Diabolic Lover

7 07 - Princesa amazona sem noção


Notas iniciais
Muito obrigada por estarem acompanhando a fic, já estou com duas recomendações e isso me deixa nas nuvens. É por isso que continuo escrevendo, apesar de estar com dificuldades para escrever o capítulo 08, mas continuarei tentando escrever, até porque, a Marie me mataria se eu parasse agora e a Dai também me estrangularia.

– Isso é a coisa mais ridícula que já vi na vida – cruzo os braços na frente do peito para reafirmar a minha opinião.

– Sim senhorita Campbell, tudo muito ridículo, mas da qual a senhorita se sujeitou a fazer – Derek diz polidamente do outro lado da pequena mesa.

– Por que você fica a chamando de senhorita Campbell? – pergunta Ian para Derek ao seu lado. – Não precisa ser tão formal, camarada, chame-a pelo primeiro nome mesmo.

– Eu quero saber quem deu toda essa liberdade para me chamarem pelo primeiro nome? – pergunto, encharcando de ketchup o monte de batata frita no meu prato.

– Ora, ovelhinha, eu já a vi só de lingerie e inclusive nua, não acho que devemos nos ater a essas meras formalidades – Ian lança para mim seu olhar 43 e seu costumeiro sorriso de cafajestes.

– Você é um vampiro pervertido muito nojento – rosno para ele do outro lado da mesa e me seguro para não pular em seu pescoço branco e estrangulá-lo.

– Nua...? – Derek se engasga com a Coca-cola que estava bebericando ao dizer. – Enfim... – ele pigarreia para aliviar seu rubor – isso não é importante agora.

– Ah, não? Então o que é mais importante, além de seu amigo ter um sério problema de conduta?

– Eu não tenho problema de conduta – Ian protesta, se inclinando para frente da mesa.

– Eu sequer citei nomes, mas se a carapuça serve – me inclino para frente também.

– Parem vocês dois, parecem duas crianças – Derek coloca a mão em nossas testas e nos força a sentar direito na cadeira. – O importante agora é que prometemos a Alicia que iremos ajudar a Marie a ser mais sociável e para isso você tem que fazer o que mandei, entendeu? – ele faz cara feia para mim.

– Eu já disse que é ridículo.

– Ridículo é você não conseguir fazer isso.

– Faz logo, merda – diz Ian sem paciência.

Eu fuzilo os dois garotos sentados lado a lado na mesa da praça de alimentação do shopping com meus olhos.

Foi uma péssima ideia concordar com esse plano. A Alicia ainda me paga muito caro por tudo que está me fazendo aguentar.

Dou um suspiro de derrota e volto a olhar para os dois.

– Tudo bem – digo sem animo. – Quem é a vítima?

Os dois dão uma olhada geral na praça de alimentação, que não está muito cheia para o final da tarde. Eles estudam cada lugar por mais ou menos um minuto e eu já quero gritar com eles por causa da demora. Até que eles se olham e parece haver um consenso entre os dois.

– Ele – Ian aponta para um homem de meia idade usando um terno preto que está jogando os restos de comida na lixeira.

– Você já sabe que tem que ir até ele e somente perguntar as horas. – Eu assenti, dizendo que entendi perfeitamente as outras cinco vezes que ele me disse isso. – Ele vai ser uma presa fácil; é frustrado com o trabalho, ainda mora com a mãe, está quase entrando em depressão, odeia seu trabalho e tem forte tendência para o suicídio ou o alcoolismo; ainda não sei direito qual dos dois é mais forte – declara Derek o estudando minuciosamente.

– Como você sabe de tudo isso? – pergunto assustada.

– Psicologia – dá de ombros. – Depois que você aprende é fácil ler as pessoas.

– E mesmo depois de falar tudo isso dele, você ainda quer que eu vá lá e pergunte as horas?

– Vai logo, Marie – Ian reclama, roubando minha última batata frita do prato.

Eu olho para os dois com um olhar que esboça claramente meu desgosto.

Bufo de raiva e rodo a cadeira para me por em pé em um pulo. Já posso sentir a minha garganta se comprimindo com meu nervosismo, mas vou lutar para não ter um ataque de asma a qualquer momento.

– Ajeita a roupa – ouso Ian dizer com a boca cheia de hambúrguer.

Espalmo a sujeira invisível da minha caça preta skinny desconfortável e subo um pouco mais minha blusa azul-turquesa com uma mão caída de lado. Olho por um instante para mim e balanço a cabeça deixando registrado na minha mente que essa é a última vez que deixo a Cassie me vestir de forma “simples”.

Ando meio hesitante para me aproximar do estranho que já colocou sua bandeja em cima da lixeira e está andando para sair da praça de alimentação. Contorno todo o ziguezague de mesas e aproximo dele tentado demonstrar que aquilo não foi armado, mas apenas uma coincidência e que eu necessito saber as horas.

A apenas um passo de distância dele, eu cutuco seu ombro, ele se vira em minha direção e eu trato no mesmo milésimo de segundo em colocar um sorriso nos meus lábios cheios de gloss que quero muito comer. Nervosa, eu começo a brincar inconscientemente com a minha bombinha de ar no bolso da frente da calça.

– Com licença, mas você teria como me informar que horas são? – pergunto com meu tom mais simpático e ainda com meu sorriso de Barbie.

Ele olha alguns segundos para mim meio confuso e depois seu olhar percorre todo o meu corpo de forma meio disfarçada quando ele finge que apenas abaixou a cabeça para ver o relógio no pulso. Meu corpo quase estremece ao perceber o que ele fez e tenho que me segurar para o meu sorriso não sumir.

O homem dá duas batidas no visor de vidro do relógio, talvez para ver se ele parou de vez e depois volta a olhar meu rosto, não antes de olhar meus peitos. Eu respiro muito fundo e mordo a parte interna da bochecha, quase posso sentir o gosto de sangue na boca.

– São exatamente sete e meia – ele arrisca retribuir o sorriso e percebo que ficou todo animadinho.

– Obrigada, senhor

– Não tem de quê, docinho – ele se inclina um pouco para frente para poder ver mais meu decote que a manga caída da blusa revela.

Ah, não. Eu já aguentei um tarado no metrô, um vampiro pervertido me beijando, mas não vou tolerar me chamarem de docinho, penso, estreitando meus olhos e o sorriso se esvanecendo em meus lábios.

Com raiva, meus dedos se fecham em volta da pequena bombinha e meus olhos se estreitam ardendo de ódio.

– Senhor – chamo a atenção dele, que volta a olhar para mim com um sorriso malicioso – você não deveria ser tão cara de pau e não devia estar tentado ver meus peitos, mas como um agrado especial, eu deixo o senhor sentir o peso do meu punho – dou um sorriso falso.

No mesmo segundo fecho minha mão esquerda em um punho de ferro e desfiro um soco bem na boca do estômago do infeliz, que se contrai para frente e cospe cuspe misturado com sangue no chão.

– Esse só foi o primeiro. Eu vou te ensinar uma boa lição em não me ver como um pedaço de carne, seu cretino! – grito explodindo de raiva.

Quando vou dar um gancho de direita, meu pulso e agarrado no ar e eu olho para trás sob meus ombros, para ver Ian e Derek com cara de nada felizes.

– Que merda, garota. Você não consegue nem pedir as horas sem mandar alguém para o hospital? – Ian rosna, me arrastando com ele para o sentido contrário da briga que agora ganhou um número considerável de público.

– Ele tentou olhar os meus peitos – vocifero.

– Não acredito que nem isso ela consegue fazer. Que ridículo – Derek suspira cansado. – Esse trabalho vai ser mais difícil do que pensei – declara olhando para Ian.

Uma dor aguda no começo do estômago me incomoda e começa a subir até a minha garganta que se fecha a cada segundo mais e mais.

– Começamos errados. Temos que tratar a raiva dela primeiro, senão não vamos conseguir ir adiante.

– Me soltem! Eu quero voltar lá para acabar com aquele desgraçado, filho de uma mãe unicórnea sem cifre! – continuo gritando desesperada, ignorando a dor sufocante.

– E temos que tratar esse linguajar estranho dela também.

– Com certeza temos – Ian concorda.

Com raiva, eu coloco pressão nos calcanhares para parar no lugar, como um burro empacado e consigo que os dois olhem para mim quando paramos.

– Não falem como se eu não estivesse aqui... seus imbecis – digo ofegante e a tontura pela falta de ar já é iminente.

– Onde está a sua bombinha de ar, Marie? – Ian me pergunta, ainda segurando meu pulso e se aproximando mais de mim.

Assim que ele termina de falar eu já coloco a mão no bolso da frente da calça a procura da minha bombinha. Acho o objeto rapidamente e já levo a boca, comprimindo contra meus lábios e absorvendo o ar gelado.

– Ah não, ela é uma garota brigona asmática? – Derek pergunta perto de mim.

Ian só assente afirmadamente.

Depois de alguns minutos em silêncio, só com o barulhinho irritante do aparelho entre meus dedos, quando estou mentalmente, fisicamente e folêgamente – essa palavra não existe, acabei de criá-la. Derek olha para Ian ao seu lado, que ainda está com meu punho em sua mão e eles parecem ter uma conversa silenciosa da qual não fui convidada.

– Eu que a convenci a aceitar o plano, você cuida disso agora.

Os ombros de Derek caem e ele revira os olhos. Depois de suspirar e Ian soltar o meu pulso ele se aproxima de mim com um rosto sem expressão que é acentuado por seu cabelo negro jogado de lado, seus lábios rosados que agora não parecem nada mais que uma linha e seus intensos olhos acinzentados, me assustam.

– O que você pensa que vai fazer? – pergunto recuando um passo.

Sem dizer nada, ele me agarra pela cintura e joga meu corpo por cima de seus ombros, me deixando ali. Eu me contorço em seu ombro e começo a gritar socorro, mas ele não me solta, apenas aperta ainda mais as mãos em minhas coxas e cintura.

– Me coloque no chão, seu brutamonte com falsa cara de bebê! – esperneio com a bombinha ainda em mãos.

– Onde ela arranja esses apelidos estranhos? – ele pergunta para o amigo.

– Vai saber. Ela já é estranha. Deve ser defeito de fábrica mesmo – Ian dá de ombros.

Os dois continuam andando, rumo ao estacionamento do shopping conversando sobre coisas banais, como se eu não estivesse sendo carregada no ombro de um deles e não estivesse gritando e chamando atenção de todas as pessoas em um raio de uns três quilômetros. Em alguns intervalos de tempo, eu paro de gritar para colocar a bombinha de ar entre meus lábios e não morrer sem fôlego.

– Vamos te transformar em uma pessoa sociável e quase em uma dama, Marie – Derek fala mais alto que meus gritos de desespero.

– Vão para o inferno vocês dois. Eu não quero mais fazer isso. Estou sendo maltratada e já disse, eu quero descer.

– Que pena, Marie, mas você assinou um contrato onde diz claramente que podemos agir da forma que quisermos e acharmos que você irá aprender – Ian diz com falsa consideração. – Acho que você devia ler mais as palavras miúdas dos documentos que assina.

Sem que eu percebesse já chegamos ao estacionamento e Derek aperta o alarme de seu Mustang preto metalizado novinho em folha.

– Para onde vamos agora, Ian? – pergunta Derek me ignorando enquanto tento chutar seu estômago ou o que acertar com meu all star.

– Vamos tratar a raiva dessa amazona de uma vez – diz de forma divertida.

Notas finais
Espero terminar a tempo o próximo capítulo e espero ver comentários, será que a Marie merece?