaçada pela aparência de outra? — Natsumin deu um empurrão no ombro dele e Castiel cruzou os braços, desviando os olhos para o chão. — Talvez você não me conheça mesmo, Castiel. — deu novamente de ombros, os olhos azuis encarando a geladeira prateada de inox, bem parecida com a dele, alias, respirando fundo e prendendo com força as lágrimas. — Ou talvez por causa de mim? Ao ouvir a voz dele Natsumin virou-se. Castiel tinha os braços cruzados, os dentes trincados, o corpo encostado à parede, uma das pernas levantadas, o pé apoiado na parede. O olhar era sereno, embora esboçasse o sorriso de coiote tão famoso, tão conhecido. — Ou porque talvez haja algo que ninguém sabe sobre mim. — Natsumin tentava, mas não conseguia conter os olhos já vermelhos e brilhando envoltos por lágrimas. Andava novamente em círculos, a cabeça baixa, as mãos na altura do rosto, o cabelo comprido caindo pra frente. — Algo muito ruim. — Você não seria capaz de fazer nada de errado. — Castiel foi sincero, a voz era mais branda, notava que ela estava falando sério dessa vez. Talvez estivesse perto de saber o segredo dela, o grande segredo. — É apenas uma magrela fracote não mataria nem uma mosca. — brincou mais uma vez, mas sequer ouviu um sorriso, uma resposta. Silêncio. Ela estava parada, de costas para ele, as mãos na altura do rosto. Castiel comprimiu os lábios. Ela estava chorando. Retirou o pé da parede, aproximou-se a passos lentos e silenciosos e ela sequer notou. Puxou-a por um dos ombros e a garota foi jogada em seu peito, escondendo o rosto ali. Aninhou-a em seus braços, apertando-a com carinho, seu corpo parecia mais frágil agora, um dos muros que ela construíra havia desmoronado. Sentiu-a chorar, os soluços faziam o peito dele vibrar, ele trincava os dentes, estava desconfortável. Apertou-a mais forte, Natsumin envolveu os braços na cintura dele, rendendo-se àquele carinho. Ela acalmou-se e desvencilhou-se dos braços dele rapidamente, limpando os olhos com as costas das mãos. — Gripe maldita. — ela revirou os olhos e sorriu, apoiando-se novamente com os cotovelos no balcão da cozinha, os olhos ainda vermelhos, assim como o rosto. Ele apoiou-se também, novamente do lado oposto, ficando de frente para ela. — Então... — ela fungou mais uma vez e desviava o olhar do dele, tão penetrante e intimidador. — Quando vai me apresentar à sua namorada? *** — Ayuminn, Ayuminn? Rosa batia na porta do banheiro enquanto a menina tomava banho. — Rosa? — ela comprimia os olhos porque o shampoo caía junto com a água e aquilo ardia muito. — Pode contar agora? — Rosa vestia uma camisola sexy de alças e cor roxa, que marcava bem suas curvas. — Agora estou no banho. — Ayuminn deixou escapar um sorriso. — Coloquei Leigh pra dormir no quarto do Lys-fofo essa noite, porque você vai dormir comigo e me contar tudinho. Uma noite de meninas, que tal? Lys-fofo? Ela disse mesmo Lys-fofo? Ayuminn envolveu-se na toalha branca, enxugou o corpo e o cabelo e se vestiu. — Rosa, eu trabalho para você... Seria muito... Muito injusto com as outras se... Bem... — pronunciou quando abriu a porta do banheiro não queria ser a “amiguinha” da patroa e ser julgada pela amizade e não sua eficiência no emprego. — Jesus, seu gosto pelo menos para pijamas, não é nada bom. — Rosa entortou um pouco o nariz ao observar aquela calça verde clara e larga e aquela blusa de mangas de mesma cor. Horroroso, horroroso. — E olha, eu gosto muito de você, e precisa lidar com isso. Não é minha empregada, é só uma amiga que mora comigo e tem um salário. Não sou sua patroa. Leigh e Lysandre que são. E, ainda bem que me chama de Rosa e não senhora ou patroa e o dia em que fizer isso eu juro que te mato. Ayuminn estava confusa. Ela falava bem rápido. — Vem logo comigo. Amanhã cedo vou tirar suas medidas de qualquer maneira. — puxou-a pelo braço. *** —Ex. Já foi há muito tempo. Ele tinha o ar muito sério e talvez esse “ex” tivesse saído forçado demais. Como se.. Como se ele ainda tivesse esperança de voltar para ela. Natsumin sentiu uma forte pontada no peito ao notar isso. Uma espécie de tristeza, decepção. — Ainda bem, porque se eu dissesse que a queria conhecer, estaria mentindo. — Natsumin sorriu, mas Castiel continuou sério. Droga, não deu muito certo. Ele... ele não sabia o que pensar naquele momento. Estava colocando Natsumin e Debrah em um paralelo, as duas eram diferentes, eram realidades diferentes, épocas diferentes. Eram como escolhas, mas ele nunca seria capaz de fazê-la. Como escolher entre sua carreira e... E... Droga, ele não sentia nada por Natsumin! Não é? Nada além de desejo, Natsumin era diferente e resistente, isso a atraiu mais rápido, já Debrah era um passado, eles tinham uma história, eles.... O que diabos ele estava pensando? Debrah só estava voltando por causa de um contrato, ele não podia voltar a idealizar e ser o babaca apaixonadinho que era! Com Natsumin... Com Natsumin tudo era uma explosão, eles pareciam dois rivais, ele...Merda, por que ele estava colocando as duas em paralelo? Por que tinha a impressão e que Natsumin estava na frente? Miau. Miau Kovu quebrou o silêncio instalado, aproximando-se com toda a sua fofura. Castiel voltou os olhos para baixo e o gatinho se esfregava nos pés dele, ronronando enquanto pedia carinho e colo. Castiel ignorou-o e cruzou os braços, encarando um ponto cego atrás de Natsumin e próximo à sala de estar. Natsumin revirou os olhos diante daquele gesto e agachou-se aos pés de Castiel, pegando Kovu no colo. Acariciou sua cabecinha e ouviu-o ronronar. — Um gato, Natsumin? — Castiel comprimia os olhos e franzia o cenho. Tinha que parar de pensar nela, a melhor maneira era voltar ao próprio jogo de ironias. — Pensei que fosse mais sensata do que isso. — Por que não? — ela voltou os olhos azuis para ele e estranhamente naquele momento, a bola de pelos também. Ela colocou-a sobre o balcão e abaixou o rosto para brincar com ela. Ao ver o cabelo negro de Natsumin cair sobre o rosto enquanto acariciava a pequena coisa com o nariz e o segurava com os dedos alvos, a criatura era praticamente do tamanho da mão dela, Castiel involuntariamente comparou-a à bola de pelos. Pêlo e cabelo preto, olhos azuis como as chamas de um fogão. Até que a bolinha de pelos não era tão desagradável.Miau, Miau. Kovu pareceu gostar de Castiel e agora olhava para ele com os olhos tão parecidos com o da dona. Natsumin pegou a bola de pelos no colo e levou-a de encontro a Castiel, os rostos dos dois novamente tão próximos. — Natsumin, eu detesto gatos. — ele afastou o rosto e cruzou os braços. — Por que não sabem demonstrar afeto, são animais frios? — Natsumin encarava o ruivo seriamente. — Então você é mais burro do que eu pensava porque este aqui foi quem mais me deu carinho quando precisei. — ela aninhou o pequeno nos braços e esfregou o nariz no focinho dele. — Vamos, é só segurar um pouquinho, não vai te matar. Castiel estava receoso, os olhos comprimidos provavam isso. Nunca havia feito aquilo antes. Detestava gatos, de fato, e apesar de ela tê-lo chamado de burro, não teve muita vontade de retrucar. Sim, era um milagre. A menina aproveitou e colocou Kovu no ombro dele e o gatinho começou a acariciar o rosto do ruivo com a sua cabecinha miúda, enquanto com as patinhas batia no cabelo de cor curiosa dele. Não que enxergasse, é claro. Gatos veem em preto e branco. — Até que esse aqui... Não... — Kovu estava no nariz dele e Castiel retirou-o com cuidado, a bola de pelos era muito.. delicada. — Ele é diferente. Mas os outros gatos continuam ingratos. Natsumin revirou os olhos. — Só os humanos são ingratos. — ela retirou Kovu que tinha as patinhas no nariz de Castiel. Castiel cruzou os braços e observou-a esfregar o nariz mais uma vez no focinho do animal e percebeu algo diferente nela. Bondade, talvez, amor, simplicidade. Um lindo sorriso. Merda, estava pensando nela demais. — Que foi? — ela levantou o olhar muito rápido e conseguiu perceber que, apoiado sobre aquele balcão, Castiel a olhava. Um olhar intimidador, diferente. Natsumin nunca o vira olhando para alguém daquela maneira. Como se... A admirasse. Estranho. Por um momento pensou que ele ruborizava. Loucura. Só podia ser loucura. — Você é engraçada às vezes. — ele soltou um sorriso espontâneo e ela voltou ao seu lugar, colocando Kovu sobre o balcão. *** — Essa, põe essa. — Rosa entregou-a uma camisola branca cujo comprimento ia até os joelhos, mas era de seda e o pano fino marcava suas curvas. Ayuminn era bem magra, mas tinha... Bem, tinha... — Menina, se algum rapaz ver isso vai pirar! — Rosa arqueou as sobrancelhas e tinha um sorriso travesso nos lábios quando Ayuminn saiu de dentro da pequena portinha, vestida. — Você tem mais seios que eu! — Isso é ruim? — Ayuminn comprimia os olhos e entortava um pouquinho os lábios. — Ruim? Pergunta isso pra algum rapaz pra você ver o que ele responde. — ela saiu do closet e Ayuminn seguiu-a. — Mostra isso pro Lys-fofo e talvez ele te responda. — Ayuminn enquanto enrolava-se no cobertor. Estava muito frio, como Rosa podia dormir com aquela roupa? — Tá, chega de enrolação, conte tudinho. — Rosa deitou a cabeça no travesseiro, ansiosa por respostas. Ayuminn suspirou. Apesar de gostar de Rosa, não queria contar a história. Não por ela, mas por Natsumin. Ainda tinha Natsumin como a garota dedicada e amiga que sempre foi. Mas, naquele momento, viu em Rosa a oportunidade de conseguir falar com Natsumin mais uma vez e embora a cabeça estivesse confusa, sentia que era a coisa certa a fazer. — Primeiro, pode me prometer uma coisa? — Ayuminn pediu. — Tudo bem. — Rosa confirmou um pouco receosa, os lábios curvados. — Me ajuda a voltar a falar com ela? Rosa abriu um sorriso largo e empolgante. — Claro! Ayuminn agradeceu com um sorriso pequeno. — Eu, Natsumin e mais uma menina éramos melhores amigas. — Ayuminn ia sendo tomada pela lembrança daquela noite fria aos poucos. O quarto de Rosa e Leigh estava escuro, mas tinha leves cortinas brancas, a cama era uma King size enorme e o colchão era muito macio, assim como a de Lysandre. Nos móveis havia vários toques de roxo e vinho, com detalhes em bronze e retoques na arrumação, como a posição do tapete luxuoso, quase vinho, a penteadeira de cobre com um grande espelho. A única coisa que não havia naquele quarto era uma varanda, do contrário do quarto de Lysandre, cuja sacada enorme dava para uma larga varanda atrás das cortinas. Ayuminn reparou quando foi limpa-la pela manhã. — Mas algo aconteceu com Natsumin e ela escondeu de nós duas e foi embora sem falar nada, dizendo que não gostava mais da gente, que nunca foi nossa amiga. Mas eu a conheço e sabia que estava mentindo.
— Isso é bem típico da Natsumin. —Rosa comprimiu os lábios, lamentando a tristeza que podia ver em Ayuminn. — Mas vamos dormir, amanhã tirarei as medidas para o seu uniforme perfeito! *** Encararam-se por minutos. A hora passava tão rápido quando estavam juntos. Castiel enxergava uma Natsumin diferente, mais descontraída, sarcástica... Mais... Mais linda. Droga, o que diabos estava pensando? Natsumin linda? É. Ela era linda mesmo, não podia negar. Naquele instante a bola de pêlos aproximou-se de Castiel e Natsumin contornou a mesa para pega-la, ficando de frente para o ruivo. Mas, desastrada como só ela, de uma maneira inconsequente tropeçara no próprio pé, caindo como uma idiota nos braços deles, Kovu assustou-se sobre o balcão e inclusive parou de andar. Castiel segurou-a pela cintura, ajudando-a a se levantar e conforme o rosto dela se levantava, o dele se abaixava. Os lábios estavam prontos para se tocarem, dois corações batiam em um nível absurdamente rápido. — Acho melhor você ir. — ela reparou que estava prestes a cometer um erro absurdo. Não podia voltar à estaca zero, ao beijo na porta do quarto de guitarras que não levou a nada. E como? Como algo tão forte não pode ter levado a lugar algum? — Está me expulsando? — ele forçou um sorriso para esconder o desconforto. Era difícil resistir quando ela estava tão perto. Merda, o que diabos estava acontecendo com ele? Não era mais o mesmo. — Claro que não, minha tia ia adorar te ver aqui. — ela abriu um sorriso sarcástico, mostrando os dentes dessa vez. Um sorriso falso mais uma vez. — Não ia mais te deixar sair. — Talvez fosse bom, afinal. — ele tinha o tradicional sorriso de coiote nos lábios enquanto observava-a retirar o pequeno gato do balcão e coloca-lo no chão. — Por que, está com saudades de me ver todos os dias novamente? — ela observou-o agachar-se e pegar Kovu no colo. Castiel pegando voluntariamente um gato no colo?Constantine! Constantine! É o fim do mundo! — É, saudade de te ver tomando banho. — o sorriso era de raposa. — Mentira! Eu trancava o banheiro! — Ela sorria, não conseguia ficar com raiva dessas piadinhas idiotas e pervertidas e ruborizava. Deu um empurrão no ombro dele e Castiel sorriu enquanto a observava dar de ombros e andar em direção à porta. — Falando assim, parece até que... — ela engoliu a ideia de dormir com Castiel. Aquilo a deixava mais... nervosa. — Que dormíamos juntos. — ele tirou as palavras da boca dela e quando virou-se após virar a maçaneta, ela deparou-se com a imagem de um sorriso bem travesso no rosto dele. — É, mas isso nunca aconteceu. — ela pontuou ao atravessar a porta e Castiel seguiu-a ainda com Kovu no colo. — Não se lembra, Natsumin? Fizemos uma vez sim. Ela estatizou. Literalmente. Estava tão pálida, era como se o sangue tivesse parado de circular. Os olhos azuis estavam arregalados, os lábios entreabertos. Oh não, será que... — Você acredita em tudo, sua tábua. — abaixou o rosto para ela, pousando a testa ali por um momento e afastando-se quando acreditou que a aproximação estava de certa forma a incomodando. Natsumin não encontrava palavras, a rebelde levantava cartazes mas ela não os via, ainda estava surpresa com aquela possibilidade, Castiel era tão instável que não conseguia adivinhar se era verdade ou brincadeira mesmo. — Adeus, Natsumin. — ele colocou Kovu nos braços dela, mas continuou parado ali, as mãos agora nos bolsos. De alguma forma algo o prendia ali. Castiel não estava com vontade de ir embora, a hora passou tão rápido, pareceram minutos, mas ele esteve por lá por horas. Diabos, já era noite e ele nem percebera. Notou-a colocar kovu dentro de casa e empurra-lo um pouquinho para que entrasse. Depois ela se levantou e os olhos ficaram fixos aos dele. — Adeus. — Hesitou, pensou em despedir-se com um beijo no rosto, mas quando aproximava o rosto do dele, era como se ele tivesse pensado a mesma coisa e os lábios quase se tocaram. Preferiu o aperto de mãos, não tinha tanto perigo. Ele apertou a mão dela, mas de uma forma diferente, acariciando com o polegar a pele dela antes de solta-la e dar de ombros. Ela entrou sem olhar para trás e fechou a porta. — Foi por pouco, Kovu. — o corpo encostado à porta foi caindo aos poucos e quando sentou-se no chão, reparou que o felino não estava ali. — Kovu? — franzia o cenho, estava de quatro, tateando abaixo dos móveis, mas nada. Nada mesmo. Toc. To To. Toc..... Toc Toc. Reconheceu o Tã da da dã... Dã dã. — Agora você bate? — ela tinha um sorriso torto no rosto e encostou a cabeça na porta. Não sabia se era o alívo por ver Kovu ou por saber que ele ainda estava ali. — É melhor cuidar direito desse... dessa... — Bola de pelos estava na ponta de sua língua. — O nome dele é Kovu. — Natsumin ressaltou, revirando os olhos e pegando o gatinho das mãos de Castiel. As peles se tocaram e por um momento houve um choque. Muito bom, por sinal. Ambos olhavam-se novamente, o preto naquele azul, o azul naquele negro tão belo, cinzento, escuro, profundo. — Pensei que tivesse um nome descente, talvez pelo menos. — ele balançou os ombros. — Não dá para esperar muito de você além de coisas estúpidas da Disney. — colocou as mãos novamente nos bolsos. — Até parece que nunca viu Rei Leão quando criança. — Natsumin balançava a cabeça em desaprovação, mas sorria com ternura e ironia ao mesmo tempo, algo que só ela conseguia fazer. — E se eu dissesse que não? — ele sorria, levantando uma sobrancelha. — Eu diria que não duvido muito. — ela abriu a porta, colocou Kovu rapidamente lá dentro e fechou-a rapidamente para que não saísse.Nota da autora: Nesse momento aconselho que ouçam a música Find my Way back – Cody Fry. Liguem agora e continuem com a mesma até o final do capítulo. Sentirão o que Castiel estava sentindo nesse momento. O silêncio tornou-se rei. Olhares eram príncipes, as respirações, princesas. Era fácil para os dois se olharem sem falar nada, conectarem-se sem precisar de um intermédio. Castiel e Natsumin tinham algo de especial juntos, algo que nenhum dos dois sabia identificar, algo que ele sequer queria contestar e que ela não conseguia, por mais que tentasse. O ruivo ouviu o coração dela mais alto, notou seu cenho franzido, acima dos encantadores olhos. Era impossível não olhar para Natsumin naquele momento. — Acho que é um Adeus então. — ela sentiu o nariz e os olhos arderem, lágrimas formaram-se porque de alguma forma sentia algo de diferente em Castiel, como se ele estivesse cada vez mais distante. Ela não sentia nada por ele, não podia. Não! Não! — Ela me trouxe um contrato, Natsumin. — ele tinha o olhar sério e ao mesmo tempo triste. Natsumin nunca o havia visto daquela maneira. — Cinco anos como parte da banda dela. Dois em turnê. Natsumin franziu o cenho. Droga, por que estava com vontade de chorar? Por que algo a dizia que se Castiel virasse ali e agora seria o fim de qualquer coisa que poderia surgir. Seria um Adeus definitivo, nunca mais veria seu... Diamante Bruto. Tão valioso, mas tão obscuro. Só davam valor depois que o conheciam por dentro. — Isso é... ótimo. — após pronunciar, ela esfregou os lábios um no outro e respirou fundo. — É sim. — ele abaixou o rosto para perto dela. — Adeus. — por mais que se despedisse o corpo aproximava-se do dela e Natsumin não tinha saída. O ruivo estava pronto para sacaneá-la, fingir que ia beija-a como antes e voltar para trás com um “Pensou mesmo que eu beijaria uma tábua como você?”, mas sim, ele beijaria e sim, ele já havia beijado. O rosto dela estava levantado, a franja grande caía quase no nariz e ela estava tão linda com aqueles olhos parecendo... tristes e os lábios entreabertos, insegura. O cenho franzido de preocupação, o peito sob a blusa de alça subindo e descendo rapidamente. Ele deu um leve balanço na cabeça para os lados, como se negasse a si mesmo resistir e num ímpeto rápido segurou o rosto dela com as duas mãos e os lábios se encontraram. Ficaram pousados um no outro por um momento, ele sentia as batidas rápidas do coração dela na pele dele. Abriu os lábios, mas ela se afastou. Ainda respirava fundo, estava ofegante. Ele tinha os olhos baixos nela e ela tinha os olhos altos, nele. Natsumin o olhava com o rosto preocupado, os olhos tão... amargurados. Ele queria poder fazer algo, algo que não o comprometesse, algo que a fizesse ver que ele se importava com ela de qualquer maneira. Sim, não estava apaixonado, mas se importava. Era só isso. Ela piscava os olhos rapidamente, nervosa, o lábio inferior parecia tremer de frio e de nervoso, as pontas dos dedos estavam geladas. Respirou fundo, mas também negou a si mesma resistir. Afagou o nariz no dele tão rapidamente e os lábios se encontraram mais ainda. Beijou-o com ternura, juntando bem os lábios e apertando-os nos dele. Uma das mãos segurava o pulso da mão dele que segurava o rosto dela. A outra, estava no peito dele e podia sentir seu coração bater muito rápido. Seja lá o que fosse, Castiel poderia estar sentindo a mesma sensação que ela. Ele baixou uma das mãos que seguravam o rosto dela e isso a provocou arrepios, já que ia acariciando cada centímetro do corpo dela que tocava. Desceu pelo pescoço, passou pelo braço e pegou sua cintura, apertando-a de leve e com ternura. Era fervilhante, os dois estavam em brasa, chamas que se colidiam e emitiam faíscas. De alguma forma se completavam. Ele puxou o corpo dela bem mais para perto do seu, os lábios dele se abriram, fazendo com que os dela se abrissem também. Fecharam-se conjuntamente, fazendo uma bela dança, envolta por algo que ambos negavam mas estava tão próximo da paixão. A língua dele tocou a dela e um choque percorreu o corpo de ambos, não queria se soltar, não deveriam. Ela levou uma mão para trás do próprio corpo e abriu a porta, ele sorriu com os lábios sobre os dela, mas os olhos ainda fechados. O barulho da maçaneta o animou e imaginou o que estava prestes a acontecer, mas não queria que terminasse. Natsumin abriu os olhos e chutou a porta antes que Kovu pudesse sair novamente, Castiel sorriu com aquele gesto desesperado e ela sorriu de volta, com os olhos nos dele. Beijou a bochecha dele, ele beijou a ponta do nariz dela , depois seu pescoço e novamente os lábios. Estavam de pé, indo para a sala de estar. Os lábios moldaram-se novamente e continuaram a mover-se naquela dança apaixonante, Castiel desceu a mão da cintura dela para a coxa, levantando a perna da menina, que ficou moldada em seu quadril. Acariciava a coxa dela, mesmo através da calça jeans e levantou suas duas pernas em seguida, pegando-a no colo como fizera quando ela adormeceu na porta de sua casa, naquela chuva. Natsumin era tremendamente teimosa. Aquele dia em que tirou suas roupas e deitou-a em sua cama de lingerie. Foi o mais próximo que esteve de um “quase”. Até agora. Deitou-a no sofá com cuidado, os lábios não se desgrudavam, os beijo era rápido e apaixonante, aqueles lábios pediam para se encontrar toda vez que esses dois se viam, mas ambos negavam e resistiam, teimosos. Mas hoje era dia de ceder. Castiel pôs-se por cima dela e Natsumin afastou-se, ajeitando-se sobre o sofá, enquanto Castiel retirava o celular do bolso, abrindo-o e tirando a bateria antes de coloca-lo de volta no bolso. Ágatha não estaria em casa hoje. Castiel tirou a bateria do celular.Sem interrupções. Os lábios dele pediam-na mais e mais. Castiel inclinou-se sobre ela novamente, os joelhos nas laterais das pernas dela, ela agarrou a gola da camisa dele com as duas mãos e o beijo tornou-se mais ágil e sedento. Levemente ele pressionou os dentes no lábio inferior dela, puxando levemente antes de voltar a moldar a boca na dela e continuar o beijo. O sofá era bem grande e o ruivo não tinha reparado, mas estava com um compartimento aberto, como aqueles sofás-camas. Castiel ainda acariciava a cintura dela, mas dessa vez as mãos procuraram a base da blusa dela e levantaram-na aos poucos. Percebeu que Natsumin afastou-se e levantou os braços, ela usava uma lingerie preta de renda e agora foi comprovado que de tábua ela não tinha absolutamente nada. Castiel sorriu, estava sentindo algo diferente naquele momento, algo que não podia explicar. Voltou a beija-a, uma das mãos acariciando o rosto. E naquele momento, Natsumin sentiu. Talvez estivesse mesmo apaixonada por ele. Afastou-se e cerrou o beijo, a rebelde olhava tudo estatizada, seus olhos grandes pareciam não acreditar no que estava acontecendo. Como ela pôde ser tão imbecil? Como ela pôde interrompê-lo? Não deixa-lo continuar? E Natsumin sabia. Não podia se apaixonar. De jeito nenhum. Não pagara por seu castigo, não poderia atrapalhar a vida de Castiel assim como fizera com a própria. Ela não o merecia. — Você precisa ir, Castiel. — o rosto estava em um instante envolto em lágrimas, o alvo transformou-se em rubro, ela saiu debaixo dele e passou tatear o sofá em busca da blusa, tapando o rosto para que ele não a visse chorar novamente. — O que está acontecendo? — ele tinha os olhos arregalados, o olhar assustado enquanto segurava o pulso dela, forçando-a a olhar para ele. — Não sou quem você pensa que sou! — ela chorava como um bebê, não conseguia conter as lágrimas, saíam sem esforço, merda ela estava muito apaixonada por ele! — Natsumin! Ela o interrompeu selando com suavidade os lábios nos dele. — Adeus, Castiel. — pronunciou com os lábios nos dele, as lágrimas quentes desceram nos lábios dele e Castiel sentiu aquele gosto salgado. Segurou o rosto dela com as duas mãos novamente, beijou seus lábios com uma ternura absurda, beijou seus olhos... Mas ela se afastou, vestiu a blusa e rapidamente abriu a porta. O ruivo não teve como contestar. Atravessou da maneira como entrou, um tufão, mas com a cabeça mais confusa, o peito mais apertado. Ela era o seu caminho de volta, mas o forçava a não mais voltar. Derrotada. Foi assim que o corpo de Natsumin caiu pela porta, acabado, derrotado. Os ombros doíam tanto, a cabeça explodia, o rosto estava quente e rubro, até a blusa estava molhada, o cabelo caía em seu rosto, ela parecia um soldado abatido. Castiel era seu caminho de volta ao passado, à rebelde maldita que vinha atormentado sua vida, aquela que matou seus pais! Para manter-se longe dela, precisava antes manter-se longe dele. Por mais que doesse. E muito.
Notas finais
Não se esqueçam, por gentileza, favoritem, recomendem, comentem! Isso ajuda muito! ♥
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