Dialética da Lembrança
1 One shot
Notas iniciais
Seria algo lógico do ser humano desejar que as coisas mais íntimas de seu coração fossem reais? Talvez, mas isso não era o suficiente para transformar a realidade em perfeitas condições de convivência. Sete anos haviam se passado, e nesse tempo Polly passou cinco indo passar as férias na casa de campo de Digory. Mas como toda criança cresce em sociedade não seria permitido que ela ficasse passando as férias na casa de um amigo de infância pelo fato desse amigo em questão ser homem.
“Ainda sim, um amigo.” Pensava Polly lamentavelmente.
Nada mais nada menos, antão por que ela não conseguia achar uma explicação pelo seu desânimo em se arrumar. Oras, era apenas Digory. O recém-formado professor.
A moça loira tinha um coque bem preso no alto de seu cabelo com algumas madeixas rebeldes que não se permitiam se segurar. Podia ser como nos velhos tempos em que apenas se preocupava se Digory conseguiria fazer uma balança no gigantesco quintal ou se teria bolo de cenoura com cobertura de chocolate na hora do chá.
Mas não, aquele dia digory se casaria e isso significava que o passado seria esquecido e qualquer possibilidade de futuro não seria mais que um fruto da imaginação de Polly e muito em breve seria a vez dela de assumir a responsabilidade de formar uma família, com um cavalheiro londrino formado pela Oxford, era o que desejava em sociedade.
Ao terminar de se arrumar Polly pegou uma folha e uma caneta, olhou o presente perfeitamente embrulhado e suspirou fundo. E pôs se a escrever.
Ela não chorava e nem choraria, o que sentia pelo amigo era algo puro, como um doce sonho de criança do verão, era um amor idealizado que ela fazia questão de manter seguro e quente no seu coração porque ela sabia e sempre soube o quão era impossível de concretizar.
Alguém bateu na porta fazendo com que ela se despertasse de seus pensamentos.
–Polly? – Era a voz de seu pai, ela deu um pequeno pulo da mesa de sua penteadeira e guardou a carta rapidamente.
–E-Entre... – Ela comentou disfarçando seu nervosismo enquanto observava a figura do senhor com cabelos grisalhos apareceu em sua porta. Ele deu um sorriso amigável e ela correspondeu com doçura.
–Vamos? – Ele voltou a dizer. Ela se levantou e escondeu a carta atrás de si, sem saber ao certo o motivo.
–Pode ir na frente, eu vou em seguida, só preciso arrumar algumas coisas.
O pai dela não a confrontou, pelo contrário, seria bom se Polly estivesse perfeita, aquele casamento teria pessoas importantes Polly poderia encontrar um bom partido, afinal ela já tinha 17 anos.
Polly arfou aliviada antes de esconder a carta por entre sua roupa e andou rápido para conseguir acompanhar o pai.
[...]
Digory estava feliz sem duvida ele era um típico exemplo de inglês bem sucedido, e isso era bom, ele havia se formado, vivia em uma bela casa de campo com livros que poderia passar anos lendo sem enjoar e uma bela noiva de boa família, tudo parecia perfeito e ele tentava se convencer disso, embora que em sua adolescência ele se imaginava brincando para sempre com a menina dos cabelos dourados que um dia vivera a grande aventura da sua vida.
Bom, nada na vida podia ser perfeito, e isso o confortava. Muitos dos convidados haviam chegado e Digory ficava em maior parte da festa conversando sobre acontecimentos de Londres com muitos dos cavalheiros, mas a verdade era que o importante professor só pensava em como tudo seria muito mais divertido em Nárnia. Talvez se ele estivesse lá ele viveria com Polly, como rei e rainha, ou não, Aslam tinha seus planos e com certeza os planos dele era bem maiores que o plano de qualquer humano e ele nem ousaria imaginar planejando sua vida no lugar do grande leão.
Foi quando o clérigo interrompeu a conversa para dizer que a cerimônia deveria começar, todos de acordo foram até o lugar montado como altar. A noiva de Digory apareceu na outra ponta do tapete vermelho sendo guiada pelo pai, ela estava radiante e sorria para todos os convidados que agora estavam de pé. Ele estava feliz porém não pode deixar de procurar pela sua companheira de infância pelos convidados ele teve vontade de rir ao ver em pé no ultimo banco a moça de cabelos loiros que chegara atrasada, ela estava muito elegante com um vestido longo de seda da cor azul turquesa, ao perceber que estava sendo observada por Digory ela lançou um sorriso discreto, foi então que ele viu que sua noiva esperava que ele pegasse sua mão, ele sorriu para ela e pegou sua mão. O ritual do casamento estava feito.
–Parabéns, Digory. – Ouviu o rapaz que antes só estava conversando com os mesmos senhos londrinos de antes. Ele se virou mais ainda pode escutar a conversa que cessara apenas para mudar de assuntos.
–Ela é uma antiga amiga de infância dele. – um deles comentou. Digory voltou a atenção para eles.
–Sim, e se me dão licença. – Ele comentou e depois acompanhou Polly até os bosques da casa.
–Há quanto tempo. – Ele disse feliz sem cerimonia deu um abraço apertado na amiga, um abraço que por ele poderia continuar. Ele sabia que seu casamento era social, sabia que sua noiva tinha plena consciência disso e era provável que Polly também.
–Nem sei quanto, como você está? – Ela respondeu segundos depois de se soltarem.
–Casado agora. – Ele brincou com a situação. Vendo a dar uma pequena risada da piada mal elaborada.
–Percebi... – Ela se amaldiçoou por seu comentário ter parecido tão melancólico naquele momento, Polly sabia que não passaria despercebido por ele. E não passou.
–Sabe, meu casamento foi bem social, tem benefício para ambas as partes. Polly eu tinha outros planos... Planos que eu tracei antes mesmo de entrar na universidade. – Ele a encarava sério. Mas ela sorriu em resposta e interrompeu antes que ele continuasse e dissesse algo que poderia se arrepender depois. Mas parecia claro, os dois estavam odiando estar ali, e eles só queria correr e pular em um lago para tentar aparecer em outro mundo.
–Eu sei, e estou orgulhosa de você, sério. Fiz essa carta para você. – Disse enquanto entregava a carta.
Ele pegou e fez que abriria, mas ela o impediu.
–Leia quando eu partir. – Polly disse e ele assentiu. Polly resolveu ir em direção a parte movimentada da festa onde seu pai estava, onde poderia das os cumprimentos a noiva e principalmente, onde não ficaria com vontade de chorar como uma criança que não ganhou seu presente desejado no natal.
“Querido Digory,
Muito tempo se passou desde que não nos vemos, talvez dois anos. Vindo de nós é muito. Parece que esse é o fim para nossas aventuras, e que por Aslam possamos nos encontrar de novo naquele lugar maravilhoso chamado Narnia, que agora em diante você consiga ter inúmeras aventuras com sua nova família.
Com carinho, de sua amiga, Polly”
Ele enxugou a lagrima travessa que se formou no canto do seu olho, observou a carta mais uma vez. Ele se encontraria com ela de novo, em um mondo onde pudessem ser felizes. Ele só desejava outra coisa em troca, onde estivesse ele só queria que Polly fosse feliz.
Eles sabiam que na sociedade que viviam seria impossível a união entre os dois e eles, Polly e Digory, viveriam além daquele amor infantil, Polly casaria e teria filhos, assim como Digory, mas nenhuma lembrança seria tão viva em suas mentes do que a aventura que viveram em Nárnia.
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