Dia sombrio
1 Dia sombrio
E tão cedo quanto a noite,
nasce o sol vazio;
urrando pelo seu açoite,
incendiando o dia sombrio.
Eis que então levantam-se os mortos.
Vão, vão! – Dizia a lua pálida –
Se joguem no abismo. Joguem seus corpos!
Proferiu a criatura sádica.
E se arrastaram, se enroscaram.
Gemeram, sussurraram. Odiaram, amaram.
E a lamentação da cidade foi ouvida
sob os raios de sol, que aos poucos se findavam.
Pois sim, a morte à luz foi proclamada.
As frestas e as aranhas reinaram,
e sob o concerto bucólico vagaram;
mas sem o sol a lua deixara, de repente,
pouco a pouco tão somente,
sua palidez inocente;
pois sem a luz não há trevas,
mas a música, ela mente;
chicoteia as notas, suas servas
para que se divulgasse um conto
sobre o alto da montanha,
e que somente naquele ponto
a luz é tamanha, tão grande quanto o frio,
e que o sol vivia e iluminava
aquele dia sombrio.
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