Diabolic Lover

1 01 - O dia que me tornei uma caçadora de vampiros


Notas iniciais
Esse é apenas o primeiro e não faço a mínima ideia se está bom, então, torço os dedinhos para estar bom.

Sentada no desconfortável banco do metrô, meus olhos estão vidrados nas páginas do livro que estou lendo. Estou chegando à melhor parte, quando o detetive descobre quem é o serial killer.

Por um minuto eu prendo a respiração, ansiosa com o desenrolar da história e atônica com o bem estar do meu amado deteve. Quando ouso alguém pigarrear e perguntar:

– Com licença... – a contra gosto tiro meus olhos por um instante das páginas para olhar o homem parado a minha frente. – Esse lugar está vago? – pergunta o homem de meia idade usando um sobretudo preto apontando para o lugar ao meu lado.

Está. Não está vendo que o Sr. Invisível esta sentado aí?, penso de forma sarcástica, mas infelizmente não é o que digo.

– Não – antes de ser tragada de volta a leitura, vejo claramente que ele sorri com a minha resposta seca e não perde um segundo para se sentar ao meu lado.

Volto a minha atenção para o meu amado Sherlock Holmes, tentando retomar o ritmo da leitura, trazendo consigo a empolgação que só um bom livro pode dar e tentando ignorar a existência daquele homem.

Mas depois de dez minutos fica meio difícil fingir que ele não está ali, já que sinto seus olhos observando cada movimento que faço. Isso começa a me dar nos nervos e quero bater com o livro na cara do sujeito, mas eu tenho respeito pelos meus amados livros, nunca iria fazer uma brutalidade dessas com eles.

– Com licença, eu posso te ajudar em alguma coisa? – pergunto, colocando um dedo na página que parei e fechando o livro, olhando diretamente para o homem.

– Ah, me desculpe atrapalhar a sua leitura, mas é que fiquei um pouco impressionado com uma jovem da sua idade, que ao invés de estar lendo uma revista fútil de fofoca está lendo um livro – ele dá um sorriso meio sem graça.

Eu tenho que me segurar para não soltar um suspiro e revirar meus olhos com esse comentário. Quantas vezes eu já ouvi aquilo? Dez? Não, acho que quinze vezes. Tudo bem, eu sou uma anomalia adolescente. Eu já sei disso. Por que insistem em toda vez que tem a oportunidade jogar o óbvio na minha cara?

– É. Muito interessante mesmo – digo sem vontade alguma e volto a ler meu livro.

Não demora muito para que eu sinta novamente os olhos dele pregados em mim.

Esse cara não se manca não?, penso tentando reprimir a vontade de socar a cara desse imbecil. Cerro os dentes, para não dar com o meu pequeno punho no nariz dele.

– Olha aqui eu...

– Você é muito linda, sabia disso? – ele coloca uma mão no meu joelho e me dá um olhar de forma sugestiva. – Ainda mais lendo um livro de forma intelectual.

Sem pudor algum, ele acaricia o meu joelho, mesmo sob o jeans da calça eu sinto o toque frio de sua pele e aquilo é o bastante para me sentir enjoada.

Rapidamente eu dou um tapa na mão pervertida dele e me coloco de pé em um instante. Agarro a minha bolsa jogada no outro banco e vou de encontro à porta do metrô que se abriu revelando a estação. Assim que saio do vagão do transporte, uma bufada de ar frio quase estapeia meu rosto, mas isso não é o bastante para que eu volte a me sentar perto daquele pervertido.

Agora na plataforma, eu não me dou chance para olhar para trás e ver se ele é ousado o bastante para me seguir ou se estou segura. Sem hesitar e me deixar com o sentimento de falsa segurança, eu subo as escadas para sair do metrô. Mesmo que agora eu tenha ficado a três estações do meu destino e vou me atrasar para encontrar com a Cassie e bem provável que terei que pegar um taxi e gastar mais dinheiro – que poderia ser investido em mais livros para a minha biblioteca particular – por nada nesse mundo eu vou voltar para o metrô e dar de cara com aquele pervertido vestido de sobretudo.

O ar frio da rua misturado com a poluição que só Nova Iorque pode te proporcionar me agracia, fazendo todo aquele gás carbônico ao invés de oxigênio ir para os meus pulmões que já não são tão saudáveis assim.

Vou até o meio fio da calçada, mas por azar nenhum taxi passa. E novamente sinto a sensação de estar sendo observada como um ratinho de laboratório. Maravilha. Agora vou ser perseguida por um pervertido. Esse dia não poderia ficar melhor, não é?

Fecho mais meu sobretudo cinza e me abraço para a sensação de estar congelando de dentro para fora sumir, mas é em vão.

Meu coração começa a ficar disparado e todo meu corpo treme de medo, mas eu não vou dar oportunidade para esse pervertido me atacar como uma donzela em perigo.

Desisto de pegar um taxi e começo a andar pela calçada, tentado me misturar aos pedestres para despistá-lo, mas a sensação de ser observada não some e então apreso meus passos cada vez mais, quase correndo como uma louca.

Passo apressada por um cruzamento, que em poucos segundos o semáforo fica verde e eu ainda estou atravessando correndo. Quando chego do outro lado, ofegante e achando que meu coração pode sair pela boca a qualquer segundo, vejo que do outro lado do cruzamento tem um homem de sobretudo em meio a multidão que espera para atravessar. Sem pensar duas vezes eu volto a correr desembestada e esbarrando nas pessoas que andam tranquilamente pela calçada.

Algumas vezes me permito olhar sob os ombros para ver se o despistei de vez ou para ver se acho um policial para salvar a minha vida, mas não vejo nenhum dos dois e por um lado me sinto aliviada e por outro me sinto entrar em pânico a qualquer segundo. Passo na frente de um beco escuro e uma mão saída das sombras agarra meu braço esquerdo e me puxa para dentro da escuridão. No mesmo segundo começo a gritar, mas minha boca é tapada por uma mão e sinto minhas costas irem de encontro à parede do beco. Começo a me debater e tento morder a mão que tapa a minha boca, mas o meu corpo é empresado por outro corpo firme.

– Shhh – fala uma voz masculina meio aveludada tentando me silenciar. – Tem um cara te perseguindo há alguns minutos.

Claro que tem. Você, penso desesperada. Os cantos dos meus olhos se enchem de lágrimas e não consigo reprimir a imagem de mim estirada no chão com as roupas rasgadas e um mendigo me achando na manhã seguinte enquanto procura comida no lixo.

O homem continua com a mão na minha boca e não consigo ver nada na escuridão do beco, mas sinto que ele não esta olhando para mim e sim para o movimento na calçada. Pelos cantos dos olhos eu tento ver também, quando vejo um homem alto de meia idade usando um sobretudo preto e carregando uma maleta preta passar, olhando para todos os lados, obviamente procurando algo ou alguém.

Meus olhos acinzentados se arregalaram ao perceber quem é aquele homem, o mesmo que tentou me assediar no metrô. Se aquele na calçada é o mesmo pervertido que tentei dar um soco, quem é esse que está tapando a minha boca?

Voltei minha atenção com mais medo do que nunca para o homem a minha frente, que não sei quem é e nem consigo ver sem luz. A mão na minha boca foi afrouxada, quando o pervertido que estava me perseguindo seguiu caminho.

– Q-quem é você? – perguntei na primeira oportunidade.

– Só o que você precisa saber é que te salvei de ser estrupada. Então devo ser seu cavaleiro sem o cavalo branco – diz ele em um tom meio sensual e brincalhão.

– Eu não pedi a sua ajuda – digo de forma mal-educada e me debatendo para ele me soltar.

– Que mal agradecida. Eu deveria ter deixado aquele homem ter feito o que quisesse com você.

O homem me solta e eu deixo a respiração que nem tinha percebido que tinha prendido sair. Me sinto mais aliviada, já que o homem que me salvou me da espaço para respirar. Mesmo no escuro do beco eu percebo que ele deu as costas para mim e não deve estar nada feliz por ter salvado uma mal agradecida.

– Ahn... eh... Obrigada – digo baixinho, abaixando a cabeça e olhando para onde acho que deve estar meus pés.

Um silêncio se estende por um longo minuto e como ele não falou mais nada. Bem, essa deve ser minha deixa para ir embora, o que me sinto muito agradecida.

– Bem, eu já vou indo, estou atrasada para um compromisso... ahn... Obrigada mais uma vez.

Passo a mão pelo cabelo e na roupa para desamassar. Em seguida dou dois passos para sair do sombrio beco.

– Mudei de ideia. Não vou dar uma de cavalheiro. Agora quero uma recompensa por te ajudar – disse o homem e no mesmo segundo ele agarra o meu pulso e me arrasta de volta para o escuro.

Antes que eu pudesse protestar ou pensar em fazer alguma coisa, seus lábios selaram os meus e meu corpo é pressionado mais uma vez contra a parede. Meu corpo todo queima no mesmo instante, como se alguém tivesse colocado fogo em mim e agora sou uma tocha humana.

Então é isso que chamam de sair da panela para a frigideira?

Tento lutar contra ele, mas isso só o faz ficar mais animado e me pressionar mais contra a parede, quase que nos fundindo e virando um. Uma das mãos dele vai para a minha nuca e a outra desce até a minha coxa a apertando no mesmo segundo. Ele força a entrada da sua língua e explora todos os cantos da minha boca.

Não tenho mais ar sobrando em meus pulmões. Tenho que respirar. Preciso de espaço, mas minha procura é em vão, ele não me dá espaço. O cheiro almiscarado que ele exala está me deixando tonta.

Com minhas mãos em punhos tento bater no peito dele para que recue, mas não fez diferença alguma, meus punhos apenas acertam o que parece um muro de concreto de tão sólido que é seu peitoral.

Ele deixa minha boca e desce seus lábios até meu pescoço, no primeiro momento ele só distribui beijinhos no meu pescoço, passeando com sua língua, e aquilo me da leves arrepios, depois ele começa a chupar meu pescoço.

– P-pare... – Droga! Droga! Pare de gaguejar, sua idiota! – P-por favor... pare – tenho que morder o meu lábio inferior para não continuar gaguejando.

Eu não aguento mais e deixo um leve gemido sair entre meus lábios. Sinto que ele fica entusiasmado com o que fiz. Não. Isso não é possível. Meu primeiro beijo foi roubado por um pervertido e possivelmente serei estrupada por ele. Por todos os Pikachus da galáxia, alguém faça alguma coisa para impedir isso!

Aperto meus olhos, para impedir que comece a chorar como uma criancinha, mas as lágrimas queimam nos cantos dos meus olhos.

Ele deixa meu pescoço, não o achando mais interessante e começa a subir, explorando. Morde o lóbulo da minha orelha e com a respiração quente contra minha pele sussurra:

– Você é tão inexperiente – ele debocha.

Ele finalmente me solta, no mesmo segundo meus joelhos tremem e caio de bunda no chão. Olho para cima, olhando para onde deve ser o rosto dele e sinto que ali está estampado um sorriso de desdém.

Estou emocionalmente e fisicamente abalada, tanto que nem consigo me levantar para confrontar aquele segundo pervertido. Ele se abaixa e planta um beijo na minha bochecha que está praticamente pegando fogo.

– Tome cuidado, ovelhinha, você pode acabar caindo nas garras de um lobo mal – sussurra de forma divertida ao pé da minha orelha, me transmitindo um calafrio, que percorre todo meu corpo.

Eu fico ali, sentada no chão, enquanto ele sai do beco e a luz do final da tarde o banha. Nesse exato segundo eu uso a minha mente fotográfica para guardar cada detalhe que possa fazer com que eu o reconheça depois. Desde seu cabelo caramelo arrepiado, seus olhos azul celeste, o rosto quadrado, até as roupas que parecem ser de marca. Cada detalhe é precioso para poder achar e exterminá-lo depois.

EU VOU TE CAÇAR COMO A BUFFY, A CAÇADORA DE VAMPIROS, SEU TARADO!, grito em minha mente, deixando as lágrimas que estava reprimindo caírem.

Notas finais
Gente, ficou bom? Vocês querem me matar ou querem um garoto desse para vocês? Bem, eu não queria estar na pele da Marie